2. Les procédures de collecte, étude au regard de deux collectes d’urgence 42
2.1.2. La collecte d’urgence appliquée
Todos os dias, quando entramos em contato com algum canal da mídia, seja rádio, televisão ou jornal, ouvimos falar sobre “democracia,” aliás, ela foi e ainda é objeto de estudo de muitos cientistas políticos dentro da última década. “A democracia foi fruto de um misto de proposição intelectual normativa, em certa medida idealista, com uma profunda ligação orgânica de seus fundadores com o mundo em que viviam.” (BAQUERO, 1998, p.35). Sabemos que a palavra democracia é carregada de sentido, de conteúdo, forma e simbolismo, o que nos levou a desenvolver uma questão especialmente para investigá-la e tentar captar qual é a percepção da população em relação a ela, e qual é o sentido que a mesma traz aos eleitores.
Ao formularmos a primeira pergunta da entrevista “O que é democracia?”, disponibilizamos aos eleitores três alternativas para que eles escolhessem aquela com que mais se identificassem.
Gráfico 1 – Percepção com respeito a democracia. (questão 01)
Nos resultados mostrados no gráfico 1, cerca de 60,50% dos entrevistados, associam a palavra “democracia” à alternativa de número um, ou seja, “ter maior liberdade para participar das decisões políticas.”
A primeira alternativa foi elaborada para analisar a democracia enquanto forma, pois fala em liberdade de participação, de expressão, de ser mais atuante e ter a permissão de opinar no que diz respeito à vida pública. A democracia como forma, nada mais seria, de acordo com Bobbio (1986, p. 157-158) “[...] que um conjunto de regras que estabelece quem está autorizado a tomar as decisões coletivas e com que procedimentos.” No caso do regime democrático, quem toma as decisões é o povo através das eleições, referendos, reuniões, associações, organizações etc.
A segunda alternativa foi escolhida por 27,25% dos entrevistados e demonstra aqueles que percebem a democracia como solução para os problemas sociais, pois fazem uma analogia com a possibilidade de “ter melhores condições de vida”, usufruir direitos garantidos por lei, como saúde, educação, alimentação e emprego. Os eleitores que optaram por essa alternativa vêem a democracia ligada a princípios como igualdade e dignidade, ou seja, a democracia como conteúdo.
A terceira alternativa corresponde à democracia como “direito de votar”, o livre acesso ao voto, o direito e ao mesmo tempo o dever de votar. Para 12,25% dos eleitores a democracia corresponde ao sufrágio universal, ao direito, à permissão que o Estado dá a todos os seus cidadãos de escolher seus dirigentes.
Dentro desse viés investigativo com respeito à democracia e ao grau de interesse, participação e comprometimento da população com a política, outras quatro questões foram desenvolvidas com o objetivo de buscar essa análise. São as questões de número 2, 4, 6 e 9. As três primeiras questões (2, 4 e 6) são parecidas e foram assim formuladas e colocadas estrategicamente alternado-se com outras questões para buscar analisar aspectos contraditórios do comportamento do eleitor com o intuito de visualizar com maior facilidade a o surgimento de respostas contraditórias.
Formulamos também a questão de número nove (9), que, trata diretamente da importância do voto para o eleitor e que encerra as questões que integram os temas “democracia” e “interesse por política.”
Os resultados das questões 2, 4, 6 e 9 mantêm relação com a democracia, porque o interesse do eleitor por política, liga-se à sua participação, à sua preocupação com os problemas do país e à mobilidade deste eleitor dentro da esfera pública. Esses aspectos são parte do conteúdo da democracia em si.
Com respeito aos resultados, a questão de número dois (2) foi elaborada com o intuito de investigar a respeito do interesse do eleitor por assuntos ligados à esfera política. Perguntamos: “Você se interessa por assuntos políticos?” Pudemos observar pelos resultados, um baixíssimo grau de interesse e comprometimento dos eleitores por assuntos inerentes à esfera política.
