3.2 Les observations et les données de terrain
3.2.2 La collecte des données de terrain et les outils utilisés
2.4 CONHECIMENTO, APRENDIZAGEM E EDUCAÇÃO: UMA INTER-RELAÇÃO COM O ENSINO DE LÍNGUA
Pela fundamentação das concepções já descritas, o leitor poderá estar se perguntando qual a relação entre os conceitos de conhecimento, aprendizagem, educação
Pois bem, pensar no ensino, seja ele da natureza que for, implica necessariamente, pensar nas concepções ora descritas que estão imbricadas na totalidade do processo educativo, pois a existência de uma teoria que fundamente o ensino da língua pressupõe um pensamento sobre uma teoria do conhecimento. Como bem expõe Paviani (2014, p. 37), “o conhecimento e a linguagem referem invariavelmente a realidade, ora explícita, ora pressuposta”.
Dito isso, ressalto que o ensino da língua voltado ao seu uso nas situações de interlocução tende a instrumentalizar5 o aluno para todos os componentes curriculares, uma vez que esses requerem, em sua essência, condições de aprendizagens que necessitam da compreensão leitora e da produção discursiva, nas modalidades oral e escrita, estabelecidas pelas diferentes áreas do conhecimento.
Com efeito, conferir esse caráter fundamental à língua implica o sujeito ser capaz de mobilizar as diversas estruturas cognitivas, bem como os domínios semânticos, para, assim, transitar nas diferentes áreas do conhecimento. É só pensar nas inúmeras queixas apontadas pelos professores, e aqui, não só os de língua mas também dos diferentes componentes curriculares, pelo fato de os alunos apresentarem muitas dificuldades, como, por exemplo, de localizar informações implícitas e, até mesmo, explícitas, nos discursos, de compreender os efeitos de sentido produzidos pelas palavras, de escrever discursos com diferentes propósitos, entre outras.
É claro que conceber o ensino da língua voltado ao desenvolvimento das habilidades linguístico-discursivas exige uma prática constante de leitura e produção, quer oral, quer escrita. Portanto, quanto mais e melhores forem as situações de compreensão e produção oportunizadas ao aluno, maiores as chances de obter sucesso na aprendizagem da língua. A partir dessas considerações, é possível pensar que a quantidade e a qualidade das situações de interlocução favorecem, em grande escala, a aprendizagem de uma língua.
Nesse sentido é impossível pensar nas práticas educativas sem relacioná-las aos pressupostos teóricos que fundamentam o processo de construção do conhecimento, isso porque os processos de ensino e aprendizagem ancoram-se em bases epistemológicas, sejam elas conscientes ou não para o professor. Ou seja, os processos metodológicos, de
5 O termo instrumentalizar refere-se, nesta pesquisa, ao contexto pedagógico do ensino, ao conceber que o
ensino de língua possibilita a construção de conceitos essenciais às outras disciplinas. Para saber mais, leia o texto Uma proposta de língua materna instrumental para o Ensino Fundamental, de Azevedo e Rowell (2006).
diferentes naturezas, adotados pelo professor, pressupõem bases teóricas que os alicerçam, representando escolhas epistemológicas.
Como bem coloca Paviani (2010, p.21), toda prática pressupõe uma certa teorização, uma vez que “a teoria é a possibilidade de confronto que se tem com as condições reais do ensinar e do aprender.”
Ainda, conforme Moraes,
Acreditamos na existência de um diálogo interativo entre o modelo científico, as teorias de aprendizagem e as práticas pedagógicas desenvolvidas. Na prática do professor, encontram-se subjacentes um modelo de educação e um modelo de escola, fundamentados em determinada teoria do conhecimento. Ao mesmo tempo em que o modelo educacional é influenciado pelo paradigma da ciência, aquele também o determina. A atuação do professor traduz sua visão de educação. É impossível separar uma coisa da outra. A teoria da aprendizagem que fundamenta sua ação contém as explicações de como ele crê que o indivíduo aprende e determina o modelo pedagógico adotado pela escola. (MORAES, 1997, p. 18).
Considerar os processos de ensino e aprendizagem significa indagar-se constantemente acerca de pressupostos epistemológicos e filosóficos que fundamentam a construção do conhecimento, o que implica pensar em como o sujeito conhecedor aprende e, por decorrência, em como se efetivam as ações de ensino (estratégias, métodos, recursos).
Daí a relevância da análise e reflexão epistemológica sobre as concepções aqui tratadas, uma vez que o professor, ao ter subsídio teórico referente à natureza e à validade das teorias do conhecimento, tem sua ação embasada por uma fundamentação que lhe possibilita realizar escolhas, tomar decisões e argumentar em favor de suas concepções, evitando, assim, os possíveis “modismos” tão presentes na educação.
Consoante Paviani (2010, p.27), o professor que deseja uma educação que prima pelo ato de conhecer e não apenas pela transferência de conhecimento “não pode descuidar de duas atitudes básicas: a atitude científica e a conquista de um espaço ético para si e para os alunos.”
Entender essa concepção implica reconhecer um processo que concilia teoria e prática, que considera a relevância dos conhecimentos científicos atrelados à postura ética, à sensibilidade, às indagações e aos questionamentos a respeito do humano e da educação como um fenômeno global.
Pensar sobre o que somos, se seres livres e autônomos, o que podemos conhecer, como superar os preconceitos de raça, de classe, etc. implica considerar, ao mesmo tempo, aspectos ontológicos, epistemológicos e éticos. (PAVIANI, 2014, p. 39)
Os pressupostos ora descritos têm a pretensão de buscar possibilidades de justificação do conhecimento, validando-o e legitimando-o em prol da ação educativa. A iniciativa de discorrer sobre esses conceitos visa relacionar o fazer pedagógico às concepções epistemológicas norteadoras do processo educativo.
Por essa reflexão, entendo que as concepções apresentadas fundamentam minha proposta para o ensino e aprendizagem de língua. Dando continuidade às reflexões, na sequência, são explicitados pressupostos teóricos de Ferdinand de Saussure e de Émile Benveniste, na tentativa de melhor entender a organização e o uso da língua.
Dados os limites desta pesquisa, não tenho a pretensão de esgotar as possibilidades de investigação sobre esses autores, apenas trazer à reflexão conceitos teóricos vinculados àos chamados estudos saussurianos e benvenistianos, principalmente os que fundamentam o ensino da língua em uso.