C. Questions complémentaires et approfondissement
2. Le paiement par téléphone mobile
As pesquisas no campo do Ensino de Geografia têm apontado, nos últimos anos, uma convergência do reconhecimento da existência de um modo específico de pensar e de “ler” o mundo que é próprio da Geografia. Neste viés, o principal papel da Geografia Escolar consiste na exploração desta forma de pensamento, utilizando dos conceitos e categorias da ciência geográfica para propiciar uma leitura dos fenômenos e do espaço, conforme aponta Ronaldo Duarte (2016):
Pensamos, não haver muita discordância acerca da ideia que a disciplina Geografia, ministrada ao longo da educação básica brasileira, tem como principal propósito contribuir para a construção de uma perspectiva geográfica de análise da realidade, algo que poderíamos denominar como a busca pelo desenvolvimento de certo tipo de raciocínio ou de pensamento que é marcadamente geográfico.(DUARTE, 2016 p.73).
Neste sentido, várias expressões e os sentidos que elas carregam, colocam a Geografia como um saber específico que é capaz de analisar o mundo por meio de um viés espacial. Conceitos como raciocínio espacial, olhar espacial, raciocínio geográfico, leitura geográfica de mundo, mesmo com as suas especificidades e utilizados em vários contextos, antes da emergência do conceito de pensamento espacial, indicam que devem ser central e transversal para a Geografia Escolar o favorecimento de um raciocínio especifico (raciocínio geográfico) que envolve indissociavelmente um raciocínio espacial. Nas produções acadêmicas de diferentes autores da Geografia fica evidenciado o entendimento de que somente com o desenvolvimento de tal raciocínio geográfico é possível atingir uma efetiva aprendizagem geográfica. É o que aponta autores como Callai (1999,2005, 2012), Castellar (2012), Cavalcanti (2008, 2012, 2013), Straforini (2004), entre outros.
Para Helena Callai (2005) a capacidade do aluno em apropriar-se de uma linguagem conceitual geográfica o direciona para uma leitura do mundo, denominado por ela de olhar espacial: O olhar espacial supõe desencadear o estudo de determinada realidade social verificando as marcas inscritas nesse espaço. O modo como se distribuem os fenômenos e a disposição espacial que assumem representam muitas questões, que por não serem visíveis tem que ser descortinadas, analisadas através daquilo que a organização espacial está mostrando (CALLAI, 2000, p. 94).
Mais recentemente Callai (2013) contribui para a ideia da existência de uma determinada forma de pensamento e de análise de caráter geográfico que compete à Geografia Escolar desenvolver: “A Educação Geográfica caracteriza-se, então pela intenção de tornar significativos
os conteúdos para compreensão da espacialidade, e isso pode acontecer por meio da análise geográfica, que exige o desenvolvimento de raciocínios espaciais”(CALLAI, 2013, p.44).
Na mesma linha, abordou um ano antes, Lana Cavalvanti ao referir-se à um modo de raciocínio geográfico:
Direcionar os conteúdos por questionamento é uma abordagem peculiar, que difere daquela que apenas apresenta as características de um objeto. Nesse encaminhamento, não está a preocupação de explorar todos os aspectos do fenômeno, mas está subjacente uma abordagem, um modo de pensar a respeito de algo, um raciocínio, uma maneira de pensar geograficamente, um raciocínio geográfico. (CAVALCANTI, 2012, p.132).
Nos trabalhos de Sonia Castellar (2011, 2018) também aparecem contribuições que corroboram para a existência de uma forma de pensar geográfica. A autora também defende que a Geografia escolar deva possibilitar ao aluno uma aprendizagem que proporcione uma “consciência geográfica”, compreendendo a localização dos lugares e principalmente os fenômenos associados a eles, “e a partir disso, podendo raciocinar geograficamente, compreendendo a ordenação territorial, a espacialidade e/ou a territorialidade dos fenômenos, a escala social de análise ” (Castellar, 2011). Straforini (2004) ao referir-se ao papel do ensino de Geografia também destacou a necessidade de proporcionar aos estudantes uma leitura da sociedade a partir do espaço:
O papel da educação e, dentro dessa, o do ensino de geografia e trazer à tona as condições necessárias para a evidenciação das contradições da sociedade a partir do espaço, para que no seu entendimento e esclarecimento possa surgir um inconformismo e, a partir daí, uma outra possibilidade para a condição da existência humana. (STRAFORINI, 2004. p.57)
Os pesquisadores brasileiros citados, dentre muitos outros, afluem suas ideias em torno de uma mesma preocupação que é o desenvolvimento de um pensamento tipicamente geográfico que, embora não seja sinônimo, envolve o desenvolvimento do pensamento espacial. Um relevante exemplo internacional desta preocupação com o “pensar geográfico” na escola vem dos Estados Unidos, onde em 2006 foi lançado pelo National Research Concil (Conselho Nacional de Pesquisa do páis – o NRC), o documento Learning to Think Spatially, que nos últimos anos tem se tornado a principal referência mundial neste campo do conhecimento e de onde parte significativa das pesquisas e discussões sobre o Pensamento Espacial são resultados desta investigação.
No Brasil, trabalhos que também foram desenvolvidos com forte embasamento neste relatório, também vem se consolidando como importantes referências no país no que se refere ao Pensamento Espacial, e, portanto, também serviram como referências de extrema relevância para o desenvolvimento e pelas concepções conceituais que permearam o desenvolvimento deste trabalho. Nos referimos as teses desenvolvidas por Ronaldo Duarte (2016) e Paula Juliasz (2017).
Segundo Duarte (2016) o supracitado documento da NRC tem como objetivo a orientação de currículos, mas sobretudo de práticas pedagógicas que possibilitem o alcance dos objetivos curriculares pautados em objetivos práticos. O documento traz um exemplo um pouco extenso, porém, muito ilustrativo de como pensa uma pessoa geograficamente informada, ou do que estamos nos referindo quando dizemos sobre o que significa na prática o pensar geograficamente:
Por exemplo, para entender os possíveis efeitos das mudanças climáticas globais nas áreas costeiras da Flórida, a pessoa geograficamente informada precisa entender as taxas de elevação do nível do mar. Mapas das elevações das áreas costeiras acima do nível do mar, juntamente com mapas de distribuição e densidade populacional e mapas com infraestrutura essencial (Ex. escolas, hospitais, rodovias interestaduais) são necessários. É requerida a modelagem dos efeitos de tempestades de furacões de intensidades variadas. Em todos esses passos, mapas, gráficos e tabelas são usadas para a análise de dados. Efeitos em escala local (ex; na região de Flórida Keys) e efeitos estaduais em áreas como praias, rodovias e linhas de transmissão de energia são considerados. Pensar geograficamente reúne ideias sobre o espaço geográfico para permitir a visualização do que pode acontecer, onde, por que e como. (NGCE, 2012 apud DUARTE 2016, p. )
Concordamos com Duarte (2016) que este exemplo prático corresponde assertivamente com o que entendemos sobre o que significa pensar geograficamente, “ao explicitar diversas competências mobilizadas para compreender um fenômeno com muitas variáveis espaciais e incluir com destaque as habilidades gráficas e, em especial, as cartográficas entre elas.” (p.84).