5.2 Reconnaissance des expressions faciales basée sur des caractéristiques géo-
5.2.2 Combinaison des descripteurs d’apparence et géométrique
Maureen Ryan (2010) descreveu detalhadamente este processo e, da informação recolhida da sua obra, elaborámos os seguintes quadros síntese (um por cada fase proposta) que apresentam os diferentes passos e tarefas a desenvolver, numa espécie de roteiro. Cada um dos itens encontra suporte também na literatura (Rabiger, 2008; Turman, 2005; Chabrol, 2010).
33 3.1– As fases do processo de produção: Desenvolvimento
Quadro 2. As fases do processo de produção – Desenvolvimento/Preparação
Fases Ações Tarefas Objetivos
De se n volvi m en to /Pre p a raç ão
Definição do conceito Escolha da história Analisar o investimento necessário e o retorno expectável Direitos de autor
Escrita/reescrita do guião Otimizar, através de revisões sucessivas Construção de logline Género do filme Identificar o Género do filme
Protagonista Descrever o perfil do protagonista
Plot inicial Focalizar a história
Conflito principal Identificar obstáculos na história
Conclusão Explicitar o objetivo final da personagem principal
Riscos Indicar as consequências da falha em alcançar o objetivo final Script breakdown Análise do guião Criar um mapa de rodagem e um orçamento estimativo
Planear o calendário de rodagem Divisão por cenas
Ajustamento do guião
Elaboração de Calendários Planear agendas diárias de rodagem por departamento, com articulação entre si.
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Breakdown do Orçamento Detalhar a informação dos custos a partir do script breakdown
Criar um orçamento estimativo aproximado
Financiamento Identificação de formas de financiar o projeto
Criar viabilidade para o projeto.
Proposta do Projeto Informação sobre o projeto Descrever brevemente o projeto
Comparação de filmes Fundamentar as perspetivas de sucesso do filme
Investimentos Apresentar formas de financiamento e vantagens para o investidor Plano de distribuição Definir os meios de exibição
Sinopse Estimular o interesse pelo projeto
Equipa Identificar pessoas responsáveis de departamento no Projeto Orçamento estimativo Dar a conhecer uma previsão inicial do orçamento
Guião Apresentação de esboço final do guião
Casting Escolha de uma
celebridade (ator ou atriz)
Vender o filme
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A leitura do quadro permite-nos verificar que a fase de desenvolvimento decorre desde a criação do conceito ou ideia para o filme, até à elaboração de um guião e procura de financiamentos para o projeto. É fundamental desde logo perceber se existe a paixão e dedicação, não só relativamente ao trabalho de produção, mas também em relação ao projeto em si, que se pretende inclusivo. De acordo com Grazer (cit cit. in Turman, L. 2005) somos muito convincentes quando acreditamos em alguma coisa.
A definição do conceito do projeto fílmico engloba a escolha da história, que constitui a base do guião e determina o investimento requerido, bem como o retorno obtido em função da aceitação que tiver junto do público (Rabiger, 2008). Antes de obter os direitos de autor, caso seja necessário, devemos considerar o interesse que a obra despertará junto do público. Num projeto inclusivo deve estar bem claro o objetivo de proporcionar um filme com técnicas de acessibilidades para pessoas com necessidades especiais.
Uma vez no processo de escrita/rescrita da obra é essencial que o produtor e o escritor estejam em sintonia e que partilhem a mesma visão do filme (Turman, 2005). Na produção de um filme inclusivo este aspeto é também fundamental se a opção for iniciar o processo de inclusão logo desde raiz, pois terá de ser adaptado a pessoas com necessidades especiais, nomeadamente pessoas surdas e cegas.
De acordo com Black (2014), independentemente do género do filme, é importante pensar no impacto social ou cultural que este vai ter. A investigação preliminar facilita o processo criativo porque permite aceder a material único e específico que é então usado para criar um filme, transmitindo uma impressão da realidade mais do que a própria realidade. Para o autor o que importa não é apenas escrever algo original e criativo mas algo que funcione. No caso de um filme inclusivo, algo que funcione para todos os públicos. De acordo com Altman, (2008) a narrativa ocupa um lugar de honra na sociedade e é transversal a culturas, gerações e disciplinas, sobretudo devido à sua capacidade de assumir diferentes formas, independentemente do meio que a veicula. A narrativa é sempre recente, atualizada e aplicada a cada novo meio de comunicação.
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Ainda na fase de desenvolvimento, é importante a criação da log line, assente na narrativa. Uma log line faz a apresentação das personagens juntamente com a história descrita, através de verbos que credibilizam a ação do filme. É apresentada por uma frase consistente que pode “vender” o filme às pessoas que a ouvem, em teste. O objetivo é despertar curiosidade e interesse.
