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Commandes de la nacelle

Dans le document Manuel de l opérateur (Page 25-29)

Por um lado, o objetivo desse capítulo consiste em contextualizar, a partir da evolução da história do pensamento da Administração, a escola gerencialista definida aqui como aquela que examina as ações dos administradores sob a perspectiva da ética da finalidade. A corrente gerencialista, no presente estudo, está representada por Michael Porter, expoente do pensamento estratégico.

Por outro lado, a abordagem humanista, representada neste estudo por Omar Aktouf, remete à análise e ao questionamento dos pilares do pensamento administrativo dominante quanto à insustentabilidade de um modelo baseado no matematicismo e na financeirização da economia. Para isso, procurou-se analisar as contribuições das escolas e abordagens teóricas de Administração mais significativas ao longo do período bem como a contribuição do pensamento crítico de diversos autores que corroboram o pensamento aktoufiano acerca do modelo de gestão vigente.

Conforme estudos realizados por Bertero (1994, p. 85), a evolução das teorias administrativas tem início a partir do surgimento da Teoria Clássica/Administração Científica, da Escola de Relações Humanas, do Behaviorismo, do Estruturalismo/Burocracia, da Teoria de Sistemas, Teoria da Contingência, do Desenvolvimento Organizacional, da Administração por Objetivos e, finalmente da Estratégia Empresarial.

Motta e Vasconcelos (2002, p.3), apresentam as proposições teóricas da Administração classificando-as em dois modelos: um modelo com enfoque explicativo e outro modelo com enfoque prescritivo. O enfoque explicativo e transversal está relacionado com as teorias formuladas com base em pesquisas empíricas, a saber: Cultura Organizacional, Poder nas Organizações, Aprendizagem Organizacional, Psicanálise e Organização e Teorias Ambientais. O enfoque prescritivo diz respeito a abordagens que propõem ferramentas e técnicas com o objetivo de solucionar questões e dificuldades específicas das organizações: a

Administração Científica, a Escola de Relações Humanas, o Behaviorismo, o Estruturalismo e a Teoria da Burocracia, a Teoria de Sistemas, a Teoria da Contingência e o Desenvolvimento Organizacional.

Segundo Bertero (1992, p. 15), as primeiras tentativas na construção de uma teoria organizacional originaram-se nos Estados Unidos, na França e na Inglaterra. O pensamento de Frederick Winslow Taylor e Henri Fayol contribuiu de forma definitiva para a formação da chamada teoria clássica. Para o autor, a escola clássica representou a expressão de uma “racionalidade baconiana e cartesiana ao nível da teoria da organização”.

A Escola Clássica de administração destacou-se por empregar os mesmos métodos e o mesmo campo conceitual, que já se havia constatado de grande eficácia, à realidade industrial:

A necessidade de “transformação de mentalidade”, que Taylor chega a propor como definição final e a mais adequada para o movimento da “administração científica” (scientific management), não seria mais do que a aceitação de que a administração deveria tornar-se um campo de conhecimento tão científico, como a realidade da natureza já se tornara para as ciências de tipo físico-matemático, e que seria forçosamente possível sua transformação numa ciência quantificável, onde se encontraria uma verdade definitiva, à maneira matemática, e que tal seria fatalmente alcançado, sendo apenas uma questão de tempo (BERTERO, 1992, p.17).

Apesar de a ciência da administração vista em Fayol não ter sido em linhas gerais diferente do que havia sido proposto por Taylor, a abordagem de Fayol apresenta uma consideração acerca da administração do topo da organização e não do chão de fábrica como visto em Taylor, que se preocupava com os estudos de tempos e movimentos e com a racionalização das tarefas do operário.

Ainda de acordo Bertero (1992, p.17), Fayol é visto como funcionalista porque o seu intento sempre foi o de reunir as tarefas básicas e específicas do administrador no interior das organizações e atribuir-lhes o nome de funções. Assim, para Fayol, o administrador é aquele que não se preocupa com serviços rotineiros e se afasta das questões operacionais da organização.

A identificação entre a ciência da administração e a teoria das funções administrativas é que dá ao fayolismo o seu caráter de tentativa científica, na medida em que tenta reduzir a multiplicidade à unidade, ou pelo menos tenta introduzir um ordenamento racional ao real singular e até certo ponto caótico (BERTERO, 1992, p.17).

