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EU action for health

3.1 Public health

3.1.7 Communicable diseases and threats to health

Segundo Minayo (1994), uma pergunta importante quando pensamos nos participantes de um estudo seria: “quais indivíduos sociais têm uma vinculação mais significativa para o problema a ser investigado?”. Compartilha deste pensamento Turato (2003), ao referenciar que a escolha dos participantes deve estar pautada na identificação daqueles cujos dados biopsicossociais possam originar informações substanciosas sobre a temática do estudo.

Neste sentido, o pesquisador, ao selecionar os participantes, deve seguir uma série de exigências e cuidados. Entre estes, se destaca o respeito ao universo de valores e preocupações do grupo social, de modo que a problemática levantada faça parte das experiências e do cotidiano dos indivíduos escolhidos (LÜDKE e ANDRÉ, 1990). Turato (2003) ressalta que, por questões práticas e temporais, apenas uma parte do universo dos sujeitos representativos fará parte do estudo em pesquisas que envolvam seres humanos.

Nesta perspectiva, Chizzoti (2000) diz que todas as pessoas que vivenciam uma dada realidade podem contribuir para compreendê-la, já que, inseridos em um determinado contexto, determinam suas ações e estratégias, bem como estabelecem seus estilos de vida e, desta forma, fornecem com maior clareza a compreensão dos processos que orientam os comportamentos adotados.

Na tentativa de encontrarmos as respostas à atual realidade da vulnerabilidade das mulheres frente ao HIV/Aids, tendo a escola como espaço de mediação nos diversos ambientes de convívio social, a entrada no campo ocorreu no segundo semestre do ano letivo de 2009, mais especificamente no mês de agosto, perdurando até o final do mês de setembro. Não tivemos a oportunidade de iniciar a coleta de dados no primeiro semestre do ano referido acima, em decorrência da paralisação das atividades nas escolas da rede municipal devido ao direito legalmente assegurado aos docentes de reivindicação por melhores condições salariais, infraestrutura e logística.

Antes de iniciarmos as entrevistas, houve um período de permanência no campo para que fosse possível a apreensão da dinâmica do processo relacional entre o corpo docente e discente, no intuito de permitir uma efetiva aproximação entre pesquisador e atores envolvidos na pesquisa. Ademais, possibilitou uma abordagem mais próxima do contexto social dos informantes.

Inicialmente, pensamos que, na abordagem a essas mulheres encontraríamos algumas barreiras por ser o tema HIV/Aids associado às questões de sexualidade que, apesar de todos os avanços no campo das discussões, reivindicações de igualdade de direitos e comportamentos entre os gêneros, ainda se encontra na sociedade permeado por tabus e preconceitos. Porém, à medida que nos aproximávamos dessas mulheres, percebemos um grande interesse e satisfação em participar do estudo, através de olhares curiosos, que em muitas demonstravam um sentimento de expectativa, como se aquela fosse uma oportunidade de compartilhar suas incertezas, dúvidas e angústias. A empatia que se constituiu, portanto, permitiu criar um espaço interrelacional de troca e comunicação mútuas. O receio e insegurança que porventura senti no início de minha entrada no campo se dissiparam quando fui generosa e carinhosamente recebida por essas mulheres.

A interação com as informantes ocorreu facilmente, criando-se um vínculo de confiança, um espaço de abertura para compartilhar segredos e experiências particulares, como se já existisse previamente um longo período de convivência. Seus gestos, faces, sorrisos, silêncio e olhares contribuíram sobremaneira para a detecção de como o fenômeno em estudo é percebido e elaborado por essas mulheres. Sem dúvida, momento ímpar para compreender aspectos que estão muito aquém de variáveis estatísticas.

Houve também uma recepção positiva por parte da direção e do corpo docente da escola que, em muitos momentos, compartilharam suas dificuldades em trabalhar questões relacionadas ao comportamento sexual de seus alunos. Percebemos que este fato gerava um sentimento de impotência diante da falta de habilidade em trabalhar, contribuir com a incorporação de comportamentos sexuais e reprodutivos seguros e conscientes, através da promoção de informação de qualidade, que respeite e valorize a liberdade de escolha e decisões tomadas.

Por se tratar de uma pesquisa qualitativa, à medida que os dados foram sendo coletados e transcritos na íntegra, realizava-se a leitura cuidadosa e apurada das informações com o intuito de verificar a necessidade de continuidade ou não de novas entrevistas.

A participação dessas mulheres ocorreu de forma totalmente voluntária e foram previamente informadas dos objetivos do estudo e do sigilo de suas informações. Antes de iniciarmos a entrevista propriamente dita, a entrevistada teve acesso à leitura do termo de consentimento livre e esclarecido (Apêndice A), elaborado de acordo com as normas e diretrizes regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde (Resolução 196/96).

Na busca por significados genuínos do fenômeno social em foco nesta pesquisa, optamos por entrevistar mulheres matriculadas no período noturno da escola já referida anteriormente. Com vistas a uma compreensão aprofundada e ampliada acerca da aids e sua relação com o universo feminino, e não da sua explicação, não definimos a priori o número de sujeitos que seriam entrevistados. Pois como lembra Minayo (1994, p. 103) “certamente o número de pessoas é menos importante do que a teimosia de enxergar a questão sob várias perspectivas, pontos de vista e de observação.”

Foram selecionadas vinte mulheres que, no período da coleta de dados, apresentaram idade igual ou superior a 18 anos de idade, e que aceitaram participar do estudo e assinaram o termo de consentimento. A principal justificativa por este grupo deveu-se a mudanças substanciais no perfil epidemiológico da infecção pelo vírus HIV nos últimos anos. De acordo com dados do Ministério da Saúde do Brasil (BRASILb, 2007), desde o ano 2000 o público jovem concentra a maior parcela de casos de aids notificados. No período de 2000 a 2006, a faixa etária dos 13 aos 24 anos representou 80% dos casos identificados.

Vale ressaltar que as mulheres com idade igual ou superior a 18 anos tiveram sua participação no estudo vinculada à assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foram excluídas as mulheres menores de 18 anos, as que, mesmo pertencendo à faixa etária eleita, não desejaram participar, as que não assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, e as que não se sentiram à vontade para continuar a participar da pesquisa. As participantes foram

informadas de que a pesquisa não causaria nenhum dano a sua saúde, e, caso isso ocorresse, elas seriam ressarcidas.

Foi assegurado o anonimato das participantes do estudo, compromisso assumido no momento da realização das entrevistas, através da utilização de nomes fictícios para nomeá-las. Optamos pelos seguintes pseudônimos: Maria Aparecida (entrevista 1), Maria José (entrevista 2) , Maria da Penha (entrevista 3), Maria Eduarda (entrevista 4) , Maria de Fátima (entrevista 5), Maria Luiza (entrevista 6), Maria da Conceição (entrevista 7), Maria Maria (entrevista 8), Maria Fernanda (entrevista 9), Maria Angélica (entrevista 10), Maria Antônia (entrevista 11), Maria do Socorro (entrevista 12), Maria de Nazaré (entrevista 13), Maria Augusta (entrevista 14), Maria Célia (entrevista 15), Maria Cristina (entrevista 16), Maria Laura (entrevista 17), Maria Carmem (entrevista 18), Maria Isabel (entrevista 19) e Maria Rosa (entrevista 20).

Essa foi a forma que encontramos para representar e homenagear a diversidade e pluralidade de mulheres que hoje compõem o contingente de mais de 90 milhões de brasileiras, que hoje correspondem à população majoritária do país.