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CHAPITRE 4 ÉTUDE EN MILIEU HOSPITALIER

4.3 Collecte de données

4.3.3 Collecte de données : Grilles d’observation

Apresento uma breve análise qualitativa do perfil socioeconômico dos 11 estudantes de comunidades populares. Para tanto, apoio-me nos dados do questionário, gênero discursivo, do processo seletivo que foi elaborado em 2010, pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC) e coordenação do Programa Conexões de Saberes na UFERSA para a seleção dos bolsistas. O questionário contém 27 questões abertas e fechadas, elaborado e aplicado com os estudantes. Na inscrição para seleção de bolsista era obrigatório o preenchimento pelo estudante, possibilitando conhecer seu perfil social, econômico e cultural. Nesse sentido, utilizo os dados desse questionário, recortando os sujeitos dessa pesquisa que foram escolhidos mediante os seguintes critérios: ter participado do Programa Conexões de Saberes como bolsista, ser aluno do Campus de Angicos e participar de uma oficina da pesquisa. Escolhi o questionário por ser um instrumento acessível nessa construção da pesquisa.

Inicialmente, a proposta da pesquisa era analisar o perfil de todos os estudantes. Todavia, ao observar um elevado número de estudantes, mais de cem bolsistas, tornou-se necessário repensar a escolha e assim fazer um recorte dos dados. Delimitado o corpus, fiz a opção de trabalhar apenas com os estudantes do Campus de Angicos, os jovens estudantes universitários do curso de Ciência e Tecnologia, entre 2009 e 2011, especificamente, os que se

dispuseram espontaneamente a participar da pesquisa, com o devido consentimento, os quais foram convidados para a oficina de produção do memorial.

A seguir, uma breve análise qualitativa nas dimensões que considero importantes para situar quanto aos sujeitos da pesquisa, tais como: o sexo; a cor; a origem escolar; a escolaridade dos pais; a renda familiar e a situação de moradia, dentro de uma perspectiva discursiva. Como diz Moita-Lopes (2002, p. 31): “o discurso como uma construção social é, portanto, percebido como uma forma de ação no mundo”. Analisando os participantes envolvidos e os sentidos que se constituem em uma rede interdiscursiva que envolve as práticas sociais da linguagem.

Quanto ao sexo, em sua maioria, os estudantes são do sexo masculino, dado que constitui um desafio para as políticas públicas na perspectiva da afirmação das identidades de gênero. Sobre a questão de gênero (Gráfico 1), a participação por sexo, do total dos participantes, 60% são homens e 40% são mulheres, sendo uma parte de estudantes oriundos de comunidades do campo. Acredito que as relações de gênero são determinantes nas práticas discursivas de estudantes que vão para além das relações entre homens e mulheres e ainda proliferam formas de opressão nas relações de poder na sociedade.

Gráfico 1 – Participantes por gênero

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010) revelam que o percentual de mulheres com nível superior é maior que o de homens, em que o total de pessoas com vinte e cinco anos ou mais, 12,5% das mulheres e 9,9% homens possuíam ao menos o curso superior completo. Com certeza, muito se avançou na área da educação, comparado a 2009 em que mais da metade de pessoas analfabetas, eram mulheres e quase metade eram nordestinas.

Esse quadro acentua os padrões de desigualdades ainda presentes entre as mulheres, na questão de gênero e na conquista de políticas efetivas que promovam o acesso e a autonomia das mulheres em estado de vulnerabilidade social. Nesse sentido, o programa incorporou uma formação com recorte sobre as relações de gênero, classe e raça em reconhecimento da necessidade de discussões sobre a igualdade de oportunidades, tanto que foi investido nesse tema durante os seminários realizados para os estudantes.

Já em relação à raça, cor e etnia (Gráfico 2), a cor branca é maioria com 60%, e a cor negra com 40%, o que indica que há invisibilidade de negros e negras no ensino superior, sendo necessárias políticas públicas afirmativas, pois como mostra Ristoff (2014), o Campus aguça distorções existentes na sociedade. Essa discussão acerca das temáticas de gênero, cor, raça e etnia reforçam o acirrado debate realizado há décadas por estudiosos sobre a adoção das cotas nas universidades brasileiras e em concurso públicos. A questão da cor, raça e etnia é um indicador da invisibilidade étnico-racial e gerador de desigualdades entre os estudantes no acesso à educação superior, em que a condição de etnia e raça ainda determina o destino acadêmico, dado o racismo, preconceito e discriminação.

Gráfico 2 – Raça, cor e etnia

Fonte: dados produzidos pela autora, 2014.

Quanto à origem escolar, tem-se, dentre os estudantes pesquisados, uma presença majoritária de alunos oriundos de escolas públicas (Tabela 1). Como observa Zago (2009), “a desigualdade de oportunidades de acesso ao ensino superior é construída de forma contínua e durante toda a história escolar dos candidatos”. Assim, o Programa Conexões de Saberes trouxe uma reflexão sobre as condições dos estudantes e a necessidade de democratizar o acesso, com prioridade para a inclusão das populações historicamente à margem do processo.