Segundo Tachizawa et al (2001, p.70), não existe uma definição da escola neoclássica, no escopo dos estudos da teoria das organizações. De modo semelhante, Meireles e Paixão (2003, p.247) afirmam que a escola neoclássica é

uma redefinição dos clássicos de modo que “apóia-se neles e expande os conceitos”. No entanto, decidiu-se considerar brevemente essa denominada extensão da Escola Clássica e os autores Peter Drucker, Harold Koontz e Cyril O’Donnell como os principais autores neoclássicos.

Os estudos dos neoclássicos reforçam que a ênfase na prática de administração, a reafirmação dos postulados clássicos, o alcance dos objetivos e a produção de resultados é a razão de ser da organização. A descentralização e centralização são discutidas e a organização formal é concebida como a que possui distribuição de autoridade e responsabilidade, divisão do trabalho, especialização, racionalismo comportamental e hierarquia. Nesses estudos surgem a departamentalização, a organização linear, funcional e linha-staff, e Administração por Objetivos.

O caráter da racionalidade vista em Taylor e Fayol pode também ser encontrado na Escola das Relações Humanas de Elton Mayo e seus seguidores.

Conforme Motta (1998, p.23.), a Escola de Relações Humanas surge “com o objetivo, mais ou menos claro, de aumentar a lucratividade através da diminuição dos custos oriundos dos conflitos internos à empresa”. Essa abordagem apresentava como principais características a ênfase no indivíduo de modo que o homem é considerado como “um ser cujo comportamento não pode ser reduzido a esquemas mecanicistas” e a visão de que o indivíduo é condicionado pelo aspecto social e pelo aspecto biológico de forma simultânea.

Assim, Taylor, Fayol e Mayo tinham também como objetivos fundamentais o aumento da eficácia diante do crescimento da produtividade industrial e da necessidade de extinguir a ineficiência e os conflitos de natureza humana no âmbito das organizações.

O Behaviorismo, de acordo com Motta (1998, p.35), tem como maior particularidade a objetividade com que seus autores enxergam a organização, envolvendo o comportamento administrativo seja ele individual, formal ou grupal.

Para Motta (1998, p. 10), o autor Herbert Simon chamou atenção para a questão de que, em Administração, as conclusões não possuem validade universal. Outros autores como Chester Barnard contribuíram para a evolução do estruturalismo, com a teoria da aceitação da autoridade e a organização como sistema social cooperativo, Douglas McGregor desenvolveu os estilos de administrar (X e Y), Rensis Likert que elaborou os perfis organizacionais (autoritário/coercitivo;

autoritário/benevolente; consultivo; participativo), Abraham Maslow que realizou estudos acerca da hierarquia das necessidades humanas, Frederick Herzberg que desenvolveu a teoria dos dois fatores e McClelland que também apresentou trabalhos acerca da motivação.

Segundo Motta (1998, p. 66), o estruturalismo procura estudar a estrutura organizacional e vê a organização como um sistema “deliberadamente construído e em constante relação de intercâmbio com o seu ambiente”. A dimensão, a complexidade das organizações e a necessidade de um modelo de organização formal fizeram surgir o interesse pelo Modelo Burocrático de Max Weber nos anos 40. Esse modelo apresenta como características o caráter legal das normas e regulamentos, o caráter formal das comunicações, o caráter racional e divisão do trabalho, a impessoalidade nas relações organizacionais, a hierarquia, a padronização de rotinas e procedimentos, a competência técnica e a meritocracia, a administração profissional e a completa previsibilidade de funcionamento. Posteriormente, o apego aos regulamentos, o excesso de papel, o formalismo, a resistência às mudanças, a rigidez, e os conflitos com clientes foram apontados como disfunções burocráticas.

A Teoria Estruturalista surge como um desdobramento da Teoria da Burocracia e uma aproximação da Teoria das Relações Humanas. Surge o conceito de homem organizacional que significa aquele que se relaciona em sociedade por meio das organizações a que pertence. O estruturalismo procura relacionar a organização e seu ambiente externo e estudar as relações formais e informais. A Teoria Estruturalista procurou fazer uma integração das diversas abordagens teóricas, procurando estudar os mais variados tipos de organizações. Os seus principais autores foram Robert K. Merton, Philip Selznick, Amitai Etzioni e Peter Blau (MOTTA, 1998, p. 58-59).

A Teoria do Desenvolvimento Organizacional é um desdobramento prático da Teoria Comportamental, a partir de 1960, com vistas à abordagem sistêmica. Pretende levar a organização a uma mudança planejada de atividades, valores, comportamentos e estrutura, ambiente de trabalho, fusões, visando adaptar- se a novas situações ambientais em constante mutação. Consiste na coleta de dados, diagnóstico e ação de intervenção. A única forma de mudar uma organização é por meio da mudança de sua Cultura (um modo de vida, sistema de valores e crenças).

