Figura 64 - Contraproposta 3
Fonte: Elaboração dos profissionais participantes da pesquisa-ação.
Na contraproposta 4, que modifica a proposta 4 (Figura 65), mais uma vez as esquinas foram rebaixadas e os pisos táteis, dispostos somente na descontinuidade das linhas guias, conformadas pelos canteiros. No interior da praça, foi colocada uma maquete do próprio local, referenciando as pessoas que o utilizam.
Figura 65 - Contraproposta 4
O diferencial da contraproposta 5 (Figura 66), além das linhas guias dos jardins e do rebaixamento das esquinas, foi a previsão de dois totens nas extremidades do Largo, com informações turísticas em Braile e áudio. Uma maquete próxima ao Coreto complementa a questão de informação para as pessoas que utilizam a praça.
Figura 66 - Contraproposta 5
Fonte: Elaboração dos profissionais participantes da pesquisa-ação.
Após as contrapropostas, foi realizada a Palestra 3/3, quando o pesquisador apresentou os conceitos do Desenho Universal. Na sequência os materiais produzidos anteriormente foram trocados entre os participantes, iniciando a Atividade 4/4. Nessa fase, foram elaborados Planos de Ação, para uma hipotética reunião com os responsáveis pela elaboração do projeto. O resultado pode ser observado na Figura 67:
Figura 67 - Planos de ação, Atividade 4/4
Fonte: Elaboração do autor a partir do material fornecido
pelos profissionais participantes da pesquisa-ação.
No Plano de Ação 1, para a Contraproposta 1, os participantes propuseram a instalação de um playground acessível, implantação de faixas separadas para pedestres andarem com celular sem obstruir a passagem dos outros. No Plano de Ação 2 foi sugerida à Contraproposta 2 o rebaixamento total das calçadas nas esquinas. O Plano de Ação 3 orienta a Contraproposta 3 ampliar as rotas acessíveis, abrangendo os equipamentos urbanos existentes e previstos. Luzes de balizamento ao longo das faixas de travessia de pedestres foram recomendadas pelo Plano de Ação 4, referente à Contraproposta 4. O Plano de Ação 5 prescreve para a Contraproposta 5, a disponibilização de wi-fi permitindo às pessoas utilizarem o celular como auxiliar para localização e deslocamento.
A ação foi concluída com um diálogo entre os participantes e o pesquisador e o preenchimento do Questionário 3.
4.5. Resultados da ação
Muitos participantes se surpreenderam com as divergências contidas nas normas, principalmente com relação às técnicas, evidenciando assim, a necessidade de priorizar na elaboração dos projetos as pessoas que motivaram o surgimento do aparato legal. Tal alteração, somada a outras, pode ser observada a seguir na comparação das respostas dos Questionários 2 e 3.
Referente ao questionamento “Para você, a Acessibilidade Espacial é importante no contexto urbano por quais motivos? ” (Figura 68), inicialmente, 55% dos participantes priorizaram o benefício da população em geral, seguido de 31%, que escolheram o respeito diante de um grupo específico, e dos 13 % restantes, que apontaram como mais importante o atendimento de questões legais. Ao final, no Questionário 3, não surgiram grandes alterações nas respostas, exceto pelo surgimento da opção “outros”, para a qual um dos participantes fez o seguinte comentário: “promover integração das pessoas com deficiência para com o mundo”.
Figura 68 - Comparação das respostas dos Questionários 2 e 3, referente à pergunta: “Para você, a Acessibilidade Espacial é importante no contexto
urbano por quais motivos? ”
Fonte: Elaboração do autor, baseado nas respostas dos profissionais
participantes da pesquisa-ação de 2018.
