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193 m, comm. d'Aussurucq

Dans le document Les noms de montagnes du Pays Basque (Page 22-25)

Família Nome Científico Nome local de Cit. Orige m Fisi ono mia Usos Local desen volv. Ciclo de vida Dennstae dtiaceae Pteridium aquilinum (L.) Kuhn var. Samamb aia 6 Nativ a Erv a

Medicinal (pasta para cicatrização)

____ _

Ago/Set; 6 meses

Malvace Sida Guanxu 6 Nativ Erv Adubo ____ Set; + ou –

11 A presente tabela representa as plantas que foram mais citadas pelos agricultores, e no apêndice H apresentam-

se as demais plantas, sendo relatadas 32 etnoespécies ao total. Contudo, deve-se relatar que foram citados em torno de 60 nomes populares, mas as plantas citadas apenas uma vez não foram coletadas, entendendo-se que não representaria o conhecimento coletivo da comunidade.

ae rhombifolia L. ma a a _ 6 meses Poaceae Imperata brasiliensis Trin. Sapé 4 Nativ a Erv a Artesanal (cobertura de paiol) No alto Ago/Set; + ou – 10 anos Rubiacea e Richardia scabra L. Erva- quente 6 Nativ a Erv a Adubo ____ _ Ago/Se; 4 meses Fonte: O autor.

O ciclo de vida destas plantas também foi ressaltado nas entrevistas, de modo que os agricultores creditaram a maior aparição destas ao verão, período de maior atividade biológica, sendo que a maioria por eles citadas germinam nos meses de agosto e setembro (época em que começa a preparação da terra para o plantio do feijão). Para eles a floração se dá pouco tempo depois, sendo que estas acabam morrendo com o início do inverno, devido às geadas. Contudo, os agricultores também percebem que há algumas plantas que nascem no inverno e morrem ao final deste.

Além dos conhecimentos já mencionados que os agricultores possuem acerca das plantas, eles conhecem os frutos comestíveis e aqueles que causam males ao ser humano, mas que são consumidos por muitos animais; conhecem as épocas de frutificação; conseguem identificar plantas medicinais e seus usos, bem como os períodos de cortar as melhores madeiras para construção de casas, cercas, etc. Em se tratando do corte de madeira para construção, segundo os agricultores, devem-se levar em consideração as fases da lua, pois segundo o agricultor Albino Czerski,

Se você cortar na lua nova ela vai broquia, broqueia, é um bichinho que fica carunchando e caindo os pedaços, tipo cupim. Se você quer cortar uma madeira pra não acontecer isso, você tem que procurar forte minguante e os antigo falavam muito e é aprovado, você tem que cortar. Antigamente cortavam pinheiro, hoje é proibido, mas como antes tempo, iam cortavam pinheiro, eles escolhiam o mês que não tem R. O mês que não tem R é que é o mês que é pra corte de madeira (...). Então eles procuravam a minguante daquele mês e que não tenha R naquele mês e a madeira você derrubava ela, cortava as tora, desdobravam, faziam tábua no capoeirão, assim mesmo, no lugar, aquela tabua ficava perfeitinha. O agricultor

aproveita para dar um exemplo: Pra começar ói o banco ali ói, tábua cortada no

lugar.

Demonstraram inclusive ter conhecimentos acerca do processo de sucessão ecológica12, pois, possuem denominações próprias para as suas fases, sendo as seguintes: Vargedo (formação pioneira); Tiguera (segunda fase da sucessão ecológica secundária);

12 Sucessão ecológica pode ser entendida como um conjunto de alterações no ecossistema, conseqüência da

modificação do ambiente físico pela comunidade biológica, agenciadora de alterações na variedade e quantidade de espécies vegetais e das condições ambientais locais, resultando em um ecossistema em equilíbrio (VELOSO

Capoeira (terceira fase da sucessão ecológica secundária); e Capoeirão (quarta fase da sucessão ecológica secundária). (VELOSO et al., 1991).

