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2.6 How Can I Organize and Protect My Files?
O interesse relativo ao tema surgiu, pelo fato de trabalhar na área de saúde, como enfermeira, e em geral somos um grupo (médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem) de profissionais afetados pelo estresse ocupacional. Reforçando que os fatores de estresse laboral ou ocupacional são todos aqueles que estão relacionados com as condições de trabalho e que possam ter impacto na saúde e bem-estar do profissional, como excesso de responsabilidade, pressão, carga laboral e relações conflituosas.
Portanto, torna-se essencial que intervenções sejam garantidas no sentido de prevenir e resolver o risco da SB, focalizando soluções tanto no trabalhador quando no ambiente de trabalho, com o objetivo de desenvolver um processo que permita recuperar o equilíbrio, entre as expectativas do indivíduo e as exigências do seu trabalho.42,48
A grande maioria dos trabalhos anteriores foram realizados avaliando-se isoladamente, cada grupo profissional quanto ao tema estudado, uma vez que, a presente pesquisa abordou a qualidade de vida e os fatores de risco para síndrome de Burnout em profissionais de saúde em dois hospitais de ensino, do Nordeste do Brasil.
Destarte, visualiza-se a partir deste estudo a presença de determinantes da síndrome de Burnout em profissionais da saúde, bem como a influência dessa síndrome na qualidade de vida desses trabalhadores. Nesse aspecto, é vital que medidas sejam tomadas para a diminuição no impacto da qualidade de vida desses, haja vista a possível interferência na saúde desses indivíduos e consequente má qualidade do cuidado prestado na assistência dos pacientes.
Como limitação este estudo apresenta uma amostra de profissionais que trabalham apenas em hospitais públicos, de modo que seus resultados não podem ser extrapolados para profissionais de saúde atuantes na rede privada, os quais possuem outro contexto de trabalho, e consequentemente, outros determinantes de qualidade de vida e da síndrome de Burnout.
A amostra foi composta por 436 profissionais de saúde, dos quais houve uma predominância do sexo feminino (79,4%), e com a faixa etária de mais de 51 anos (33,0%). No que se refere ao estado civil, verificou-se que a maior parte dos profissionais era constituída por casados/união estável (62,8%). A maioria possuía
especialização (34,2%), entretanto, apenas 7,8% e 1,1% eram mestres e doutores, respectivamente. Quanto ao tempo de trabalho, 34,6% tinham entre 5 a 10 anos e 24,3% apresentavam mais de 25 anos de serviço. Quanto ao local de trabalho (73,8%) são servidores com exercício profissional no HUOL e (26,2%) com exercício profissional na MEJC. Mais da metade (55,3%) possuíam um vínculo, mas 42% expressaram ter dois vínculos. Por fim, a maioria, 57,6%, ganhava mais de cinco salários mínimos.
Quanto ao índice da Síndrome de Burnout, os resultados evidenciaram por meio do Maslach Burnout Inventory, que os médicos apresentaram alta exaustão, alta despersonalização e reduzida realização profissional. Seguindo dos enfermeiros com alta exaustão emocional, alta despersonalização e reduzida realização profissional; os técnicos de enfermagem pontuaram moderada exaustão emocional, alta despersonalização e alta realização profissional. A partir destes resultados verificou-se a associação entre essa dimensão do instrumento de Maslach, o grau de formação e local de trabalho dos técnicos de enfermagem. Apesar de grande parte desses profissionais considerarem ter uma baixa exaustão, um número expressivo considerou essa exaustão de moderada a alta.
A exaustão emocional pode repercutir em diversos tipos de manifestações. Esse sinal caracteriza-se pela falta de energia, entusiasmo e sentimento de esgotamento de recursos, podendo estar associada à frustração e tensão, quando é percebido que não é possível despender maior energia para a assistência do cliente.9,10
O ambiente da prática profissional e a exaustão emocional pode estar associada com a autonomia baixa, pouco controle no ambiente da prática e relações conflituosas com profissionais médicos, consequentemente tornando-os suscetíveis a um maior nível de exaustão e influenciando, sobremaneira, em sua satisfação no trabalho, na qualidade do cuidado prestado e nas chances de abandono do emprego.27
No tocante a realização profissional observou-se que médicos e técnicos de enfermagem apresentaram uma baixa realização profissional, e em contraponto, os enfermeiros apresentam alta realização. Nessa dimensão do MBI verificou-se associação com o grau de formação da classe médica, na qual se destacaram graduados e especialistas, com baixo grau de realização profissional.
A baixa realização profissional, pode ter relações com a alta carga de trabalho na semana, maior tempo requerido para o deslocamento, e um consequente aumento do cansaço físico e mental, de modo a prejudicar momentos de descanso. Além disso, ressalta-se que o tipo de contrato de trabalho, como no caso do emprego terceirizado, possui como consequência a baixa realização profissional desses trabalhadores, os quais se sentem menos valorizados por deixarem de receber benefícios advindos do trabalho, tornando-o precarizado.28
Outro estudo relaciona que quanto menor a satisfação com as atividades de supervisão, o ambiente de trabalho, os benefícios e políticas de organização e com o trabalho em si, maior se torna a exaustão emocional dos profissionais de saúde.29 Sendo assim há uma relação entre a exaustão e realização profissional, sendo esta decisiva, podendo tornar o indivíduo susceptível à síndrome de Burnout.
