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CODY IN STAPHYLOCOCCUS AUREUS: A REGULATORY LINK BETWEEN METABOLISM AND

PART II RESULTS

III. CODY IN STAPHYLOCOCCUS AUREUS: A REGULATORY LINK BETWEEN METABOLISM AND

Em fevereiro de 1942, o governo dos Estados Unidos solicitou licença ao Brasil para elevar o número dos seus contingentes no Nordeste. Iriam 300 homens para Belém, 300 para Natal, 150 para Recife e 150 para a Ilha de Fernando de Noronha, todos completamente desarmados (pelo menos em tese). Esses técnicos, como Jefferson Caffery (embaixador dos Estados Unidos no Brasil) chamava, desempenhariam as tarefas de administração, comunicação, manutenção, fornecimento, cantina, meteorologia etc. O governo dos Estados Unidos também pediu permissão para construir alojamentos, depósitos subterrâneos (para um milhão de galões de gasolina em Belém e Natal, 500.000 no Amapá, Fortaleza, Recife e Fernando de Noronha), estender o comprimento da pista em Fernando de Noronha e ali estacionar 50 oficiais.82

O efetivo militar dos Estados Unidos desembarcava no Arquipélago de Fernando de Noronha juntamente com o 30º Batalhão de Caçadores, no mês de junho de 1942 para iniciar as obras da pista de pouso. Instalavam a Base Aeronaval Norte-Americana numa área localizada entre a Baía do Sueste e a praia da Atalaia, na parte Sudeste da ilha.

82 MONIZ BANDEIRA, op. cit. pp 394.

Ilustração 9 - Imagem das ruínas dos depósitos subterrâneos utilizados pelo Exército norte- americano que compunha as instalações EUA na Ilha de Fernando de Noronha, durante a Segunda Guerra Mundial. Estes espaços eram reservados para um milhão de galões de gasolina.

Ilustração 10 – Croqui aerofotogramétrico da Ilha de Fernando de Noronha retirado do livro de Antônio Sá Barreto que serviu na Ilha, como Capitão, em janeiro de 1943, assumindo o comando da 2ª

Bateria do 1º grupo do 2º Regimento de Artilharia Antiaérea, no lugar do Major Campos de Aragão. Apud LEMOS FILHO, Tem. Cel. Antônio Sá Barreto. Fernando de Noronha Sem Retoques. Rio de

Ilustração 11 – Na área em destaque, localiza-se a região que era destinada aos americanos durante o período da Segunda Guerra Mundial. Na Estrada Velha do Sueste, que corta parte dessa região, ainda

é possível ver algumas edificações e ruínas desse tempo. Apud LEMOS FILHO, Ten. Cel. Antônio Sá Barreto. Fernando de Noronha Sem Retoques. Rio de Janeiro, 1957.

Não era permitido o acesso de pessoas não autorizadas àquele espaço. Era “uma outra Ilha, um outro tempo”.83 Um tempo dos americanos. O dever desses era a construção da pista de vôo que teria uma extensão de “2.300 metros retos”84 para atender às tropas do corredor Natal-Dakar, como também um meio facilitador ao patrulhamento das águas do Atlântico. Instalados nos edifícios da Italcable, inicialmente, o ambiente construído para suprir as necessidades destes estrangeiros, de longe não se assemelhava ao vivido pelos demais brasileiros, fossem civis ou militares, comandante ou soldados. A exemplo do que acontecia em Recife, em Fernando de Noronha “a preocupação das tropas não parecia ter sido um cuidado muito especial do Exército brasileiro”.85 O Major Campos do Aragão, sobre ir jantar a convite de Mr. Wrigth, responsável pelas obras no aeroporto, nos relata que

Respirava[se] um ambiente, ao meu ver, bem diferente de Fernando de Noronha.

Quando me despedi, trazia a convicção de que entre aqueles homens privilegiados, cujos dólares compravam tudo, absolutamente tudo, não se temia o fantasma oriundo da avitaminose (...) E pensei no soldado que, pela manhã,

me entristecera com dolorosa crise de inação das pernas (...) Era mais um

infeliz beribérico a registrar, entre os homens de minha bateria. 86

83 ROCHA LIMA, Janirza Cavalcante. Nas Águas do Arquipélago de Fernando de Noronha. Tese de

doutoramento em Ciências Sociais – São Paulo: PUC, 2000. pp. 157.

84 ARAGÃO op. cit. pp. 103. 85 RIOS, op. cit. PP. 261. 86 ARAGÃO, op. cit. pp. 104.

Um ambiente que versava entre a fartura de uns e a privação de outros, mas com um objetivo em comum: a segurança das águas do Atlântico. Esse tipo de contraste entre estrangeiros e brasileiros também será visto quando do período de instauração da base de teleguiados em 1956.

