Após a primeira etapa de implementação das aulas, com o objetivo de aumentar a aderências das alunas, percebeu-se que mesmo conseguindo um aumento na participação feminina, o resultado ainda estava longe de ser um número significante, pois a atividade que tiveram mais alunas, foram as de dança e as de ginástica, que contaram com 36 e 35 alunas respectivamente, ainda era uma quantidade muito aquém das 267 meninas matriculadas, quantidade que perfaz somente 13,7% do total de alunas.
Uma das alunas que não participou das aulas, argumentou que se as aulas fossem ao final do turno de estudo, poderia participar, superando a falta de tempo de se recompor, bem como o sol forte, já que seu horário de aula regular de educação física era as treze horas. De posse dessa informação, marcou-se, uma reunião com a direção da Escola, para propor uma atividade de intervenção, a ser realizada sempre após o toque final das dezesseis e quarenta.
De início, a gestão procurou entender quais eram os motivos que levavam a tentar implantar tal atividade, visto que, isto não acarretaria aumento em remuneração, e aumentaria a carga horária. Foi justificado, que era um projeto experimental importante para um projeto de pesquisa, que visava superar as dificuldades descritas pelas alunas no questionário inicial, que as levavam a não participarem das aulas de Educação Física, e a partir destas intervenções, obter um diagnóstico e pensar em soluções que estimulassem a prática regular de atividade física, pois estas vinham a semana toda para a escola e passando o dia sem realizar nenhuma atividade física, as encaixavam como sedentárias se levarmos em consideração as pesquisas desenvolvidas por Tassitano, (2017) que
aferiu uma tendência cada vez mais crescente do sedentarismo nesta faixa etária, possuindo uma incidência ainda maior nas meninas.
Após a baixa participação na primeira intervenção, lhes foram apresentados um cronograma das atividades que seriam desenvolvidos durante o restante do mês de novembro e início de dezembro de 2019, totalizando nove aulas, em forma de teste, deixando acertado que ao fim destas atividades, se houvesse um aumento significativo no número de alunas participantes, o núcleo gestor poderia repensar a oferta da disciplina de Educação Física, nos próximos anos, aumentando sua carga horária e evitando os horários mais quentes do dia. As atividades propostas seguem na tabela 2.
Tabela 2 – Aulas desenvolvidas após o turno
SEGUNDA TERÇA QUARTA
Aula de ritmos - Ginástica aeróbica e localizada
- Funcional
Fonte: Elaborada pela autora, 2020.
O planejamento para as atividades escolhidas acima, levou em consideração as aulas que tiveram o maior número de participantes no primeiro momento prático do projeto, colocando atividades variadas e que eram ofertadas em academias ou clubes, mas que as alunas não tinham acesso por ficarem o dia todo na escola.
Após aprovação do núcleo gestor, foi iniciado o processo de divulgação do projeto, que se iniciou na mesma semana, nos momentos destinados para a explanação das atividades que seriam desenvolvidas no projeto, já deu para perceber que muitas meninas e inclusive muitos meninos se interessaram pela proposta.
O que não se imaginava, era que a quantidade de alunos envolvidos, seria tão grande, que a Escola teve aulas que contavam com a presença de mais de 109 discentes, entre meninos e meninas, evidenciando que o Colégio, carecia de um projeto que fizesse com que os alunos se engajassem e movimentassem seus corpos, que passavam a maior parte do tempo inertes.
De início, se achou que poderia ser essa grande aceitação por parte das alunas principalmente, motivada pela novidade das atividades pós-aula, onde elas
não teriam que enfrentar as dificuldades antes relatadas, que seria um dos fatores as que levavam a não aderência, situações que foram superadas, como a falta de tempo para as aulas, pois três vezes por semana, assim que encerravam as aulas regulares, as alunos inscritas corriam para os banheiros para trocarem de roupa e iniciarem as atividades, durante três semanas, com duração de 40 minutos cada aula, totalizando nove aulas.
