• Aucun résultat trouvé

CHAPITRE 3 : ETUDE DES EFFETS DE LA DISPERSION DE MODE DE

3. Nouvelle piste pour une compensation de la PMD

3.2. Codage orthogonal des signaux

Ao utilizar a perspectiva de redes para a compreensão dos ambientes de inovação em suas pesquisas, Russel et al. (2015) utilizaram uma métrica denominada como densidade da rede, como uma medida da vitalidade do ecossistema dimensionada a partir do momento em que as relações interorganizacionais passam a ser estabelecidas.

Em seu estudo, Russel et al. (2015) concluíram que redes colaborativas favorecem a constituição de laços sociais entre os atores, tornando-os mais propensos à colaboração e ao desenvolvimento da confiança entre eles (RUSSEL et al., 2015). Bodin (2017) complementou este argumento ao mencionar que os tipos específicos desses laços sociais criados enquanto os atores se envolvem em colaboração afetam os resultados colaborativos. Segundo o autor, laços sociais em que ocorre simplesmente a troca de informações facilitam a aprendizagem devido à difusão dessas informações, mas dificultam as mudanças comportamentais, enquanto os laços estabelecidos por relações mais fortes podem facilitar essa mudança de comportamento (BODIN, 2017).

Cunha, Passador e Passador (2011) defenderam esses argumentos ao apontar que esses laços (ou ligações) entre os nós podem variar pela dimensão da densidade em que as relações interorganizacionais se estabelecem. O precursor dessa abordagem foi Granovetter (1973) que categorizou essas ligações entre os atores (ou nós) em laços fortes e laços fracos. Por laços fortes, entende-se como as ligações entre atores com maior proximidade, por laços fracos, entre aqueles com menor proximidade.

Em uma pesquisa posterior, no ano de 1983, o autor apontou que relações mantidas com atores, se estabelecidas por laços fracos, reduzem a possibilidade de outros atores se envolverem socialmente, pois os laços fracos são mantidos com pessoas somente conhecidas e de maneira não frequente. Se estabelecidas por laços fortes, os outros atores estarão mais propensos a se relacionarem e se articularem, devido à proximidade e frequência com que essas relações acontecem. Assim, um grupo constituído por um ator e seus conhecidos (laços fracos) será uma rede com baixa densidade e pouca articulação, enquanto, se o mesmo ator estiver

interagindo com seus amigos íntimos (laços fortes) poderá ter uma rede densamente articulada, ou o que o autor denomina de: “densely knit clump of social structure” (GRANOVETTER, 1983, p. 202). No primeiro caso, este fato ocorre em função das linhas relacionais serem baixas, ou até mesmo ausentes, entre um conhecido e outro. No segundo caso, devido a muitas das linhas relacionais possíveis estarem presentes.

Contudo, os tipos de laços possuem funções distintas e importantes na rede, até mesmo os laços fracos, percebidos em um primeiro momento como desarticuladores e propensos a diminuir a coesão da rede, têm um papel elementar nessa dinâmica. Granovetter (1973) menciona que o conjunto dos laços fracos de um ator poderá se conhecer também entre eles, ou seja, dentro desse conjunto de conhecidos haverá a possibilidade de existirem outros laços fracos entre eles e cada um desses laços fracos é provável que possua um conjunto de amigos íntimos (laços fortes) em seus próprios relacionamentos, portanto, podem construir uma nova estrutura social articulada, diferente da estrutura do ator inicial. Logo, o vínculo fraco do ator inicial não é apenas um laço trivial, mas sim um elemento vital de ponte entre os dois pontos densamente articulados de laços fortes. Tais aglomerados não estariam conectados uns aos outros se não fosse pela existência do laço fraco.

Atores com poucos laços fracos estarão privados de informações de partes distantes de seu sistema social, e assim, condenados às informações e opiniões de seus amigos íntimos. Este tipo de privação leva ao isolamento, diminuição de informações, novas ideias e, por conseguinte, inovação. Se analisado pelos sistemas sociais, os laços fracos permitem a elevação das especializações e da interdependência entre os membros do sistema, resultando em uma vasta variedade de relacionamentos e de funções especializadas para esses atores. Ademais, como consequência dessa grande rede de relacionamentos, é possível ter acesso à informação e recursos além daqueles disponíveis no próprio círculo social.

Solucionar conflitos envolve também a capacidade de inovação da rede, nesse aspecto, a inovação poderá se originar de um processo de aprendizagem que enfatize a deliberação de conhecimento e ideias, sendo que ela ocorre pela quebra de normas e percepções já estabelecidas, e por isso necessita de uma rede colaborativa sem alta coesão (BODIN, 2017). Estas redes menos centralizadas são propensas a formar laços sociais fracos e de maior alcance com outros atores, contribuindo com surgimento de novas ideias (GRANOVETTER, 1973).

Por outro lado, laços fortes também desempenham papel singular, pois, serão eles que terão maior poder de motivação para articulação e geralmente são mais facilmente disponíveis para trazer apoio. Bodin (2017a) corrobora com Granovetter (1973; 2005) ao ponderar que redes colaborativas densas - fundamentadas em laços fortes - estão mais propícias aos

problemas de cooperação, em especial, aos de alto risco, devido à forte articulação. Tais estruturas também auxiliam a desenvolver a confiança mútua (BALESTRIN; VERSCHOORE, 2010; BODIN, 2017a).

Diante do exposto, é possível compreender a necessidade de analisar o sistema de saúde pelas lentes de um sistema colaborativo, o qual requer a articulação dos atores envolvidos, onde a partir da miríade de vínculos públicos e privados gerados, forme redes colaborativas que operacionalizem esse processo de governar (AGRANOFF, 2005; BODIN, 2017a).

Portanto, a partir desse levantamento teórico, o estudo explora os ecossistemas de aprendizagem e inovação tendo como perspectiva de análise as relações interorganizacionais colaborativas e as redes colaborativas entre os atores do sistema de saúde do município de Ijuí/RS. Assim, o argumento que respalda este estudo propõe que a robustez de um ecossistema de aprendizagem e inovação é produto da dinâmica das relações interorganizacionais colaborativas entre os atores envolvidos, regidas por um conjunto de mecanismos e iniciativas de governança colaborativa estabelecida entre e para esses atores.

3 METODOLOGIA

Este capítulo apresenta os aspectos metodológicos que sustentam o estudo, ou seja, as premissas que nortearam a investigação para que fosse possível construir um novo conhecimento. Nesse sentido, é apresentada a classificação e o delineamento da pesquisa, caracterização da unidade de análise e sujeitos da pesquisa, coleta de dados e análise e interpretação dos dados.