De acordo com a razão de chances percebe-se que os enfermeiros que trabalham no HUOL possuem uma maior chance de desenvolver EE com 2,17%. Quanto aos médicos que conservam 03 vínculos, foi observado 3,44% mais chance de ter alta despersonalização, enquanto que os técnicos de enfermagem são com maior chance de despersonalização com 2,15%, logo das três categorias do estudo os profissionais com maior chance de desenvolver a Síndrome de Burnout.
A despersonalização, muitas vezes, é uma estratégia defensiva para lidar com o sofrimento do outro conforme aborda a literatura,28 nesse sentido, infere-se que o alto grau de despersonalização encontrado neste estudo, poderá ter sido influenciado pelo fato de especialistas e mestres, mais alto grau de formação encontrada neste estudo, ter suscitado o distanciamento destes com os pacientes e outros profissionais por se considerarem superiores ou a despersonalização provocada por outros fatores poderá ter influenciado esses profissionais a procurarem a elevar seu grau de formação.
Na classe médica, a despersonalização se apresentou alta e associou-se ao número de vínculos, sendo prevalente o quantitativo de profissionais com dois vínculos. Nesse aspecto, infere-se que quanto maior o número de vínculos que o profissional médico obtém, maior será sua despersonalização com o local de trabalho, o que pode influenciar em um maior distanciamento entre esse e seus colegas de trabalho e seus pacientes, resultante provavelmente do tempo de permanência restrito em cada trabalho, com consequente diminuição do vínculo estabelecido entre os envolvidos.
Ao se avaliar a relação existente entre a qualidade de vida e a síndrome de Burnout nos enfermeiros identificou-se que a dimensão exaustão emocional associou-se estatisticamente ao domínio psicológico da escala de QV. Desse modo, verificou-se uma maioria com baixa exaustão emocional, mas ainda assim, uma qualidade de vida regular no domínio psicológico. Esse achado indica que mesmo com a baixa exaustão emocional desses profissionais, ainda assim, essa, afeta a qualidade de vida dessas pessoas.
Nesse sentido, dentre os fatores que interferem na qualidade de vida, com consequente perturbação no domínio psicológico dos profissionais da saúde, envolvendo enfermeiros e técnicos de enfermagem, são o estresse proveniente do ambiente laboral e as atividades exercidas por cada profissional, as inadequadas condições de trabalho, bem como o descontentamento com a remuneração recebida.32
Ademais, a literatura acrescenta que cargas psíquicas que predispõe os profissionais de saúde, principalmente os de enfermagem, são decorrentes geralmente das condições de trabalho a que estão sujeitos e a relações desiguais na equipe de enfermagem e em relação aos outros profissionais, bem como a sobrecarga de trabalho interfere veemente no domínio psicológico da qualidade de vida.33
Apesar destes achados encontrados nesta tese, sugere-se a realização de estudos futuros que possibilitem ampliar a amostra, como também a inclusão de outros profissionais (psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas). Outro obstáculo concernente ao estudo foi à utilização de apenas duas instituições públicas de ensino universitário, o que não possibilitou observar se há diferenças entre outros contextos públicos e em instituições particulares.
Essa pesquisa foi muito gratificante, pois proporcionou a pesquisadora o crescimento pessoal e intelectual, já que houve oportunidade de aprimorar o crescimento no contexto das duas instituições e buscar o que existe de novo em pesquisas através de leituras e participação em eventos e produção de artigos científicos.
No que se refere a produção de artigos científicos, foi possível a realização de dois estudos: Activity, fatigue and quality of life in breast cancer patients, conduzido pelo Health Sciences Graduate Program e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2014); e Avaliação da qualidade de vida e o risco da Síndrome de Burnout em
plantonistas de maternidade pública, conduzido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2014).
Dentre as participações em eventos pode-se destacar o 4º Seminário Internacional sobre o Trabalho de Enfermagem, em 2015, no qual ocorreu a atuação como relatora e autora do estudo: Desgaste Laboral: os fatores desencadeantes da Síndrome de Burnout em Enfermeiros.
Diante dos resultados aqui encontrados, planeja-se retornar as instituições da pesquisa para apresentar e discutir as descobertas, e apontar caminhos para futuras investigações, prevenções e intervenções, continuar a elaborar novos artigos científicos e divulgar, por meio de seminários e congressos nacionais e internacionais, a temática de estudo.
É nossa expectativa que esta investigação possa ter contribuído no sentido de enriquecer o conhecimento dos fatores de risco, e ainda constituir incentivo a investigações futuras de forma a promover a saúde do trabalhador. E segundo o estudo, a saúde é uma área em que existem inúmeros acidentes de trabalho (até subnotificados) e na qual os problemas de saúde ocupacional e de segurança no trabalho podem comprometer o bom desempenho e cuidados prestados aos utentes.52
Por fim, sugere-se a criação de programas de apoio social, de aprimoramento do trabalho em equipe, planejamento dos serviços com auxílio dos membros das equipes, para favorecer o crescimento pessoal e profissional dos mesmos, favorecer a qualidade dos serviços públicos e prevenir o estresse laboral.
Diante desses resultados confirma-se que os profissionais de saúde pesquisados são afetados em algumas dimensões referentes à síndrome de Burnout, sendo comprometidos, principalmente, psicologicamente e nas suas relações sociais. Além disso, características pessoais e profissionais podem determinar o desenvolvimento da síndrome de Burnout nesses indivíduos.
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