A log line traduz as emoções do protagonista e desperta emoções no observador. Diversos autores (Gorton, 2009; Baudrillard, 2004; Shilling, 2002; Rabiger, 2008) têm contribuído para o estudo da relação entre o filme e a emoção. As histórias têm de fazer sentido emocionalmente para o espetador e este tem de sentir o efeito que lhe provocam (Gorton, 2009). “Os actores são, é claro, artistas da exibição emocional; é a expressividade de que são capazes que provoca a resposta do público” (Goleman, 1997) Deve ainda incluir o plot inicial, ou seja, o acontecimento que provoca o despoletar de toda a história e focaliza o protagonista no caminho a percorrer e o conflito principal “the conflict is the story” (cit.in. Ryan, 2010: 19). Rabiger também desenvolve a ideia de que o conflito assume um papel fundamental na história (2008).
A log line inclui ainda a conclusão, ou seja, o objetivo final da personagem, a razão de vencer tantos obstáculos. Este é o momento em que a personagem alcança aquilo pelo que andou a lutar durante toda a história, o momento em que os seus desejos se tornam realidade.
Finalmente, a log line remete para os riscos, ou seja, as consequências advindas da personagem ter falhado o objetivo. Como refere Campbell (1949), o final feliz é desprezado com justa razão, com uma falsa representação da realidade que conhecemos, “a morte, desintegração, desmembramento, crucificação do nosso coração com a passagem das formas que amamos” (Campbell p.p,15). Dependendo do seu género, o filme evoca os desafios inerentes à vida que enaltecem a personagem numa “representação das dificuldades envolvidas na tarefa do herói assim como da sublime importância que ela assume quando compreendida profundamente e realizada com solenidade,”(Campbell p.p.18).
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Ainda na fase de desenvolvimento, é essencial a construção de um script breakdown, ou seja, um guia para a construção do filme (Rabiger, 2008). Esta ferramenta é fundamental porque permite analisar o guião, dividindo-o por cenas, e organizar a informação para a criação de um mapa de rodagem e de um orçamento estimativos. O processo permite destacar do guião elementos essenciais tais como: personagens, figuração, localizações, cenas interiores e exteriores (diurnas ou noturnas), adereços, guarda-roupa, cabelo, maquilhagem, entre outros. Estes elementos ajudam a criar a primeira versão do cronograma que define o tempo necessário para as fases de pré-produção, produção e pós- produção. Após a análise do script breakdown poder-se-á ajustar o guião para estabilizar o orçamento, em conjunto com o realizador e com o escritor. Uma vez concluído o orçamento estimativo aproximado, será necessário organizar uma agenda que oriente o fluxo do dinheiro, de forma a sustentar as diferentes fases do projeto: desenvolvimento/preparação, pré-produção, produção e pós-produção.
O mapa de rodagem define os passos de toda a equipa e elenco durante a produção (Turman, 2005). É desafiante, na medida em que tem de ser adequado ao orçamento aquando do seu planeamento. Apesar de ter de ser muito bem definido e organizado, nunca pode ser estático e inflexível, sendo que mediante vários fatores, pode sofrer alterações, mesmo durante a fase de produção.
De acordo com Ryan (2010), para filmes independentes com um orçamento relativamente baixo, o mapa deve prever a gravação de 3 a 4 páginas para um dia de 12 horas de trabalho. Assim, é necessário ter em conta as localizações e as cenas interiores e exteriores (diurnas ou noturnas). Agrupando as cenas por locais de gravação, cenas interiores e exteriores (diurnas ou noturnas), é possível perceber quais e quantas são as cenas que podem ser gravadas num mesmo dia, tendo assim a primeira versão do mapa de rodagem. Uma vez pronto e aprovado pelo realizador, o mapa deve ser distribuído pelos vários departamentos, a fim de cumprirem as datas definidas pelo mesmo.
