5•Description de l’environnement CODEF
5.3. CODEF étape par étape.
A dança expressa o fascínio exercido pelo mar, pelas estrelas, pelo vento; está
presente nos mitos de criação do universo e manifestando a ligação de mulheres e
homens com o cosmos. A dança precede o desabrochar de um mundo sensível que está
e é corpo. Nessa relação a dança revela a celebração da totalidade, da possibilidade de
ser-com-o-outro-ao-mundo. A dança também exprime, na história da humanidade, uma
íntima ligação com o conceito de comunidade. Para Garaudy (1980), a dança é a
realização da comunidade viva entre as pessoas que, desde a origem da humanidade,
promove a afirmação destas como membros de uma sociedade.
Desde os tempos mais remotos, para cada organização ou acontecimento
coletivo, as diversas atividades das comunidades se realizam de maneira rítmica. O
ritmo das práticas coletivas está presente no cumprimento de tarefas quotidianas como a
colheita e o descascar dos grãos colhidos; nas atividades bélicas dos guerreiros que se
preparam para o combate; nos diversos ritos de cura e harmonização dos seres vivos; no
recolhimento das redes de pescaria que saem carregadas do mar; nos pés que amassam o
barro para a construção de casas ou, por exemplo, nos braços que trabalham em
conjunto para a colocação de telhados e lajes de concreto em diferentes partes do
mundo.
Assim como na relação da dança com o universo, a relevância e a presença da
dança como fator de identidade de um povo na história da humanidade é destacada por
Garaudy (1980, p. 20) quando conta que, na China do século VI, Confúcio costumava
dizer: ―Mostra-me como dança um povo e eu lhes direi se sua civilização está doente ou
tem boa saúde‖. Garaudy (1980) narra também que o escocês David Livingstone,
considerado no Ocidente um dos maiores exploradores da África no século XIX, relatou
que os povos Bantos tinham o costume de, ao encontrar um estrangeiro, perguntar ―O
que danças?‖ e não ―Quem és?‖, representando a grande identificação desse povo
africano com a dança, da identificação dos ritmos com a comunidade, e de uma pessoa
com seu grupo.
Os ritmos dos gestos, os ritmos do corpo e da natureza interconectados nos
permitem observar a força e a realização da comunidade na dança que pode exprimir a
sua coesão e seu poder de realização e ainda marcar o sentimento de pertencer a um
grupo e as ligações existentes entre a comunidade e a ancestralidade. Essa relação com
identidade e comunidade presente nas danças é possivelmente a característica que mais
bem representa as danças abordadas nesta investigação, que se localizam no contexto
das culturas populares.
Se, no âmbito acadêmico, cultura popular é ainda um conceito controverso e
difícil de explicar, seja nos estudos de enfoques antropológicos, históricos ou na
investigação na área da Educação; para as pessoas que vivem as culturas populares e
dentro delas ilustram, escrevem, dançam, tecem, tocam, cantam, por fruição e/ou
trabalho, a dificuldade de conceituação não costuma ser um grande problema. Se na
Academia há uma necessidade de explicar o conceito e os embates se travem sobre
aspectos teóricos e políticos; entre as pessoas que vivem e fazem parte das culturas
populares a luta, quando ocorre, é pela obtenção de respeito às suas manifestações, pelo
reconhecimento e valorização de seus conhecimentos e saberes.
Em concordância com Freire (1979), a cultura é entendida neste trabalho em um
sentido antropológico, como toda criação humana, tudo aquilo que é criado por
mulheres e homens diante de sua capacidade de captar e transformar o mundo. Também
em uma perspectiva freireana, o conceito de cultura é adotado a partir de uma
significação ampla que abrange ―[...] desde o modo como alguém caminha, até o
conhecimento do mundo, as expressões desse conhecimento, e as expressões desse
mundo por meio da música e da dança [...]‖ (FREIRE; MACEDO, 1990, p. 130). No
entanto, a cultura é caracterizada como um local de diferenças e lutas sociais, onde os
processos culturais ocorrem nas relações sociais e, portanto ligados aos recortes de
gênero, de classe, étnico-raciais e etários que podemos fazer na compreensão das
sociedades. ―A cultura não é um sistema autônomo, mas sim um sistema caracterizado
por estratificações e tensões sociais‖ (FREIRE; MACEDO, 1990, p.33).
