6. Résultats et discussion
6.4. Comment on peut améliorer la pratique expérimentale
A última década do século XX caracterizou-se pelo período de transformações sociais e individuais, mediadas pelas tecnologias de informação e de comunicação.Com isso, notamos entre nós várias reflexões em torno da renovação da ciência, dos conhecimentos, dos saberes e, principalmente, do papel da escola e dos professores. Kenski (2007) admite que os avanços das tecnologias digitais de comunicação e informação e da microeletrônica determinam o surgimento de um novo tipo de sociedade tecnológica. Quando disseminadas socialmente, essas novas tecnologias alteram as qualificações profissionais e a maneira pela qual as pessoas vivem cotidianamente, trabalham, informam-se e se comunicam com outras pessoas e com todo o mundo. Consequentemente, instigam debates para uma nova avaliação dos projetos educacionais vigentes, conclamando-os a uma adequação aos novos contextos a se despertarem.
Para Estabel e Moro (2011), a primeira década do século XXI, preconizada pela sociedade do conhecimento, tem como enfoque o sujeito no processo de aprendizagem, mediado pela web, no acesso, no uso e na produção da informação, alterando o ritmo e os significados da interação social e da comunicação, cada vez mais acelerada e compartilhada por meio das redes sociais.
Lévy (1994) afirma que são os atores da comunicação que produzem continuamente o universo de sentido que os une ou que os separa. O resultado atual das técnicas de comunicação deriva-se de diversos conflitos entre esses atores sociais, seus projetos rivais e as novas descobertas imprevistas que alteram radicalmente o uso e, portanto o sentido de uma dada técnica de comunicação. Essas tecnologias abrem novos campos de possibilidades para uma nova cultura, influenciando diferentes aspectos de nossa sociedade.
Ainda conforme Lévy (1994), a transmissão de informações é a primeira função da comunicação, mas o ato comunicativo é que define as situações que dão sentido às mensagens
trocadas. “[...] longe de ser apenas um auxiliar útil à compreensão das mensagens, o contexto
é o próprio alvo dos atos de comunicação” (LÉVY, 1994, p. 12). Na visão do autor, as mensagens compartilhadas em um processo de comunicação objetivam precisar, ajustar, transformar o contexto compartilhado pelos interlocutores, considerando-se que o contexto, longe de ser um dado estável, é um objeto perpetuamente reconstruído e negociado. Assim como se modificam os contextos, também se alteram as técnicas de transmissão e de tratamento das mensagens, ou seja, o ritmo e as modalidades de comunicação. Lévy (1994), no entanto, não considera essas tecnologias neutras, pois estão sempre associadas a um contexto mais amplo, em parte determinando esse contexto e em parte sendo determinadas por ele.
Independente do consentimento da escola, nos últimos anos, o seu contexto tem sido modificado pelas tecnologias de informação e de comunicação tanto nas instituições públicas como nas privadas. Não se pode mais ignorar o fato de que livros, cadernos, lápis, lousa, aulas expositivas têm sua predominância questionada ao coexistirem com as novas tecnologias, seja nos espaços escolares, ou a partir da cultura cotidiana dos alunos.
A instrumentalização básica ainda prevalece na maioria das escolas brasileiras, por razões políticas, econômicas e até mesmo pela insegurança dos profissionais da Educação que insistem em permanecer no limite confortável de suas didáticas treinadas e inúmeras vezes executadas. Apesar disso, modificam-se os nossos tempos, alteram-se as necessidades e interesses em níveis amplos e restritos, além de que as mentes dos alunos estão carregadas de informações, de maneiras diferentes de relacionar com o conhecimento.
Essas novas interações suscitadas resultam do fato de que tecnologia não se limita aos equipamentos, a aparelhos e a máquinas; o termo é bastante abrangente, pois, segundo Kenski (2007), o conceito de tecnologia compreende uma totalidade de objetos que o homem conseguiu inventar em todas as épocas. A autora destaca, principalmente, que ela altera
comportamentos, impondo-se sobre a cultura existente, transformando não apenas o comportamento individual, mas o de todo o grupo social. A linguagem é um bom exemplo de
tecnologia que não necessariamente se apresenta por meio de máquinas e equipamentos. “A
linguagem é uma construção criada pela inteligência humana para possibilitar a comunicação entre os membros de determinado grupo social” (KENSKI, 2007, p. 23).