Segundo Motta e Vasconcelos (2002, p.256), desenvolvimento organizacional pode ser definido “como mudança organizacional planejada e mudança organizacional como um conjunto de alteração no ambiente de trabalho de uma organização”.

Conforme Meireles e Paixão (2003, p.164-174), a Teoria Geral de Sistemas, proposta por Ludwig Von Bertalanffy em 1950, propõe a integração de todos os conhecimentos ao estabelecer a dependência recíproca das descobertas das ciências, pois considera que os sistemas são abertos e sofrem interferências externas.

Com este espírito integrador surge a Cibernética (ciência da comunicação e controle no estudo dos sistemas) por Norbert Wiener entre 1943 e 1947. Surgem conceitos inovadores como: entrada e saíd a; caixa preta, retroação, homeostasia, informação, redundância, entropia, informática.

A Teoria Matemática aplicada à Administração denomina-se Pesquisa Operacional (P.O.). Sua ênfase está no processo decisório e sua origem está na Teoria dos Jogos (Newman e Morgensten) de 1947, no estudo do processo decisório (Hebert Simon) e na Teoria das Decisões. A Pesquisa Operacional pode ser aplicada a pessoas (gerência, decisões, pesquisa de mercado, relações de trabalho), a pessoas e máquinas (eficiência, produtividade, prevenção de acidentes) e a movimentos (transporte, estoques, distribuição). Os principais autores dessa escola foram Ludwig Von Bertalanffy, Charles Handy, Norbert Wiener, Katz e Kahn, Schein e Beckhard, Bennis.

Motta e Vasconcelos (2002, p.188) afirmam que, a partir da abordagem sistêmica, a organização passa a ser percebida em termos de comportamentos inter- relacionados:

Há uma tendência muito grande a enfatizar mais os papéis que as pessoas desempenham do que as próprias pessoas, entendendo-se o papel como um conjunto de atividades associadas a um ponto específico do espaço organizacional, a que se pode chamar cargo.

Nesse sentido, Motta e Vasconcelos (2002, p.190) apontam que, a partir dos conflitos e papéis a resolver e das “expectativas de papéis que são determinadas por contexto organizacional mais amplo”, surge a figura do homem funcional como idéia central da Teoria dos Sistemas.

A Abordagem Sistêmica permite tratar as atividades administrativas em termos de seus sistemas: de produção, de comercialização, de recursos humanos e recursos financeiros.

Na Abordagem Contingencial, a eficácia organizacional só é atingida pelo uso de variados modelos, isto é, não existe uma forma única de se atingir um objetivo.

Autores como Lawrence, Lorsh, Burns e Stalker elaboraram dois tipos ideais de organização de modo que cada um esteja adaptado a um determinado setor ou ambiente: a organização mecânica e a organização orgânica. A primeira é formal com estrutura rígida e com pouco grau de comunicação entre os setores. A segunda é descentralizada, o poder é difuso e o processo de comunicação flui em todos os níveis, tanto vertical quanto horizontal. Woodward coloca ênfase nas variáveis tecnologia e ambiente para expressar os contornos que podem assumir a estrutura e o funcionamento da organização. Não há segundo essa abordagem uma forma melhor de administrar, não há modelo que se enquadre a qualquer situação (MOTTA e VASCONCELOS, 2002, p. 213-215).

A Abordagem Estratégica surge nos Estados Unidos em meados da década de 70 como uma resposta dos teóricos à ineficácia do arcabouço teórico- administrativo que não respondia às demandas por soluções dos problemas enfrentados pelas organizações, nesta época, imersas num ambiente de instabilidade política e econômica (QUINTELLA e DIAS, 2000, p.12).

Para Ansoff (1977) apud Dias (2002, p.151), o discernimento da estratégia como um processo de decisão racional e decidido pela cúpula da organização exige “regras de decisões adicionais para que a empresa possa ter um conhecimento ordenado e com lucros”.

Nestes termos, Andrade e Dias ( 2003, p. 54) argumentam:

O termo gerência ou administração estratégica foi introduzido pelo próprio Igor Ansoff, nos anos 70, relacionando ao estabelecimento de objetivos e metas para a organização, segundo um conjunto de relações entre a organização, segundo um conjunto de relações entre a organização e o ambiente, que a capacita a alcançar objetivos que permaneçam ajustados às demandas ambientais. O conceito foi introduzido para significar a adaptação incremental da organização em todas as suas dimensões, às mudanças ambientais.