Ao escrever sobre as culturas brasileiras, Bosi (1992, p.319) também apresenta o
conceito antropológico como ―conjunto de modos de ser, viver, pensar e falar de uma
dada formação social‖ para indicar que não se restringe a cultura letrada ou a produção
de conhecimento proveniente das instituições de ensino. Para Bosi (1992), a utilização
do termo cultura brasileira no singular pode representar uma homogeneidade de
manifestações que não corresponde à realidade plural das sociedades contemporâneas,
nem tampouco das sociedades de classes, como a brasileira. Nesse sentido, o autor
aponta para o uso do termo culturas brasileiras como mais adequado no reconhecimento
da pluralidade que constitui essa sociedade
6. Cabe ressaltar que, embora a análise
realizada por Bosi (1992) seja acerca da sociedade brasileira, compreendemos que a
mesma pode ser ampliada ao contexto plural que também se evidencia na sociedade
moçambicana.
6
Em concordância com Bosi (1992), será empregado neste trabalho o termo culturas brasileiras, no plural, preservando-se as ocorrências no singular quando citado por outras autoras e autores.
Sob o ponto de vista da existência de classes sociais, Bosi (1992, p.309) se refere
à possibilidade de identificação de duas faixas bem marcadas dentro do contexto das
culturas:
[...] uma cultura erudita brasileira, centralizada no sistema educacional (e principalmente nas universidades), e uma cultura popular, basicamente iletrada, que corresponde aos mores materiais e simbólicos do homem rústico, sertanejo ou interiorano, e do homem pobre suburbano ainda não de todo assimilado pelas estruturas simbólicas da cidade moderna.
Nessa proposição, as definições de cultura erudita e popular são,
respectivamente, situadas nos lados de dentro e de fora das instituições, compreendendo
como exemplo de instituições as universidades e os meios de comunicação de massa.
No entanto, Bosi (1992) ressalta que essa localização se refere principalmente às
organizações próprias das classes dominantes, ou seja, que representam o interesse de
manutenção de seu poder. Embora possamos observar a constante mudança das
sociedades e das relações interculturais nestas, sobretudo com o advento da
globalização
7, essa polarização proposta por Bosi (1992) nos auxilia na reflexão sobre o
distanciamento entre as culturas populares e eruditas. Os saberes e conhecimentos que
tais faixas abrangem não são considerados como opostos ou antagônicos, mas essa
classificação nos indica a ainda presente hierarquização das culturas na sociedade
brasileira. Nesse quadro, a cultura dominante ainda é a cultura das elites, vigorando
inclusive nos sistemas escolares.
Assim como Bosi (1992), consideramos que as culturas populares emergem do
cotidiano simbólico, físico e imaginário de mulheres e homens, tal como ocorre na
expressão das danças abordadas nesta pesquisa. Isso porque os elementos que compõem
as danças são as representações e fazem parte do modo de viver das pessoas que as
praticam, desde as vestimentas que utilizam até o modo de falar e agir no mundo. As
culturas populares apresentam ainda uma indivisibilidade entre as esferas material e
simbólica, como exemplifica Bosi (1992, p. 324) na seguinte descrição:
Cultura popular implica modos de viver: o alimento, o vestuário, a relação homem-mulher, a habitação, os hábitos de limpeza, as práticas de cura, as relações de parentesco, a divisão das tarefas durante a jornada e, simultaneamente, as crenças, os cantos, as danças, os jogos, a caça, a pesca, o fumo, a bebida, os provérbios, os modos de
7 O termo globalização é adotado com ênfase em suas dimensões culturais e políticas, como fenômeno de
inovações tecnológicas e comunicacionais que articulam os mercados em escala mundial, observado a partir da segunda metade do século XX (CANCLINI, 2003).
cumprimentar, as palavras tabus, os eufemismos, o modo de olhar, o modo de sentar, o modo de andar, o modo de visitar e ser visitado, as romarias, as promessas, as festas de padroeiro, o modo de criar galinha e porco, os modos de plantar feijão, milho e mandioca, o conhecimento do tempo, o modo de rir e de chorar, de agredir e de consolar... [...].
