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Dans le document iNA 960 PROGRAMMER'S REFERENCE MANUAL (Page 118-123)

PONTOS FORTES FRAGILIDADES

- Aplicação de conhecimento académico a um contexto de programa educacional. -Reconhecimento da fotografia vernacular enquanto detentora de valor patrimonial, histórico, documental e artístico por parte das crianças.

- Adaptação dos conteúdos à faixa etária das crianças: 4 aos 11 anos.

-Criação de produtos de educação e comunicação patrimonial: Música A Fotografia; 3 Guias; Mascote O Sr.

Câmara; Blog Vestígios:

Fotografia&Memória; Plano de

Actividade: Festival APROXIMA-TE; Fotografia no Lab; Quarta Fotográfica; Férias no Património: Em busca dos mistérios da Fotografia.

- Recetividade das crianças que fizeram parte da implementação das atividades e que se mostraram enérgicas, interessadas e entusiasmadas.

- Os programas de atividades foram rentáveis, do ponto de vista económico, para a empresa. A receita total ultrapassou o valor das despesas.

- Compreendemos que transmitir estes conteúdos apenas numa sessão, como foi o exemplo da Quarta Fotográfica apresentou-se como redutor.

- Por questões de disponibilidade das entidades que iriam receber o grupo das Férias no Património e por força das condições meteorológicas algumas das atividades divulgadas tiveram que ver a sua data de realização alterada.

- Falta de recursos humanos (monitores). - Quarta no Lab mostrou-se a atividade menos rentável quando colocada em comparação o valor angariado e as despesas efetuadas.

OPORTUNIDADES AMEAÇAS

- Este projeto, que se apresenta como um produto patrimonial, poderá ser adaptado a outros mercados e a outras instituições. - É possível criarem-se novos produtos de educação e comunicação patrimonial a partir do material aqui realizado. Exemplo disso é a criação de jogos e de uma banda desenhada com a Mascote O Sr. Câmara como protagonista.

- Face ao estado da Educação Patrimonial no panorama nacional este projeto poderá não ser bem compreendido e, perante a temática da fotografia vernacular, poderá ser subvalorizado.

- O termo fotografia vernacular não gera consenso no universo académico.

- Não devemos cair na subjetividade

quando analisamos a fotografia

Considerações finais

Numa primeira parte, a nossa investigação permitiu-nos compreender de que forma a fotografia vernacular é vista e entendida nos meios científicos. Concluímos que, de facto, estes documentos têm sido, cada vez mais, encarados como fontes de conhecimento e de apoio ao trabalho científico nas áreas da história, da arte e do património. Deste modo, o nosso Projeto apresenta-se como uma reflexão cuidada e criteriosa, apresentando os pontos essenciais dos textos analisados que sustentam o nosso ponto de vista e que permitiram a aquisição de conhecimentos essenciais para a realização do material pedagógico e dos conteúdos transmitidos.

Simultaneamente, foi-nos essencial a leitura e análise de documentos relacionados com a educação patrimonial, para que o resultado final do nosso Projeto fosse exequível e uma contribuição para a área. De facto, os conteúdos destinados a uma faixa etária tão nova, dos 4 aos 11 anos, necessitam que a linguagem e os conteúdos escritos, auditivos e visuais sejam adaptados, e que apresentem um discurso simples e direto sem, no entanto, deixarem de ser rigorosos. Durante a realização do material pedagógico, música, manuais; exercícios, apresentação e atividades plásticas, destacamos como maior dificuldade a linguagem a utilizar. Por vezes tomamos consciência de que estávamos a ser demasiado científicos, levando a que rapidamente ajustássemos o discurso ao perfil do grupo.

De facto, os nossos principais objetivos, o reconhecimento da fotografia vernacular enquanto detentora de valor patrimonial, histórico, documental e artístico por parte das crianças, foram cumpridos. Os participantes nas atividades desenvolvidas em parceria com o Mundo Património, área de educação patrimonial da Spira, revelaram-se enérgicos, interessados e entusiasmados com as ações levadas a cabo, sendo notória a evolução do seu sentido crítico desde o início das atividades até ao seu término. As crianças passaram a reconhecer a fotografia não apenas como uma imagem, que pode ser reproduzida vezes sem conta, mas como um documento que encerra em si várias realidades - a pessoal e a coletiva - às quais podemos aceder se colocarmos as questões certas.

Constatamos ao longo da implementação do Projeto que as crianças inicialmente não estavam familiarizadas com a fotografia no seu formato físico nem com o uso de

câmaras. Os grupos com os quais trabalhámos sofrem o constante impulso pelo consumo e pela captação de imagens, muitas vezes sem sentido. Registar por quê e para quê? Esta foi uma das questões que fez com que as crianças refletissem sobre o uso da fotografia, levando a que compreendessem melhor a ligação destes documentos com o conceito de património.

