• Aucun résultat trouvé

COMMUNICATION SUR LES RISQUES

Dans le document RÉPUBLIQUE DU CONGO (Page 57-60)

A termografia por cristais líquidos já é utilizada para o diagnóstico do Pé Diabético, apresentando-se como uma tecnologia simples, de baixo custo e não- invasiva e, que identifica o pé neuropático com elevado risco de ulceração [63].

28 A fim de relacionar as temperaturas do pé com a resposta dos cristais líquidos através da sua cor e construir o mapa de temperaturas resultante, Benbow et al. [56] avaliaram a temperatura média plantar do pé através deste tipo de termografia para prever o desenvolvimento de ulceração plantar em pacientes com Neuropatia diabética.

O teste foi realizado através de membranas de latex, com uma camada de cristais líquidos termocrómicos internamente à membrana (Novamedix, Novatherm), gerando cores desde o laranja (referente à temperatura mais baixa) até ao azul-escuro (referente à temperatura mais alta), registando variações de temperatura até 4 ºC. As membranas foram pressionadas contra a planta do pé durante 10 segundos e os padrões obtidos foram guardados através de uma câmara Polaroid. A partir das cores observáveis nas imagens obtidas, foi efetuada a correlação com as temperaturas correspondentes, através de informação obtida pela empresa fornecedora das membranas de cristais líquidos, Novatherm.

A partir do cálculo da temperatura média em 8 sítios da planta do pé, os autores selecionaram dois grupos de pacientes diabéticos neuropáticos, sem e com doença vascular periférica, e um grupo controlo. O grupo com Neuropatia e sem doença vascular (28,2 ± 2,9 ° C) apresentou temperaturas significativamente superiores às do grupo de controlo (25,7 ± 2,1°C) e às do grupo com Neuropatia e doença vascular (25,6 ± 1,9°C). Com este estudo concluíram que em pacientes diabéticos neuropáticos, a temperatura plantar é maior do que em pacientes não- diabéticos e na presença de vasculopatias, a temperatura diminui devido à diminuição do fluxo de sangue nas artérias. Na Figura 12 apresentam-se os locais que os autores consideraram relevantes para efetuar a deteção das temperaturas.

Figura 12 - Locais considerados com maior relevância de modo a obter a temperatura média da planta do pé: 1 a 5 – cabeça dos metatarsos, 6- arco medial, 7- arco lateral, 8- calcâneo [56].

Para além destas conclusões, os autores relataram ainda que os termogramas dos indivíduos não-diabéticos apresentavam um padrão cuja temperatura mais alta se localiza sobre o arco medial, tornando-se mais fria em direção ao arco lateral do pé. Na maioria dos pacientes com Neuropatia, mas sem doença vascular, um aumento

Capítulo 2 – Revisão da Literatura

29 generalizado da temperatura, particularmente sob as cabeças dos metatarsos e calcanhar foi também referido. Na presença de vasculopatia (doença vascular periférica) e Neuropatia, o termograma é caracterizada por áreas irregulares de temperaturas quentes e mais frias sob as cabeças dos metatarsos [56].

Stess et al. [64] utilizaram a tecnologia de cristais líquidos para determinar as

variações da temperatura na superfície plantar do pé de pacientes diabéticos com e sem história de úlceras nos pés. As leituras da temperatura foram obtidas em cada cabeça do metatarso, o hálux ou dedo grande do pé, e no calcanhar, correspondentes às áreas consideradas mais críticas para o estudo do Pé Diabético. Para tal, utilizaram-se folhas de cristais líquidos embebidos em elastómeros (Flexi-Therm), com

cores variáveis desde o castanho escuro (temperatura mais baixa) até ao azul escuro (temperatura mais alta). Mais uma vez, as folhas de cristais líquidos foram pressionadas contra a planta dos pés e os padrões foram registados através de uma câmara Polaroid.

As temperaturas médias aumentaram significativamente em pacientes diabéticos com úlceras ativas. Os autores identificaram ainda o padrão de emissão térmica de um paciente não-diabético, apresentando uma cor constante em toda a superfície plantar, com um aumento da temperatura do arco. Já os doentes com úlcera plantar ativa demonstraram um padrão de úlcera, sendo o local da úlcera evidenciado por um padrão frio central rodeado por um anel mais quente (Figura 13). A temperatura média no centro da úlcera ativa foi de 27 °C. Esta temperatura média foi significativamente mais elevada quando comparada com a temperatura média sob as cabeças dos metatarsos, hálux e o calcanhar no grupo de controlo não diabético. A presença de uma úlcera estimula o aumento do fluxo sanguíneo, indicando uma resposta local a uma lesão [64].

Figura 13 - A) Padrão de emissão térmico da planta do pé de um paciente não-diabético; B) Banda concêntrica mais quente evidenciando um local de ulceração diabética. No centro dessa porção verifica-se uma zona mais fria rodeada por anéis mais quentes [64].

