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Mais une communication sur l’existence d’effets indésirables peu visible

B. UNE PLACE INSUFFISANTE POUR LA COMMUNICATION SUR LES

2. Mais une communication sur l’existence d’effets indésirables peu visible

Quem somos hoje? Saberíamos? O que se fez de nós? O que se nos permitimos que se fizesse de nós? O que fizemos com o mundo e do mundo? O que o mundo que fizemos fez de nós? O que faremos a partir daqui? Perguntas que ressoam especialmente em situações de crise, de transição, de mudanças. Perguntas necessárias para uma reflexão produtiva, para o alavancamento de um processo mais profundo de transformação ou ao menos de mapeamento das circunstâncias e projeção daquelas que almejamos seja pela demanda seja por ideais. Perguntas que nos fazem perceber o quanto somos tanto e tão pequenos, o quanto somos totais e tão precisados do outro e do meio, o quanto fomos despedaçados e agora nos queremos reconstituir novamente.

Enquanto na idade média o homem vivia como contemplador e parte da natureza, integrava-a, observava-a, aprendia com ela, submetia-se aos seus movimentos, na modernidade o homem a pôs ao seu serviço, ao seu domínio escravocrata e acabou escravizando a si próprio numa postura desrespeitosa e imprudente aos ciclos naturais fundamentais para a nossa existência, assim como da vida em geral, neste planeta. A degradação avançada da natureza que assistimos e vivenciamos não é mais somente do meio, mas está diretamente relacionada ao descaso com a vida e ao desequilíbrio das/ nas sociedades humanas. Urge que mudemos de postura, que nos vejamos como parte deste universo, como uma totalidade que compõe outra, interdependentes, interagentes, integradas, para que se compreenda que a devastação do humano é promovida pelo homem. Há que se pensar na unidade que formamos em todos os aspectos: biológico, ecológico,

intelectual, emocional, cultural, político, social; somos unidades totais em constante processo, movimento e interação nos atos de conhecer, experienciar, construir o pensamento (MORAES, 2004).

Na educação moderna de moldes tradicionais, a escola é gerida pelo “universo estável e mecanicista de Newton”, influenciada pela filosofia positivista de Comte, numa visão linear, tecnicista, hierárquica, autoritária, dogmática, bancária, domesticadora, enquanto a contemporaneidade requer criticidade, criatividade, expressão, autonomia, cooperação, consciência ecológica, percepção de múltiplas possibilidades nas contingências do dia-a-dia. Otimizar a educação hoje não corresponde mais moldá-la em par aos procedimentos industriais, à eficiência e eficácia tayloristas, e sim mobiliza-la de tal forma que se aprenda/ apreenda a realidade nos seus aspectos multidimensionais numa relação complexa, dinâmica, plural, instável, dialética entre sujeito e objeto já não mais separados como na modernidade, mas interconectados pelos vínculos que constituem a eles próprios nas relações que estabelecem entre si.

Este novo paradigma destaca a necessidade de aprender a aprender, a pensar, a saber manejar o conhecimento de forma crítica e criativa, partindo da ideia e da visão global da realidade. Nessa nova perspectiva de educação, a escola sabe que não há como aprender tudo e que para melhor escolher é necessário estar bem informado (MORAES, 2004). A escola se compromete em ensinar a ser um eterno aprendiz, incentivando a pesquisa e o desenvolvimento dos próprios meios de aprendizagem, autoconhecimento, resolução de problemas, tomada de decisões, compreensão; vê o sujeito como único, singular e o convoca a uma atitude de (auto)construção ativa. Um conceito importante a ser levado em conta nesta nova proposta de educação é a auto-organização individual e coletiva, que presume a motivação interna e a elaboração de um currículo que coloca o estudante na posição ativa de conhecer, diferente do enfoque instrucional e tecnicista no qual o ensino determina a aprendizagem e condiciona o aluno à passividade perante forças externas (a arcaica ideia de tábula rasa). Numa perspectiva metodológica investigativa coloquei o estudante no papel ativo de sua aprendizagem e desenvolvi as práticas pedagógicas na escola que acolheu a pesquisa inspirada na abordagem de projetos de trabalho.

O ser humano no novo paradigma educacional é aquele que conhece pelos sentidos e constrói o pensamento interagindo ainda com as condições que o contexto oferece, não é mais visto como fragmentado. Sendo assim nossas experiências

cotidianas, as discussões do/ no senso comum não são desconexas das ciências nem do desenvolvimento do conhecimento nos meios acadêmicos, tudo é correlato numa visão holística do homem e de suas produções. Se a educação protagonizada na escola não tem relação com a vida, produz seres incapazes de interagir com o mundo através do conhecimento deflagrado nos bancos escolares, cria-lo, modifica-lo, e, num ato de autoconhecer-se e autorreferenciar-se, ser autor da própria história.

A pesquisa focou no pensar/ problematizar o racismo e as relações de poder a partir das práticas discursivas no espaço das aulas de artes na escola, na turma de 91, neste caso em específico, tendo os impactos, efeitos e trabalhos que gerou, pensando que só é possível o empoderamento do desfavorecido pelo condicionamento do poder se houver uma virada na experiência desse sujeito, uma desnaturalização do seu papel, um reconhecimento do lugar que ocupa por outra ótica, um olhar reflexivo e interrogante para a história e o contexto que ela construiu pelo discurso.

Há presente nesta pesquisa a proposta de um currículo que abrace as experiências dos sujeitos, os conhecimentos acumulados pela humanidade, os conhecimentos que virão a ser construídos, as realidades múltiplas que se fazem e coexistem concomitantemente em cada um e no grupo de épocas condicionadas pelas referências culturais, econômicas, sociais, subjetivas.

Os conhecimentos na nossa escola ainda são compartimentados em disciplinas que, por sua vez, tem conteúdos elencados, os quais precisam ser atravessados neste tempo por conhecimentos da vida, da experiência, necessitam ser transversalizados não somente na teoria, mas nas práticas escolares e discursivas que se produzem nestes espaços, pois produzem sentidos, significados, subjetivam os sujeitos. Apesar de haver propostas de organização dos conteúdos por métodos globalizados, onde se prevê uma continuidade sem fragmentações pelas unidades didáticas (ZABALA, 1998), as dificuldades encontradas na escola correspondem muitas vezes à falta de interação entre os professores e de projetos que proporcionem ao menos uma interdisciplinaridade. A transdisciplinarização no contexto escolar no qual foi realizada a pesquisa seria ainda uma utopia em contraponto ao que ocorre com a experiência.

Perguntarmo-nos se somos capazes de borrar as fronteiras sólidas desta organização inflexível, ao menos em pequenas fissuras, disparando ideias que tragam à tona os sujeitos que nos constituímos frente a todo compêndio de possibilidades que se nos apresentam é um desafio irrevogável. Trabalhar com temáticas polêmicas,

significa trazer para dentro das discussões dos conteúdos das disciplinas matéria imediata da experiência que não pode mais ficar do lado de fora.

Somos sim sujeitos, ainda que estando sujeitos; sujeitos nesta/ desta transição urgente de paradigmas, o somos ainda que não saibamos por certo que lugar é este, que possa ser talvez o grande constructo com o qual a educação deve estar comprometida na contemporaneidade, atravessada por um currículo diverso e sendo- o também.

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