Segundo Carrieri (1998) apud Dias (2002, p.153), o final dos anos 70 representou uma linha de demarcação nos estudos organizacionais quando a norma funcionalista passou a ser questionada por autores como Burrel e Morgan (1979): “[...] os anos seguintes ficariam caracterizados elo predomínio da relatividade e da

diversidade no campo dos estudos organizacionais e, por conseqüência, também nas pesquisas sobre estratégia”.

Para Andrade e Dias (2003, p. 54), a importância do modelo de pensamento sobre a estratégia consistia na admissão do imprevisível e na constatação da complexidade dos ambientes que envolvem as organizações.

Há uma leitura extensa acerca da evolução do pensamento estratégico e, nesse sentido, Zacarelli (1995, p.22) propõe o seguinte marco histórico da estratégia nas empresas, conforme Quadro 8:

Quadro 8 - Marco histórico da estratégia nas empresas.

1965 Editado o primeiro livro sobre estratégia, por Igor Ansoff (Estratégia empresarial, Editora Atlas).

1973 Realizado o Primeiro Seminário Internacional de Administração Estratégica na Universidade de Vanderbilt. (os trabalhos apresentados constam no livro Do planejamento estratégico à administração estratégica, organizado por Ansoff, Declerck, Hayes, editora Atlas).

1980 Editado o primeiro livro notável com desenvolvimento de conceitos próprios de estratégias, escrito por Michael Porter (Estratégia Competitiva, editora Campus). Os livros de estratégia passaram a ser os mais vendidos na área de Administração.

1990 Editado o livro de Porter, Vantagem competitiva das nações (Editora Campus), que ampliou os conceitos de estratégia para problemas macroeconômicos.

1993 A revista Business Week mostrou que o planejamento estratégico deixou de ser o serviço de maior faturamento das empresas de consultoria européia.

Foi editado o livro de Mintzberg, The rise and fail of strategic planning, que mostrou a precariedade dos conceitos do planejamento estratégico

1994 Editado o livro de Hamel e Prahalad Competindo pelo futuro (Editora Campus), que consagrou os novos conceitos de estratégia empresarial como arquitetura estratégica, competências essenciais etc.

1995

Existência de vários livros no mercado, todos eles sem adotar no título a palavra planejamento, enfatizando termos como pensamento estratégico, estratégia operacional, estratégia em tempo real etc.

Fonte: Zaccarelli (1995, p.22).

No Brasil, os fundamentos do gerenciamento estratégico surgem como modelo importado concomitantemente à implantação das escolas de Administração. Segundo Fischer (2003, p.52-53), a estrutura dos cursos das escolas de administração da UFRGS, da UFBA e da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV) seguiu o modelo dos currículos americanos. Como já visto, notadamente da Southern Califórnia e Michigan State, instituições formadoras daqueles que seriam os futuros docentes em Administração destas escolas.

Conforme visto no Quadro 8, a escola de pensamento estratégico- empresarial originou-se a partir das contribuições de vários autores entre eles Ansoff (1977), Chandler (1976), Ackoff (1974) e Porter (1980, 1986, 1999).

O arcabouço teórico fornecido desde então pelos pesquisadores desta escola do pensamento gerencial possibilitaram às organizações dispor de ferramentas de análise e gestão mais flexíveis.

Nesse sentido, Mattar Neto (2004, p.270) considera que diferentemente da filosofia, uma das características da história do pensamento administrativo é que as obras e os autores desse movimento tornam-se superados de forma acelerada:

Na história do pensamento administrativo, conceitos velhos são cosmeticados e lançados como se fossem absolutamente novos, criações dos modernos autores, capazes de explicar fenômenos também novos.

Nesta linha de argumentação, aponta-se, a seguir, o olhar de Chanlat (1999, p.63) acerca dos pensamentos mecanicistas que têm envolvido o mundo da gestão:

Ainda recentemente, Michael Hammer, um dos apóstolos da reengenharia, que, foi sobretudo sinônimo de demissões em massa e de péssimos resultados financeiros e operacionais, confessava publicamente para um grupo de participantes, que tinham pago caro para escutá-lo, que ele havia de fato dado pouca atenção às dimensões humanas em razão de sua formação em engenharia e que havia descoberto depois que estas dimensões eram críticas.

