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COMMENTAIRES DES ARTICLES

Dans le document Avis 51.087 du 16 juin 2015 (Page 24-28)

As Lutas Corporais Modernas japonesas, sintetizadas pelos três grandes Mestres do Budo, herdaram a racionalidade moral do Bushido, têm como princípio fundante de suas filosofias a injunção délfica conhece-te a ti mesmo. Pudemos verificar anteriormente, que essa injunção, parece ser uma requalificação de uma ação primeira, em detrimento de uma desqualificação de um princípio do cuidado de si, que esteve presente de forma muito acentuada, na formação dos samurais.

Esta obrigação primeira parece-nos hoje o primeiro e único passo exigido no Budo, pois pressupõe um ser sujeito de existência e de razão, para aquisição dos valores morais que balizarão uma conduta ética com a qual o sujeito percorrera o caminho, o Do, em busca de conhecimento (ou verdade) que possa ajudá-lo (ou transfigurá-lo) no seu fazer para com os outros e o mundo que o cerca. Assim, passaremos a verificar quais dos princípios morais que deram contornos ao Bushido e foram salvaguardados no Budo do Judô, do Karatê e do Aikido. Acreditamos ser importante, como um primeiro esforço, pontuarmos sem muitas delongas, o que adotaremos como compreensão de moral e ética, para melhor situarmos o porvir das nossas argumentações e delimitarmos com maior segurança o uso dos conceitos. “Toda cultura e cada sociedade institui uma moral, isto é, valores concernentes ao bem e ao mal, ao permitido e ao proibido, e à conduta correta, válidos para todos os seus membros” (CHAUÍ, 2005, p. 436).

Esses valores nos permitem julgar quando uma ação ou fala é moralmente aceitável ou reprovável, o que representa o senso moral estabelecidos em todos os sujeitos dentro de suas configurações num determinado tempo. Como também, são as referências utilizadas para agirmos ou falarmos em situações que precisamos tomar uma posição, o que põe à prova a nossa consciência moral.

Neste sentido poderíamos dizer que moral é um conjunto de valores, referentes ao bom e ruim, ao bem e o mal, elegidos dentro da cultura de cada figuração de uma sociedade, que são temporais, e que permitem desenvolvermos um parâmetro consciente para julgarmos e executarmos nossas ações e posicionamentos, como também, julgarmos as ações e posicionamento de outrem.

“No entanto, a simples existência da moral não significa a presença explícita de uma ética, entendida como filosofia moral, isto é, uma reflexão que discuta, problematize e interprete o significado dos valores morais” (IBIDEM).A conduta ética, por sua vez, pressupõe a ação de

um sujeito que tem uma consciência moral. Um sujeito ético é o “que sabe o que faz, conhece as causas e os fins de sua ação, o significado de suas intenções e de suas atitudes e a essência dos valores morais” (IDEM, p. 438).

Assim a ética é um saber prático, por só ser possível como fruto das ações do sujeito que a executa, e também é uma práxis, porque “o agente, a ação e a finalidade do agir são inseparáveis” (IBIDEM).

Dito isso, acreditamos podermos dar seguimento a compreensão dos valores morais e a ética do Budo das Lutas Corporais modernas japonesas, começando por um apanhado do que se esperava de um samurai ao seguir o Bushido, já que temos a clareza que o Budo, o caminho marcial seguido hoje, foi inspirado na racionalidade moral e conduta ética dos honoráveis samurais.

O máximo esforço aqui feito, temos certeza, só nos dará uma visão superficial do que realmente foi o Bushido como esteio da racionalidade moral e comportamento ético dos samurais, seria necessário um aprofundamento nas fontes que conferem contorno a esse código e como cada um prestou serviço na organização de um sistema militar e marcial.

O que nos tiraria, de certo, dos objetivos de nosso trabalho. O que faremos então é um sobrevoo inicial no que cada um desses sistemas religiosos e filosófico prestou ao Bushido; os principais valores imputados aos samurais; e como eles se fazem presentes hoje no Budo das Lutas Corporais modernas japonesas.

Inicialmente é importante ressaltar que o Bushido não é um conjunto de leis escritas nas quais os samurais deveriam se debruçar e decorar desde tenra idade. Ele é

o código de princípios morais a que os cavaleiros eram exigidos ou instruídos a observar. Não é um código escrito; no melhor, consiste de umas poucas máximas transmitidas de boca em boca ou vindo de pena de algum guerreiro ou sábio bem conhecido. Com mais freqüência, é um código não proferido e não escrito, possuindo muito mais a sanção poderosa de efeito de verdade, e de uma lei escrita nas tábuas carnais do coração. Foi instituído não na criação de um cérebro, embora capaz, ou na vida de um só personagem, embora renomado. Foi um crescente orgânico de décadas e séculos de carreira militar. (NITOBE, 2005, p. 11).

