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1. La communication

2.9.1 CULTURA DE ANGOLA E VALORIZAÇÃO DO IDOSO

Em geral, na África, o idoso é muito respeitado e valorizado pela sua idade e por sua contribuição que dá às famílias e à sociedade, devido ao seu notório saber e a grandeza dos seus conhecimentos e a experiência vivida. Também em Angola, no que se refere ao idoso, dentro do contexto vivo, cultural, alicerçado nas civilizações africanas, o idoso é uma referência na vida do povo angolano. Assim proclama um ditado popular angolano: “O idoso é considerado um conjunto de livros vivos, que pode ser consultado com livre acesso; porém, quando um idoso morre na África, se diz que uma biblioteca que se fecha sintomatologia”.

O valor cultural do idoso é fundamental para entender a organização de saúde, das línguas e das características dos povos angolanos. Isso nas famílias angolanas, quando se recorre a um idoso, como fonte de consulta a saúde, em diferentes especialidades no tratamento com base na sintomatologia, uma vez que o idoso recebeu uma iniciação da geração anterior e passa para próxima geração a sua pratica tradicional que é fruto da experiência e da cultura local.

São nove as nações bantu de Angola, correspondendo a cada uma delas uma língua diferente ou idioma: Kikongo, Kimbundu, Tuchokwe, Umbundu, Tchiganguela, Lunhaneka, Tchiherero, Ambo e Donga. O povo

Bantu constitui um grupo especial entre os negros da África, e sua principal

característica é: a) o mesmo sistema lingüístico; b) uma civilização base; c) unidade nas idéias filosóficas. O povo bantu desenvolveu a metalurgia, a agricultura, a criação de gado, a pesca, o que lhe deu uma ascendência econômica e militar. Eles habitavam numa vasta área, que lhes permitiu uma arrancada rumo ao progresso, mas que não ocorreu em uma velocidade uniforme.

Assim, no progresso histórico do desenvolvimento da sociedade angolana, uns povos avançaram mais que os outros. A influência do meio geográfico, o modo de vida e a influência lingüística de outros povos fizeram que existissem em Angola esses nove grupos étnico-linguísticos. Dessa forma, conforme o grau de desenvolvimento ocorreu o crescimento demográfico e o nível de organização, os grupos étnico-linguísticos mais fortes que formaram reinos que marcaram a história de Angola, com resistências e superações, como o povo Ovambo, que resistiu fortemente ao colonialismo português em 1917.

Por fim, com a influência dos povos bantu, quase todos adotaram a vida sedentária, praticando pequenas lavras, caça, a procura de mel e fruta, valores de grande virtude dos idosos e fonte de inspiração para as gerações futuras. Portanto, a organização da saúde na sociedade antiga se inspirava na cultura do povo Tuchokwe. Segundo Yanka (1995) a assistência sanitária das pessoas se resumia no atendimento na regra de três desconhecidos ou diagnostique de

présomption (diagnóstico alternativo): a) Ikola ya zambi, se refere à doença

natural, conhecida enfermidade que tem um quadro clínico bem dominado pelo o povo; b) Ikola ya Chilowa significa doença de má sorte; e, c) Ikola ya

Mahamba patologia de origens espirituais tratadas pela sabedoria popular,

psicológica, atualmente se refere à psiquiatria. Os doentes recuperavam os seus estados saudáveis segundo esse sistema de Tuchokwe.

2.9.2 CULTURA DO BRASIL E VALORIZAÇÃO DO IDOSO

O idoso brasileiro autóctone ou pertencente à cultura indígena tem uma grande riqueza pós participa do encantamento (mistério) presente na vida, na doença e na morte. O envelhecimento dos povos tradicionais brasileiros, pode se discursar sobre a saúde e envelhecimento ameríndio no Brasil relatam pesquisas acerca dos povos indígenas por que: “[...] índios ocupem o território, principalmente em reservas indígenas demarcadas e protegidas pelo governo, abrangendo cerca de 200 etnias e 170 línguas”. (GOMES, 2008). No olhar da

saúde, cultura e religiosidade outra indagação tomando o texto de Alves (2008, p. 81):

Provoca as discussões sobre a saúde dos povos indígenas no Brasil e, por conseqüência, as questões da população idosa em seu meio começam a ser estudadas por diversos pesquisadores, [...]. Queremos reafirmar nesse texto, que é preciso fundamentalmente respeitar a cultura e a religiosidade indígena para que se possa pensar no cuidado e na saúde indígenas.