Também na mesma direção, Motta e Vasconcelos (2002, p. 135-136) ressaltam os vários estudos da teoria crítica acerca das relações de dominação do sistema social:

Um outro exemplo de argumentação crítica é o argumento segundo o qual a adoção recente do nome “Gestão de Pessoas” para a antiga administração de Recursos humanos é uma tentativa de ocultar relações de poder subjacentes ao sistema. Argumenta-se que frequentemente os indivíduos continuam sendo tratados como recursos pelas organizações, como mostram as recentes tendências de adotar-se nas organizações ferramentas “neotayloristas” como a Reengenharia (Downsizing), excluindo- se subitamente os indivíduos da organização como recursos que sempre foram, o que descobre o caráter ideológico do discurso de proteção social e da ética paternalista antes adotada por esses sistemas organizacionais.

A escola do pensamento estratégico tem sido aceita tanto no meio acadêmico como no meio empresarial pelo resultado alcançado pelos trabalhos de Michael Porter.

Em seu primeiro livro Estratégia Competitiva, Porter (1980, p. 6) destaca que a compreensão do funcionamento da estrutura da indústria é um elemento essencial para a escolha da estratégia da empresa.

Porter (1986, p. 21-22) concebe o modelo da “cadeia de valor” como forma de análise sistematizada das atividades desempenhadas pela empresa que representem fontes de vantagem competitiva.

Em seu trabalho A Competitividade das Nações, Porter (1999, p. 174) mostra que a origem da vantagem competitiva está vinculada mais ao ambiente do que às condições iniciais da empresa.

Ao propor uma tipologia própria de estratégias suficientemente amplas e aplicáveis a qualquer tipo de empresa, em qualquer tipo de indústria e em qualquer estágio de seu desenvolvimento, Porter (1980, p. 9-13) impõe um dos principais pilares do porterismo.

Essa tipologia, de cunho pragmático e utilitarista, é composta por três Estratégias Genéricas: Liderança em Custo Total, Diferenciação e Enfoque. Segundo o autor, as empresas apresentariam melhor desempenho que os concorrentes se escolhessem e implementassem uma das estratégias genéricas propostas. Porter (1980) acredita que a estratégia resultante da aplicação simultânea de mais de uma estratégia genérica renderia um desempenho inferior ao resultado obtido com a escolha de uma única estratégia para guiar os rumos da organização.

A Estratégia Genérica de Liderança no Custo Total estabelece como meta para a empresa um custo menor que o de seu concorrente. Obtendo menor custo total a empresa poderá enfrentar pressões de fornecedores e o poder de negociação dos compradores, ameaças de novos competidores e de produtos substitutos.

Nesse sentido, a empresa exercerá sua gestão de custos com base no que Rossetti (1993, p. 481-494) registra como elementos da organização econômica necessários à produção na empresa:

a) a capacidade empresarial (reunião, organização e gestão dos recursos ativos disponíveis);

b) a tecnologia (normas de ação que operacionaliza a capacidade de produção em relação ao capital e a força de trabalho);

c) as reservas naturais (todos os recursos e condições da natureza acessíveis ao homem e úteis ao empreendimento);

d) o capital (equipamentos, estoques, instalações industriais e outras formas de riqueza que possibilitam obter outras riquezas);

A Estratégia Genérica de Diferenciação é proposta por Porter como um meio de obter um posicionamento exclusivo na mente do consumidor, ou seja, a partir do oferecimento de um produto de características únicas de valor superior dentro de uma indústria a empresa conseguiria vencer a concorrência. Esta estratégia possibilita à empresa a obtenção da fidelização do cliente e a extração nesta relação de sobrepreço para seus produtos e serviços, possibilitando a cobertura dos custos da diferenciação.

A Estratégia Genérica de Enfoque se baseia, segundo Porter, na opção da empresa por uma especialização ou foco em uma parcela da indústria, definido um escopo estreito para seus produtos e serviços em termos de: tipos de clientes, linha de produtos, canais de distribuição, área de cobertura de vendas, entre outras dimensões.

Porter (1999, p. 48), em seu artigo O que É Estratégia, defende o uso e aplicação de ferramentas de eficácia operacional, a exemplo da reengenharia, da gestão da qualidade total, da terceirização, do benchmarking, de alianças, entre outras ferramentas, como forma de buscar a produtividade, a qualidade e o desempenho superior da empresa frente aos concorrentes.

No entanto, Porter (1999, p. 48-49) considera que se todas as empresas de uma indústria estiverem recorrendo a tais ferramentas, estarão todas se aproximando do que o autor denomina “fronteira da produtividade”:

soma de todas as melhores práticas existentes num determinado momento [...] o valor máximo que uma empresa é capaz de proporcionar com o fornecimento de um certo produto ou serviço, a um dado custo, utilizando os

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