• Aucun résultat trouvé

Cohérence entre les notions de classe et d'interface dans C#

Dans le document Un langage très orienté objet (Page 92-100)

Rappels essentiels sur la notion d'interface

3. Cohérence entre les notions de classe et d'interface dans C#

O presente trabalho está inserido no campo da Linguística Aplicada (LA), por considerar seu caráter interdisciplinar e investigativo. A LA tem como meta estudar questões reais de uso de linguagem colocadas na prática social dentro ou fora do contexto escolar (ALMEIDA FILHO, 2009), assim como temas relacionados entre o que é desenvolvido na Academia e o que ocorre em sala de aula (MOITA LOPES, 1996).

A pesquisa configura-se um estudo que utiliza fundamentos da etnografia, de cunho interpretativista, dentro de uma perspectiva qualitativa, recorrendo, também, a elementos de caráter quantitativo. Ou seja, o desenvolvimento deste estudo se utilizará, predominantemente, de pressupostos qualitativos, porém, dados quantitativos serão apresentados e interpretados sob a ótica qualitativa, possibilitando, desta forma, que a análise dos dados se dê para muito além da sua apresentação. Na visão de Siqueira (2014, p. 31), é “salutar adotarmos o pressuposto de que métodos quantitativos e qualitativos deveriam ser tomados como complementares e não como excludentes”. Assim como Siqueira (2014), André (2012, p. 25) defende que quantidade e qualidade estão intimamente relacionadas e que é necessário ir adiante e “ultrapassar a dicotomia qualitativo-quantitativo e tentar encontrar respostas para as inúmeras questões com que nos defrontamos diariamente”.

Ao tratar sobre as modalidades de pesquisa e instrumentos para compreender a prática do professor, Telles (2002) defende que, independentemente da seleção por métodos

quantitativos ou qualitativos, a capacidade de interpretação dos números ou das qualidades dos dados deverá ser utilizada, construindo significados a partir dos elementos informativos coletados.

2.1.1 A pesquisa qualitativa

A pesquisa qualitativa também é conhecida por pesquisa ‘naturalística’ uma vez que se trata do “estudo do fenômeno em seu acontecer natural” (ANDRÉ, 2012, p. 17). Na visão de Denzin e Lincoln (2006, p. 17), refere-se a uma “atividade situada que localiza o observador no mundo”, consistindo num “conjunto de práticas materiais e interpretativas que dão visibilidade ao mundo”. Para os autores, o envolvimento de uma abordagem naturalista, interpretativa e para o mundo mostra que os “pesquisadores estudam as coisas em seus cenários naturais, tentando entender, ou interpretar, os fenômenos em termos dos significados que as pessoas a eles conferem” (Ibid., p. 17).

De acordo com o paradigma interpretativista, o mundo não pode ser observado deixando de lado as práticas sociais bem como os significados vigentes. Além disso, o observador é um sujeito ativo e não apenas um relator passivo. Afinal, sua compreensão do objeto está fundamentada em seus próprios significados (BORTONI-RICARDO, 2008).

Para Nunan e Baily (2009), analisar dados qualitativos refere-se a um processo contínuo de leitura, reflexão, releitura, levantamento de questões, busca entre os registros e tentativa de encontrar padrões. Trata-se de um procedimento, de certa forma, intuitivo e que envolve diversos processos mentais que são difíceis de explicar.

Essa modalidade de pesquisa tornou-se popular na década de 80 do século passado entre pesquisadores da área educacional (ANDRÉ, 2012) e vem ganhando cada vez mais espaço dentro do contexto escolar. Afinal, “as escolas, e especialmente as salas de aula, provaram ser espaços privilegiados para a condução de pesquisa qualitativa, que se constrói com base no interpretativismo” (BORTONI-RICARDO, 2008, p. 32).

Ainda segundo Bortoni-Ricardo (2008), a pesquisa qualitativa realizada em sala de aula, focada na observação do processo de ensino e aprendizagem, permite o registro sistemático de todos os eventos relacionados a esse processo, possibilitando, portanto, o entendimento de como e por que alunos ou professores agem como agem. Além de descrever e interpretar o que ocorre no ambiente escolar, “é tarefa da pesquisa qualitativa de sala de aula construir e aperfeiçoar teorias sobre a organização social e cognitiva da vida em sala de aula, que é o

contexto por excelência para a aprendizagem dos educandos” (BORTONI-RICARDO, 2008, p. 42). Associada à abordagem qualitativa existem diferentes tipos de pesquisa como, por exemplo, a etnografia, o estudo de caso, a pesquisa participante e a pesquisa-ação.

No próximo tópico, abordarei a pesquisa etnográfica, principalmente a etnografia da prática escolar, considerando que, como já mencionado, este trabalho investigativo utilizou princípios e instrumentos desta modalidade de pesquisa.

