Na fase de planeamento, de acordo com Ferrito et al (2010), é esperado a escolha de atividades, meios e estratégias que se coadunam com os objetivos traçados, o
Pág. 47 levantamento dos recursos necessários, os condicionalismos do trabalho e a calendarização das atividades.
Assim elaborou-se um plano detalhado do projeto9, tendo em conta os objetivos propostos. Para tal foram definidas as atividades/estratégias a realizar consoante os objetivos específicos, calendarizadas as atividades através de um cronograma, identificados os profissionais do serviço com quem era necessário articular as intervenções, identificados os recursos humanos e materiais necessários, realizada uma previsão dos constrangimento possíveis e formas de os contornar, orçamentados os custos possíveis com os recursos humanos e materiais necessários e traçados indicadores de avaliação.
Partindo para o objetivo específico “criar bundle de atitudes que possam ajudar a prevenir a IUACV” começámos por considerar que segundo Resar, Griffin, Haraden & Nolan ( 2012), a bunlde é uma forma estruturada de melhorar os processos e os resultados dos cuidados que se traduz num conjunto pequeno e simples de práticas baseadas em evidências (em geral 3 a 5), que quando executadas coletivamente e de forma confiável, melhoram os resultados para os doentes. O objetivo da bundle é reunir uma pequena lista de intervenções e tratamentos que já são recomendados, suportados por evidência científica, consensuais entre peritos como sendo os cuidados mais adequados para a população alvo.
Estudos prospetivos, citados pelos mesmos autores, após aplicação de bundle do catéter venoso central associada á iniciativa “Lives Campaign and 5 Million Lives Campaign” e aplicação da bundle acerca da pneumonia associada à ventilação em vários hospitais americanos, revelaram reduções, nalguns casos substanciais das taxas de infeção.
Ainda segundo Resar, Griffin, Haraden & Nolan,(2012), a intenção de não dar uma atenção integral e não incluir elementos que podem variar na sua aplicabilidade conforme o tipo de doentes acaba por ter mais hipóteses de sucesso. Uma das premissas é quando o cumprimento de intervenções é medido a partir de um núcleo de medidas de cuidados restrito, o trabalho de equipa e cooperação resultará em níveis mais elevados de cuidados, ao contrário de quando se trabalha para melhorar intervenções individuais. A medida que o número de intervenções aumenta torna-se mais difícil obter conformidade na prestação de cuidados e consenso acerca da validade das mesmas.
Pág. 48 Em forma de síntese do planeado e antevisão da execução do projeto as atividades a realizar neste objetivo incluíam pesquisa bibliográfica acerca conceito de bundle, metodologia para criação de bundle e numa revisão sistemática da literatura sobre medidas de prevenção da IUACV.
Como método orientador na prossecução deste objetivo optou-se por recorrer á metodologia ADAPTE. O ADAPTE Collaboration (2007) refere que esta metodologia serve de guia para adaptação de guidelines, a adaptação surge como uma abordagem sistemática com o intuito de se usar ou modificar uma guideline produzida numa determinada cultura e ambiente organizacional em um contexto diferente. A adaptação pode ser usada como uma alternativa para o desenvolvimento de diretrizes novas ou para personalizar uma diretriz existente para se adequar ao contexto local.
O objetivo geral da adaptação, ainda recorrendo ao ADAPTE Collaboration (2007). é aproveitar as orientações existentes, a fim de se aumentar a produção e utilização eficiente de alta qualidade de guideline adaptadas. A adaptação descrita no método ADAPTE foi concebida para assegurar que as recomendações finais abordem questões específicas de saúde relevantes para o contexto de uso e que são adequadas para as necessidades, prioridades, legislação, políticas e recursos na definição de alvo, sem comprometer a sua validade.
Na base desta decisão esteve o facto de existirem guidelines no âmbito da prevenção da IUACV apoiadas em revisões sistemáticas de literatura.
Sucintamente o recurso a esta metodologia divide-se em três fases, de acordo com o ADAPTE Collaboration (2007):
Preparação – descreve as tarefas necessárias e recursos necessários para o processo de adaptação.
Adaptação – aborda a pesquisa e seleção de guideline; a avaliação da guideline quanto à qualidade, conteúdo, consistência e aplicabilidade e aborda a tomada de decisão em torno da adaptação.
Finalização – guia do processo de obtenção de feedback sobre o documento das partes a quem a guideline diz respeito, estabelecimento de um processo de revisão e atualização da guideline adaptada e criação do documento final.
Pág. 49 Entre as restantes atividades pensadas constavam, em consonância com a metodologia planeada: seleção de revisões sistemáticas/guideline sobre medidas de prevenção da IUACV; submissão de revisões sistemáticas/guideline a peritos para classificação com questionário AGREE; seleção/ rejeição de revisões sistemáticas/guideline conforme classificação dos peritos; criação de bundle sobre medidas de IUACV; submissão da bundle ao Núcleo Executivo da CCI para aprovação e validação enquanto grupo de peritos; realização de alterações à bundle caso necessário.
Em todos os objetivos foram traçados indicadores de avaliação, indicativos de metas atingir, neste caso, os indicador foram “apresenta bundle de atitudes que contribuam para a prevenção da IUACV e submissão da grelha de auditoria para aprovação e validação ao núcleo executivo da CCI”
No objetivo “formar / treinar a equipa de enfermagem do Hospital X, relativamente às medidas de prevenção da IUACV”, atendendo que a formação que falamos trata-se de formação de adultos, que na opinião de Mão de Ferro (1999: 16), esta “visa a capacitação de adultos, dentro de uma perspetiva de mudança, de forma a permitir a realização e o desenvolvimento dos indivíduos e das respetivas potencialidades, garantindo um papel ativo no desenvolvimento socioeconómico e cultural”.
