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Communications interfaces

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5.3 Operating conditions

5.3.16 Communications interfaces

Não sendo a temática principal deste trabalho a análise das estruturas físicas dos estabelecimentos hospitalares, convém salientar que a escolha das tecnologias está condicionada em certa medida pelo ambiente físico envolvente, podendo implicar restrições na prestação do cuidado ao paciente (Holman, 2009). Posteriormente serão analisadas as principais tecnologias disponíveis e existentes para mobilização e transferência de pacientes.

A limitação de espaço é muito frequente nos Serviços Hospitalares, nomeadamente a dimensão dos quartos. Segundo a American Nurses Association (A.N.A., 2003) os espaços exíguos ou uma arquitectura pouco funcional podem conduzir a adopção de posturas potenciadoras de lesões. Outro factor que poderá ser periclitante é o congestionamento por materiais ou mobiliário nas enfermarias dos hospitais, nomeadamente os guarda-roupas, carrinhos, cadeiras, cómodas, etc.

No âmbito da indústria da saúde é reconhecido o risco de lesões nas operações de elevação e transferência de pacientes fisicamente dependentes. As actividades principais traduzem-se na

movimentação que envolve transferência vertical e horizontal de pacientes. As actividades de movimentação vertical de pacientes caracterizam-se pela transferência da cama para a cadeira, da cama para o vaso sanitário e da cadeira para o vaso sanitário (Loyd et al., 2006).

Actividades horizontais ou laterais de manuseamento de pacientes incluem a movimentação da cama para a maca e actividades de reposicionamento. Soluções tecnológicas configuram-se como indispensáveis para combater as lesões músculo-esqueléticas na actividade de enfermagem, em particular em actividades de transferência e mobilização de pacientes (Loyd et al., 2006).

As tecnologias principais são agrupadas de acordo com a sua função principal. No que concerne às tecnologias para auxiliar na transferência vertical do paciente, estão incluídos elevadores de corpo inteiro com funda (base onde o paciente está), elevadores com a base junto ao solo, elevadores de tecto, elevadores accionados pelo pé, auxiliares de elevação sem motor e cintos de transferência (Loyd et al., 2006). Tecnologias para ajudar na transferência lateral e reposicionamento dos doentes abrangem sistemas de insuflação de ar, dispositivos de redução da fricção ou atrito, auxiliares de transferência lateral, painéis deslizantes, cadeiras de transferência, entre outros (Loyd et al., 2006).

Os elevadores de corpo inteiro são provavelmente os sistemas tecnológicos de elevação de doentes mais utilizados, existindo um leque alargado de modelos e configurações no mercado, sendo tipicamente utilizadas para doentes com deficiências físicas e mentais (Loyd, 2006). Estes dispositivos de elevação podem de forma global ser utilizados em todos os elevadores de transferência. A carga é suportada pelo elevador que induz a potência inerente, causando menor possibilidade de danos para a saúde do cuidador. De facto, existe uma panóplia de fundas disponíveis para os elevadores de corpo inteiro. Do ponto de vista da inovação e desenvolvimento de novas soluções as novas fundas são de mais fácil instalação na parte inferior dos pacientes. Os elevadores com a base junto ao solo ou também denominados elevadores com suporte no solo, são arquitectados sobre uma base que é manipulável pelo chão (Loyd et al., 2006).

Nelson et al. (2003) referem que o stress biomecânico infringido a um enfermeiro é mais elevado quando o mesmo utiliza os elevadores com suporte no solo, por comparação aos elevadores de suporte no tecto.

Alguns factores como a dificuldade em operarem em espaços exíguos, nomeadamente em enfermarias demasiado pequenas e com um número de camas excessivo ou casas de banho demasiado pequenas são destacados por Loyd et al. (2006). Por outro lado, esta tecnologia

encerra em si mesma a necessidade de manutenção frequente. O facto de requerer um espaço próprio para armazenagem encontra aqui também uma desvantagem (Loyd et al., 2006).

