Etat de l'art sur le contrôle et diagnostic de défaut de la machine à induction
I.5.5 Commande Backstepping
Partindo do título “Caracóis de Ouro e os Três Ursos”, verificamos que se trata de personagens sem nome, logo o seu valor é simbólico e funcional.
O símbolo mais facilmente identificável ao longo do conto é o da triplicação, sendo também aquele que surge mais vezes ao longo do conto. Os elementos que favorecem a triplicação são: as três cadeiras, as três camas, os três ursos e as três tigelas. O número três tem ainda um significado simbólico e cabalístico. É o número da perfeição e exprime uma ordem intelectual e espiritual, em Deus, no cosmos ou no homem. Sintetiza a tri-unidade do ser vivo. É o acabamento da manifestação: o homem, filho do Céu e da Terra, completa a Grande Tríade. (Chevalier; Gheerbrant, 1982: 654).
Ao analisarmos o conto, verificamos que duas vezes temos um resultado negativo e, na terceira tentativa, o resultado é positivo.
A personagem principal do conto é uma menina (criança) que representa o futuro ou a vida vindoura. Por outro lado, os ursos representam o aspeto perigoso da vida e, neste conto, podem ser interpretados como o suposto perigo de se entrar em casa de desconhecidos. Associada aos ursos aparece a sua casa, que simboliza a sua individualidade e o seu pensamento pessoal.
O ouro dos cabelos simboliza a perfeição absoluta. (Chevalier; Gheerbrant, 1982: 495) O bosque que aparece no conto pode ser percebido como o princípio materno e feminino, simbolizando também o inconsciente. (Chevalier; Gheerbrant, 1982: 331)
A casa dos ursos é o símbolo feminino no sentido de refúgio, de mãe, de protecção, de sei maternal. (Bacv, 14 apud Chevalier; Gheerbrant, 1982: 166)
Os Três Ursos do conto simbolizam as forças elementares susceptíveis de evolução progressiva. (Chevalier; Gheerbrant, 1982: 672)
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5.3
- Análise semiótica do conto tradicional “O pão dos outros”
Ao efetuarmos a análise do conto O pão dos outros, verificamos que as personagens da obra se dividem em quatro esferas de ação, sendo elas a esfera do sujeito, a esfera do
destinatário, a esfera dos adjuvantes, e a esfera do auxiliar. Na esfera do sujeito e do destinatário encontra-se a personagem principal Rémi, na esfera dos adjuvantes encontram-se
o Filipe e a turma e na esfera dos adjuvantes encontram-se as restantes personagens (a avó de Rémi, o Filipe, a turma e a professora).
O conto em análise inicia-se com a expressão “Há muito, muito tempo…” que nos remete para um passado longínquo. A passagem temporal verifica-se através do uso das expressões “naquele tempo” e “antigamente” que continuam a dar-nos a informação de um passado longínquo. A utilização da data “um de janeiro” remete-nos para um dia específico.
Quanto aos espaços onde decorre a narrativa, estes são uma aldeia no sul da França, o largo da aldeia, a escola, o recreio e a sala de aula.
Relativamente ao quadro comunicativo, neste conto estamos perante um narrador autodiegético (num primeiro tempo) para posteriormente passar a ser homodiegético, uma vez que, inicialmente o narrador é a avó de Rémi, passando posteriormente para o Rémi.
No que respeita às personagens, a personagem principal é o Rémi, um menino, facto que descobrimos através dos dados do conto. Quanto às caraterísticas psicológicas desta personagem, esta é simpática, preocupada em partilhar, atenta, preventiva e amiga do seu amigo.
A avó do Rémi é uma das personagens secundárias, sabemos que uma pessoa de uma certa idade, facto que nos é transmitido através dos termos temporais utilizados ao longo do conto. Relativamente aos traços psicológicos da personagem esta possuí ética e valores morais. O Filipe é outra das personagens secundárias do texto, é uma criança, informação que obtemos por ser da turma do Rémi. Psicologicamente esta personagem é simpática e amiga do seu amigo.
As restantes crianças da turma do Rémi são personagens secundárias, que possuem as seguintes caraterísticas psicológicas amigas e do seu amigo e preocupadas com os valores.
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Este conto parece terminar em aberto com o uso da expressão Sabes avó na minha
escola, no entanto, o conteúdo seguinte está enunciado anteriormente no texto.