A compreensão que Bosi (1992) faz das culturas populares atrelada à existência
de uma sociedade classista é fundamental para a posição que assumimos neste trabalho,
no qual consideramos as culturas populares como as culturas que emergem do povo, que
têm o povo como agente gerador e protagonista, ou nas palavras de Fiori (1986, p.10)
―[...] a cultura popular é a cultura do povo [...]‖, de mulheres e homens que trabalham e
humanizam o mundo reproduzindo a si mesmos, em comunhão. O conceito de povo,
longe de uma análise sociológica aprofundada, é tomado como categoria interpretativa,
representando parte de uma sociedade, ou um grupo de pessoas que nessa sociedade está
situada em oposição às classes dominantes, sendo mais vulneráveis às opressões dos
sistemas sociais e marginalizadas em relação aos poderes econômicos e políticos.
Dessa maneira, o entendimento do conceito de povo está relacionado tanto à
constituição desse grupo social no Brasil quanto ao conceito de classes sociais
(FERNANDES, 1972; IANNI, 1972; DUSSEL, s/d). Assim como sugerimos que quem
é parte das culturas populares não tem nenhuma dificuldade de identificar o que são
culturas populares, relembramos uma citação de Freire (1997, p. 491) ao referir-se à fala
de uma jovem operária em um texto que leu na década de 1980: ―Quem é povo? É quem
não pergunta quem é povo‖.
Há também um posicionamento teórico e político na opção, ao referir-se às
danças, por utilizar o termo culturas populares em detrimento dos termos tradicionais ou
folclóricas. Essa opção tem o objetivo de colocar em evidência, ou no centro da
discussão, as pessoas que fazem parte das culturas populares ou que compartilham e
valorizam seus valores e práticas sociais. Colocar as pessoas que compõem o universo
das culturas populares no centro da discussão é, por consequência, estabelecer o diálogo
com as relações sociais e as maneiras de ver o mundo próprias das culturas populares
para com estas apreender relações pautadas na diversidade, valorizando os saberes e
conhecimentos dessas pessoas. A postura política expressa nessa opção está
fundamentada na assunção da possibilidade e necessidade de transformação, superação
ou transcendência de ações e discursos discriminatórios ou opressivos direcionados às
classes populares. Compreendemos que assumir a existência da polarização das culturas
na sociedade brasileira levando em conta as diferenças de classes, culturas populares e
erudita, é uma exigência para o compromisso com a superação de desigualdades sociais.
Para Weffort (1967, p.12), ―Toda separação entre os que sabem e os que não sabem, do
mesmo modo que a separação entre as elites e o povo, é apenas fruto das circunstâncias
históricas que podem e devem ser transformadas‖.
Situando o entendimento da cultura no contexto latino-americano e em relação
aos conceitos de dominação e dependência, de colonizador e colonizado, Dussel (s/d, p.
255) sugere o recontar da história partindo de uma visão não eurocêntrica, que considere
e valorize o mundo existente antes da colonização: ―[...] cada um dos conquistadores se
defrontou com o índio. Este índio já tinha um mundo‖. Para esse autor, a dominação
cultural está presente desde o primeiro olhar do colonizador que, nesse olhar, explicita a
classificação e a atribuição de valores para o Outro, que é o índio, o africano, o asiático,
o que não é europeu. Exalta o pensamento filosófico de ser ele próprio, o europeu, a
referência para olhar o mundo. Dessa forma, a cultura europeia passa a ser também
aceita (ou imposta) como referência para as outras culturas. Torna-se ou pretende-se
uma cultura universal, não apenas negando, mas inferiorizando todas as outras culturas.
É o que chama de ―mecanismo pedagógico da dominação cultural‖ (DUSSEL, s/d,
p.263).