Canário (2000:44) aponta a formação como uma componente “essencial da gestão e mobilização de recursos humanos no interior da organização de trabalho”. Através de uma “estratégia de formação global, participativa e interativa, é possível construir uma visão partilhada e consensual “da organização, das suas finalidades, dos meios de ação e dos valores que estão subjacentes. Malglaive acrescenta (1995: 247) que esta pode constituir por si própria um bem que vai para além da aquisição de saber e saber-fazer; pode desencadear uma abertura de espirito para o individuo, que pode levá-lo a posicionar- se diferentemente, em relação aos outros e aos problemas, que pode encontrar na sua vida profissional e social
As atividades planeadas neste objetivo englobavam: uma pesquisa bibliográfica; elaboração do plano da sessão de formação; construção de diapositivos para apresentação com recurso a Power Point; discussão com os enfermeiros orientadores acerca do plano da sessão de formação e slides; realização de alterações do plano da sessão e slides; marcação/divulgação da ação de formação; requisição dos meios necessários (sala, projetor e folhas de avaliação); apresentação da ação de formação e avaliação da mesma.
Pág. 50 Como indicadores de avaliação foram estabelecidos a apresentação de: plano da sessão de formação, dos diapositivos apresentados na ação de formação, do cartaz de divulgação da sessão e o tratamento dos dados da avaliação da formação
No objetivo “desenvolver competências técnicas/cientificas na área da auditoria” tomando em conta que uma auditoria clínica, segundo o National Institute for Clinical Excellence (NICE, 2002) é um processo de melhoria da qualidade que busca melhorar os cuidados prestados aos doentes e os resultados, através da revisão sistemática dos cuidados com base em critérios explícitos e na implementação da mudança. Aspetos da estrutura, processo e resultados dos cuidados são selecionados e avaliados sistematicamente tendo como fundo critérios explícitos. Serve também para monitorizar e acompanhar a implementação da mudança a nível individual, equipa ou serviço e poder confirmar a melhoria nos cuidados de saúde prestados. Em síntese é um método que providencia uma forma sistemática de reflexão e de revisão da prática.
O NICE (2002) elenca algumas vantagens da auditoria, permite: identificar e promover boas práticas; conduzir a melhorias na prestação de cuidados nos serviços; detetar oportunidades de formação e de educação, garantir uma melhor utilização de recursos e assim aumentar a eficiência; fornecer um mecanismo de revisão da qualidade dos serviços confirmando a qualidade de um serviço ou revelar necessidade de melhorias.
Assim o primeiro passo previsto para a consecução deste objetivo foi também a pesquisa bibliográfica sobre auditoria, tipos de auditoria, metodologias de colheitas de dados, medidas de prevenção da IUACV. De seguida preconizou-se: a elaboração de uma grelha de auditoria acerca das práticas associadas à prevenção da IUACV; discussão/validação da grelha de auditoria com os enfermeiros orientadores/peritos; realização de alterações à grelha de auditoria caso seja necessário; submissão da grelha de auditoria ao núcleo executivo da CCI para aprovação, realização de uma auditoria às práticas de enfermagem no âmbito à prevenção da IUACV num dos serviços de Medicina; elaboração do relatório de auditoria.
Indicativo das metas a atingir, construíram-se os indicadores: apresenta grelha de auditoria, submissão da grelha de auditoria para aprovação por parte do núcleo executivo da CCI.
Pág. 51 Na planificação do projeto, foi utlizado um cronograma10, que conforme Miguel citado por Ferrito et al (2010) consiste num processo interativo que determina um período de tempo para as atividades a efetuar no projeto. Ainda segundo a mesma fonte, na elaboração deste, a utilização de gráficos, esquemas ou escalas podem ser facilitadoras para uma maior compreensão e clareza do planeamento.
A avaliação dos meios materiais ou humanos necessários para levar a cabo a efetivação do projeto não foi descurada, assim como os custos previstos com os mesmos Antes da elaboração definitiva do planeamento foram consultados alguns profissionais, no sentido de obter a colaboração, avaliar a disponibilidade e recursos existentes, entre estes incluíram-se o Enf. Chefe da UCIP, os elementos dinamizadores da CCI na UCIP. Após consulta dos profissionais, era previsível que em termos de recursos humanos não haveria custos económicos, o mesmo em relação a alguns materiais disponibilizados pelos serviços envolvidos (projetor, sala de reuniões, impressora, folhas, computador).
No entanto estava previsto algum trabalho fora do campo de estágio e custos com folhas, impressões e eletricidade, todavia eram gastos difíceis de quantificar, nesta perspetiva e extrapolando os gastos possíveis, o orçamento foi de 20€.
Como constrangimentos possíveis ao PIS anteviu-se uma adesão fraca à sessão de formação relativamente às medidas de prevenção da IUACV. Como medidas possíveis de contrariar esta ameaça ponderou-se a divulgação da formação em locais estratégicos do serviço e por email; realizar mais que uma formação em períodos distintos se necessário e selecionou-se um horário e data que potenciasse o maior número de participantes. No entanto o principal obstáculo que se adivinhava era o tempo para implementação das medidas. A estratégia para contornar este constrangimento assentava na utilização e cumprimento do cronograma como ferramenta de organizar e estruturar temporalmente as ações a levar a cabo.