Função do idoso nas comunidades indígenas ressalta a importante função do Cacique, que era responsável pela organização da tribo, e do Pagé responsável pelo o tratamento de saúde da tribo do povo.

Ao falar da formação do povo brasileiro, é necessário primeiramente considerar que essa é uma história de longa duração e com muitos personagens. O povo brasileiro é marcado pela diversidade étnica, fisionomias, tradições e costumes que atestam a riqueza da população.

Ao longo da sua Pré-História, o processo de ocupação do continente americano possibilitou a organização de várias comunidades no interior e na região litorânea. Entre as culturas mais antigas, destaca-se a presença da antiga civilização marajoara, ao norte do Brasil, e os chamados povos sambaquis, que se espalharam por diferentes regiões do litoral sudeste e sul. (ALZER; CLAUDINO, 2013).

Avançando no tempo, destaca-se a formação das várias comunidades indígenas que se espalharam em pontos distintos do território brasileiro. Não eram povos homogêneos, mas estavam marcados pela pluralidade uma vez que os indígenas se diferem em várias línguas e práticas no vasto território brasileiro. Até o século XVI, eles foram os principais ocupantes desse conjunto de terras e paisagens.

Tudo isso viria a se transformar no ano de 1500, com a chegada dos europeus por aqui. Motivados pelo contexto da economia mercantilista e o desenvolvimento das grandes navegações, os portugueses ocuparam o Brasil com a intenção de realizar a colonização das terras e, conseqüentemente,

explorar as riquezas existentes. Sob o signo da dominação e da adaptação, os lusitanos trouxeram para cá as particularidades de sua cultura de origem e da Europa Cristã.

Embora tenham diminuído significativamente desde a chegada dos portugueses (1500), ainda existem vários povos indígenas habitando o território brasileiro. Cada um com sua cultura, língua, arte, religião, hábitos, tradições, mitos e costumes. No Brasil há índios que ainda vivem segundo a cultura de seus povos, muitas tribos ainda moram em ocas, sem o uso de eletrônico ou facilidade do mundo moderno, e tiram da natureza tudo o que precisam para seu sustento e sobrevivência, desde comida, roupas e objetos, até instrumentos de caça e de diversão. Segundo Alzer e Claudino (2013) os dez povos indígenas com maior população no Brasil, são eles: Ticuna, Guarani, Macuxi, Caingangue, Terena, Guajajara, Xavante, Ianomâmi, Pataxó, e Potiguara.

Desses dez grupos principais, algo em comum é a preocupação com as praticas de saúde que era uma das tarefas dos idosos que possuíam experiência da mesma forma como foi visto antigamente em Angola, assim é uma preocupação comum entre os povos que formam historicamente e culturalmente entre os dois países Brasil e Angola quanto à saúde dos idosos: ambos os países preocupam-se com as praticas de saúde. Portanto, nas hierarquias desses povos formadores dos dois países, se percebe a transmissão do saber para gerações mais novas nas tribos indígenas do Brasil e nas nações de Angola e conservações dos valores culturais morais cívicos benéficos para essas sociedades. Desse modo a religiosidade e a espiritualidade têm uma contribuição a dar ao bem estar do idoso. Um alerta à Gerontologia: a compreensão desse conhecimento na pratica clinica, como de contribuir para a melhoria da saúde do idoso.

2.10 O IMPACTO DA RELIGIÃO E DA ESPIRITUALIDADE NA SAÚDE