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Coefficients d’induction

Dans le document Livre II (Page 107-113)

Sobre a definição de festivais de música em concreto, Sarmento (2007) apoia-se em Abreu: “Concentram-se num espaço de tempo curto, num local geralmente delimitado e têm uma intensa programação musical”.

Gibson e Connell (2005) forneceram um importante contributo para a investigação e análise dos festivais de música, tendo como objeto de estudo eventos ocorridos na Austrália. Estes investigadores distinguem os festivais realizados direcionados quase exclusivamente para a comunidade local, e de menor dimensão, daqueles com características mais comerciais, que envolvem atuações ao ar livre, com maior investimento de promotores e abertos a um público mais alargado, inclusivamente turistas. Apesar de serem bastante diferentes, em ambos os casos têm influência direta no desenvolvimento local.

Pegg e Patterson (2010) fazem uma análise sobre a necessidade dos eventos musicais buscarem constantemente elementos diferenciadores, pois no ponto de vista dos autores será essa a chave para lhes agregar valor e atrair um maior público. Sobre as motivações deste público, referem que ainda é complicado identificá-las, existindo poucos estudos sobre o efeito, a maior parte deles pautados pelas variáveis socio demográficas e pelos níveis de satisfação.

O estudo levado a cabo por Pegg e Patterson (2010) sobre o evento Country Music Award revelou que as motivações dos seus visitantes se focavam principalmente no gosto pelo género musical em si, mas sobretudo no variável leque de atividades desenvolvidas no mesmo, assim como no ambiente vivido no local (“casual, relaxada,

familiar atmosfera”). A hospitalidade por parte dos residentes locais foi outro dos fatores mencionados.

Também Gelder e Robinson (2011) estudaram a relação dos eventos, nomeadamente dos festivais, com o turismo, e também estes autores consideram esta aliança importante para canalizar uma considerável dimensão de público, tanto local como estrangeiro. E os eventos, incluindo os festivais, têm assim conhecido uma grande expansão nas últimas décadas, tanto na área de turismo de negócios como nas áreas de turismo de lazer, abrindo portas para serem o “centro da cultura” e uma importante fonte de receitas para as economias locais. Pegg e Patterson (2010) reforçam o papel dos eventos e festivais como catalisadores de momentos de recreação, que motivam o público a participar pela sua multiplicidade de atividades, tal como pelo ambiente e paisagem em que se encontram inseridos.

Abreu (2004) apresenta a sua definição de festivais de música voltada para a sua vertente cultural e de lazer, bem como para a capacidade que estes têm de projetar um determinado local e potenciar o turismo: “...são eventos com uma temporalidade inversa à que observámos para as agendas regulares, iniciando uma atividade mais intensa com a Primavera e estendendo-se até aos meses de Outono. (…) O pico da ocorrência dos festivais acontece no Verão, nos meses de Julho e Agosto, revelando a forma como estes eventos musicais, embora orientados por objetivos artísticos, têm vindo a ser associados a estratégias políticas locais, que procuram promover atividades lúdico- culturais capazes de atrair e fixar turistas e de projetar no exterior (no âmbito regional, nacional ou mesmo internacional) a imagem das cidades ou dos concelhos”.

Os festivais de música são espetáculos ao ar livre, com características e condições específicas, que podem variar entre si, devido à dimensão, temática e até mesmo tipo de público envolvido. Em alguns casos, podem inclusive abarcar na sua programação exibições de artes performativas.

Dias (2012) indica que muitos autores dividem os festivais em: “Festivais “boutique”, que permitem uma maior proximidade entre público e festival, com capacidade máxima de até 10 mil pessoas, segundo Anderton (apud Dias, 2012), ou até 35 mil pessoas, segundo Haslam (apud Dias, 2012); Festivais de dimensão média, com audiências entre 10 mil e 50 mil pessoas; Festivais de larga escala, com mais de 50 mil pessoas de audiência.”

De destacar ainda a criação de espaços com bares e restaurantes para satisfazer a generalidade do público, assim como de feiras de artesanato e de espaços de diversão

para crianças e adultos. Todos estes parâmetros variam em caso de ser um festival mais genérico ou então mais específico, devido ao seu cartaz voltada para um nicho de público especializado.

Dada a sua ocorrência em espaço aberto, normalmente é escolhida a altura do Verão para a realização, até porque será o momento em que o clima se encontra mais propício a tal e a maioria do público se encontra com mais tempo livre para atividades de férias e lazer.

