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CHAPITRE IV : APPLICATION À LA CONCEPTION D'UN MÉLANGEUR

3. Conception du mélangeur complet

3.2 Le combineur de puissance FI

Antes de darmos prosseguimento, pontuemos mais uma vez que não é propósito deste trabalho buscar as causas para as situações de assédio moral no trabalho detectadas. Entretanto, uma vez que, em vista de uma maior contextualização das percepções dos participantes, decidimos ‘levantar’ as opiniões dos mesmos neste tocante, exporemos o que os mesmos relataram, embora sem a pretensão de chegarmos a respostas finais, tampouco de aprofundarmos a questão.

Muitos estudiosos do fenômeno ‘assédio moral no trabalho’ têm ligado a origem das ações violentas aos traços de personalidade dos perpetradores, tais como Hirigoyen (1998/2003, 2001/2002), Guedes (2003) e Piñuel y Zabala (2001/2003). Nos casos estudados, dois dos assediados (Ronny e Vickie) e duas das testemunhas (Fanny e Derick) consideraram esta possibilidade relacional ao buscarem as causas para os processos de violência moral no trabalho infligidos por Jennyffer e Gregory, conforme algumas das verbalizações dos mesmos que expusemos no subtópico que tratava das percepções acerca dos assediadores sugerem. A título de ilustração, apresentemos mais duas verbalizações:

É da personalidade dela. (...) tanto é um traço de personalidade dela (...) que foi refletido agora. (...) uma coisa tão certa que hoje ela procura ajuda de um profissional pra tentar controlar esse ímpeto de falar as coisas, né? E do jeito que fala... (Ronny)

O caso do Gregory, eu acho que é mais falta de tato mesmo... O Gregory é bem ‘grosseirão’... Assim, sai da característica dele de personalidade, criação, sei lá o que... (Fanny)

De fato, se resgatarmos o entendimento que Hirigoyen (1998/2003) tem para o ‘perverso narcisista’, conseguiríamos elencar algumas características que se aplicam aos traços das personalidades que os dois anos de convivência e as avaliações dos supracitados assediados e testemunhas evidenciaram correlatos a Jennyffer e Gregory: senso ‘grandioso’ da própria importância; ‘absorvidos’ por fantasias de sucesso e poder ilimitado; excessiva necessidade de serem admirados; apresentam atitudes e comportamentos arrogantes; se ressentem e encolerizam com decepções; mantêm distancia afetiva em relação aos que estão ao redor; e excessivamente críticos, mas não admitem que os critiquem.

Outro fator causal apontado por um dos assediados (Derick) e que também é comumente mencionado na literatura, foi a possibilidade do assediador invejá-lo (Hirigoyen, 1998/2003, 2001/2002; Guedes, 2003):

Na realidade, eu cheguei a pensar que era inveja... Porque o Eloy me via assim... Pôxa, na época tava malhando direto e o Eloy tava tentando emagrecer... (Derick)

Ainda refletindo acerca das possíveis razões que levaram Eloy a assediá-lo, Derick considera que o seu assediador estava reproduzindo contra ele o que havia sofrido como uma espécie de ‘desabafo catártico’:

Eu acho que ele tava tentando... Meio que desabafar... Que às vezes, pra desabafar, tem gente que tem que dar ‘porrada’ em alguém, tem gente que tem que humilhar alguém, tem que fazer piadas de mal-gosto, né? (Derick)

Fanny, por sua vez, aproxima-se da interpretação de Derick exposta acima ao afirmar:

(...) muita coisa que ele faz contra o Derick... Sei que é inconsciente, é repetir modelo, né? (Fanny)

Considerando que, conforma advoga Charon (1996/2002), a interação se configura como ‘nossa fonte de socialização’ e, desta forma, acaba por influenciar nossos valores, auto-imagem, identidade, atitudes e personalidade, podemos corroborar com a ‘leitura’ de Fanny ao considerar a hipótese de que a interação socioprofissional, estabelecida entre Gregory e Eloy, acabou por influenciar as atitudes e a personalidade deste último que, desta forma, passou a reproduzi-los. Ainda buscando uma ‘interpretação’ para a leitura de Fanny acerca das causas que levaram Eloy a assediar Derick moralmente, poderíamos, de um ponto de vista psicanalítico, considerar a possibilidade de Eloy ter passado a agredir Derick de maneira tão similar pela qual foi agredido por Gregory, como forma de se ‘defender’ contra o sofrimento por meio da mescla entre mecanismos de introjeção e de projeção, a qual pode estar a configurar o mecanismo de defesa denominado por Anna Freud de ‘identificação com o agressor’ (Freud, 1946/1968).

As percepções de Fanny, acerca da principal razão pela qual Ronny passou a ser assediado, corroboram com um dos achados das pesquisas de Barreto (2005) – o mesmo questionava as políticas de gestão, bem como as maneiras pelas quais estavam sendo executadas as rotinas de trabalho:

O Ronny não tem medo, sabe? Queria questionar tudo... Pô... Chegou agora... Cala a boca e faz desse jeito que tá aí mesmo... Mas o Ronny ficava muito assim – “Onde que tá isso aqui? Acho que não tá certo. Não seria melhor assim...”. Ele entrou aqui querendo mudar tudo, (...) Pô, a Jennyffer já tem isso e ainda o cara chega... ‘Xarope’ mesmo (Fanny)

Com tal fala, Fanny não somente sugeriu um dos possíveis fatores causais para o assédio moral no trabalho contra Ronny, mas também que ela própria havia se adequado e submetido passivamente à ‘política’ imposta por Jennyffer. De um ponto de vista macro, talvez tal comportamento esteja a refletir a política da instituição. Transcrevamos abaixo uma reflexão de Barreto (2003) que ilustra bem tal situação:

As ordens devem ser recebidas passivamente como sinal de integração e adequação à política da empresa. Deve-se trabalhar em silêncio e quase invisível, fazer horas extras ou produzir o determinado sem se lastimar. Negar ou contestar as ordens é desobediência que deve ser punida, servindo de exemplo para outros companheiros que devem continuar produzindo (p. 152).

Conforme já havíamos antecipado quando estávamos a apresentar uma das modalidades de desestabilização recorrentemente empregadas contra Ronny e Eloy (as agressões verbais), ambos evidenciaram que a sobrecarga de trabalho era um dos fatores desencadeadores das ações violentas contra eles, afirmativas estas que pudemos de fato atestar, enquanto na posição de observador participante, como uma das causas da violência moral no trabalho como Di-Martino, Hoel & Cooper (2003) sugerem.

Quantas vezes que ele berrou para mim – ‘Ah, mas você tem que dar conta, você tem que dar prioridade!’ Mas... Pô, tudo é prioridade. Não dá para fazer tudo! Não com aquela estrutura... E o que eu não entendo é que eu sei que ele sabe perfeitamente disso. (Eloy)

Quantas vezes o Gregory não virou pra mim – “Porque você não fez isso? Porque não fez aquilo?”... Aí eu falo da sobrecarga e ele – “Não interessa, tem que fazer, tá sendo pago pra isso, isso aqui tá parecendo internet discada, a gente pede um negócio e só daqui a dois anos é que vai fazer”. (Eloy)

A gente trabalha num departamento em que o nosso organograma departamental tá completamente errado... Ou seja, você trabalha sufocado, você trabalha um trabalho escravo, né? Então, essa questão de você trabalhar num local onde deveria ter mais pessoas e você acaba sobrecarregado, isso aí é um ponto negativo (...) que acaba afetando as relações... (Ronny)

3.4.5. Percepções acerca das Estratégias de Mediação utilizadas pelos

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