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A comunidade Brasília Teimosa é formada ao as margens da costa praieira, cenário exuberante e atrativos culturais que revelam também as lutas travadas entre o poder público, o privado e os moradores nativos. De acordo com moradores da região, mesmo antes de ser legitimada como “comunidade” pelo Estado, os moradores já reivindicavam melhores condições de vida, assim, existiam conflitos entre Estado e moradores.

Atualmente, a comunidade conta com mais de 20 (vinte) movimentos sociais, entre eles associações e clubes de mães, associações de pescadores, dos moradores, ONG de apoio e proteção a crianças e adolescentes, colônia de pescadores e cooperativas que se articulam em torno da pesca e reciclagem de material. Essas entidades formam parcerias com a comunidade em prol da defesa e proteção dos direitos adquiridos ao longo dessas últimas quatro décadas.

Os movimentos sociais se articulam por meio de elementos culturais que possibilitem mudanças sociais, a exemplo, a prática de esportes (programas sociais do Governo Federal têm sido fortemente utilizados como meio de ressocialização infanto- juvenil); educação (ONG como a Escola Mangue que tem atuado em torno do processo de educação das crianças que moram na comunidade); as associações de pescadores que si articulam no sentido da legalização, profissionalização, como a Colônia Z1 e a Associação dos Pescadores Artesanais de Brasília Teimosa. Essas instituições revelam a dinâmica evidenciada nesses espaços sociais (comunidades populares) se articulando à garantia dos direitos e conquista do território na busca por melhores condições de vida.

O Estado tem investido na infraestrutura da comunidade com a revitalização da orla, saneamento e asfalto. Os investimentos têm chamado à atenção do segundo setor da economia, as instituições privadas têm realizado investimentos a partir de prestações de serviços e cursos de capacitação para jovens e adultos na formação para o mercado de trabalho, entretanto, moradores da região percebem esses grupos como uma “ameaça” ao futuro do bairro enquanto ZEIS. Afirmam, que a “população branca” 13, “tem invadido os

espaços e comprado tudo o que podem a sua volta”. Desse modo, os moradores veem tais

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População branca – esta é a expressão utilizada pelos movimentos sociais e moradores das comunidades que se situam na região de Brasília Teimosa para indicar a presença do poder privado, ao se referirem as empresas e empresários que tentam se instalar na comunidade. Percebe-se que esta forma de separação revela na realidade a reprovação dos moradores e movimentos sociais sobre a não ocupação do solo por estes atores que atuam no e para o mercado privado.

investimentos como uma ameaça a permanência dos mesmos, contudo, percebem como necessário os investimentos recebidos, entretanto, não desejam perder o “caráter” de comunidade ZEIS. Com um histórico de lutas pela emancipação e reconhecimento como cidadãos, os moradores têm sido beneficiados por ações tanto do Estado como de entidades sociais na capacitação de jovens e adultos sob a ótica da construção social.

As Associações existentes na comunidade de Brasília Teimosa têm contribuído fortemente ao desenvolvendo social, outrora, era percebida como uma zona conflituosa em que os índices de violência, criminalidade e o desemprego eram altos, sendo os principais responsáveis por tais resultados. Todavia, a comunidade possuía particularidades que chamavam a atenção do Estado e de empresas privadas, uma vez que, situa-se na área nobre da capital pernambucana. De acordo com morador (M1) da região, a comunidade tem sido desarticulada pela esfera privada e em alguns casos, protegida pelo poder público, mas as pressões têm sido fortes sobre os moradores da ilha. Conforme morador (M1) da região:

No aspecto cultural eu percebo que na juventude de Brasília Teimosa, tem muita gente trabalhando em defesa do jovem, com várias ações e isso tem ajudado a tirar esses “rapazes” da rua, tem ai a Aurietha que tem um trabalho bonito, tirando crianças da rua. O conselho de mães trabalhando com mulheres e crianças, eu aprendi muita coisa no tempo que trabalhei e sou muito grata a todos! Brasília Teimosa tem um histórico de lutas que não pode ser apagado, entretanto, a especulação imobiliária sobre a comunidade tem sido muito forte; toda Essa área aqui um grupo de empresário (privado) tentou comprar, o Estado e a prefeitura não permitiram. A comunidade é bastante “surrupiada” (confrontada) por conta das “populações brancas” que vai comprando aqui acolá e vai “juntando” cada pedacinho de terra e expulsando as famílias “nativas” da comunidade, as pessoas vão perdendo um pouco da história existente, porque esse povo que morava aqui há 15 ou 20 anos atrás não é o mesmo povo. Eu cheguei aqui depois da história de lutas há mais ou menos 10 anos, mas o povo antigo aqui é que construiu Brasília e o que ela é hoje (associação dos moradores, de pesca, a colônia Z1) tudo faz parte dessa história aqui! No contexto de proteção social a violência no bairro é a mesma encontrada em qualquer outra comunidade, é mais por causa das drogas. O jovem hoje tem transformado a “cara” de Brasília Teimosa, alguns pequenos investimentos e iniciativas que foram tomadas por empresa privadas e pelas associações aqui tem contribuído para as transformações, mas é insuficiente para suprir as necessidades que temos aqui na comunidade (Morador da Comunidade, M1, 2012).

A comunidade de Brasília Teimosa tem sido discutida pelos movimentos sociais existentes, entretanto, essas instituições não dialogam entre si, o que os torna desarticulados quanto à forma de atuação, aumentando ainda mais a pressão do segundo setor da economia (empresas privadas) a partir da forte especulação imobiliária exercida pelos empresários privados na região. Precisa-se repensar a atuação dessas instituições

sociais na comunidade e a forma com que se articulam entre si, para isso, se faz necessário o retorno dos fóruns sociais que existiam na comunidade.

Assim, a comunidade tem sido alvo de intensos avanços por parte dos empresários privados. As entidades necessitam se organizar para que os direitos adquiridos pela comunidade como ZEIS sejam respeitados. De acordo com relato do morador (M2) da região, existe uma preocupação em se defender dos avanços dos empresários privados, ao afirmar que:

A comunidade se organiza para se proteger da ação dos empresários (empreendedor privado) que tem entrado na comunidade. Primeiro é tomando consciência de usar nosso espaço e usar as ferramentas como as associações, representantes da COMU para poder fazer essa luta em prol da defesa de nossa comunidade, senão, agente perde e sai todo mundo daqui. Ali mesmo é um sindicato, eles não são cooperativas, ajudam os pescadores apenas a revender seus produtos, regularizam as documentações, buscam os direitos do trabalhador, se articulam com outras instituições da sociedade para que aja crescimento e valorização do pescador como trabalhador, essa é a nossa função deles em nossa comunidade. Em relação à pressão imobiliária, nós sofremos muita pressão econômica, porque eles querem comprar toda a área aqui, já compraram aquela casa ali, tem essa daqui, já com a placa de venda, eles pagam valores altos, e é uma forma de pressionar. O empresário hoje na Comunidade tem vencido pelo tempo e o poder que eles têm. Eu não sei explicar muita coisa não, mas sei de uma coisa, eu não vendo não!(Morador da comunidade, M2. 2012).

1.2.1.1.2 Contexto histórico da Associação dos Pescadores de Brasília

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