No entanto, estes estrangeiros não estavam presentes à toa na ilha. Correspondiam a acordos e tratados estabelecidos e firmados entre os governos de Roosevelt e de Vargas. Como a 3a Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, ocorrida em 11 de janeiro de 1942, na cidade do Rio de Janeiro. Foi neste encontro que os Estados Unidos conseguiram o rompimento dos países latino-americanos com o Eixo e em contrapartida garantiram a compra, quase que exclusiva, de materiais estratégicos para o desenvolvimento de equipamentos militares e o controle absoluto de sua distribuição no continente nos anos seguintes. O Brasil era um dos grandes fornecedores, sobretudo de borracha, de minérios de ferro, de diamantes industriais, do manganês, da bauxita e da areia monazítica (da qual se extraía o urânio e o tório) essenciais ao desenvolvimento da energia nuclear.87

No acordo militar de maio de 1944 (Acordo Aéreo Militar Brasil - Estados Unidos) a posição brasileira como “aliado fiel” na parceria com os EUA se acentuava ainda mais, quando, em conjunto, era fixado um extenso sistema de segurança militar capaz de cobrir várias regiões do globo. A contrapartida brasileira se encontrava no estabelecimento de dez bases aéreas em território nacional, consideradas como estratégicas durante dez anos, tanto em época de paz como de guerra. Encontravam-se presentes no Brasil 10 mil soldados norte-americanos durante o conflito.88 No ano seguinte, quando se assinava a Ata de Chapultepec (Conferência Interamericana do México - 1945), deliberava sobre Assistência Recíproca e Solidariedade Americana aos países latinos, inserindo o Brasil numa disputa entre “regionalistas” e “globalistas” para as questões de Segurança Internacional que correspondiam aos planos dos militares dos Estados Unidos para o pós-guerra (e aí, talvez, a uma futura luta contra a União Soviética e o comunismo internacional, na visão de Gerson Moura).89

87 Alves, MaCcann e Leslie Bethell apontam que a posição brasileira no novo ordenamento geopolítico

internacional era uma imposição da política de defesa norte-americana ao hemisfério. Os Estados Unidos, no entanto, forneciam equipamento militares decorrentes do programa Lend-Lease (empréstimo e arrendamento), como forma de salvaguardar e garantir essa sua influência nos limites do atlântico, no caso, da América Latina.

88 RIVAS. op cit. pp 320.

89 MOURA, Gerson. O Alinhamento Sem Recompensa: a política externa do governo Dutra – Rio de Janeiro:

Assinados os acordos e tratados para a defesa hemisférica e instalação do sistema defensivo para a Segunda Guerra, no dia 14 de abril de 1943, a Ilha de Fernando de Noronha recebia a visita de oficiais norte-americanos, cuja missão era inspecionar as instalações militares americanas e brasileiras que ali existiam, como um dos reflexos da missão militar norte-americana de 1941. Os Generais americanos Robert. L. Walsh (responsável pelo comando da Base Aérea de Natal que tinha como QG a cidade de Recife) e J.S. Bragdon, o Coronel A.G. Viney e os Tenentes Coronéis H.C. Gee e M. K. Moore, eram recebidos pelo comandante do TFFN, na época, o Coronel Ângelo Mendes de Morais, que em um breve discurso, enaltecia a união que sempre ligou o Brasil aos Estados Unidos e que “era então mais viva nessa empreitada de guerra onde os dois países numa

união sagrada defendiam a sua liberdade e a integridade de sua soberania”.90 Novamente, víamos a segurança como argumento maior do discurso para a defesa hemisférica, constituindo Fernando de Noronha como “o ponto mais destacado” das atividades militares, “ponto vital da defesa do continente americano”.91

A criação do Território Federal de Fernando de Noronha nascia para reforçar a soberania brasileira “de um modo mais nobre, na efervescência da guerra (...), cujo valor militar só de futuro se poderá dizer. “Após a guerra seremos o ponto obrigatório para as rotas comerciais, marítimas e aéreas”92, afirmava o Capitão Nadir de Toledo Cabral, Secretário Geral do TFFN. Parecia que o Capitão previa o futuro da Ilha de Fernando de Noronha com o novo ordenamento geopolítico do pós-guerra: “um ponto estratégico para a segurança do Atlântico, repousado num triângulo cujos vértices assentavam em mais duas ilhas: a de Abrolhos e de Trindade”93, “reforçando a defesa militar do Nordeste”94, “especialmente (...) com os projéteis teleguiados”.95 É claro que isso aconteceria anos mais tarde, redesenhando um outro ambiente bélico e reforçando a importância geoestratégica da ilha para assuntos e planos de defesa.

Os norte-americanos estacionados na Ilha de Fernando de Noronha estavam ligados às bases instaladas em Parnamirim-RN e em Recife. A “união sagrada” que ligava brasileiros e norte-americanos na defesa intercontinental era a garantia da integridade da

90 IMBIRIBA op. cit. pp. 61

91 Diário de Pernambuco, 04 de maio de 1944.

92 Diário de Pernambuco, 04 de maio de 1944 - Capitão Nadir de Toledo Cabral, que na época ocupava o

cargo de secretário geral do governo do território de Fernando de Noronha, em 1944, prevendo o futuro da Ilha nas esferas de um pós-guerra relatava a possível funcionalidade do dito espaço insular.

93 Jornal do Comércio, 23 de junho de 1956. 94 Diário de Pernambuco, 22 de janeiro de 1957. 95 Jornal do Comércio, 28 de dezembro de 1956.

soberania territorial tanto ao Brasil como aos Estados Unidos contra às ditaduras totalitárias européias, na visão norte-americana, e que eram capazes de ameaçar aos regimes democráticos (capitalista) como o defendido pelos próprios Estados Unidos. Os hábitos culturais trazidos pelos americanos alteraram de certo os costumes e o cotidiano nessas duas capitais nordestinas, mas, por outro lado, deixavam esquecida a própria ilha.