Esse mecanismo atua externamente, ou seja, na relação entre colonizador e
colonizado, localizando a cultura do colonizador no centro, configurando-a como
cultura imperial, aquela que impõe as referências. De outro lado, a cultura dos
colonizados se localiza na periferia do sistema-mundo, chamada de cultura colonial.
Nas relações de dependência interna dos povos colonizados, Dussel (s/d) aponta para
um desdobramento da cultura colonial em cultura ilustrada e cultura popular. A
ilustrada é a que segue os padrões estabelecidos pelo opressor, pela dominação cultural
e também se beneficia dela, para a manutenção do status quo, criando as relações de
dependência interna.
As culturas populares, como parte da cultura colonial, são a cultura do povo,
―[...] fruto da vida, do compromisso e da história do povo [...]‖ (DUSSEL, 1982, p.276),
a partir da qual se deve estruturar a libertação cultural. Tal perspectiva atribui
importância às culturas populares, no que se refere a sua potencialidade transformadora
e conscientizadora.
No Brasil, podemos frequentemente observar essa atribuição de maiores valores
a uma cultura externa simultaneamente ao comportamento de desvalorização e até
ridicularização de uma cultura própria. No ambiente escolar, por exemplo, não é rara a
prática de atividades artísticas e/ou da cultura corporal de origem europeia ou
estadunidense em detrimento de práticas de origem nacional, ou o próprio
desconhecimento destas últimas.
As danças brasileiras que constituem o tema deste estudo e outras manifestações
das culturas populares, como o Samba de Roda, o Jongo do Sudeste, o Tambor de
Crioula e as Rodas de Capoeira, podem ser tomadas como exemplo dessa situação.
Embora sejam consideradas como patrimônio histórico imaterial do país e estejam no
foco de políticas públicas de preservação da cultura nos últimos anos (IPHAN, 2012),
essas danças e manifestações das culturas populares são ainda desconhecidas de grande
parte da população e raramente integram os currículos escolares, em todos os níveis de
ensino.
A produção de conhecimento sobre as danças das culturas populares apresenta
poucos referenciais sobre as manifestações ligadas às festas realizadas nas ruas e nos
quintais do Brasil, mantidas geralmente pela tradição oral, embora seja enorme a
variedade de manifestações existentes no país. Para Nóbrega (2007), músico, brincante
e estudioso das culturas populares brasileiras,
A minha perplexidade, portanto, decorre do fato de constatar que nada disso parece ser levado a sério. É como se não existisse, parece que não conta. Na melhor das hipóteses, ―essas coisas‖ são vistas como uns produtos embalsamados para serem colocados dentro da prateleira do chamado folclore — palavrinha, diga-se, a prestar um péssimo serviço à compreensão do papel e significado da cultura popular (NÓBREGA, 2007, p. 12).
O desconhecimento e a desvalorização das culturas populares são a negação de
sua própria história e tradições (DUSSEL, 1982) e ainda cultivam a alienação daqueles
que constituem uma elite minoritária, que tem acesso às instituições educacionais
(cultura ilustrada), onde provavelmente irão se reproduzir os mesmos mecanismos de
alienação e dominação em relação ao povo.
Na contradição entre dominante e dominado, há um conflito cultural e de classe. Esse conflito é de tal ordem que o dominante minará as forças do dominado, negando-lhe a essência de sua própria cultura como algo que existe em sua experiência e por meio da qual ele também existe. [...] O dominante precisa inculcar no dominado uma atitude negativa em relação a sua própria cultura. Aquele estimula este
último a rejeitar sua própria cultura, instilando nele uma falsa compreensão de sua cultura como algo feio e inferior. Além disso, o dominante impõe ao dominado seu modo de ser, de falar, de dançar, seus gostos e até mesmo seu modo de comer (FREIRE; MACEDO, 1990, p. 129-130).