Os agricultores locais possuem em comum várias técnicas de manejo dos recursos naturais, além das práticas de sociabilidade, entretanto, segundo Claval (2007, p. 81) “certas pessoas são mais observadoras e provam ter um espírito mais curioso: seu olhar percebe mais detalhes e revela configurações que escapam aos outros”.

Assim, para alguns agricultores as plantas espontâneas são tidas como verdadeiras pragas por dificultarem o seu trabalho, e atrapalharem o desenvolvimento de seus cultivos, já outros entendem sua importância e a relacionam a cobertura do solo e a produção de adubo, como aponta o agricultor Mariano Krul: “Se não tivesse esses mato a terra se acabava”. Nesta mesma linha de pensamento, constatou-se que poucos foram os agricultores que conseguiram relacionar as plantas aos tipos de terras.

Desta forma, entende-se que a percepção ecológica destes agricultores tanto é fruto do conhecimento coletivo compartilhado por toda comunidade, como do individual, pois há alguns termos e conhecimentos que são exclusivos de um e outro indivíduo (como visto em relação aos tipos de terras), isto devido as suas características culturais, pelo corpus que lhe é transmitido, pelas práticas resultantes deste corpus, e seu imaginário que traz vida e sentido ao conjunto de conhecimento e de práticas.

Assim, observa-se que o conhecimento dos agricultores sobre o conceito de sucessão ecológica, e da relação das plantas com certos ambientes é de relevada importância para a conservação ambiental e proteção de espécies fundamentais para o ecossistema local.

Por fim, vale destacar apoiando-se em Toledo e Barrera-Bassols (2009) que o conhecimento ecológico do agricultor vernacular não é a soma de conhecimentos disparatados, mas sim o resultado de percepções diárias que permitem interconectar os elementos naturais aos socioculturais, moldando a paisagem local, de modo que,

“(...) na mente do produtor tradicional existe um detalhado catálogo de conhecimento acerca da estrutura ou dos elementos da natureza, as relações que se estabelecem entre estes, seus processos e dinâmicas e seu potencial utilitário”. Dessa forma, no saber local existem conhecimentos detalhados de caráter taxonômico sobre constelações, plantas, animais, fungos, rochas, (...) solos, paisagens e vegetação, ou sobre processos geofísicos, biológicos e ecológicos, tais como movimentos de terras, ciclos climáticos ou hidrológicos, ciclos de vida, períodos de floração, frutificação, germinação (...) e fenômenos de recuperação de ecossistemas (sucessão ecológica) ou de manejo da paisagem (TOLEDO e BARRERA- BASSOLS, 2009, p. 36).

5 EM BUSCA DA CORRELAÇÃO DE SABERES: COMPARNADO RESULTADOS CIENTÍFICOS COM OS VERNACULARES

Neste tópico buscar-se-á apresentar as comparações referentes aos resultados obtidos pelas classificações vernacular e científica, de modo a apontar congruências e/ou incongruências entre ambas às visões. De início buscamos apresentar alguns atributos citados pelos agricultores, para qualificar os tipos de terras e sua correlação com os atributos científicos (quadro 4).

Quadro 4 - Correlação entre atributos científicos e vernaculares citados pelos agricultores da comunidade Linha

Criciumal

Fonte: O autor.

Tais atributos foram empregados pelos agricultores durante as entrevistas, sendo as plantas indicadoras, a cor, a produtividade, umidade e pedregosidade os mais utilizados para dizer se uma terra é boa ou não. Por outro lado, o elemento espessura da terra que não aparece entre os indicadores de qualidade das terras, mas aparece em outros momentos das entrevistas, é tido pelos agricultores como o mais importante fator limitante ao desenvolvimento dos cultivos.

Já na tabela 4 são apresentados os tipos de terras reconhecidos e classificados pelos agricultores de Linha Criciumal, suas características e qualidade, plantas indicadoras e os solos classificados pelo sistema científico formal, sua qualidade, mostrando a correlação de todos estes elementos.

ATRIBUTOS REFERENTES À QUALIDADE DAS

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