Possivelmente o Bushido deve ter, ao longa da história, suprimido, elegido e priorizado diferentes valores que balizaram a conduta ética dos samurais. O que temos hoje é o que ficou disponível e aparente quando o sistema feudal japonês se chocou com os princípios modernos ocidentais, sendo seu arcabouço cristalizado como um modelo ético de uma classe de guerreiro elegida com representante do caráter nipônico.

Esses valores morais, são frutos da combinação do Xintoísmo, do Budismo, do Confucionismo e alguns elementos do Taoísmo149, que deram ao código desses guerreiros uma base que sustentava a sua estrutura: “Chi, Jin, Yu, respectivamente, Sabedoria, Benevolência e Coragem” (IDEM, p. 68). Completavam as principais virtudes do Bushido a Justiça (Gi), Educação (Rei), Sinceridade (Makoto), Honra (Meiyo) e Lealdade (Chuugi).

A concepção do xintoísmo para o japonês era de si tão natural, genérica e vasta, que até a chegada do budismo no século VI, não tinha nome especificado. Quando se acharam diante de uma religião estrangeira, denominaram a nativa de Kannagara no michi ou Xintô, que significa caminho dos deuses. É difícil saber exatamente o que era o xintoísmo antes da chegada do budismo. Não era apenas a única religião; era o único modo como os antigos japoneses se relacionavam com o mundo, pois acreditavam profundamente que os deuses, os homens e a Natureza são nascidos dos mesmos ancestrais: não havia separação conceitual entre a Natureza e o homem. (KANEOYA, 2018, p. 01).

Deus ou Deuses no Xintô se diz Kami. Os Kamis, são muito importantes para a cultura japonesa, e como nas religiões politeístas apresentam virtudes e fraquezas, e servem ao bem e o mal. No entanto diferente de outras Religiões o Kami não tem forma, eles são incorpóreos, e corporificam-se nos objetos e nas coisas do cotidiano, pode ser definido como “o que quer que fosse altamente impressionante, possuísse a qualidade de excelência e virtude, e inspirasse um sentimento de temor respeitoso”. (HERBERT, 1977. Apud KANEOYA, 2018, p. 12-13).

Poderia ser uma árvore, uma mesa, uma casa, uma espada e até mesmo uma pessoa, desde que por uma série de condições julgassem suas características fora do comum e impressionante. Talvez por isso fosse comum os samurais darem nome as espadas, que nas mãos de personagens como Musashi150 e seu maior rival Munenori151, realizaram grandes feitos

149 Não trataremos diretamente do Taoísmo, por não fazer parte diretamente da composição dos fundamentos do

Bushido e do Budo, no entanto temos ciência de sua influência no pensamento de Confúcio, como também, na construção de alguns rituais e etiqueta dentro do dojo. A própria disposição e divisão do dojo, seguem preceitos taoístas. Para mais ver Lowry (2011).

150

151 “Yagyu Munenori nasceu em 1571 e desde cedo teve um grande mestre de esgrima seu pai Muneyoshi.

Apresentado ainda muito jovem por seu pai para colaborador com o Grande Shogun Ieasu Tokugawa, o homem que unificou o Japão, sua perspicácia e suas habilidades marciais o levaram a se tornar o professor de esgrima Ieyasu Tokugawa e de seus dois sucessores. [...]. Seu estilo de esgrima, o Yagyu Shinkage Ryu, que herdou da família e aprimorou ficou famoso e tornou-se o estilo oficial do shogunato”. (BULL, 2013, p. 09). (Prefácio do livro A espada que dá vida de Yagyu Munenori. Cultrix : 2013). “No final de sua Munenori foi considerado um ‘Kami’ (ser divino), recebendo o título de Tajima no Kami. Segundo a tradição japonesa, aquele que executa e vive de maneira tão ideal e perfeita a seus olhos é considerado alguém que alcançou outra dimensão, aquela dos ‘deuses’, ou Kamis”. (BULL, 2013). (Orelha do livro A espada que dá vida de Yagyu Munenori. Cultrix : 2013).

que os legaram à história, passando o próprio sujeito, ao seguir os preceitos do Kami, tornar-se ele mesmo um Kami.