Cerca de 40,25% dos entrevistados responderam que não se interessam, 29,25% que se interessam pouco, 24,50% que se interessam e apenas 6% se interessam muito. Experimentamos cruzar o resultado dessa questão com a variável sexo e com a variável escolaridade. Os indicadores demonstram que os homens que se interessam são 51,75%, contra 48,25% das mulheres, ou seja, não aparece uma correlação significativa entre o interesse político de homens e mulheres. No entanto, ao cruzarmos com a variável “escolaridade” pôde-se perceber que dentro do universo dos que se interessam e dos que se interessam muito por política, cerca de 82,25% desses eleitores possuem mais de 9 anos de estudo, o que demonstra que a educação é ponto fundamental no despertar do espírito de cidadania dos eleitores, assim como, no estímulo ao interesse e à participação em assuntos ligados à política.
Na questão de número 4, elaboramos uma pergunta com o intuito de observar se existia ou não a contradição com os resultados colhidos na questão de número 2. Perguntamos ao eleitor: “Você gosta de política?”
Gráfico 3 – Apreço do eleitor pela Política. (questão 04)
Dos 400 entrevistados, 27,5% dizem gostar de política, contra 72,5% que afirmam não gostar. As respostas seguem a tendência da questão anterior onde aparece falta de interesse, no entanto, promovemos o cruzamento das questões 2 e 4, pois as mesmas foram formuladas apresentando semelhanças de maneira proposital, com o intuito de buscarmos a contradição dos eleitores, como já explicamos anteriormente. Os indicadores mostram que 12,50% das respostas das questões 2 e 4 apresentam contradição, ou seja, os mesmos eleitores que afirmaram na questão 2 não se interessar por política, na questão 4 disseram que gostam de política e vice-versa. O restante das respostas, 87,50% apresentaram respostas coerentes.
Na questão de número 6, indagamos: “Com que freqüência você discute algo sobre política?” Esta questão, Schmidt chama de “comunicação política” “ [...] é o indicador que mede a intensidade com que os assuntos do campo político estão presentes nos contatos interpessoais cotidianos.” (SCHMIDT, 2001, p. 220).
As respostas são bem diversificadas, ou seja, os que responderam que nunca discutem são 15,75%, os que raramente são 22,50%, aqueles que sempre discutem são em número de 16,50% e os que discutem às vezes somam 45,25%.
Gráfico 4 – Comunicação Política. (questão 06)
O eleitor mais interessado, teoricamente, seria aquele que mantivesse conversas freqüentes, e o menos interessado aquele que buscasse o distanciamento e quase nunca conversasse sobre política.
O resultado das questões analisadas até aqui foi bem objetivo e demonstrou que a maioria dos eleitores não se interessa e não discute política no seu dia-a-dia. Fato que revela- se preocupante, pois, através desse indicador, podemos mencionar um possível fenômeno de apatia e alienação política.
A última questão, que aborda os temas democracia e interesse por política, é a de número 9. Ela refere-se ao voto e pretende analisar a importância que o eleitor dá ao direito que adquiriu através do sufrágio universal de votar de maneira direta e escolher seus governantes. Perguntamos aos eleitores: “Se o voto não fosse obrigatório, você votaria?” As respostas foram as seguintes: cerca de 42% afirmaram que sim, continuariam votando, e 58% disseram que não votariam mais.
Gráfico 5 – Obrigatoriedade do voto. (questão 09)
Esses resultados também trazem uma carga de contradição, no entanto, não uma contradição no que tange às respostas dos eleitores, mas uma contradição ligada à própria história do país, se imaginarmos que se levou um longo período de tempo para conquistarmos o direito ao sufrágio universal, e hoje as pessoas estariam abrindo mão dessa conquista tão esperada e adquirida através de séculos de história política.
Sendo assim, esses resultados negativos, ao serem interpretados, demonstram uma tendência numérica negativa que compromete o exercício da cidadania por vontade própria. Mostram também um fenômeno de alienação, muitas vezes proposital, e um sentimento de revolta, de repúdio em relação ao sistema político, principalmente após a crise institucional de 2005, mostrada aos brasileiros através dos canais midiáticos.