C. Autres dispositions
1. Code général des impôts
multiplicidade do ser; o uso de drogas: seus encontros e desencontros; a prática do bem e o Eu responsável pelos meus atos; e amor e paixão: tênue separação entre saúde e doença.
3.3.1 O homem: a multiplicidade do ser
Em todos os momentos em que se falou em ser humano durante a pesquisa, falou-se em diferença de modos de existência. Mesmo aparecendo em determinados debates posicionamentos moralistas de certo e errado, sempre se pontuou a dificuldade de compreender o ser humano de forma padronizada. Essa postura assumida pelo grupo reforça o que a filosofia da diferença e a esquizoanálise falam sobre a multiplicidade do ser humano. Exatamente por causa dessa multiplicidade é impossível definir o ser humano como estático, rígido, de fácil entendimento, o que se evidencia nos depoimentos abaixo:
Não tem resposta certa ou errada! (Gasparzinho, profissional. Filme:
Banquete do Amor)
As pessoas mudam... o ser humano é complicado. (Rubi, usuário.
Filme: Bem-me-quer, mal-me-quer)
Uma luta constante que o ser humano tem de tentar ser feliz. (Rubi,
usuário. Filme: Banquete do amor)
Essa mesma multiplicidade que torna o sujeito complexo e singular impede o julgamento de outros. Pensamentos e atitudes não devem seguir padrões de certo ou errado, e sim de possibilidades. O que existe são as possibilidades que cada sujeito tem de formular um pensamento ou de tomar uma decisão. As diferentes possibilidades serão viabilizadas pelas histórias de vida de cada um e vão compor um modo de existência único.
Entende-se que o homem é formado a partir dos diversos encontros que permitem o agenciamento de multiplicidade. Ele é um ser em constante mutação,
que sofre interferência ao mesmo tempo em que interfere no meio e nos outros. O homem é uma máquina desejante que com seu nomadismo territorializa e desterritorializa a todo o momento os espaços de ocupação. Ele não é estanque, nem meramente um reprodutor de comportamentos aprendidos, é também ator- autor de sua própria existência. O sujeito é responsável pelas suas escolhas, por sua saúde e sua doença.
Nesse sentido, o sujeito reflete e se reflete: daquilo que o afeta em geral, ele extrai um poder independente do exercício atual, isto é, uma função pura, e ele ultrapassa sua parcialidade própria. Por isso tornam-se possíveis o artifício e a invenção. O sujeito inventa, ele é artificioso. É esta a dupla potência da subjetividade: crer e inventar; presumir os poderes secretos, supor poderes abstratos, distintos. Nesses dois sentidos, o sujeito é normativo: ele cria normas ou regras gerais. [...] crer é inferir de uma parte da natureza uma outra parte que não está dada. E inventar é distinguir poderes, é constituir totalidades funcionais, totalidades que tão pouco estão dadas na natureza. (DELEUZE 2001, p. 94)
Não há como definirmos uma linha a ser seguida pelos diferentes sujeitos, mesmo que pertençam aos mesmos grupos e vivam situações semelhantes. São todos diferentes, traçam suas próprias regras, suas leis. Criam as suas linhas de fuga que servem exclusivamente para aquele sujeito naquele momento específico. Não há como padronizar o diferente, o outro, o único. Essa possibilidade pode transitar por caminhos potencialmente benéficos ou desprovidos de alegria. São esses caminhos que permitem um modo único e exclusivo de existência, que é construído com os agenciamentos dos fluxos desejantes.
O homem pode viver na escuridão, na tristeza, na amargura e no vazio das paixões quando tem seu fluxo criativo interrompido. Pode viver no mundo da criatividade, dos amores, da alegria quando tem trânsito livre pela multiplicidade. Ou ainda ser um ser que luta constantemente para se manter na alegria quando existem forças negativas que o abalam. O homem é um ser que está sempre na busca de linhas de fuga socialmente aceitas, para que não caia no sofrimento. A constituição do rizoma é o que permite que os modos de existência criem linhas de fuga em consonância com fluxos criativos, potencialmente produtores de desejo. Deleuze (2001, p. 93) afirma essa existência criativa quando diz que o sujeito se define por e como em movimento e se faz enquanto sujeito crendo e inventando.
multiplicidade, que permita que os sujeitos construam processos criativos singulares, que rompam com os modos cristalizados de existência e que permitam fazeres que viabilizem encontros produtivos, como foram as oficinas de cinedebate.
3.3.2 O uso de drogas: seus encontros e desencontros
O sujeito que usa drogas, incluindo aqui o álcool (droga lícita), foi fortemente criticado pelos participantes do cinedebate. Em alguns momentos, foi possível a desconstrução da crítica pela crítica, levando os sujeitos a questionarem o uso de drogas por pessoas que não percebem tal comportamento como problema e não se sentem prejudicados. O uso de drogas foi relacionado, inclusive em alguns depoimentos, como o causador de comportamentos agressivos e padrões de repetição de violência.
Espancaram a mulher toda, marcaram a cabeça dela! (Rubi, usuário.
Filme: Chocolate)
Por álcool. Por causa do álcool. Ele pirou. (Sabiá, usuário. Filme:
Chocolate)
A que ponto o ser humano chega por alcoolismo. A ponto de matar.
(Raposa, usuário. Filme: Chocolate)
O mundo das drogas é um mundo sem volta. Não tem cura...e quando não tiver, você vai vender o que tem, vi roubar, vai matar...
(Bambi, usuário. Filme: Bicho de 7 Cabeças)
Nessa manifestação violenta e pela falta de controle que o sujeito se encontra, não se visualizou outra possibilidade para a situação apresentada, além da resposta do sujeito à interferência negativa da droga.
Ele estava doente. Ele estava louco. Ele usava maconha!...Pegaram ele numa festa se enchendo de drogas. Eu não sei se ele era doente da cabeça, doente mental! Cara, foi a maior baixaria! (Tubarão,
usuário. Filme: Bicho de 7 Cabeças)
Ele tinha vida de malandro, fumava seu baseadinho, curtia, pichava muro. Aí ele chegou em casa com o baseadinho e o pai dele pegou e