No Xintô a vida espiritual está relacionada à veneração e comunhão com o kami, à "adoração de suas virtudes e autoridade", assim como a fé no kami implica, na verdade, comportamento de acordo com a "mente do kami" (ONO, op. cit., p.3. 6). Modernamente o Xintô assumiu visão mais ampla no sentido de se aproximar da psique humana, "da ideia de justiça, ordem, favor divino (bênção)", sem esquecer que a função do kami opera pela harmoniosa cooperação mútua. (ONO, 1990. Apud KANEOYA, 2018, p. 14-15).

O Xintoísmo Segundo Nitobe152 (2005, p. 16), legou ao Bushido a “lealdade ao

soberano, essa reverência à memória ancestral, e essa devoção filial [que] não são ensinadas por qualquer outro credo, (...)”. Devido a isso as forças aliadas, de ocupação do Japão após a segunda Grande Guerra, tentaram proibir as cultos Xintô, entendendo essas práticas como nocivas a manutenção da paz, principalmente pela ampla ideia de que o imperador japonês fosse um Deus, um Kami (KANEOYA, 2018), e como tal, deveria ser venerado, honrando e se necessário morrer por ele. O que ajuda a explicar o episódio de Pearl Harbor, na Batalha de Midway, em junho de 1942 no Oceano Pacífico. Onde os pilotos Japoneses (Conhecidos como KamiKaze – Deuses do vento) jogaram seus aviões carregados de bombas contra os encouraçados Americanos.

Mas é importante deixar claro que,

o shintoísmo não cuida de questões escatológicas, não tem escrituras sagradas propriamente ditas, não se ocupa da teologia, não tem uma doutrina de conduta, mandamentos, catecismo, ortodoxia, caminhos de salvação, receituário de preces, sistema de ensino ou de evangelização, organização eclesiástica propriamente dita. Em resumo, parece uma religião sem igreja nem clero, sem doutrina nem ortodoxia e - o que é mais espantoso - sem o espírito de retribuição (recompensa/castigo), sem o exclusivismo e a intolerância característicos de todas as religiões que, falando em nome de um ser supremo, se consideram donas da verdade única, suprema e absoluta. O shintoísmo não tem um deus. O shintoísmo nunca sustentou guerras de religiões. O shintoísmo nunca queimou infiéis. A própria noção de crentes e infiéis, eleitos e réprobos, iniciados e pagãos, lhe é estranha. Como a Constituição da Inglaterra, ele jamais foi escrito. Não tem livros de doutrina.

152 Inazo Nitobe nasceu em Morioka, Japão, em 1862. Foi o terceiro filho de Jujiro Nitobe, que pertencia a uma

família de Samurais. Após graduar-se na escola de Agricultura da cidade japonesa de Sapporo, capital da ilha de Hokkaido, às margens do rio Ishikari, realizou viagens de estudos aos Estados Unidos e Alemanha, sendo um dos primeiros japoneses a estudar do Ocidente. Unindo filosofia e maneira de ver o mundo do Oriente e do Ocidente, Inazo Nitobe tornou-se uma ponte entre essas duas culturas, sabendo vivenciar o que havia de melhor em cada um deles. Nitobe foi Secretário Geral da Liga das Nações, em Genebra, Suíça. Representou o Japão na conferência de Banff, em 1933, no Canadá, mas adoeceu, vindo a falecer logo depois (orelha do livro Bushido: alma de samurai).

Entretanto, está espalhado por todo o Japão e integra o sistema de crenças da maioria dos japoneses. (BARROS, 1988, p.46).

É a partir do Xintô que podemos explicar a relação de devoção e respeito entre Mestre e aprendiz e a importância dada aos saberes, as práticas, exercícios salvaguardados nas experiências dos praticantes mais velhos, o que comumente se chama de “disciplina” nas Lutas Corporais modernas japonesas. Mas a doutrina Xintó oferece ainda mais para a composição do sistema espiritual e ético dos praticantes do Budo.

(...) os altares Xintós são visivelmente desprovidos de objetos e instrumentos de adoração, e que um espelho comum pairando no santuário forma parte essencial de seu mobiliário. A presença desse objeto é fácil de explicar: tipifica o coração humano que, quando perfeitamente plácido e claro, reflete a própria imagem da divindade. Dessa forma, quando você fica de pé diante do altar para adorar, você vê sua própria imagem refletida em sua superfície reluzente, e o ato de adorar é equivalente à velha injunção Délfica, “Conheça- se a si próprio”. Mas o autoconhecimento não implica, tanto em grego quanto em japonês, o ensinamento, conhecido da parte física do homem, nem sua anatomia ou seu psicofísico; o conhecimento deveria ser de um tipo moral, introspecção da nossa natureza moral. (NITOBE, 2005, p. 16)153.

