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Code Optimization

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EAX, ECX, EDX

4.1 Code Optimization

Mesmo dentro de organizações formais com objectivos definidos existe espaço para a auto-organização das pessoas em grupos orientados para a execução. Hinds et al. (00) estudaram os critérios empregues por estudantes universitários na selecção dos seus parceiros de projecto. Os grupos envolviam tipicamente 5 ou 6 elementos. Foram registados para cada indivíduo os seus dados sócio-demográficos, desempenho escolar e a sua participação em trabalhos anteriores – qual o sucesso do projecto, a sua especialização dentro do projecto, com quem trabalhou e com que intensidade. Pediu-se então aos participantes que indicassem os parceiros de trabalho preferenciais. A análise estatística das respostas revelou a predilecção por indivíduos:

1. culturalmente semelhantes;

2. com competência demonstrada em áreas-chave do projecto; 3. com quem já tenham trabalhado no passado.

Em contraste, não se verificou a preferência por indivíduos com reputação de serem globalmente competentes, ou competentes nas áreas complementares à especialização de quem preenchia o questionário.

Note-se que a preferência por colegas de projectos anteriores é mais acentuada quando esses projectos foram bem sucedidos, mas verifica-se mesmo em caso de insucesso. É mais importante ter havido colaboração directa frequente. Tal indicia que a razão da preferência por parceiros conhecidos seja a redução da incerteza no cálculo dos custos de integração e coordenação do novo elemento no grupo.

2.3.2 Homofilia

2.3.2.1 Conceito de Homofilia

Lazarsfeld e Merton (54) introduziram o conceito de homofilia para designar a tendência para pessoas semelhantes terem maior predisposição para estabelecer relações entre si. A semelhança pode ser relativa às características sócio-demográficas – tais como idade ou sexo -, ou culturais dos indivíduos - como religião, educação ou profissão -, chamando-se então homofilia de estatuto; ou pode ser relativa à maneira de pensar dos indivíduos - homofilia de valores (McPherson et al., 01). Assim, por exemplo, Aral et al. (09) sugerem que na adopção do uso de aplicativos móveis a cópia de comportamentos de indivíduos similares seja dominante sobre a influência directa dos amigos.

É questionável a separação entre a posição dos indivíduos na estrutura social e as opções de comunicação que os indivíduos fazem. Kossinets e Watts (09) observaram que a tendência para os indivíduos ligarem-se a outros semelhantes é limitada pela dificuldade de contacto com tais indivíduos. Ao mesmo tempo, os mesmo autores também sugerem que os agentes humanos, por serem dotados de intenções e de capacidade de previsão, procuram juntar-se a uma dada organização para poderem ter mais fácil acesso às pessoas que querem conhecer.

Relembremos que o objectivo deste trabalho não é a compreensão do comportamento humano, mas apenas o reconhecimento e apropriação dos mecanismos pelos quais a informação é processada nas redes sociais humanas. As redes sociais não são aqui representadas como sistemas multi-agente, mas como grafos, em que os nós são depósitos de informação sobre o problema e as arestas são canais de comunicação.

Neste contexto, por homofilia entendemos o facto observado da receptividade de um indivíduo (recipiente) a uma qualquer informação vinda de outro (fonte) aumentar com a similaridade entre as informações contidas nos dois. Ora, a probabilidade duma informação vinda da possível fonte ser tanto mais relevante para o recipiente aumenta tanto quanto mais semelhantes forem as informações associadas a ambas. Todavia, no limite, quando a informação da fonte for igual à do recipiente, a utilidade da informação propriamente da fonte será nula. Portanto, a utilidade da relevância de uma informação não é uma função monotónica da sua semelhança mútua.

Todavia existe uma outra forma pela qual a informação está presente do sistema. Trata- se da informação contida da organização do grupo – em particular, o facto do recipiente estar susceptível a aceitar uma informação proveniente daquela fonte particular. Susceptibilidade essa que derivará das interacções anteriores do recipiente e da fonte. Assim, também dentro do nosso âmbito limitado reconhecemos dificuldade em dissociar a estrutura de comunicação daquilo que é comunicado.

2.3.2.2 Aplicações do conceito de homofilia

Foram criados vários modelos de formação de grupos com base no conceito de homofilia. Dois modelos merecem destaque: o modelo sócio-cognitivo de Carley (90, 91) e o modelo de disseminação cultural de Axelrod(97, 97a).

O modelo sócio-cognitivo de Carley tenta explicar a estabilidade dos grupos de pessoas. Para Carley, os indivíduos possuem corpos de conhecimento correspondentes à cada uma das dimensões que definem o seu posicionamento social – sobre como executar as suas tarefas, por exemplo -, e são estes conhecimentos, não o seu posicionamento, que decidem o seu comportamento, designadamente a escolha de com quem comunicar.

Segundo Carley (91):

1. A aquisição e transferência de informação são actividades permanentes dos seres humanos.

2. A informação que um indivíduo possui influi na sua escolha de parceiros de comunicação.

3. O comportamento de um indivíduo depende do seu conhecimento presente. 4. Os grupos formam-se e persistem devido às diferenças do conhecimento dos

seus membros.