Estes estudos confirmam as vantagens da utilização de tecnologias baseadas em cristais líquidos, nomeadamente um mapeamento completo e rápido de temperaturas da planta do pé, que permite rapidamente e com clareza visualizar as áreas problemáticas e risco de ulcerações.

30 Relativamente a técnicas alternativas, como termómetros elétricos e termómetros de infravermelhos, em muitos casos a tecnologia de cristais líquidos oferece inúmeros benefícios. Por exemplo, o uso de sensores para medir a sensibilidade do pé não tem a capacidade de cobrir toda a área plantar e deste modo, não consegue prognosticar o potencial estado ulcerativo na totalidade da planta do pé, de uma forma clara e rápida. Mesmo considerando apenas os pontos do pé de máximo interesse, seriam necessários inúmeros sensores, o que tornaria o sistema bastante complexo e dispendioso. Para além deste método, também a termografia através de infravermelhos possui desvantagens relativamente à tecnologia dos cristais líquidos, como os altos custos das câmaras utilizadas neste tipo de equipamentos, o que inviabiliza a sua aquisição por parte de inúmeras entidades de saúde.

Contudo, é de realçar que apesar dos inúmeros estudos no âmbito da termografia por cristais líquidos há ainda uma extensa necessidade de uma mais precisa relação entre os padrões termográficos e a circulação sanguínea. Sendo assim, os equipamentos com base neste método devem ser complementados com os métodos já existentes na prática clínica e considerados como essenciais à obtenção do diagnóstico (como os métodos de avaliação de sensibilidade).

Atualmente, existem dois dispositivos médicos no mercado que se baseiam na tecnologia dos cristais líquidos e que vão ser detalhadamente descritos no próximo capítulo. Estas informações adquiridas através do estudo do mercado permitem justificar a necessidade do desenvolvimento do novo dispositivo, com uma base tecnológica similar (através do uso de cristais líquidos), porém com vantagens significativas face aos dispositivos dos competidores.

32

3. Estudo do mercado

No âmbito deste projeto e para concretização do seu objetivo, o estudo do mercado para a identificação de tecnologias complementares à aqui proposta, revestiu-se de particular importância. Assim, depois de identificados, no capítulo anterior, os instrumentos mais vulgarmente utilizados na consulta do Pé Diabético, apresentam-se agora as tecnologias atualmente existentes e emergentes no mercado, que competem direta ou indiretamente com o produto que se pretende desenvolver neste trabalho. É de salientar que já são comercializados dispositivos para este tipo de diagnóstico, com base na tecnologia dos cristais líquidos. A identificação das características, custos e limitações destes equipamentos, constitui um aspeto estratégico, sobretudo para a definição das características únicas que o dispositivo que se pretende construir irá ter, para a sua aceitação e sucesso no mercado.

São ainda apresentados os resultados relativos ao inquérito efetuado aos profissionais de saúde sobre as necessidade atuais na consulta do Pé Diabético e a aceitabilidade de uma possível plataforma de diagnóstico desta patologia.

3.1.

Dispositivos médicos para o diagnóstico do Pé Diabético

Existem atualmente várias tecnologias comercialmente disponíveis para o diagnóstico de complicações associadas ao pé, muitas delas advindas da Diabetes. Estes dispositivos baseiam-se sobretudo na leitura das temperaturas da planta do pé, utilizando para isso termómetros de infravermelhos ou folhas de cristais líquidos, assim como na análise de pressões, através de sensores de pressão integrados em plataformas, por exemplo. Contudo, nenhum destes produtos tem sido adotado pelos sistemas de saúde como um teste padrão à identificação do Pé Diabético, já que todos eles têm limitações, sendo a mais importante o preço, o que torna a sua aquisição praticamente inviável.

Ao longo das próximas subsecções serão apresentados, primeiramente, os dispositivos que funcionam com base nas temperaturas (TempTouch, TempStat e

SpectraSole Pro 1000) e seguidamente serão apresentados os dispositivos que se

baseiam na medição de pressões (EMED, WALKinSENSE, FreeMed e Podoscan). Apesar dos últimos equipamentos referidos não se basearem na tecnologia dos cristais líquidos, competem indiretamente com o dispositivo que se pretende desenvolver, já que a partir da análise da distribuição de pressões, podem-se retirar conclusões acerca do estado de saúde dos pés do paciente.

Em casos de Pé Diabético, as úlceras tendem a desenvolver-se em áreas do pé mais expostas a pressões altas e repetitivas, durante o caminhar. Estudos anteriores compararam as pressões exercidas em vários locais da planta do pé, em indivíduos com e sem úlceras, reportando que em pacientes com a presença de úlceras, as pressões são geralmente superiores a 110 N/cm2, sugerindo que pacientes

com neuropatia diabética têm valores de pressão plantar significativamente superiores a indivíduos saudáveis [65].

Dans le document RÉPUBLIQUE DU CONGO (Page 57-60)