Nos dojos mais tradicionais, com forte influência do Budo, é comum a presença de um altar no estilo xintoísta154. Embora a presença do espelho não seja comum (possivelmente por sua importância e significado terem se perdido com o tempo e a ocidentalização), o princípio do respeito ao Mestre, ao Sensei155 e aos mais velhos é uma característica preservada e cultivada até a atualidade, como uma maior ou menor importância, dependendo da forma como esses elementos são tratados.

O xintoísmo legou as Lutas Corporais modernas japonesas a ideia da fluidez, o fluxo continuo e inevitável da vida, que como água que se move para o mar não pode ser contida, por vezes corre mais rápida e turbulenta, e por vezes, mais lenta e calma. A nossa compreensão sobre esse fluxo inevitável da vida as competências e habilidades que devem ser adquiridas para

153 Embora Nitobe tenha sido um dos mais cultos japoneses de sua época, acreditamos que a vasta leitura dos

clássicos gregos, juntamente à filosofia moderna ocidental não tenha sido suficiente para que enxergasse nas bases éticas espirituais do Bushido a possibilidade além da “injunção Délfica” do “Conheça-se a si próprio”. No entanto na discussão apresentada ao longo de todo o livro e perceptível a construção de um caminho que levava o Bushi (guerreiro) a um – apontada por Foucault (2006, p. 4-5) e tratada no capítulo 1 e 3 desse trabalho – Cuidado de si.

154 Na grande maioria se preserva uma foto do Fundador da Luta Corporal.

155 Sensei é uma palavra em japonês usada como um título honroso para tratar com respeito um professor ou um

mestre. A tradução literal desta palavra é "aquele que nasceu antes", já que o kanji correspondente ao "Sen" significa "antes" e o kanji "Sei" significa "nascimento". Isso indica que chamar alguém de Sensei é reconhecer que essa pessoa é experiente na sua área.

seguir o fluxo, que deve ser construída nas relações de aprendizado entre as gerações é a materialidade da prática Xintó. (UESHIBA, 2010).

Ele permite compreender que

(...) a vida flui e que as mudanças, as renovações, a decadência, o descanso e o crescimento são todos partes naturais da decadência das coisas sobre a Terra. Portanto, é melhor que nos ajustemos e aprendamos a apreciá-los – sempre tendo em mente de onde elas emanaram e aonde, eventualmente, deverão nos levar. Assim, existe dentro do espírito do xintoísmo um sentimento de inexistência do tempo. Nossos ancestrais e nossa posteridade estão todos na mesma corrente, juntos de nós. Mesmo que não estejam presentes fisicamente, são parte de nosso mundo. As contribuições do passado, o potencial do futuro; sem a consciência disso podemos nos tornar autocentrados. Na verdade, praticamos nossa arte para nós mesmos, mas também porque nossos professores foram generosos o bastante para transmiti-la a nós e, assim, de maneira humilde, temos a obrigação de polir e aperfeiçoar o que recebemos. É nosso dever manter a arte em sua integralidade, para que ela seja passada adiante para a próxima geração. E temos um débito que deve ser devidamente pago às gerações que nos precederam. Esse débito é uma maneira de nos lembrarmos do que devemos a essas gerações, e dos sacrifícios que eles fizeram para trazer a arte até nós. (LOWRY, 2011, p. 90-91).

As Lutas Corporais modernas japonesas, fruto da síntese elaborada pelos três grandes Mestres, ensinam pela construção do habitus a corresponsabilidade ética para com o Mestre, para consigo mesmo e para com os que chegam. O aprendizado não se faz pela fala, por aulas teóricas de comportamento e conduta. O aprendizado ético que é levada para vida é adquirido pela compreensão e desenvolvimento da etiqueta, pelos exemplos, pelo treino consciente e exaustivo (treina-se para superar a si mesmo, para realizar cada movimento melhor e com mais eficiência do que ele é realizado) e pelas correções feitas no dia a dia.

