A pesquisa exploratória é desenvolvida com o objetivo de proporcionar uma visão geral, de tipo aproximativo, acerca de determinado fato.
Para Triviños (1994), o estudo exploratório permite ao investigador aumentar a sua experiência em torno de determinado problema. Geralmente, a pesquisa exploratória é realizada quando o tema pesquisado é pouco explorado e torna-se difícil formular hipóteses precisas e operacionais. Este tipo de estudo tem por objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições.
Segundo Selltiz et al. (1987, p. 63), a pesquisa exploratória:
é bastante flexível, de modo que possibilite a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado. Na maioria dos casos este tipo de pesquisa envolve: levantamento bibliográfico, entrevista com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e permite análise de exemplos que estimulem a compreensão.
Conforme Selltiz et al. (1987), a pesquisa exploratória enfatiza a descoberta de idéias e discernimentos. Enquanto a pesquisa descritiva delineia o que é abordado quanto aos aspectos: investigação, registro, análise e interpretação dos fatos ocorridos no passado, para, através de generalizações, compreender o presente e predizer o futuro. É o tipo de estudo que permite ao pesquisador a obtenção de uma melhor compreensão do comportamento de diversos fatores e elementos que influenciam determinados fenômenos estudados.
A pesquisa descritiva permite ao pesquisador buscar, conhecer e descrever a realidade presente no campo de pesquisa, como todo o estudo qualitativo. A pesquisa descritiva contribui para a explicação das relações de causas e efeitos dos fenômenos, ou seja, analisar o papel da (s) variável (eis) que, de certa maneira influenciam ou causam o aparecimento dos fenômenos, Selltiz et al (1987).
Procura ainda a pesquisa descritiva abranger os aspectos gerais e amplos de um contexto social, possibilitando o desenvolvimento de uma análise em que permite ao pesquisador identificar as diferentes formas dos fenômenos, sua ordenação e classificação.
As pesquisas descritivas são, juntamente com as exploratórias, as que habitualmente os pesquisadores sociais preocupados com a atuação prática realizam. São também as mais solicitadas pelas instituições educacionais, segundo Gil (1999). Portanto, trata-se de uma observação participante, isto é, há o contato direto do pesquisador com o fenômeno observado, recolhendo, conforme Chizzotti (2000), as ações dos atores em seu contexto natural, a partir de sua perspectiva e de seus pontos de vista. A observação é sistemática, porque, de acordo com Lakatos e Markoni (2003), o observador sabe o que procura e o que necessita de importância em determinada situação.
Aos estudos exploratórios-descritivos, conforme Triviños (1994), se aceita ainda a formulação de questões de pesquisa, ou seja, as perguntas norteadoras da pesquisa, em vez das hipóteses, comuns aos estudos experimentais.
Rudio (2000, p. 56) conceitua a pesquisa descritiva como aquela que “está interessada em descobrir e observar fenômenos, procurando descrevê-los, classificá-los e interpretá-los”.
Para Barros e Lehfeld (2000), na pesquisa descritiva, não há a interferência do pesquisador, isto é, ele descreve o objeto de pesquisa. Procura descobrir a freqüência com que um fenômeno ocorre, sua natureza, características, causas, relações e conexões com outros fenômenos.
Salomon (2001, p. 160) salienta que a pesquisa descritiva:
Delineia o que é. Compreende: descrição, registro, análise e interpretação da natureza atual ou processo dos fenômenos. O enfoque se faz sobre condições dominantes ou sobre como uma pessoa, grupo ou coisa se conduz ou funciona no presente. Usa
comparações e o contraste. Aplica a solução de problemas, começa pelo processo de informação sobre as condições atuais; as necessidades; como alcançá-las.
A vantagem da pesquisa descritiva está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, e também é o tipo de pesquisa mais solicitada por organizações, como exemplo, as Instituições Educacionais.
A pesquisa do tipo levantamento, na concepção de Gil (1999, p. 70), caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Em resumo, Gil (1999), afirma que este tipo de pesquisa busca as informações de um grupo significativo de pessoas acerca do problema em estudo, para, com a análise quantitativa, obter as conclusões correspondentes aos dados obtidos.
Este estudo se enquadra como pesquisa de natureza qualitativa e quantitativa a ser abordada conforme ilustra a Figura 23.
