Com uma investigação que compreendeu uma produção artística própria de
tiras de humor, a dissertação “O processo criativo em quadrinhos humorísticos:
Um estudo de caso do desenvolvimento da série Hellpets”, abordou questões referentes ao desenvolvimento das Histórias em Quadrinhos a partir dos documentos do processo, analisando a concepção dos personagens, da arte e dos roteiros, a formulação das piadas e a exploração da comicidade da caricatura.
Esta dissertação de mestrado inseriu-se na linha de Poéticas e Processos de Criação e formulou-se como uma ferramenta para ampliar em minha experiência expressiva a possibilidade de uma reflexão crítica sobre minha própria criação artística. Com o desenvolvimento da pesquisa, a produção de Hellpets foi reestruturada. Ao observar o trabalho realizado com maior grau de detalhamento, os artistas que influenciaram a idealização do projeto e as teorias utilizadas, muitas questões sobre seu formato surgiram e elementos precisaram ser revistos. Este estudo foi responsável pela formulação de uma arte mais agradável e satisfatória do que a que havia no início das publicações, e denota um amadurecimento pessoal e do projeto. Algumas mudanças compositivas podem ser claramente vistas ao longo do desenvolvimento da série, tanto na colorização e textura das cenas, como na tipografia dos balões de fala. Conceitualmente, o projeto também foi tomando nova forma a fim de refinar seu conteúdo e a elaboração das piadas, aumentando a diversidade de temas abordados nos roteiros.
Para a divulgação independente da série, a rede social Facebook mostrou-se uma boa ferramenta, pois além da possibilidade de alcance à um público desconhecido a partir de um perfil previamente selecionado, ela mantém um registro de movimentação das publicações para gerenciamento. Além disso, sua mecânica é desenvolvida para trazer o conteúdo ao perfil do usuário, o que deixa a divulgação mais prática do que através de um site, em que, para visualizar atualizações, o usuário precisa dedicar-se a entrar. No entanto, seu potencial de funcionalidade é bem mais eficaz quando as
publicações são patrocinadas, visto a experiência realizada no primeiro ano, com publicidade paga.
A escolha pela internet como meio de divulgação também permitirá que futuramente a série Hellpets migre de forma natural para outros canais de mídia, como vídeos de animações e games online, transformando o projeto em instrumento de narrativa transmídia.
A análise feita sobre a criação a partir dos conceitos da Crítica Genética mostrou-se eficiente para exteriorizar o processo que acontece internamente no ato do desenvolvimento, quase inconsciente e geralmente negligenciado pelo público. Esta análise só pôde ser realizada através de um exercício de distanciamento da autora com a série durante a pesquisa, para que os detalhes fossem observados com frieza e sem envolvimento sugestionado. A observação dos rastros desse processo possibilitou uma compreensão mais ampla da obra, expondo uma relação íntima e pessoal com sua criadora.
A pesquisa feita sobre criação da serie deixa claro que, ao alterar o conteúdo ou o assunto do projeto inicial, a forma também se transforma, isto é, o desenho e os roteiros. Por outro lado, as limitações da materialidade da forma, e até mesmo do veículo de publicação, vão orientando essas alterações, indo de encontro à teoria levantada no primeiro capítulo.
Concluindo, a pesquisa tornou-se também um importante documento sobre do processo de criação da série Hellpets, pois a absorção dos argumentos expostos ao longo dos capítulos teóricos contribuiu para a ampliação de repertório, que regerá todos os aspectos de desenvolvimento prático do projeto no futuro.
6. REFERÊNCIAS
ADORNO, Theodor W. A indústria Cultural. In: COHN, Gabriel (Org.).
Comunicação e Indústria Cultural. São Paulo: Nacional, 1978.
ALBERTI, Verena. O riso e o risível. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1999. ANDRADE, M. S;; SIMÕES, M. Dicionário de mitologia greco-romana. São Paulo: Abril Cultural, 1973. 196 p.
BEZERRA, Karina Oliveira. Conhecendo a Wicca: princípios básicos e gerais. In: Paralellus – Revista de estudos de religião – Universidade Católica de
Pernambuco. Pernambuco, volume 1, número 2 julho/dezembro de 2010.
