10.1 PC/ AT Floppy Disk Controller
10.2.3 Combining 5.25" and 3.5"
O início do estudo de um plano de monitorização e prevenção dos caudais excedentários inicia-se com a consciencialização da entidade gestora do problema que é a existência de infiltrações.
Durante longas décadas, as estações de tratamento de águas residuais terão ficado ao cargo da respetiva entidade gestora municipal, não havendo, por isso, um sentido de preocupação no sentido de entender os volumes excedentes tão presente como agora, uma vez que a gestão processava-se de forma meramente interna.
A concessão a empresas privadas dos sistemas em alta leva a que os responsáveis pela execução e projeto das infraestruturas sanitárias, tenham um maior rigor no nível de desempenho dos sistemas em baixa, uma vez que todo o volume afluente à estação de tratamento tem de ser pago à entidade gestora da estação de tratamento.
Numa primeira fase, a análise dos caudais excedentários passa por uma caracterização local, quer a nível das características das infraestruturas, quer a nível das características topográficas e geográficas locais.
No sentido de melhor entender a dimensão desta problemática na sub-bacia local das Termas de São Vicente, a Penafiel Verde disponibilizou alguns dados relativos aos volumes afluentes à estação de tratamento, assim como os dados de consumo faturados, no período de referência. Repare-se, no entanto que, tratando-se de uma rede jovem e de uma empresa jovem, os dados disponíveis são ainda bastante limitados e necessitam, a priori, de um reconhecimento local para posteriormente intervir corretamente nas áreas afetadas.
Comece-se pela descrição mais detalhada da diferença entre níveis de atendimento entre sistema de abastecimento de água e sistema de saneamento. Constata-se que, pela história mais recente em saneamento do que em redes de abastecimento de água, o número de clientes abastecidos de água é bastante superior aos ligados à rede de drenagem pública. A região de Penafiel, do qual constam vários fontanários para abastecimento de água, possui também uma grande fração de fossas séticas, algumas inclusive, ao cuidado da empresa Penafiel Verde.
Gráfico 5.1 – Volume total abastecido e volume de água residual total faturados em m3 (dados disponibilizados por Penafiel Verde)
Embora a diferença se vá apaziguando ao longo do período de estudo e com tendência a ser cada vez menos discrepante, repare-se que os níveis de atendimento de abastecimento de água em 2010, chegam a ser três vezes superiores ao número de clientes ligados à rede de drenagem pública. Num período de dois anos, a discrepância parece diminuir significativamente, representando o abastecimento em 2012, duas vezes o valor de drenagem.
Ainda assim, em termos gerais, o cenário não é propriamente positivo. Se por um lado o facto de ser uma rede recente com muito para progredir possa constituir uma vantagem para a entidade gestora, na medida em que pode intervir no âmbito de combate às infiltrações aquando o momento da expansão da rede, por outro, dificulta o processo de análise inicial de infiltrações numa primeira instância.
O Gráfico 5.1 permite entender, num panorama geral, que há uma grande distinção entre as infraestruturas sanitárias relativamente ao número de clientes servidos por cada serviço. Essa distinção agrava-se pela não uniformização existente no interior do concelho nomeadamente na sub-bacia das Termas de São Vicente. Se por um lado existem freguesias que possuem já uma taxa aceitável de área coberta por rede de drenagem, freguesias como Oldrões, Peroselo e Portela apresentam valores ainda mais díspares que os acima previstos (Tabela 5.1).
245249 233578 222192 88023 91034 107582 0 50000 100000 150000 200000 250000 300000 2010 2011 2012
Volume total abastecido faturado
Volume de água residual total faturada
Tabela 5.1 – Volumes de abastecimento totais e volume de águas residuais faturados durante o período de estudo (dados disponibilizados por Penafiel Verde)
Freguesias
Volumes em 2010 (m3) Volumes em 2011 (m3) Volumes em 2012 (m3) Abastecimento Saneamento Abastecimento Saneamento Abastecimento Saneamento Cabeça Santa 54332 10210 51500 14289 47229 16238 Oldrões 48076 6121 47365 9265 44229 19710 Paredes 29957 18151 27307 15823 23600 14078 Peroselo 23119 7358 22670 7209 20275 6828 Pinheiro 48686 33073 47109 30421 51759 37783 Portela 20669 3041 19331 3306 18618 3357 Valpedre 20410 10069 18296 10721 16482 9588
Oldrões apresenta nos anos de 2010 e 2011 valores bastante díspares de abastecimento e saneamento. Em 2012 o volume total de águas residuais faturadas sofre um aumento significativo, provavelmente fruto da expansão da rede na freguesia. Por sua vez, os valores de saneamento mantém-se relativamente constantes durante o período de referência. Portela e Peroselo não sofrem qualquer tipo de alteração significativa entre 2010 a 2012 no que diz respeito a ambas infraestruturas.
A caracterização preliminar destes pormenores da rede permite identificar desde logo algumas limitações para a análise que se segue.
A grande diferença entre o atendimento entre as infraestruturas sanitárias não permite a aplicação de um coeficiente de afluência à rede de abastecimento, não se podendo por isso encontrar uma correlação entre o volume consumido e o volume recolhido. Numa perspetiva de reabilitação, torna-se complicado quantificar o verdadeiro volume de caudais recolhidos e faturados e entender o âmbito de intervenção a executar. Por outro lado, a disparidade de volumes pode significar ainda um grande trabalho a desenvolver e a cuidar num futuro próximo, com a consciencialização e sentido de preocupação no sentido de minimizar, desde uma primeira instância, as infiltrações indevidas.
Para o município em questão, existe uma série de caminhos e análises possíveis de se realizar, ainda que elementares, que poderão servir como pontos fulcrais para identificação de locais mais vulneráveis e propícios à ocorrência de infiltrações. Os subcapítulos que se seguem permitem identificar alguns desses caminhos, de acordo com os dados disponibilizados e experiência anterior de estudos creditados. Denote-se, contudo, que tratando-se apenas de possibilidades de análise e intervenção, encontram-se sujeitos a conferência e aprovação da equipa administrativa, no sentido de garantir que todo o corpo administrativo se encontra ocorrente e complacente com as hipóteses propostas.