As manifestações que podem ocorrer, tanto orgânicas como funcionais, no processo de envelhecimento podem estar associadas às perturbações fisiológicas e biológicas atingindo, desta forma, às aptidões físicas e mentais, uma vez que as células e fibras nervosas estão diretamente ligadas e afetadas por ele. (BOBBIO,1997).
Estudos comprovam que os idosos podem ser acometidos de distúrbios da comunicação em conseqüência da redução dos níveis de consciência, atenção seletiva, memória (imediata, recente e remota), raciocínio, resolução de problemas, linguagem e fala (compreensão, repetição fonoarticulação, nomeação, leitura, escrita, cálculo e discurso), funções sensoriais integradoras (percepção espaço - temporal, entre outras) e funções motoras integradas (praxis), tais como enfocam Kamin,(1957); Cohen,(1979) ;Davis,(1984); Maxim e Thompson,(1989); Preti,(1991); Greenberg, Aminoff e Simon, (1996).
Pode-se encontrar, ainda, em grupos de idosos, prejuízos referentes à audição, visão, além de comprometimento nas funções neurovegetativas (respiração e nas funções estomatognáticas), Katz(1989); Garcia e Rodolfo,(1995); Greenberg, Aminoff e Simon,(1996).
As alterações que ocorrem na área da audição, decorrente do envelhecimento recebem o nome de presbiacusia. Ela se manifesta mediante a perda auditiva bilateral coclear progressiva de grau e severidade variável de acordo com o indivíduo. (KATZ,1994).
Essas alterações ocorrem devido a uma série de distúrbios somáticos que acabam atingindo a orelha interna e degenerando o órgão auditivo, acarretando, assim, dificuldades na intercomunicação entre o idoso e o seu interlocutor. Esse sintoma acaba levando o idoso a se isolar evitando o convívio social e de comunicação. RUSSO (1988); KATZ, (1989); DUARTE e col, (1995).
Além desses comprometimentos visuais e auditivos, os idosos podem ainda ser acometidos por alterações hormonais, ineficiência muscular da laringe, redução da capacidade respiratória, modificações na utilização das cavidades de ressonância, decorrentes também do envelhecimento. Isso, ainda ocasiona variações vocais progressivas caracterizadas como presbifonia, que comprometem-nos ao utilizar a voz durante a comunicação, de acordo com os estudos de Behlau (1988) e Duarte & Giacheti (1995).
Para vários estudiosos da área, para o funcionamento dos órgãos articulatórios, torna - se necessário a integridade dos músculos, ossos e dentes, que funcionam de maneira a compor a movimentação precisa para a perfeita produção dos sons da fala e para a alimentação eficiente. Entretanto, pesquisas mostram que indivíduos da terceira idade apresentam falhas dentárias significativas, alterações na força e amplitude muscular dos órgãos articulatórios, o que leva a danos na inteligibilidade do processo de fala, além dos prejuízos na alimentação, gerando baixas em suas condições de vida. (Giacheti et al ,1994).
Concluindo, as diversas alterações que os indivíduos da terceira idade podem desenvolver, evidenciam a importância e a necessidade de se criarem programas assistenciais destinados aos idosos nas diversas áreas de saúde , com o objetivo de detectar, prevenir, minimizar esses distúrbios logo que se inicia o processo de reabilitação (Giacheti et al, 1994; Duarte, 1994; Garcia e Rodolfo, 1995).
Baltes et al (1994) em seu artigo Envelhecimento Cognitivo Potencialidades e Limites, apresentam um modelo de envelhecimento bem sucedido, baseado na otimização seletiva com compensação. Ele ilustra como os indivíduos e as sociedades podem efetivamente administrar as mudanças associadas à idade, que acarretam um desequilíbrio entre ganhos e perdas . Mostra, ainda, como os indivíduos idosos podem lidar com a dinâmica inerente à relação entre o crescimento, dependente de influências culturais e com o declínio do nível de funcionamento do organismo, que depende de fatores biológicos.