BÍBLIA SAGRADA. Antigo e Novo Testamento (tradução de João Ferreira de Almeida), 2a edição. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993. 1262 p. BRENER, Robin. Understanding Manga and Anime. Wesport, CT: Libraries Unlimited, 1977. 357 p.
CAREY, M;; WESTON, C;; HAMPTON, S;; HODGKINS, J;; PLEECE, W;; ORMSTON, D. O Diabo à Porta. Nova Iorque, NY: DC Comics, 1999
COUTINHO, Laerte. Deus segundo Laerte. São Paulo, SP: Olho D’água, 2002. 64 p.
DONDIS, Donis A. Sintaxe da Linguagem Visual. São Paulo, SP: Martins Fontes, 1997. 248 p.
FERNANDES, E.G;; SÁ, J.F.R;; GANSOHR, M. Aterradora transcendência?
Uma análise simbólica do Bafomé de Éliphas Lévi. In: Horizonte - Revista de
Estudos de Teologia e Ciências da Religião do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Minas Gerais, volume 11, número 31, julho/setembro de 2013.
FILHO, Henrique de Souza. Fradim 8. Rio de Janeiro, RJ: Editora Codecri, 1976.
FRANCO, Edgar S. HQtrônicas: Do suporte de papel à internet. Universidade Estadual de Campinas. Campinas, SP. 2001.
GAINES, Janet Howe. Lilith: Seductress, heroine or murderer? Bible Review.
Washington, DC, volume XVII, número 5, Outubro de 2001.
HUGO, Victor. Do grotesco e do sublime. BERRITTINI, Célia. Tradução do Prefácio de Cromwell. São Paulo, SP: Editora Perspectiva, 2004. 102 p.
LÉVI, Eliphas. Dogma e Ritual da Alta Magia. 3a edição. São Paulo, SP:
Madras, 1998. 412 p.
MOORE, A;; BISSETTE, S;; JOHN, T. Hellblazer, vol 1: Original Sins. Nova Iorque, NY: DC Comics, 1985.
MOREIRA, Mário Fiore. Charles Baudelaire e a análise da obra romântica de
Eugène Delacroix. In: Revista Belas Artes, Sao Palo, número 9, maio/agosto de
2012.
MOYA, Álvaro. História da história em quadrinhos. São Paulo: Editora
Brasiliense, 1993. 212 p.
OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. 15ª ed. Petropolis, RJ:
Prentice Hall, 2001. 187 p.
POUZADOUX, Claude. Contos e Lendas da Mitologia Grega. São Paulo:
Companhia das Letras, 2010. 268 p.
SALLES, Cecília Almeida. Redes da criação: construção da obra de arte. São
Paulo: Editora Horizonte, 2006. 176 p.
__________. Gesto inacabado: processo de criação artística. 3ª ed São Paulo:
FAPESP: Annablume, 2007. 168 p.
__________. Crítica Genética: Fundamentos dos estudos genéticos sobre o
processo de criação artística. 3ª ed. revista. São Paulo: Educ, 2008. 138 p.
SANTOS, Roberto Elisio dos;; ROSSETTI, Regina. Humor e riso na cultura
midiática: variações e permanências. São Paulo, SP: Paulinas, 2012. 221p. SKINNER, Q. Hobbes e a teoria clássica do riso. São Leopoldo, RS: Editora Unisinos, 2002. 88 p.
VERNANT, Jean-Pierre. Mito e religião na Grécia antiga. São Paulo, SP:
7. APÊNDICES
Figure 64: Narrativa sobre reportagem.
Fonte: a autora (2013).
Figure 65: Narrativa sobre vídeo game.
Fonte: a autora (2013).
Figure 66: Narrativa com citação da música ‘Uma barata chama Kafka’(1989), da banda ‘Inimigos do rei’.
Fonte: a autora (2013).
Figure 67: Arte de capa para a página do projeto na rede social Facebook.
Fonte: a autora (2014).
Figure 68: Versão final do personagem Cérbero.
Fonte: a autora (2012).
Figure 69: Narrativa sobre tabuleiro ouija.
Fonte: a autora (2014).
Figure 70: Caricatura da autora.
Fonte: a autora (2013).
8. ANEXO
Figure 71: Fan art de Marcelo Furuguem representando a personagem Lilith em uma versão realista, recebida no dia 28 de fevereiro de 2013.
Fonte: arquivo da autora (2013).