Daí, a necessidade de nos preocuparmos com as referências estabelecidas por
uma cultura externa, seja na dança, na música, na literatura, no cinema ou na mídia
televisionada em geral, que tendem a introjetar no oprimido, colonizado, ou no latino-
americano, as suas imagens e valores como exemplos supostamente naturais e corretos
de vida. Esses valores e as atitudes estampadas nas histórias ―importadas‖ – europeias e
estadunidenses – estão comumente permeados por uma lógica capitalista, de exploração,
de defesa da propriedade privada e de inferiorização do oprimido, na tentativa perversa
de legitimar essas práticas. Vale destacar que o ―encontro intercultural‖ proporcionado
pelas colonizações ―[...] Não foi um encontro, como se duas sociedades se reunissem no
meio do Atlântico para uma amável feira de intercâmbios, e sim uma história de
combates e imposições.‖ (CANCLINI, 2003, p.81). Para Canclini (2003), a crítica
desconstrutiva da violência com a qual se realizou o projeto de colonização será
necessária enquanto as imagens que ocultam o verdadeiro significado da irrupção
europeia nas Américas persistir nos livros didáticos, nos discursos de políticas
internacionais e nos eufemismos, tais como descobrimento ou tarefa civilizadora para
denominar tal violência.
Embora em concordância com essa posição e acrescentando que não apenas nas
Américas, mas também no continente Africano esse desvelamento de significado urge
(representando uma necessária denúncia), considero importante refletir sobre a demanda
de superação da história da invasão europeia para a proposição de ações progressistas
(representando os anúncios do que pode ser feito) protagonizadas pelas sociedades
colonizadas. A esse respeito, referindo-se à africanidade
8como ―[...] uma atitude de
solidariedades para com os que nas épocas passadas da História foram submetidos à
condição de escravos e oprimidos e, como que numa certa continuidade, hoje são
submetidos à condição de existência neocolonial no continente africano‖ (CASTIANO;
NGOENHA, 2013, p.282), Castiano e Ngoenha afirmam que:
No entanto, a africanidade não pode basear-se somente na lamentação pelo facto de terem sido oprimidos no passado e de viverem na
8 Castiano e Ngoenha (2013, p. 282) definem ―[...] africanidade como uma forma própria de existência, de
pensamento e de agir dos africanos na sua condição periférica e neocolonial‖, considerando, portanto, as condições de globalidade, situando a história africana no mundo moderno.
periferia do presente. É necessário que ao longo do discurso de desconstrução do colonialismo e do neocolonialismo cresça um discurso de construção do que queremos ser. A nossa condição de existência não pode continuar a ter como epicentro as diversas formas de neocolonização. O nosso pensar sobre nós próprios não pode ter como referência só o Ocidente. Desta forma, embora refinando constantemente a nossa arte de criticar o Ocidente, não sairemos da condição periférica.(CASTIANO; NGOENHA, 2013, p.282).
A reflexão desses filósofos africanos pode contribuir para pensarmos ações nos
diversos setores sociais na América Latina, sobretudo no âmbito da Educação, que nos
encaminhem para a valorização de nossas referências. Mais além, que nos permitam
reconhecer estratégias e propostas educacionais próprias do contexto latino-americano
em níveis locais e globais. Em uma perspectiva de valorização das culturas populares
como fonte de vida e cultura do povo, e de estruturação de uma libertação cultural,
Dussel (1982, p. 277) afirma que a cultura popular, ―[...] longe de ser uma cultura
menor, é o centro mais incontaminado e irradiativo da resistência do oprimido contra o
opressor‖. Assim, o estudo das danças brasileiras e moçambicanas apresenta a
possibilidade de situar a discussão sobre a Educação nos contextos da América Latina e
África, já que esta perspectiva pode contribuir, sobretudo, para a afirmação das
identidades e a valorização da diversidade humana e das culturas populares.
Produzir conhecimentos na perspectiva da América Latina exige nos libertarmos de referências dogmáticas, construídas a partir de experiências alheias a nossos valores e culturas. A sobrevivência de nossas culturas, modos de ser e viver evidenciam nossa humanidade, contrariamente ao que apregoaram e apregoam os colonizadores que nos ―inventaram‖ sem alma, inteligência, valores (OLIVEIRA e col., 2014, p.32).