Os elevadores de tecto começam a assumir alguma preponderância e inerente adopção em diversos hospitais norte-americanos e europeus. Estes assumem características diferentes em relação aos elevadores com suporte no solo, dado que estão acoplados em calhas no tecto em cada enfermaria, não dependendo da variável espaço manuseamento e armazenamento, conforme indicado por Lloyd et al. (2006). Os mesmos autores ainda indicam que a sua disposição assume duas configurações no terreno, ou seja, uma única faixa ou calha de circulação ou uma configuração transversal. No que concerne ao primeiro sistema, todas as actividades inerentes à prestação de cuidados com apoio deste equipamento seguem um curso específico. Os sistemas transversais, devida a montagem perpendicular de duas faixas permite uma maior amplitude de cobertura numa enfermaria. Este equipamento pode ser utilizado com total segurança em pacientes mais agressivos, instáveis e com limitações cognitivas. Tendo a grande vantagem, apontada pelos mesmos autores, face aos elevadores de apoio no solo, pois permitem a sua utilização com eficácia em espaços limitados com menor número de enfermeiros. No entanto estes sistemas exigem um elevado investimento pelos hospitais.

Lloyd et al. (2006) refere que o sector de saúde apresenta um elevado risco de lesão envolvido no levantamento manual e correspondente transferência de pacientes fisicamente dependentes. Estes processos envolvem transferências horizontais e verticais. Assim, Comélio et al. (2005) mencionam que a utilização de equipamentos especiais tem gerado uma diminuição do risco de lesões na coluna dos trabalhadores de enfermagem, além de satisfazerem as necessidades de conforto e segurança dos pacientes.

Segundo Fonseca (2005) a movimentação dos pacientes de forma intensa, com muita frequência, e sem auxílio dos equipamentos mecânicos e potenciada ainda por posturas inadequadas, conduz à rotação do tronco, flexão do pescoço e membros superiores durante a execução das rotinas. Um desses equipamentos é a cadeira de banho utilizada rotineiramente nas acções de higiene corporal dos doentes, para auxiliar o trabalho e evitar lesões nos trabalhadores de enfermagem. No entanto, num estudo desenvolvido durante as actividades práticas realizadas no hospital, observaram-se inúmeras dificuldades e inerentes queixas relacionadas com a sua utilização (Comélio et al., 2005).

Torna-se ainda premente destacar a importância dos equipamentos de mobilização ou transporte de doentes como o elevador de transferência (Gallasch, 2003). Realçando que esta tecnologia deveria estar sempre presente num serviço no qual se encontrassem doentes obesos ou de mobilidade reduzida.

Atendendo ao conceito de elevadores de transferência – segundo Alexandre (2007) são dispositivos utilizados para actividades como a transferência para o banho e outros procedimentos que impliquem risco para a segurança do paciente e para o trabalhador de saúde. O mesmo autor refere vários modelos desses equipamentos, que possibilitam o levante dos pacientes dependentes e a sua transferência para cadeiras de rodas, sanitários, banheiras, etc. Possuem, assim, um sistema de regulação de altura e de movimentação de acordo com o tipo de procedimento a ser efectuado e inerente altura do trabalhador. Dispõem de alimentação eléctrica ou hidráulica e a sua estrutura é construída em aço inoxidável ou aço revestido em material antioxidante. São acompanhados de um conjunto de acessórios como: suportes e cintas de apoio para quadril, região dorsal e membros inferiores (Alexandre, 2007).

Este autor realça também que outros equipamentos como plásticos deslizantes, pranchas, cintos, barra tipo trapézio no leito, escada de cordas, discos giratórios, tábua de transferência e blocos de mão antiderrapante, são fundamentais para a prevenção de acidentes (Gallasch, 2003).

Exemplificando a abordagem anterior, deve ser visualizada a figura 2, reproduzida pelo Prevent, Institute for Occupational Safety and Health (2007), na Bélgica.

Figura 2 – Elevador de transferência

(Fonte:http://osha.europa.eu/pt/publications/e-facts/efact28de 11.01.2008, imagem reproduzida pelo Prevent, Institute for Occupational Safety and Health da Bélgica)

Contudo, nem sempre estes meios estão disponíveis para auxílio nas movimentações de pacientes. Ellis e Hartley (1998) referem um dado fundamental que se traduz na acção de determinados enfermeiros que ao desempenhar algumas tarefas se traduzem em práticas perigosas para estes profissionais, dado que os mecanismos de auxílio mecânico ou humano podem não estar disponíveis. Estes autores evidenciam a necessidade dos enfermeiros terem que atender à sua própria segurança.

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