5. Os grupos são entidades dinâmicas na medida em que há a aquisição e transferência de informação nova.

6. Grupos estáveis são aqueles em que toda a informação é do conhecimento comum.

Ou seja, a actividade básica dos grupos humanos auto-organizados é a procura de informação e a sua estrutura de comunicação é um subproduto. Neste ponto, vêm a propósito referir, por analogia, a teoria constructal 2 da ciência dos materiais (Bejan e Lorente,

10; Bejan, 10). Esta teoria enuncia que os sistemas dinâmicos abertos tendem a modificar- se estruturalmente de modo a facilitar os fluxos que os atravessam.

O modelo de disseminação cultural de Axelrod (97, 97a) foi criado para estudar a emergência de culturas diferentes. Nesta representação uma população de indivíduos é representada como uma grelha rectangular bidimensional. Cada indivíduo possui um vector de dígitos correspondente a uma sequência de traços culturais e tem a capacidade de comunicar com a sua vizinhança de Neumann. É um autómato celular bidimensional. A comunicação entre é feita entre dois indivíduos vizinhos, mas não é certa; ocorre com probabilidade igual à fracção de traços comuns.

Daqui resulta a possibilidade da população vir a organizar-se em grupos fechados, que não comunicam entre si por não terem traços em comum e logo são estáveis. Com efeito, as simulações executadas a partir dum estado inicial aleatório revelaram a formação de tais grupos com poucos elementos e isolados dentro de grupos maiores, desde que as extensões do mosaico e do vector de traços sejam suficientemente grandes.

O modelo de disseminação cultural foi importante porque conseguiu induzir a formação de grupos estáveis de indivíduos com traços semelhantes a partir de regras locais. Todavia, estas zonas culturais fechadas tem uma presença residual e não seriam estáveis caso fosse permitida uma perturbação aleatória dos traços culturais. Esta fragilidade será uma consequência da linearidade da função permissão de troca de informação.

Bonacich (03) repetiu as simulações usando desta vez autómatos celulares com quatro dimensões. Observou igualmente a formação de grupos, se bem que mais reduzidos em número e tamanho. Posteriormente, Flache et al. (06) introduziram várias modificações no modelo de Axelrod:

1. Alteração aleatória dos traços culturais.

2. Traços de carácter que são variáveis contínuas3.

2 Este é o termo original, em inglês.

3. Limiar de confiança – valor de similaridade abaixo do qual não há comunicação. 4. Probabilidade de comunicação independente da semelhança entre indivíduos. Flache et al. (06) verificaram que a introdução de um limiar de confiança favorece a manutenção da sua diversidade, enquanto as restantes modificações, em particular a última, favorecem a homogeneização da população.

No decurso deste trabalho foram reproduzidas as experiências de Axelrod, tendo-se obtido os mesmos resultados triviais. A organização em grupos produzida pelo autómato celular bidimensional construída por Axelrod é apenas um transiente, com o número de grupos a decair progressivamente ao longo do tempo. Tal é uma consequência do desenho do sistema, que à importação de informação opõe-se uma restrição probabilística. Por outras palavras, esta barreira é estática e porosa. Não existem mecanismos de compartimentalização activa.

Concluímos que o ponto mais fraco dos modelos de diferenciação cultural de Axelrod (97, 97a) e seus derivados, bem como o de Carley (90, 91), é a rigidez do critério de demarcação dos grupos. A razão profunda desta falha será a atribuição de conteúdo (informação) cultural exclusivamente aos indivíduos e nenhum às ligações, isto é, à estrutura.

Mark (98) faz uma identificação topológica dos grupos como cliques no sentido restrito do termo - subconjuntos completamente conexo dos vértices de um grafo ou rede. Uma demarcação topológica parece ser menos artificial. Todavia, a definição dos grupos como cliques é extrema. A definição de comunidade de Girvan e Newman (02) faz uma auto- referência; corresponde a um processo dinâmico de aprendizagem não super-visionada, auto-organizado e recursivo.

2.3.2.3 Conceitos associados à Homofilia

A explicação de certos comportamentos de grupos com base no princípio da homofilia pode ser incorrecta. Existem outros mecanismos de difícil distinção, como a heterofobia e a frequência de contacto.

1. Heterofobia: À maior semelhança entre dois elementos quando comparados com um terceiro, corresponde a uma exclusão relativa deste em relação aos dois primeiros, exclusão essa que poderá aumentar. Todavia, podemos entender a dinâmica do sistema segundo um ponto de vista complementar: abaixo de certo valor de semelhança, o primeiro indivíduo pode alterar a sua informação interna no sentido de aprofundar as diferenças para com o segundo - heterofobia. Este conceito foi considerado por Kitts (06) na polarização de redes de influência. Igualmente Flache et al. (06) consideraram importante a sua introdução em modelos de diferenciação cultural.

2. Frequência de contacto (familiaridade): Se a troca de informação aumenta a semelhança da informação interna dos participantes, então o subconjunto dos parceiros frequentes e o subconjunto dos indivíduos semelhantes tendem para a equivalência.

2.3.3 Princípios gerais da influência interpessoal segundo Cialdini

Cialdini (01) desenvolveu um estudo experimental e de observação participativa sobre a prática profissional da influência. No seu seguimento, propôs que a maior parte das acções tomadas com vista a controlar as decisões de outrem têm por base o uso, consciente ou não, de seis princípios psicológicos fundamentais na orientação do comportamento humano. Os princípios são:

1. Reciprocidade;

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