O projeto, eliminou as três principais queixas das alunas, que era o pouco tempo para trocar de roupa entre as aulas, a exposição as intemperes do clima, pois neste horário o sol já não batia na quadra e a higienização para retornar aos estudos não necessitava mais, pois ao finalizar as aulas todos iam direto para suas casas. Em todas as aulas, foram catalogadas as quantidades de participantes para que ao final fosse possível calcular uma média geral, tanto do público feminino como masculino. As médias aferidas seguem na tabela abaixo:
Tabela 3 – Média de alunos que participaram do projeto
ATIVIDADE MÉDIA DE MENINAS MÉDIA DE MENINOS Aula de ritmos Participação média de
98 meninas Participação média de 10 meninos Ginástica aeróbica e localizada Participação média de 102 meninas Participação média de 14 meninos Funcional Participação média de
99 meninas
Participação média de 21 meninos
Média geral 99,7 15
Fonte: Elaborada pela autora, 2020.
Analisando as médias obtidas, pode-se observar, que houve um acréscimo considerável no número de alunas que participaram das atividades desenvolvidas, este número mais que triplicou se comparado com a quantidade das alunas que participaram das aulas no período normal, uma grata surpresa, também foi a participação masculina, que se fez de forma espontânea e que não foi proibida, mesmo que o projeto não tenha sido pensado e executado para eles.
Estas aulas desenvolvidas, foram bem interessantes pois aproximou mais as alunas com o corpo docente, que começaram a entender a importância de praticar atividade física regular, e muitas contavam que não praticavam atividade física, por acharem que o dia já era muito cansativo e que ficariam fisicamente extenuadas , mas que com a participação assídua no projeto, conseguiram
perceber exatamente o oposto, pois se sentiam mais dispostas ao chegarem em casa, este resultado se assemelha com o aferido por estudiosos como Ortega (2018), Cooper (2016) e Romero (2008), que tem sua linha de pesquisa balizada na prevalência de atividades físicas nesta faixa etária.
Muitas alunas, que além de participar das aulas pós-turno, procuraram academias e espaços de prática de atividade física ao ar livre, para continuar a se exercitar, nos dias em que não tinha atividade na escola e aos finais de semana. Uma aluna também relatou que estava até mesmo começando a levar outros membros da família a praticar atividade física, incentivados por vê-la se exercitando, mesmo após um dia longo de estudos.
Outro fator muito importante, foi a mudança de percepção do núcleo gestor para com a disciplina de Educação Física, pois como as atividades ocorriam após o encerramento das aulas, sempre tinha que ficar um representante do núcleo gestor e estes ficavam impressionado com a participação e interesse demonstrados pelas alunas nas aulas práticas.
Esta situação permitiu a abertura maior, para que fosse possível não só aumentar a carga horária da disciplina para o próximo ano letivo, iniciando com as turmas do 3° ano, como também a incorporação do projeto dentro da grade curricular da escola.
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Ao fim deste processo, conseguiu-se entender melhor sobre a falta de aderência das meninas nas aulas, tema pouco discutido na literatura atual. Foi perceptível com os resultados obtidos, que existe um decréscimo quando a aluna adentra no Ensino Médio de mais de 50%, no número de participantes assíduas nas aulas práticas de Educação Física, sendo uma situação observada também em grande parte das escolas, porem no Colégio Estadual Justiniano de Serpa, esta situação se acentua, por conta das particularidades negativas, como a falta de tempo para se realizar a higienização, o número pequeno de aulas por turmas, sendo ofertada que somente uma aula por semana em cada, a quadra
descoberta, dentre outras situações que vão afastado as alunas das aulas de Educação Física.
Relata-se, o fato das meninas principalmente no Ensino Médio, não quererem participar dos momentos práticos, mas nunca se teve tempo e foco para tentar alterar tal situação, que apresentava-se como um grande enigma em ação educacional, pois não se conseguia visualizar a maneira de contornar tal resistência. A pesquisadora, após entrar no mestrado profissional, teve uma ampliação em suas perspectivas e pode verdadeiramente se debruçar sobre o tema.
Visando elucidar tal situação, iniciou-se com um questionário que aferiu as experiências e predileções trazidas pelas alunas desde seu Ensino Fundamental até o presente momento. De posse destes dados, elaborou-se um projeto de intervenção, focado totalmente nestes resultados, que no entanto, não conseguiu uma elevação muito significante do número de participantes, mas serviu como base para se pensar em um segundo projeto, que era levar as aulas para o final do expediente as dezesseis e quarenta.
Quando as aulas foram levadas para depois do horário regular de aula, teve-se um certo receio da aderência, mas esta sensação se dissipou, já quando se estava fazendo a divulgação do projeto nas salas, pois era grande o número de interessadas e até mesmo interessados em participar, número que só aumentou, com a implementação do projeto, que findado foi aprovado com entusiasmo, tanto pelas alunas e alunos, como pelos pais e responsáveis e pelo núcleo gestor da Escola, que de início ficou um pouco receoso em aceitar o projeto.