Tabela 2 – Antecedentes Escolares – tipo de escola

SOMENTE EM ESCOLA PÚBLICAS 11

MAIOR PARTE EM ESCOLA PÚBLICA -

SOMENTE EM ESCOLA PARTICULAR -

MAIOR PARTE EM ESCOLA PARTICULAR -

EM ESCOLA QUILOMBOLA -

EM ESCOLA INDÍGENA

- Fonte: dados produzidos pela autora, 2014.

BRANCA 60% PARDA 40% AMARELA 0% INDÍGENA 0% PRETA 0%

COR / RAÇA / ETNIA - COMO O

ENTREVISTADO SE IDENTIFICA

No que diz respeito à participação em curso preparatório para o ingresso na universidade (Gráfico 3), a maioria (80%) não participou de cursos pré- vestibulares, tratam-se de jovens que cursam seu Ensino Médio em escolas públicas, obtendo um aprendizado certamente insuficiente para concorrer aos exames de ingresso em universidades. Tanto é que no Programa Conexões de Saberes a promoção de curso pré-universitário foi uma questão defendida pelos bolsistas, constituindo-se uma de suas ações extensionistas que ficou instituída na UFERSA, como contraposição a essa realidade.

Gráfico 3 - Participação em cursinho pré-vestibular

Fonte: dados produzidos pela autora, 2014.

Quanto ao grau de escolaridade dos pais, há uma baixa escolarização familiar. Isso mostra que os jovens de espaços populares sofrem com as desigualdades sociais, tendo que aumentar as suas escolaridades para superar a dos pais.

Tabela 3 – Escolaridade do pai

OPÇÕES QUANTIDADE

NÃO ESTUDOU 1

DA 1ª À 4ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL (ANTIGO PRIMÁRIO) 4

DA 5ª À 8ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL (ANTIGO GINÁSIO) 1

NÃO 80% SIM 20%

PARTICIPOU DE CURSO PRÉ-

VESTIBULAR

ENSINO MÉDIO (ANTIGO 2º GRAU) 3

ENSINO SUPERIOR 1

ESPECIALIZAÇÃO -

MESTRADO -

DOUTORADO -

Fonte: Dados produzidos pela autora, 2014.

Tabela 4 – Escolaridade da mãe

OPÇÕES QUANTIDADE

NÃO ESTUDOU -

DA 1ª À 4ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL (ANTIGO PRIMÁRIO) 3

DA 5ª À 8ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL (ANTIGO GINÁSIO) 1

ENSINO MÉDIO (ANTIGO 2º GRAU) 4

ENSINO SUPERIOR -

ESPECIALIZAÇÃO 2

MESTRADO -

DOUTORADO -

Fonte: Dados produzidos pela autora, 2014.

Sobre a renda mensal familiar dos estudantes (Gráfico 4), eles possuem uma renda familiar baixa. Nesse sentido, a permanência dos estudantes é uma constante luta para estes, que necessitam custear seus estudos.

Gráfico 4 – Renda familiar

Fonte: dados produzidos pela autora, 2014.

ATÉ R$ 510,00 40% DE R$ 510,00 ATÉ R$ 1.020,00 50% DE R$1.020,00 ATÉ R$ 2.040,00 10% ACIMA DE R$ 2.040,00 0%

RENDA MENSAL FAMILIAR DOS

ENTREVISTADOS

Comungo com Zago (2006) que estudar o perfil de estudantes na contemporaneidade é uma necessidade de pesquisa e das políticas educacionais em todos os sistemas de ensino. Aqui, no ensino superior, pude mostrar neste breve resumo que os estudantes populares oriundos de escolas públicas possuem um perfil cujas diferenças demarcam as trajetórias desiguais em seus processos de escolarização às quais podem ser acrescentados outros elementos (PEREGRINO, 2010). Tal estudo aponta a importância de se olhar para essa população, seu perfil e compreender as mudanças no contexto das políticas e sistemas educacionais, em que o número de instituições expandiu de 893 em 1991 para 2.416 em 2012, ou seja, 171%. Isso mostra que ocorreu uma ampliação do acesso das pessoas à educação superior das duas últimas décadas e dos grupos historicamente excluídos.

Em relação à moradia (Gráfico 5), percebe-se o número de estudantes residentes com a família é bem maior, o que pode estar relacionado ao fato de a universidade não oferecer residência universitária para seus alunos naquele Campus.

Gráfico 5 - Situação de moradia

Gráfico 4 – Situação de moradia

Fonte: dados produzidos pela autora, 2013 Fonte: dados produzidos pela autora, 2014.

Passo agora a analisar a produção de sentido nos memoriais escritos pelos alunos. COM A FAMÍLIA 30% SOZINHO 20% COM PARENTES 10% PENSÃO 10% REPÚBLICA 10% OUTROS - AMIGOS 20%

SITUAÇÃO DE MORADIA