Segundo o Jornal de Negócios (Ledo, 2014), a cobertura mediática dos festivais de música é cada vez maior, o que pode gerar um retorno que ronda os 18 milhões de euros. O festival com maior cobertura é, sem dúvida, o Rock in Rio Lisboa, seguindo-se o NOS Alive e o NOS Primavera Sound. O número de notícias que antecedem cada festival ronda uma média de 400 a 800, e “Quando se analisa a cobertura mediática no mês de realização do evento, esse número pode escalar para um intervalo entre 2.000 e 3.000 notícias por festival.”

2.2.1. Festivais de Música em Portugal

No que concerne aos festivais de música realizados em Portugal, e que cada vez se apresentam em maior número e com massiva participação do público, é importante referir o nome de Álvaro Covões. Dono e fundador da Everything is New, empresa do ramo musical, é um dos grandes impulsionadores dos festivais em Portugal e da importância que estes têm na promoção externa do país, principalmente do NOS Alive, criado em 2007 e considerado um dos maiores eventos musicais urbanos do país. Destaca-se este nome pois foi capaz de reconhecer a importância de captar público internacional para que um festival se expanda, tal como referiu numa entrevista à revista Visão em 2013: “…Investimos bastante em marketing, publicidade, redes sociais, trazer jornalistas estrangeiros. (…) Somos uma empresa de eventos, criamos conceitos, procuramos oportunidades... Não vamos ter um franchising da marca, isso nem pensar. Mas estamos atentos às oportunidades. Hoje, em Portugal, temos um excelente know how da organização de grandes eventos. E há mercados que não sabem fazer como nós... Por isso, é natural que surjam oportunidades. Faz todo o sentido, até pela nossa capacidade de adaptação.” (Visão, 2013)

Álvaro Covões mostra-se imperativamente um apoiante dos eventos culturais como impulsionadores de diversos setores do país, como o económico e o turístico, e para que estes se solidifiquem como dinamizadores do território, apela às autoridades

governativas por maior apoio na divulgação e promoção: "As regiões [de turismo] têm a obrigação de mostrar o melhor que temos, de uma forma organizada", afirmou aos jornalistas à margem de um encontro com empresários do sector hoteleiro, em Lisboa. Para o gestor da empresa que organiza o festival NOS Alive, falta ainda coordenação entre as diferentes identidades para que se consiga "vender" o destino Portugal de uma forma integrada. "Devíamos organizar-nos fora da política partidária", reforçou.” (Ledo, 2014)

Para que os números em termos de participantes do NOS Alive subissem, confessa que “...percebemos desde a primeira hora que para ter 50 mil pessoas por dia tínhamos que conquistar público estrangeiro porque em Portugal não há nesta altura grande poder de compra. A realidade é que muitos milhares de jovens em Portugal não têm a mínima hipótese de comprar um bilhete que custa 55 euros.” (Belanciano, 2015)

Este facto comprova na prática a importância da captação de público estrangeiro para a economia e turismo, pois a estratégia utilizada tem resultado em edições do festival completamente esgotadas nos últimos anos.

O fundador da Everything is New considera que a relação entre eventos culturais e turismo é mútua: “as pessoas começaram a valorizar a ocupação dos tempos livres, esse tipo de mercado é inevitável. Isso aliado às viagens de avião mais baratas fez com que se criasse um turismo de curta-duração que tradicionalmente funcionava em Paris, Roma ou Londres e que se tem deslocado. Vejo aí uma oportunidade. Porque é que as pessoas vêm a Lisboa? Para conhecer a cidade e pelos conteúdos associados. Porque vamos a Madrid? Por causa do Prado, do Rainha D. Sofia, da Arco ou do Real Madrid. Há sempre um conteúdo associado. E aqui também temos essa hipótese de criar

conteúdos.” (Belanciano, 2015)

Mais recentemente, já em 2016, num dos debates do Talkfest, discutiu-se a relação entre o turismo e os festivais de música, onde ficou assente a necessidade de criar fortes alianças entre os dois. Duarte Cordeiro destacou os 43 milhões de euros de receita de bilheteira conseguidos em 2014, e a importância de “…demonstrar que fazemos bem e que trabalhamos em conjunto. É preciso ser competitivo”. (Carmo, 2016)

Foi destacada ainda a organização do Boom Festival em Idanha-a-Nova, que detém em si 90% de público estrangeiro no total de espetadores, o que permite dar visibilidade ao interior do país.

Neste debate ficou a saber-se que os números quanto a bilhetes do NOS Alive vendidos no estrangeiro têm conhecido uma significativa evolução, e passaram dos 15.000 bilhetes 2015 para os 18.000 bilhetes de 2016 (números relativos a Março de 2016, sendo que o festival apenas se realizaria no mês de Julho deste ano), com incidência no público do “…Reino Unido, em Espanha e em França.”

O diretor-geral das Artes conclui o debate alertando: “… falta a criação de uma estratégia”, que evidencie o “potencial turístico” dos festivais de música. (Lusa, 2016)

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