Análise da
Pesquisa Tipo de Pesquisa Características
Pesquisa Documental
1 Coleta de Dados em Documentos: 1.1 Primários:
1.1.1 Relatório das entradas do vestibular 1.2 Secundários:
1.2.1 – Regimentos
1.2.2 – Departamento de registro acadêmico da UFSM e UFSC
2 Análise dos Dados e Documentos 3 Redação e Elaboração do Texto 4 Resultado da Pesquisa
4.1 Análise dos Dados 4.2 Discussão dos Dados
Pesquisa Bibliográfica
1 Levantamento da Literatura 2 Seleção das Leituras 3 Fichamento e Resumo 4 Redação
5 Apresentação da Fundamentação Teórica: 5.1 Teórica
5.2 Discussão de Dados
Pesquisa Exploratória
1 Contextualização do problema e do tema 2 Aprimoramento de descobertas
3 Contato direto do pesquisador com o fenômeno 4 Formulações de questões em vez de hipóteses 5 Aplicação dos questionários
6 Respostas aos problemas levantados
Natureza Qualitativa e Quantitativa Pesquisa de Levantamento 1 Finalidade:
1.1 Interrogação direta das pessoas (entrevista) 1.2 Análise quantitativa e quantitativa
1.3 Definição do universo de amostra 1.4 Margem de erro
1.5 Interpretação de dados
FIGURA 23: QUADRO DA PESQUISA QUALITATIVA E QUANTITATIVA Fonte: Desenvolvido pelo pesquisador.
Na pesquisa qualitativa, para Alves (1991), a realidade é socialmente construída, significa que a teoria vai sendo ampliada à medida que a coleta dos dados vai sendo explorada pelo pesquisador. Em uma pesquisa qualitativa, todos os fenômenos são igualmente importantes. Busca-se, como explicita Chizzotti (2000), compreender a experiência que eles têm, as representações que formam e os conceitos que elaboram. Desse modo, observa-se que a análise qualitativa está inserida em situações complexas e variáveis.
A escolha da perspectiva longitudinal transversal compreende o período de outubro a dezembro de 2003. Para a realização do trabalho de campo, mostra-se adequada tendo em vista que os Cursos de Ciências Contábeis da UFSM e da UFSC existem há mais de 35 anos, período que deverá sofrer um corte transversal nos últimos dez anos, entre 1993 a 2002, referente à escolha do universo dos estudantes evadidos, para aplicação da amostra não probabilística.
A perspectiva longitudinal, de acordo com Chizzotti (2000, p. 79), consiste “em captar os aspectos específicos dos dados e acontecimentos no contexto em que acontecem”.
Na revisão de Pozzebon e Freitas (2002), os métodos de pesquisa qualitativa estão voltados para a análise de pessoas e seu contexto social, cultural e institucional.
Estes buscam conhecer significados que, na maioria dos casos, não são expressos nos métodos quantitativos. A abordagem qualitativa em ciências humanas tem as suas especificidades, o que, na perspectiva de Chizzotti (2000), transforma- as em ciências específicas, com metodologias próprias.
A abordagem qualitativa utiliza-se de uma série de leituras sobre o assunto da pesquisa, para efeito da apresentação de resenha pormenorizada sobre o que os diferentes autores escrevem sobre um assunto e, a partir daí, estabelecer uma série de correlações para, ao final, expressar um ponto de vista conclusivo.
A pesquisa de natureza quantitativa tem como objetivo quantificar as unidades ou categorias homogêneas, com o emprego de recursos e técnicas estatísticas desde as mais simples as mais complexas. Usa como instrumento para a coleta dos dados o questionário ou entrevistas.
A pesquisa quantitativa é muito utilizada no desenvolvimento de estudos descritivos, na qual se procura descobrir e classificar a relação entre variáveis, assim como na investigação da relação de causalidade entre fenômeno: causa da evasão, como se pretende diagnosticar no presente estudo.
Embora as abordagens, qualitativa e quantitativa, sejam métodos diferentes que se aplicam a estudos de pesquisa, autores como Triviños (1994, p.137), destacam que:
[...] não se pode afirmar categoricamente que os instrumentos que se usam para realizar a coleta de dados são diferentes na pesquisa qualitativa daqueles que são empregados na investigação quantitativa. Verdadeiramente, os questionários, entrevistas etc. são meios “neutros” que adquirem vida definida quando o pesquisador os ilumina com determinada teoria. Se aceitarmos este ponto de vista, da “neutralidade” natural dos instrumentos de coleta de dados, é possível concluir que todos os meios que se usam na investigação quantitativa podem ser empregados também no enfoque qualitativo.
Neste contexto, Goode e Hatt (1979) são enfáticos em afirmar que a pesquisa moderna deve rejeitar como falsa dicotomia a separação entre estudos qualitativos e quantitativos ou entre pontos de vista estatísticos ou não estatísticos, em virtude que não existe importância com relação à precisão das medidas, uma vez que é medido continua a ser uma qualidade.