A intervenção educativa foi realizada pela pesquisadora no próprio hospital sede do estudo, parte em sala previamente designada para essa atividade, nas dependências internas da instituição; parte no próprio setor de atuação. Teve duração de três horas e foi ofertada por sete vezes, de modo a possibilitar a participação de todos os profissionais. A atividade foi cadastrada, com envio do projeto, na Unidade de Desenvolvimento de Pessoas da instituição com posterior emissão de certificado. Tal ação partiu da exposição da problemática vivenciada e incluiu a construção do conhecimento partilhado com a equipe com o intuito de estabelecer relações entre a realidade no cenário da prática com o conteúdo científico, de modo a estimular a reflexão e a análise conjunta do problema com a proposição de medidas preventivas e identificação dos principais cuidados.
A intervenção educativa foi desenvolvida em três momentos, a saber:
Primeiro momento: avaliação prévia do conhecimento dos participantes acerca das
estratégias preventivas das complicações que ocasionam a remoção não eletiva do PICC. a. Aplicação do questionário sobre o conhecimento dos profissionais, conforme Apêndice B (pré-teste): o questionário foi aplicado pela pesquisadora no início da intervenção educativa aos profissionais presentes, que tiveram 30 minutos para responder.
b. Identificação da percepção dos profissionais quanto às causas mais comuns da remoção não eletiva do PICC na UTI Pediátrica: após todos concluírem o preenchimento do questionário, eles foram recolhidos e, nos 5 minutos seguintes, a pesquisadora perguntou aos participantes quais as causas mais comuns de retirada do PICC percebida por eles no setor trabalhado. As causas citadas foram anotadas pela pesquisadora.
c. Apresentação das principais causas de retirada não eletiva do PICC na UTI Pediátrica – cenário do estudo conforme dados obtidos previamente no livro de registro dos casos de retirada dos PICCs: nos 15 minutos seguintes, a pesquisadora apresentou aos participantes, com um projetor de multimídia, os gráficos construídos contendo o índice de perdas e as principais complicações que levaram à retirada não eletiva dos PICCs inseridos na UTI Pediátrica, por ano e com a incidência de cada complicação. Os dados apresentados
coincidiam com as causas apontadas pelos participantes do estudo, denotando a compreensão da realidade clínica pelos participantes.
d. Estudo em pequenos grupos: após a apresentação das complicações, a pesquisadora dividiu os participantes em duplas (o quantitativo de duplas dependeu do número de participantes que puderam comparecer em cada encontro). Foram entregues, aleatoriamente, para cada dupla formada, uma cartolina contendo uma das complicações apresentadas anteriormente, lápis hidrocor e pequenos pedaços de papel com uma parte adesiva, que poderia ser fixada e removida com facilidade da cartolina. Cada dupla ficou encarregada de elaborar proposição de cuidados necessários para prevenção da complicação contida na cartolina por meio do registro dos cuidados nos papéis adesivos e fixação à cartolina. As duplas tiveram 20 minutos para a realização dessa atividade.
e. Apresentação dos cuidados propostos por cada dupla: após o término da atividade, um representante de cada dupla fez sua exposição ao grande grupo, com duração de 10 minutos. Após isso, a pesquisadora mostrou dados teóricos sobre os cuidados preventivos para cada complicação, tendo orientado que os participantes poderiam, conforme a apresentação dos cuidados, incluir ou excluir algum, conforme achassem pertinente, com a colocação ou retirada dos papéis adesivos da cartolina. Fomentava-se, dessa forma, a reflexão sobre a prática e sobre os próprios conhecimentos prévios.
Segundo momento: apresentação dialogada teórico-prática sobre PICC.
f. Aula teórico-prática dialogada ministrada pela pesquisadora. Utilizou-se a apresentação de slides e demonstração de técnica de flush e de desobstrução do cateter. Os slides continham definição, locais de punção, localização da ponta do cateter, indicações, contraindicações, benefícios e complicações do PICC, com as respectivas medidas preventivas e manejo. Tal apresentação teve duração de 60 minutos.
g. Discussão coletiva dos cuidados: após a apresentação teórica, a pesquisadora conduziu uma discussão coletiva acerca dos cuidados que podem prevenir a remoção não eletiva do PICC. Cada representante das duplas socializou, em 10 minutos, o que foi modificado nos cuidados apresentados anteriormente, fomentando a reconstrução ou a reafirmação dos conhecimentos.
h. Construção do consenso sobre os cuidados para prevenção da remoção não eletiva do PICC do grande grupo: após apresentação dos cuidados atualizados por cada grupo, o grande grupo foi convidado a discutir e consensuar os cuidados prioritários para cada complicação, algo que ficou registrado pela retirada do papel da cartolina e entrega à pesquisadora. Tais cuidados foram, posteriormente, organizados na Listagem de Cuidados
Prioritários relacionados ao uso do PICC. Essa última etapa da intervenção educativa teve
duração de 20 minutos.
Terceiro momento: avaliação do conhecimento sobre os cuidados com o PICC
posterior à intervenção educativa.
i. Nova aplicação do questionário (pós-teste): o mesmo instrumento aplicado no pré-teste foi aplicado novamente pela pesquisadora aos profissionais, após 30 dias da intervenção educativa, a fim de verificar se a intervenção provocou mudanças no conhecimento dos participantes.
A construção das etapas citadas foi norteada pela política de Educação Permanente em Saúde (EPS), que se baseia na aprendizagem significativa e na possibilidade de transformar as práticas profissionais que acontecem no cotidiano do trabalho. A EPS, segundo o Ministério da Saúde (MS), configura-se como aprendizagem no trabalho, em que o aprender e o ensinar incorporam-se ao cotidiano das organizações e ao trabalho (BRASIL, 2018). Caracteriza-se, portanto, como uma intensa vertente educacional com potencialidades ligadas a mecanismos e temas que possibilitam gerar reflexão sobre o processo de trabalho, autogestão, mudança institucional e transformação das práticas em serviço, por meio da proposta do aprender a aprender, de trabalhar em equipe, de construir cotidianos e eles mesmos se constituírem como objeto de aprendizagem individual, coletiva e institucional (BRASIL, 2018). Na EPS, parte-se da visão de que “o conhecimento não se ‘transmite’, mas se constrói a partir das dúvidas e do questionamento das práticas vigentes à luz dos problemas contextuais” (BRASIL, 2009, p. 53).