Com relação à pergunta: “Em sua opinião, quais as principais regulamentações nacionais para a Acessibilidade Espacial nas cidades? ” (Figura 69),
no Questionário 2, 50% dos participantes atribuíram maior importância à ABNT NBR 9050; seguidos de 13% para a Constituição Federal; 12% para o Decreto nº 5.296/2004; e 10% para a Lei nº 13.146/2015 (a LBI) e para a norma ABNT NBR 16537, que ficaram empatadas. No Questionário 3, a importância atribuída à ABNT NBR 9050 foi mantida, contudo em segundo lugar surgiu, com 16%, a IN 02/2017. Vale frisar que os participantes se surpreenderam com a IN 02/2017, não somente pela demora na sua implementação, visto que já estava fundamentado no Decreto nº 5.296 de 2004, mas também por sua importância frente à comunidade internacional, representando os esforços brasileiros no atendimento da Convenção Internacional para a Pessoa com Deficiência.
Figura 69 - Comparação das respostas dos Questionários 2 e 3, referentes à pergunta: “Em sua opinião, quais as principais regulamentações nacionais
para a Acessibilidade Espacial nas cidades? ”
Fonte: Elaboração do autor, baseado nas respostas dos
Profissionais participantes da pesquisa-ação de 2018.
Com referência à questão: “Em sua opinião, o que deve ser feito para melhorar a Acessibilidade Espacial nas cidades?” (Figura 70), 31% dos participantes escolheram a resposta “qualificar os profissionais”; seguidos de 24% para “conscientizar a população”; e 12% para cumprir a lei. No Questionário final, as respostas ficaram pouco diferentes, sendo que “a criação de novas leis” ou “maior
rigor no seu descumprimento” praticamente deixaram de ser escolhidas, dando lugar para 15% em investimentos relacionados ao ambiente físico.
Figura 70 - Comparação das respostas dos Questionários 2 e 3 referente à pergunta “Em sua opinião o que deve ser feito para melhorar a acessibilidade
espacial nas cidades? ”
Fonte: Elaboração do autor, baseado nas respostas dos
profissionais participantes da pesquisa-ação de 2018.
Quanto à duração da ação, os profissionais, assim como os estagiários, demonstraram durante a ação, que esta deveria ser mais longa, mas por motivos diferentes dos estudantes. No pré-teste, a vontade externada foi para que as atividades práticas fossem desenvolvidas por mais tempo, ao passo que na ação efetiva (conforme Figura 71), o desejo foi para que as palestras fossem maiores, para atender às deficiências dos participantes que se mostraram admirados em desconhecerem as correlações entre os textos legais e principalmente suas divergências, requerendo um aprofundamento maior nas informações teóricas.
Figura 71 - Gráfico com as respostas dos participantes quanto à duração, clareza, relevância e pertinência da pesquisa-ação realizada
Fonte: Elaboração do autor, baseado nas respostas dos
Profissionais participantes da pesquisa-ação de 2019.
Esse ponto será retomado adiante, contudo ele foi evidenciado na avaliação geral da pesquisa-ação, contida no terceiro questionário, sendo acompanhada das considerações de um dos profissionais, que sugeriu: “O assunto poderia ser enriquecido no que tange à parte técnica (normas e leis), tornando-se uma atividade de um dia”.
Embora a comparação das respostas entre os questionários 2 e 3 não tenham sinalizado grandes alterações, essa se fez presente na transição das plantas produzidas na atividade 1/4 para as alteradas na 3/4. Um exemplo significativo pode ser observando na Contraproposta 2 (Figura 63). O Uso Equiparável e o Baixo esforço físico, preditos pelo Desenho Universal, foram considerados pelos participantes ao preverem um teleférico interligando as duas extremidades do Largo do Pará (Figura 72).
Figura 72 - Detalhe da Contraproposta 2, sugerindo a construção de teleférico no Largo do Pará
Fonte: Elaboração dos profissionais participantes da pesquisa-ação, de 2019.
Embora tenha sido uma solução que demandaria maiores estudos e detalhamentos, aproximando-se do lúdico, o teleférico proporcionaria a todas as pessoas a sensação de estarem mais próximas às copas das árvores, respondendo a inovação solicitada no exercício. Essa consideração com o indivíduo, para além dos requisitos técnico-legais, se estendem as demais contrapropostas e são organizadas no texto a seguir.