Baltes et al (1994) pesquisando o envelhecimento cognitivo, tentaram compreender o que é que não é possível à medida que se envelhece. Concluíram que o próprio conhecimento da vida leva o indivíduo na terceira idade a tornar - se mais consciente e mais habilidoso quanto à coordenação da mecânica e da pragmática cognitiva.
As pesquisas de Coudry (1995), com referência a neuropsicologia, aspectos biológicos e sociais, tratam do funcionamento lingüístico-cognitivo. Tendo em vista as duas abordagens - uma relacionada com a linguagem e outra com a cognição - o autor prevê, "pelo papel mediador, tributário da linguagem, uma tensão entre o que é sistemático e o que é indeterminado. Por isso, linguagem e pensamento só podem ser pensados num quadro relacional, desde que, como lembra Vygotsky (1987), não sendo ambos uma mesma coisa, mantêm entre si uma relação". A linguagem é, talvez, um lugar em que se tem acesso material a essa relação”.
A análise dos expedientes lingüísticos usados pelos idosos, do ponto de vista da neurolingüística, permite – nos verificar as marcas incorporadas por eles através da sua experiência com e sobre a língua (gen). Daí, pode-se detectar que aspectos lingüísticos e cognitivos, empregados na comunicação verbal sofreram alterações em decorrência das moléstias neurológicas acometidas no envelhecimento. E, ainda, que em processos alternativos de significação, o sujeito idoso lança mão para lidar com suas dificuldades (COUDRY, 1995).
Mas a linguagem do indivíduo idoso tem sido considerada e estudada geralmente a partir das alterações decorrentes de processos patológicos, quer sejam as síndromes afásicas, quer sejam, as demenciais. Contudo, é bom lembrar que às avaliações ou tratamento com pessoas idosas, deve-se levar em consideração o fato de que eles possam usar recursos que talvez levem à redução dos impactos causados pela doença, ou apresentar dificuldades associadas à idade que, muitas das vezes, exacerbam os problemas funcionais relativos à sua doença (TUBERO,1996).
Para Ryan et al (1995) são três os princípios que orientam a compreensão da linguagem no envelhecimento:
1. O da heterogeneidade cognitiva e lingüística; 2. O da competência lingüística do idoso; 3. O do ambiente e contexto comunicativos.
Assim, o conhecimento lingüístico e pragmático adquirido durante o período da adolescência se mantém e, sem dúvida, torna-se mais sofisticado ao longo dos anos de acordo com as experiências na vida social, profissional, familiar e com as exigências do meio e os desafios enfrentados no processo comunicativo. (LANE,1997).
Com referência à avaliações da linguagem, a performance do idoso pode estar prejudicada por mudanças ocorridas que, associadas à idade, acabam interferindo na qualidade das respostas: dificuldades de audição, habilidades
perceptuais auditivas; redução da velocidade quanto ao processamento e memória. (VIEIRA,1997).
Manning e Shirkey, citados por Ryan et al (1995), afirmam que a fluência na produção da fala, as hesitações, interjeições e correções aumentam com a idade. Segundo esses autores, as hesitações, que rompem a fluência da fala do idoso, podem decorrer tanto da dificuldade lexical, como da própria dinâmica da conversação, tendo em vista a auto-desvalorização do idoso diante do interlocutor.
Os estudos de Tubero (1996) revelam que no envelhecimento normal de grupos etários a linguagem do idoso mostra um declínio. Acredita - se, porém, que as pesquisas foram orientadas no sentido da busca dos déficits associados à terceira idade e não na dos benefícios do envelhecimento.A pesquisa baseada em estudos longitudinais de caso único, talvez possa apontar não déficits na capacidade lingüística dos idosos, mas sim as diferenças ocorridas no processo de envelhecimento normal que mostrariam transformações significativas na terceira idade.