CHAPITRE 2 CALCUL NEUTRONIQUE
2.7 Les codes de calcul neutronique
2.7.2 Le code TRIPOLI
O conceito de demanda social pode ser visualizado sob diversos prismas. Na visão sociológica, ela é tida como a carência ou desproporção existente, em um período de tempo, entre o estado das relações sociais e o estado da produção. Constitui-se no processo em que as relações sociais são transformadas, de forma interrupta ao longo do tempo. Destaca-se, também, que a procura que provêm das relações sociais é determinante na forma de produção quanto no consumo do bem (LOURAU In: CAMPERO, 1999).
A concepção do termo necessidade, do ponto de vista econômico, é entendido como “exigência individual ou social que deve ser satisfeita por meio do consumo de bens e serviços” (SANDRONI, 1994, p.419). Destaca-se que algumas dessas necessidades são de origem natural e biológica, enquanto outras são determinadas pela sociedade. Para sua sobrevivência, tanto biológica, quanto social, o homem precisa de coisas diversas, que em economia são denominadas por bens. Estas derivam da produção social da coletividade, que se dá por meio da utilização do trabalho e da intervenção junto à natureza.
A satisfação das necessidades sociais encontra-se diretamente relacionada à existência destes bens, que pode se apresentar de forma abundante ou escassa para todos ou para alguns. O que vai determinar o grau de satisfação destas necessidades é o nível de desenvolvimento em que determinada sociedade se encontra, e o modo como é realizada a distribuição da riqueza social.
No entanto, faz-se necessário esclarecer que a escassez de bens surge em virtude das necessidades humanas ilimitadas e da restrição física de recursos. A hipótese de que as necessidades são infinitas encontra-se relacionada a uma escala hierárquica de satisfação, seja no sentido individual quanto no coletivo. A análise do comportamento individual realizada, por Maslow, estabelece uma hierarquia de necessidades que vão desde as necessidades fisiológicas até a necessidade de auto-realização, passando pelas necessidades de proteção e segurança, as sociais e a de estima. É importante por em evidência que este
fenômeno assume formas e expressões distintas, isto se justifica pela ocupação e pela camada social ao qual o indivíduo pertence.
Apropriando-se da escala de necessidades individuais de Maslow, e utilizando-se da visão economicista, é possível ampliar esta relação de dimensões para a sociedade, por meio do somatório destas necessidades, ou melhor, das demandas individuais36. Rossetti (2002) faz esta transição, sua escala também se inicia pelo padrão fisiológico, que seria suprido por produtos primários, evoluindo para a exigência de bens e serviços públicos essenciais, como saúde e saneamento básico, educação e segurança.
Somente, em um estágio mais avançado é que seria obtido o suprimento das necessidades individuais pela diversificação de bens industrializados e serviços, para mais adiante a necessidade de bem-estar social ser provida pela convivência em um ambiente em que todos desfrutassem de altos padrões de desenvolvimento. Para finalmente, alcançar o topo desta escala – o reconhecimento em escala global, isto é, a auto-estima nacional (ROSSETTI, 2002, p.209).
Na figura a seguir, é visualizada a escala de necessidades individuais segundo a perspectiva de Maslow e a ampliação desta, para a sociedade por Rossetti:
Figura 02 – A hierarquia das necessidades
Necessidades fisiológicas Necessidades de proteção e segurança
Necessidades sociais Necessidades de status Necessidades de auto-realização
Necessidades fisiológicas
Necessidade de reconhecimento em escala global
Necessidades por bens e serviços públicos essenciais Necessidades ampliadas de bem-estar individual
Necessidade de bem-estar social
b) Escala de necessidades para a sociedade a) Escala de Maslow: necessidades individuais
Fonte: Rossetti, p.208 com adaptações da autora.
36
Demanda individual – quantidade de determinado bem ou serviço que um consumidor deseja adquirir, em um dado período, conforme suas preferências, renda e preços (VARIAN, 2000, p.280)
Ainda sob a perspectiva econômica, as necessidades sociais podem ser explicadas em função da falha dos mecanismos de mercado37, “situação na qual um mercado competitivo não regulamentado é ineficiente porque os preços não fornecem sinais adequados aos consumidores e produtores” (PINDYCK et RUBINFELD, 2002, p.292).
De acordo com Musgrave (1973), as necessidades sociais são aquelas que devem ser satisfeitas através de serviços que precisam ser consumidos por todos em quantidades iguais. Sendo assim, as pessoas que não desejarem pagar por estes serviços não poderão ser excluídas dos benefícios que deles resultam. Daí a razão pela qual o mercado não pode satisfazer estas necessidades, já que os consumidores não irão revelar suas preferências à medida que poderão, como “caronas”, usufruir dos mesmos benefícios.
Assim, há uma grande diferença entre as necessidades privadas e as necessidades sociais. A primeira é adequadamente atendida pelo mercado, pois o consumidor, ao atribuir a sua oferta para a obtenção de um determinado bem ou serviço, estabelece um valor que reflete a sua real disposição em pagar. Enquanto que, no caso das necessidades sociais, a contribuição voluntária do consumidor não é esperada, fazendo-se necessária a intervenção governamental por meio de seu provimento – pelo financiamento através da cobrança compulsória de impostos.
A determinação das verdadeiras preferências da população quanto às necessidades sociais é uma tarefa difícil, pois há a necessidade de se padronizar as preferências dos consumidores, por meio da categorização da satisfação das necessidades totais – privadas e sociais. O que não é possível realizar por meio do mecanismo de mercado, deve ser substituído por um processo político, no qual os indivíduos são obrigados a aderir à decisão do grupo.
37
Mecanismo de mercado é a “tendência, em mercados livres, de que o preço se modifique até que o
mercado se torne balanceado – ou seja, até que a quantidade ofertada e a quantidade demandada sejam iguais. Nesse ponto, não há escassez nem excesso de oferta, de tal forma que não existe pressão para que o preço continue se modificando” (PINDYCK et RUBINFELD, 2002, p.23).