Na verdade, a criação e implementação de um projeto vai sofrendo constantes mutações até ao momento da finalização da sua aplicação. Neste sentido o nosso programa das “Férias no Património” sofreu ligeiras alterações, mas sem nunca deixarem de ser apresentados todos os pontos pensados para os conteúdos a lecionar. Uma das principais dificuldades sentidas aquando a realização das ações, principalmente durante as Férias no Património, foi a falta de monitores de apoio. Neste sentido, a falta de recursos humanos levou a uma agilização mais restrita do tempo para as atividades, uma vez que recaía sobre nós a organização do material necessário, ao mesmo tempo que vigiávamos as crianças, assegurando que todas as normas da instituição, no que se refere à segurança, eram cumpridas e preparávamos o local para as horas do almoço e lanches. Por vezes o ambiente criado pelas crianças tornava-se de difícil controlo para apenas duas pessoas, o que levava a que a voz do adulto se fizesse ouvir. Assim, a nossa ação e responsabilidade ultrapassou apenas a função da implementação das ações. Contudo é ainda de destacar que todas as atividades realizadas fora do espaço do Mundo Património tinham presentes, além de nós, um monitor e uma pessoa da equipa Spira.

De facto, o contacto com a Spira e com o Mundo Património ultrapassou em grande medida a aplicação do projeto. Durante os meses em que mantivemos contacto com esta instituição alargamos o nosso conhecimento e aptidões na área da comunicação, através da realização de contactos telefónicos e redação de e-mails institucionais; na área de apoio ao estudo, no que diz respeito ao ensino público regular e ao ensino privado, com especial incidência nos programas do ensino francês, no domínio da ferramenta Excel; na promoção das festas de aniversário do Mundo Património, nomeadamente nas atividades de foro artístico e na criação de conteúdos para visitas guiadas à cidade do Porto e a sua realização. Assim, constatamos que o contacto com esta empresa deu-nos

multifacetados e com capacidade de trabalho e de comunicação. Compreendemos que este período de tempo nos fez desenvolver estas qualidades, que aplicámos na criação do nosso projeto: Vestígios:Fotografia&Memória. Também a sua criação passou pelo planeamento e gestão das atividades, para as quais foi necessário a preparação de orçamentos, entregues à gestora do espaço do Mundo Património Lab para validação. Após a tomada de decisão quanto às atividades a serem levadas a cabo procedemos à promoção e comunicação do projeto, para que os encarregados de educação procedessem à inscrição dos seus educandos nas atividades que mais lhes interessassem, seguindo-se a fase da implementação, na qual desenvolvemos as nossas capacidades de gestão de tempo, trabalho e comunicação, adaptando o nosso discurso às várias faixas etárias presentes nas atividades, ponto que se revelou um desafio durante todo o processo. Por fim foi necessário realizarmos um balanço dos resultados obtidos, levando à maturação do nosso sentido crítico face ao nosso próprio trabalho, assim como à perceção do valor económico deste projeto, que poderá ser aplicado e adaptado a outras instituições e panoramas educacionais.

Em suma, a realização deste projeto permitiu o nosso desenvolvimento a nível pessoal e profíssional. O programa que aqui apresentamos é também entendido como um produto rentável, que pode ser adaptado a outras realidades empresariais. Também a música, os manuais e o kit são produtos que podem ser alvo de comercialização. Assim, concluímos que este programa de educação patrimonial e todo o material pedagógico a ele associados são elementos de valor monetário que poderá contribuir para o desenvolvimento cultural e económico nacional.

Os programas educacionais e os materiais pedagógicos que aqui apresentamos afirmam-se como ferramentas de utilidade social, nas quais aplicamos e adaptamos o conhecimento que retivemos através de uma investigação de caráter científico e académico. Como referimos ao longo de todo este relatório de projeto, nós apenas protegemos aquilo que conhecemos. Assim, a aplicação do conhecimento adquirido nos meios académicos a projetos educacionais, sejam eles direcionados a crianças ou a adultos, são importantes ferramentas para a ativação da consciência patrimonial na sociedade, despertando-lhes a noção de identidade e pertença e incentivando o respeito

pelos bens patrimoniais. Defendemos que é apenas através da partilha de conhecimento que podemos criar cidadãos responsáveis, conscientes e sensíveis às questões patrimoniais, históricas e artísticas, ou seja, aptos para consumirem cultura.

Pretendemos que este projeto possa ser aplicado noutras circunstâncias, noutras instituições e em outros pontos do país. Iremos continuar a trabalhar no âmbito da Educação Patrimonial para a Fotografia, para que possamos continuar a transmitir conhecimento, através de workshops, cursos e na plataforma online criada para a apresentação dos materiais que aqui desenvolvemos. Face ao tempo e a questões logísticas não nos foi possível desenvolvermos alguns produtos que pretendíamos, como um jogo de computador, uma série de desenhos animados, uma banda desenhada e certificados de participação nas atividades. Estes materiais pedagógicos serão desenvolvidos num futuro próximo, para uma nova implementação dos conteúdos aqui abordados.

Esperamos que as questões e os conteúdos realizados para estes programas de educação patrimonial inspirem os técnicos que trabalham nesta área e que os leve a refletir e a agir no que diz respeito à evolução da Educação Patrimonial no panorama nacional. De facto, concluímos que é através de ações educacionais ativas que podemos contribuir para a literacia visual da população portuguesa e consequentemente desenvolver uma consciência coletiva, que aqui começa pelo público infantil, para a proteção dos bens patrimoniais, e em particular sobre a fotografia vernacular.

Fontes Visuais

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