Uma criança ao chegar no dojo, aprenderá que tem que cumprimentar os que lá estão, e que esse ato não é aleatório. Deve-se cumprimentar primeiro o(s) Mestre(s) (em linha hierárquica dos mais graduados presentes no dojo), depois o Sensei (o graduado responsável em conduzir a aula, que pode ser um dos mestres), então seguisse cumprimentando os demais integrantes em descendência hierárquica até o colega de mesma faixa/graduação, esperando então que os de menor graduação o cumprimentem.

Essa formalidade ritualística em torno do Ojirei (reverência) não deve ser encarada como uma atitude teatral ou caricata, mas, na concepção do próprio gesto de reverenciar: como respeito e admiração pelo esforço e tempo dedicado aos estudos pelos mais velhos; no agradecimento ao outro que compartilha com prazer e dedicação o que aprendeu; na compreensão que sem o outro não é possível melhorar. Não é possível conhecer melhor a si

mesmo, passo fundamental para aprender a cuidar de si mesmo, e poder assim cuidar dos outros, como pelo outro foi cuidado, sem a reflexão consciente destes fatos.

Em uma dimensão maior, aprendesse que reverenciar ao outro é um ponto chave para que todos possam crescer, o que Kano (2017, p. 50) vai chamar de Jita Kioei (benefícios e prosperidade mutua).

En definitiva, la prosperidad supone un estado mediante el cual uno obtiene la satisfacción corporal y material además de la espiritual, quizá la más importante. Así que, se entiende, que la prosperidad mutua es la vida social ideal. Por eso, la gente debe esforzarse desde la infância em intentar formarse para una sociedade ideal o dicho de otra forma, siempre tienen que pensar en los demás y también pensar en sí mismos para que progresen mutuamente; cuando lo hacen por otros no olviden que también lo hacen por uno mesmo. De esta forma, nacen la armonía, la paz y el desarrollo.

Por fim, poderíamos derivar do Xintô, a ideia do caminho, via, o Do do Bushido e do Budo, O caminho do Guerreiro e o Caminho Marcial. Na Cultura japonesa há uma diversidade imensa de Kamis, algo entre 800 a 8000 mil divindades segundo Kaneoya (2018). Mesmo com tanta diversidade

Osdesejos em relação ao homem é apenas um, o japonês o resume em apenas um conceito: “michi”, caminho ou via. Seguir a via dos deuses, é a mensagem indelével fortemente introjetada no inconsciente coletivo desse povo, o que molda seu caráter, pensamento e a vida”. [...]. “Michi”, caminho ou via, guarda estreita relação com o comportamento do nipônico. Embora impreciso, amplo e vago, como sói nos conceitos dessa cultura, para o japonês, “michi” não precisa ser explicitado, definido, ensinado nem imposto: é algo que lhe parece claro, sem necessidade de palavras para se conceituá-lo. É, muito possivelmente, o termo mais antigo e de mais largo significado dentro da ética e da religião na cultura japonesa (IBIDEM, p. 16).

É por isso que essa observância e obediência, consciente e na maioria das vezes inconsciente, se impregna na construção da vida de quem percorre o Michi o Do, das suas artes. O perfeito uso do pincel para desenhar o Kanji, o perfeito uso da tesoura para libertar a forma perfeita do Bonsai156, o perfeito uso do movimento do corpo para unir-se ao adversário em Waza (técnicas), com o uso da força, mas, aparentando graça, beleza e plasticidades comparáveis a movimentos de plumas expostas a uma brisa suave.

156 técnica e/ou arte, originárias do Japão, de miniaturizar plantas (ger. árvores ou arbustos), através de métodos

Portanto, essa perfeição, buscada com paciência e perseverança, acaba sendo introduzida e venerada no tratamento respeitoso e cordial com o outro; no respeito e dedicação ao Mestre e suas palavras; no cumprimento irrestrito de suas obrigações para consigo e para com outros; na efetivação incondicional da palavra dada, preservando sua honra. O Xintoísmo é a essência da espiritualidade nipônica, e como tal, é a essência do Bushido e do Budo. O Budismo é originário da Índia, e chegou ao Japão há mais de mil e quatrocentos anos. Lá adquiriu contornos particulares ao fundir-se com o Xintoísmo e as peculiaridades da cultura, da sociedade e as manifestações artísticas nipônicas.

O Budismo formou-se no noroeste da Índia, entre os séculos VI e IV A.C.. Este período corresponde a uma fase de alterações socias, políticas e econômicas nessa região do mundo. A antiga Religiosidade Bramânica, centrada no sacrifício de animais, era questionada por vários grupos religiosos,

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