Na obra Morfologia do conto Vladimir Propp descreve trinta e uma funções para descrever os contos tradicionais e nem todas elas existem num só conto (Propp. apud Soares 2014: 17, 18).Esta obra inicia-se com a função da informação, uma vez que, Rémi ouve da sua avó a história do pão dos outros. De seguida verificamos a interrogação, visto que Rémi ficou a ponderar no que a sua avó lhe contara durante alguns dias. Após a interrogação surge neste conto a cumplicidade que une Rémi ao seu amigo Filipe quando estes começam a trocar pedaços de pão durante o intervalo. Ao longo deste conto surge também a função de reação que se aplica em dois momentos, inicialmente quando os restantes meninos da turma decidem partilhar pedaços de pão entre si e quando acabam todos a dar um pão à professora. Este conto termina com a função de vitória, pois, com a iniciativa do Rémi toda a turma acabou a partilhar pedaços de pão no intervalo.
Esquema actancial de Greimas
O sujeito é a personagem em volta da qual se passa a ação, neste conto essa personagem é o Rémi.
O objetivo é aquilo que o sujeito pretende alcançar, neste caso aquilo que o Rémi pretende alcançar é a partilha com os seus colegas.
O destinatário é a personagem (s) que ficam a ganhar com a vitória do sujeito, neste caso os destinatários são o Filipe e a turma.
Sujeito (Herói) Rémi Oponentes Não há Objeto ou Objetivo Partilhar Destinatário Filipe Turma Adjuvantes Filipe Turma Destinador Rémi óis de Ouro
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Os adjuvantes são as personagens que auxiliam o sujeito a alcançar o seu objetivo, assim, os adjuvantes são o Filipe e a turma, que coincidem com o destinatário.
Os oponentes são as personagens que tentam impedir o sujeito de alcançar o seu
objetivo, neste conto não existem oponentes.
Segundo Courtès a dinâmica da narrativa divide-se em três fases fundamentais, sendo elas a prova qualificadora, a prova decisiva e a prova glorificadora.
Uma vez que a prova qualificadora é o estado inicial da ação e a perturbação da mesma, posto isto, neste conto a prova qualificadora é a recitação do conto feito pela avó de Rémi e a partilha entre Rémi e Filipe.
A prova decisiva é a transformação da ação e a sua resolução, neste conto esta prova passa pela partilha entre os restantes meninos da turma de pedaços de pão.
O estado final da ação é designado de prova glorificadora, que neste conto passa pela partilha entre todos os meninos da turma e a professora.
Para Cristina Macário Lopes a dinâmica da narrativa divide-se em cinco fases, sendo elas, o estado inicial, a perturbação, a transformação, a resolução e o estado final, que correspondem genericamente aos três momentos de Courtès. Assim, o estado inicial e a perturbação têm equivalência ideológica à prova qualificadora; a transformação e a resolução correspondem à prova decisiva e o estado final equivale à prova glorificadora. A mesma autora passa seguidamente para a análise dos conteúdos da ação, tendo em conta a estrutura lógica da
narrativa, as relações entre a história narrada e o discurso, o quadro enunciativo do narrador,
o plano figurativo e o esquema canónico.
Em relação à estrutura lógica da narrativa, há uma relação de inversão entre o estado
inicial e o estado final, porque o herói, Rémi, parte de uma situação de falta (não partilha com
os colegas) e termina numa situação de equilíbrio ou falta reparada.
No que respeita às relações entre a história narrada e o discurso, não há linearidade entre os acontecimentos e o discurso, pois há analepses (recuos) e prolepses (avanços) no tempo. O discurso é uma narração da história.
Relativamente ao quadro enunciativo (do narrador ou voz), este é presente e participante, sendo portanto, homodiegético.
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Quanto ao plano figurativo, O Rémi é o sujeito herói do conto enquanto que a avó, o Filipe, a turma e a professora são personagens secundárias. As personagens agem em sincretismo actancial, porque Rémi é simultaneamente herói e destinador, isto é, desempenha múltiplas funções no texto. O Filipe e a turma são simultaneamente destinatário e adjuvantes. O conto segue o esquema habitual ou canónico com a vitória do herói ou prova
glorificadora. Eis uma das razões por que estes contos tradicionais são de potencial receção
infantil. Na verdade, raros são os que não terminam no estado final de equilíbrio ou falta
reparada (tendo em conta a perspetiva do herói).