Foi perceptível a mudança de visão para com a disciplina, não só pelo núcleo gestor que já aprovou uma ampliação de carga horária de uma hora aula para duas semanais, iniciando já no próximo ano letivo com as turmas de terceiros anos, e ganhando espaço a cada ano letivo, até chegar nas turmas de primeiro ano, como também dos outros professores, que até mesmo indagaram se poderiam participar das aulas após o expediente.
O projeto irá ser apreciado pela gestão para figurar na grade curricular da Escola no próximo ano letivo, e em seu pequeno período de execução, um pouco mais de um mês, pois já se iniciava o período de provas do quarto bimestre e o
encerramento do ano letivo, já conseguiu-se mudar a visão de muitas alunas sobre a importância de praticar atividade física, não sendo raro, a abordagem nos corredores, com afirmações de alunas, não quererem parar de fazer atividade física mesmo nas férias, para voltarem mais preparadas para o próximo ano letivo, bem como, a lamentação das alunas concludentes que não irão poder participar no ano que vem.
Esta boa aceitação, provocou motivos a continuar este projeto, que não gerou retorno financeiro, mas que tem um grande potencial para influenciar a vida das alunas, que sem ele continuariam no sedentarismo, aumentando cada vez mais os altos índices já encontrados de obesidade nesta faixa etária.
Deve-se pesquisar outras situações que possam levar a uma maior aderência das alunas durante o horário de aula, pois nem sempre é possível implementar este projeto após as aulas e esta área mostrou-se muito carente de estudos.
Certa que esta circunstância do projeto, é uma situação apenas paliativa ou experimental e que visa resolver este problema de maneira imediatista, mas que só será efetivamente possível melhorar se continuarmos lutando pela ampliação da carga horaria e pela melhoria da infraestrutura da Escola e seu núcleo gestor, onde já apresentou uma maior receptividade as demandas da disciplina.
Percebeu-se também, que existe a necessidade de se dar mais autonomia para as alunas na hora de escolher as atividades que serão desenvolvidas ao longo do ano, para que assim elas possam se sentir parte integrante do processo de ensino aprendizagem, para estimular a sua tomada de decisão.
Outro fator muito importante foi o crescimento profissional experimentado, pois teve-se contato maior com todas as áreas, que compõem a Escola, para que fosse possível implementar este projeto, parceria que se pretende continuar nos próximos anos.
Ressalta-se que o estudo servirá de base para futuros projetos e empreendimentos, colaborando dessa forma, para o crescimento pessoal e profissional da autora.
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APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO
SÉRIE ALUNA: ____________________________________________________ IDADE ALUNA:_______
1) VOCÊ PARTICIPAVA DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL? SE SIM, FALE DA SUA EXPERIÊNCIA NAS AULAS
_________________________________________________________________ _________________________________________________________________ 2) O QUE VOCÊ GOSTAVA E NÃO GOSTAVA NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL?
_________________________________________________________________ _________________________________________________________________ 3) VOCÊ PARTICIPA DAS AULAS PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO MÉDIO?
( ) SIM ( ) AS VEZES ( ) NUNCA
4) SE SUA RESPOSTA FOR NUNCA OU AS VEZES, QUAL O(S) MOTIVO(S) DA NÃO PARTICIPAÇÃO? Pode marcar mais de uma alternativa.
( ) NÃO GOSTA DE ATIVIDADE FÍSICA
( ) OS CONTEÚDOS OFERECIDOS NÃO ME INTERESSAM ( ) A ESCOLA NÃO OFERECE ESTRUTURA FÍSICA
( ) A AULA ACONTECER DENTRO DA GRADE CURRICULAR ( ) PROFESSOR NÃO ESTIMULA A PARTICIPAÇÃO
( ) NÃO HÁ TEMPO HÁBIL DE REALIZAR HIGIENIZAÇÃO APÓS AS AULAS ( ) OUTROS ___________________________________________
5) O QUE VOCÊ GOSTA E NÃO GOSTA DE FAZER NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO MÉDIO.
6) QUE MUDANÇAS SERIAM NECESSÁRIAS PARA QUE VOCÊ