Assim sendo, a cultura social entrelaça-se com a ampliação das tecnologias, especialmente no sentido informacional e comunicacional. Lévy (1994) assegura que as mudanças comunicacionais e interacionais dos nossos dias afetam diretamente a subjetividade dos indivíduos e dos grupos, porque, ao mesmo tempo em que esses inventam essas novas técnicas, atribuem-lhes usos e criam novas necessidades, também a elas se submetem e por elas são influenciados. A diversidade de informações difundidas por meio das novas tecnologias e das redes digitais integra a formação das subjetividades, molda interesses, altera trocas de experiências e define relacionamentos.
Nesse sentido, os contextos das interações humanas são reconfigurados em todos os setores de sua abrangência, sobretudo no trabalho e na escola. Isso porque são instituições em que a formação de sujeitos aptos a atuarem nesses novos contextos e sentidos incitados pelas novas tecnologias é imprescindível para a construção de uma nação moderna
Várias críticas são levantadas em torno da invasão dessas tecnologias em nosso cotidiano, muitas vezes questionando sua eficácia na Educação. No entanto, enfrentando de maneira crítica ou alienada, as TIC estão em toda parte fazendo com que a escola se abra não somente para compartilhar o que se ouviu no rádio, assistiu-se na TV ou acessou-se na
Internet, mas para criar estratégias de inserção desses meios no ensino e na aprendizagem.
“Graças a essas novas tecnologias da informação, a escola, em nossa sociedade, já não é a primeira fonte de conhecimento para os alunos e, às vezes, nem mesmo a principal, em muitos âmbitos” (POZO, 2004, p.35).
A escola não tem acompanhado as mudanças sociais provocadas pela tecnologia, causando um descompasso entre o social e o escolar. Isso descaracteriza a principal função socializadora da escola, já que, ao invés de os alunos a ela se dirigirem para saberem como se relacionar melhor com a vida social, são eles que levam para a escola o desafio de se adaptar ao que eles já sabem e apenas esperam encontrar uma aliada aos seus estudos.
Compreendemos essa situação em um espaço/tempo em que a escola ainda nem mesmo integrou a TV como co-partícipe de forma adequada aos conteúdos escolares, quando
então surge o computador e a Internet exigindo também seu espaço e apresentando outros desafios que requerem novos aprendizados e habilidades para explorar todo o seu potencial. Ainda assim, acentuamos a importância de a escola se adaptar a esses novos contextos emergentes a partir das novas tecnologias, sem, no entanto, passar a impressão de que são mudanças simples, dependentes apenas da boa vontade do corpo escolar.
Não tencionamos, ainda, transmitir a ideia de que tudo o que é feito com essas tecnologias e com as redes digitais seja “bom”. Para Lévy (1999), isso seria tão absurdo quanto supor que todos os filmes sejam excelentes. O autor então faz um alerta acerca da postura equilibrada que necessitamos manter frente a esse novo contexto da era digital:
Peço apenas que permaneçamos abertos, benevolentes, receptivos em relação à novidade. Que tentemos compreendê-la, pois a verdadeira questão não é ser contra ou a favor, mas sim reconhecer as mudanças qualitativas na ecologia dos signos, o ambiente inédito que resulta da extensão das novas redes de comunicação para a vida social e cultural. Apenas dessa forma seremos capazes de desenvolver essas novas tecnologias dentro de uma perspectiva humanista (LÉVY, 1999, p. 11).
Estamos em um patamar em que não é mais possível ignorar as fontes de informação dos alunos em nome do despreparo das nossas escolas. Mesmo ainda mal ou pouco utilizadas, não é prudente retirar da escola as tecnologias já existentes. Os avanços são lentos, mas é com esse contexto que precisamos lidar de agora em diante para que a escola mantenha sua principal função social.