2.1.2 A pesquisa etnográfica e a etnografia da prática escolar

Consoante André (2012, p. 27), “a etnografia é um esquema de pesquisa desenvolvido pelos antropólogos para estudar a cultura e a sociedade”, sendo que seu significado etimológico indica que se refere a uma “descrição cultural”. Erickson (1984, p. 52) destaca que “o que torna um estudo etnográfico é que ele não apenas trata uma unidade social de qualquer tamanho como um todo, mas também descreve eventos, pelo menos em parte, a partir de pontos de vista dos atores neles envolvidos”5.

Na visão de Bortoni-Ricardo (2008, p. 41), os etnógrafos “estão mais interessados no processo do que no produto” e buscam os “significados que os atores sociais envolvidos no trabalho pedagógico conferem às suas ações”. Comparando o trabalho dos etnógrafos e dos pesquisadores em educação, André (2012), por sua vez, ressalta que os primeiros têm como interesse descrever a cultura de um grupo social, enquanto que os últimos se interessam pelo processo educativo. Segundo esta autora, essa última perspectiva “faz com que certos requisitos da etnografia não sejam – nem necessitem ser – cumpridos pelos investigadores das questões educacionais”, como, por exemplo, a longa permanência em campo. Na verdade, na visão da autora, o que vem ocorrendo com a grande maioria das pesquisas que tem como foco a escola significa uma “adaptação da etnografia à educação”, ou seja, “estudos do tipo etnográfico e não etnografia no seu sentido estrito” (ANDRÉ, 2012, p. 28). É exatamente o que, por exemplo, nos diz Fritzen (2012, p. 68):

Talvez não seja possível fazer etnografia em termos de estudo longitudinal [...], mas certamente é possível utilizar seus instrumentos, seus pressupostos teórico-metodológicos e, o que parece essencial, aprender a focalizar os contextos de pesquisa com o olhar de etnógrafo, aquele que está ciente das implicações de seu papel de pesquisador e dos conhecimentos que produz.

5 What makes a study ethnographic is that it not only treats a social unit of any size as a whole but that the ethnography portrays events, at least in part, from the points of view of the actors involved in the events.

Esta pesquisa de tipo etnográfico em educação apresenta algumas características, conforme defende André (2012), como: a) uso de técnicas tradicionalmente relacionadas à etnografia (observação participante, entrevista e análise de documentos); b) o pesquisador como instrumento principal na coleta e na análise dos dados; c) ênfase no processo e não no produto; d) preocupação com o significado, com a maneira com que as pessoas veem a si mesmas, as suas experiências e o mundo; e) trabalho de campo; f) período de tempo variável de acordo com os objetivos específicos; g) descrição e indução; e g) formulação de hipóteses, conceitos, abstrações, teorias e não sua testagem.

De acordo com Cançado (1994), a pesquisa etnográfica fundamenta-se em dois princípios, sendo: a) o princípio êmico que requer que o observador deixe de lado visões pré- estabelecidas; e o princípio holístico que examina o ambiente como um todo. Entretanto, é preciso ter em mente que “uma linguagem de observação neutra seria ilusória, pois todas as formas de conhecimento são fundamentadas em práticas sociais, linguagens e significados” (BORTONI-RICARDO, 2008, p. 58-59), sendo o pesquisador um agente ativo e não apenas um relator passivo. Como ressalta esta última autora, “sua ação investigativa tem influência no objeto da investigação e é por sua vez influenciada por esse” (Ibid., p. 59).

Consoante Bortoni-Ricardo (2008, p. 38), a pesquisa etnográfica em sala de aula deve ser entendida como uma “pesquisa qualitativa, interpretativista, que faz uso de métodos desenvolvidos na tradição etnográfica, como a observação, especialmente para a geração e a análise dos dados”. Essa modalidade de pesquisa tem como meta o “desvelamento do que está dentro da ‘caixa preta’ no dia a dia dos ambientes escolares, identificando processos que, por serem rotineiros, tornam-se ‘invisíveis’ para os atores que deles participam” (BORTONI- RICARDO, 2008, p. 49).

Na visão dos autores Simon e Dippo (1986, apud PENNYCOOK, 1998, p. 41), para que o trabalho etnográfico seja crítico, ele requer

1) uma problemática que pretenda relevar práticas sociais como formas de ação e de significado produzidas e reguladas;

2) meios pelos quais ele possa ser levado para a esfera pública para promover a crítica e a transformação da sociedade;

3) ter um elemento auto-reflexivo que permita abordar o caráter situado da pesquisa estando ela localizada em determinadas formas históricas e institucionais particulares. Mais importante ainda, tal projeto etnográfico não só vai além das preocupações meramente hermenêuticas, em favor de um projeto emancipatório.

professores de inglês da rede estadual baiana de ensino em sua prática pedagógica, consiga não apenas descrever as práticas sociais dos participantes, mas, sobretudo, provocar reflexões sobre o seu próprio contexto de ensino, e, principalmente, nos responsáveis pelas políticas linguísticas de nosso estado.

Dans le document Un langage très orienté objet (Page 92-100)