O planeamento do mapa de rodagem definitivo deve, por um lado, contemplar alguns aspetos essenciais ao cumprimento do orçamento, por outro, o desempenho dos atores e equipa (Rabiger, 2008). Assim, por exemplo, as cenas de exterior devem ser colocadas em
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primeiro lugar para precaver condicionamentos devidos a alterações atmosféricas e as cenas mais íntimas ou desafiantes não devem ser colocadas nos primeiros dias, permitindo tempo de ajustamento dos atores. Deve ainda ter-se em consideração o impacto das cenas iniciais e finais. As cenas iniciais são determinantes para cativar o espetador, pelo que não deverão ser gravadas no início, a fim permitir que os atores incorporem as suas personagens e que o realizador e o resto da equipa estejam totalmente em sintonia. Da mesma forma, as cenas finais também não deverão constar nos primeiros dias do mapa de rodagem, uma vez que o final do filme é o momento pelo qual os espetadores anseiam. Para o primeiro dia devem reservar-se as cenas mais simples. Conclui-se, então, que uma gravação por ordem cronológica não é viável, embora pareça ser favorável à continuidade, que poderá ser facilmente assegurada pelo trabalho do anotador. Há ainda a considerar o planeamento dos dias de rodagem, objetivando que cada departamento trabalhe de acordo com um calendário diário. Esta calendarização diária identifica um elemento e planeia o seu processo durante o dia de rodagem.
Uma vez concretizado o script breakdown, pode fazer-se um breakdown do orçamento, ou seja, combinar as informações contidas no script breakdown, acrescentando-lhe os detalhes específicos de cada cena, o que permite atribuir um valor a cada elemento pedido pelo guião. Assim, é necessário analisar quantos dias de rodagem vão acontecer, o custo por pessoa envolvida, custos de transportes e alojamentos, valor de equipamentos e adereços necessários, o processo de pós-produção e qual o seu valor. Este processo gera um orçamento estimativo mais próximo da realidade do que o anterior porque incorpora agora o conhecimento dos custos reais. Cumprir o orçamento é importante, mas não em prejuízo da qualidade do filme (Turman, 2005; Chabrol, 2010).
Outra ação inerente à fase de desenvolvimento do projeto é o financiamento. Turman (2005) refere a importância de encontrar financiadores que possibilitem que o filme seja produzido e distribuído. Encontrar financiamento privado é um caminho utilizado por muitos produtores de filmes independentes. No entanto, este tipo de produção levanta questões na distribuição.
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São diversas as fontes de financiamento a que se pode recorrer, desde patrocinadores, investidores e financiadores públicos ou privados (Turman, 2005). Pode-se encontrar financiamento privado, por exemplo, através de ações de angariação junto a organizações ou comunidades interessadas no filme ou que sejam objeto temático do mesmo. Estas podem ser uma fonte de contribuição financeira, logística, ou ambas.
É igualmente importante negociar um investimento, mediante o orçamento referindo, a forma como serão angariados o fundos e presentar um plano de distribuição com clara indicação das formas de retorno financeiro ao investidor. “Almost any movie can be made at almost any price (…) Cut your garment to fit the cloth” (Turman, 2005: 117). Diversos autores concordam quanto à utilização de uma celebridade num papel fundamental, como “isco” (Ryan, 2010; Rabiger, 2008). Em todas as situações em que se procure financiamento deve ser apresentada uma proposta do projeto com uma comunicação clara e precisa.
A proposta do projeto inclui uma breve descrição sobre o mesmo, a log line definida e informações consideradas relevantes à sua compreensão e valorização. Inclui ainda uma comparação de filmes bem-sucedidos, realizada através da análise de guiões de obras similares e suas respetivas visualizações, estabelecendo pontes quanto ao género, à história, ao orçamento de produção e lucro obtido. Da proposta faz ainda parte a sinopse, que deverá mostrar a essência da narrativa de forma aliciante e esclarecedora, o guião revisto e a descrição e identificação da equipa principal, uma vez que a qualidade da equipa anuncia a qualidade do projeto. Deverá ainda ser incluído um orçamento estimativo que contribui para identificar as questões logísticas e financeiras eventuais, servindo assim como uma forma antecipada de proteção bastante útil. Permite percecionar o tamanho da produção, a forma de concretização do filme, bem como as limitações financeiras que podem surgir, “limitations are just an opportunity for creative problem-solving” (Ryan, 2010:82). Numa produção inclusiva devem ser contemplados também os custos inerentes à implementação das acessibilidades. Uma vez finalizada a proposta, deverá construir-se uma apresentação oral que entusiasme e aguce o interesse do ouvinte (Rabiger, 2008).
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Quanto ao plano de distribuição para o filme, existem diferentes possibilidades que podem ser avaliadas a fim de se conseguir colocar o projeto no mercado, torná-lo conhecido e desejado. Entre elas destacam-se o cinema, a televisão em canais de sinal aberto e privado e a venda em sites na internet. Ainda que o ideal para um filme inclusivo seja, por exemplo, a exibição em sala de cinema, é preciso estar prevenido para a eventualidade de este ter de ser exibido através de outras plataformas, mantendo incluídas as técnicas de acessibilidade possíveis.