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PARTIE II: O BSERVATION DES TENSIONS AUX B ORNES DES

III. C.2 Commande en Boucle Fermée

Este estudo teve como objetivo geral identificar fatores que explicam o comportamento dos trabalhadores em relação à segurança bem como analisar a relação existente entre esses fatores. Com base na Teoria da Ação Planejada e nos estudos de Clima de Segurança, fatores foram identificados e suas relações demonstradas. Dados sobre a política, procedimentos e regras de segurança, bem como alguns riscos nas atividades de trabalho, foram levantados com o objetivo de contextualizar a análise dos fatores identificados e possibilitar a identificação de ações práticas que poderiam ser tomadas pela organização.

Para a operacionalização da pesquisa foram definidos três objetivos específicos e os resultados encontrados são a base para as reflexões apresentadas a seguir.

No desenvolvimento do primeiro objetivo específico buscou-se avaliar o contexto organizacional em relação à segurança. A avaliação realizada teve um recorte que considerou duas dimensões agrupadas de Clima de Segurança conforme apresentado no Quadro 1: Políticas e Procedimentos e Condições Físicas de Trabalho. As demais dimensões apresentadas no Quadro 1, não foram utilizadas nessa etapa do trabalho e espelham os construtos utilizados no modelo proposto.

Os dados secundários e as respostas das entrevistas demonstraram que a Política de Segurança é recente e ainda não foi desdobrada em procedimentos e regras, dentro de um sistema consistente e entendido por todos. Situações de risco intrínsecas aos processos produtivos foram observadas e constatou-se que o tratamento dado a essas questões não é sistêmico. Situações de risco são tratadas com naturalidade por líderes e trabalhadores.

Schein (1984) considera que os valores de uma organização podem ser observados através de

expressões manifestas, refletindo o que as pessoas dizem dentro de um grau expressivo de racionalização, que procura explicar os comportamentos das pessoas na organização.

A análise do contexto organizacional, na perspectiva acima exposta, sugere que a empresa não tem segurança no trabalho como valor e que os trabalhadores em geral não apresentam comportamentos alinhados em relação à segurança.

No desenvolvimento do segundo objetivo específico procurou-se verificar as relações entre os construtos que compõe a Teoria da Ação Planejada. Essa teoria foi utilizada como base para a identificação de fatores que explicam o comportamento em relação à Segurança. Com base em um comportamento definido, os dados mostraram a utilidade do modelo proposto, em alinhamento com os trabalhos de Fogarty (2010) e Johnson e Hall (2005), validando também a Teoria da Ação Planejada.

Controle Percebido, Normas Subjetivas e Atitudes demostraram relações significativas com a Intenção em realizar o comportamento estudado. Pode-se destacar que o Controle Percebido teve maiores cargas sobre o Comportamento do que a Intenção, demostrando que a percepção de controle que os operadores têm em relação à realização das inspeções de segurança nas ferramentas é alta. Também pode se destacar que as Normas Subjetivas tiveram menor influência na Intenção do que o Controle Percebido e a Atitude, resultado que pode estar alinhado com a análise do contexto organizacional descrita anteriormente, sugerindo uma possível relação entre o valor que segurança tem para o grupo estudado e a influência menor das Normas Subjetivas na Intenção.

O terceiro objetivo específico consistiu em avaliar a influência da supervisão direta no comportamento dos trabalhadores.

No trabalho desenvolvido, o Compromisso da Supervisão em relação à Segurança, baseado em Zohar (2005), foi posicionado como um precursor dos construtos da Teoria da Ação Planejada.

Os dados coletados nesta pesquisa não demonstraram relação entre o Compromisso da Supervisão e a Atitude, relação que foi demonstrada no estudo de Fogarty (2010). Esse resultado pode ser explicado pela simplicidade das próprias questões em relação à atitude, utilizadas nesta pesquisa e por questões metodológicas, como mencionado no capítulo da análise (item 6.4).

Foi demonstrado que o Compromisso da Supervisão apresenta relação significativa e positiva com as Normas Subjetivas e com o Controle percebido. A Supervisão direta tem influência sobre a percepção de controle que os funcionários têm em relação a inspecionar as ferramentas e também exerce influência na pressão social que existe entre o grupo de operadores, alinhado com o estudo de Fogarty (2010). No entanto, as relações observadas entre os construtos da Teoria da Ação Planejada nesse estudo, podem sugerir que a supervisão adota junto a seus operadores uma abordagem mais individual do que coletiva. Reforça a realização da inspeção de ferramentas de maneira individual, sendo percebida como presente em campo, porém não se posiciona frente ao grupo como uma liderança que promove pressão social para que as inspeções sejam realizadas. Fica também demonstrado que a Supervisão, mediada pelos construtos da Teoria da Ação Planejada, apresenta relação significativa com o comportamento dos operadores, o que corrobora estudos anteriores apresentados na revisão teórica dessa pesquisa.

Considerando os resultados expostos, ações no sentido de tornar o ambiente de trabalho mais colaborativo e aberto entre os operadores, propiciando o encorajamento mútuo na realização das inspeções, poderiam ser adotadas dentro de um programa de segurança.

Um desafio recorrente nos programas de segurança do trabalho é aumentar sua efetividade no sentido de fazer as pessoas adotarem comportamentos seguros. O entendimento dos fatores que explicam o comportamento dos trabalhadores em relação à segurança pode ser de grande utilidade para sugerir intervenções que contribuam para a redução dos índices de frequência e gravidade dos acidentes de trabalho. Os pesos (cargas) entre as relações dos fatores do modelo proposto podem variar de acordo com o grupo estudado, apontando diferenças na explicação de determinado comportamento, possibilitando assim a customização de ações, conforme sugere Johnson e Hall (2005).

Como contribuição desta pesquisa para a teoria, este trabalho demonstrou a utilidade da Teoria da Ação Planejada como um modelo para explicar o comportamento em relação à segurança dos trabalhadores dentro de uma organização brasileira. Uma questão metodológica a destacar nesse trabalho é a influência do comportamento estudado na construção dos instrumentos de coleta de dados (roteiro de entrevistas e questionário).

Outra contribuição para a teoria é a demonstração da influência da supervisão direta no comportamento dos trabalhadores, e uma possível relação entre os valores culturais da organização e as Normas Subjetivas.

Como contribuição para os gestores da organização estudada, este trabalho traz informações sobre o ambiente organizacional que têm relação com o comportamento dos trabalhadores, permitindo o desenho de ações dentro de um programa de segurança. Considerando o risco das operações, procedimentos e regras de segurança poderiam ser mais prescritivos e merecem revisões.

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