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Coûts et bénéfices de la colonisation pour les colonies

Dans le document THESE. Elise Huillery (Page 55-69)

Souza (2005), ao abordar as pesquisas teóricas no estudo das redes organizacionais com ênfase na cooperação entre empresas, menciona o trabalho de Vizeu (2003). Este analisa a produção científica nacional e identifica duas abordagens epistemológicas polares e distintas. A primeira, de orientação técnico-econômica, é vinculada à tradição americana, e a segunda, partindo de uma abordagem histórico-cultural, está associada aos movimentos fenomenológicos dos distritos italianos. Ressalta ainda Vizeu (2003) que as abordagens técnico-econômicas prevalecem na orientação da produção científica.

A construção teórica considera as duas vertentes principais da atual sociologia, segmentada entre fenomenologia e o funcionalismo, conforme os ensinamentos de Burrell & Morgan (1979) e de Habermas (1987). O

funcionalismo trabalha as questões objetivas e passíveis de quantificação em ambiente técnico e econômico, melhor explicado nas organizações. No entanto, a fenomenologia trata de um contexto social e subjetivo, especificamente qualitativo e de investigação cultural. Os fatores econômicos são analisados, porém, de modo secundário, por serem reflexos dos processos sociais e culturais, dimensões que extrapolam as realidades concretas na opinião de Vizeu (2003). A presente polaridade das abordagens funcionalista e fenomenológica está demonstrada no Quadro 1.

QUADRO 1: Polaridades epistemológicas: funcionalista e fenomenológica.

Orientação

Características Técnico-econômica Funcionalista Histórico-cultural Fenomenológico Pressuposições relativas à ciência social Objetivista: Ontologia realista Epistemologia positivista (empiricista)

Visão determinista da natureza humana Foco em metodologias nomotéticas Subjetivista: Ontologia nominalista Epistemologia antipositivista Visão voluntarista da natureza humana

Foco em metodologias ideográficas

Esfera de mundo privilegiada na

investigação Mundo objetivo

Mundo subjetivo e mundo social

Interesse de

pesquisa Técnico Compreensivo Formato de

ciência Empírico-analítico (modelo de ciências naturais) Histórico-hermenêutico

Orientação racional pressuposta no comportamento social Racionalidade cognitivo-

instrumental Racionalidades de cunho intersubjetivo

Principal dimensão social focalizada na investigação

Dimensão econômica Dimensão cultural Fonte: Vizeu (2003).

A abordagem técnico-econômica é lastreada pela visão utilitarista do modelo adotado pela sociologia americana, sendo central a questão da eficiência econômica, configurada na ampliação da competitividade das organizações e das redes de organizações pelo aumento de competência e produção em correlata diminuição dos custos. A Teoria dos Custos de Transação de Williamson e a Teoria de Dependências de Recursos de Hamel são referências conceituais.

Porém, a abordagem histórico-cultural, notadamente fenomenológica, critica os aspectos funcionalistas técnico-econômicos a partir de considerações políticas, sociais e culturais para explicar o funcionamento e o desenvolvimento das redes. São precursores da presente abordagem o capital social, os postulados de Putman e a especialização flexível de Piore & Sabel (Souza, 2005).

Idêntica posição é defendida por Alvarez et al. (2004) quando afirmam que as discussões na literatura internacional e nacional apresentam duas linhas básicas de pesquisa. A primeira é associada às áreas de economia, estratégia empresarial e teoria da organização, entendendo as redes como forma de governança ou de organização e coordenação. A segunda linha básica de pesquisa é derivada da sociologia, com preocupações explicativas das redes como fenômeno social. Os autores, mencionando Jones et al. (1997)23,

compatibilizam as duas vertentes de pesquisa na Figura 4. As condições estruturantes são fatores emergentes para a configuração das redes organizacionais em ambiente social e econômico competitivo. Os mecanismos de controle social são característicos do tecido social, norteadores da sociedade e da comunidade. O entrelaçamento social é o mecanismo de interação dos dois pólos, sendo mensurado a partir da densidade de relações e inter-relações dos agentes e atores da rede.

23 JONES, C.; HESTERLY, W.; BORGATI, S. A general theory of network governance: exchange conditions and social mechanisms. Academy of Management Journal, v. 22, n. 4, p.

FIGURA 4: Condições estruturantes dos mecanismos de controle das redes. Fonte: Adaptado de Jones et al. (1997).

Macías (2002) e Garcia & Méndez (2004) concordam com as afirmativas de Vizeu (2003) referentes ao enfoque dos trabalhos científicos sobre redes organizacionais na literatura internacional, por privilegiarem os enfoques técnico-econômicos. Cita, como exemplo, os casos no México e na América Latina, decorrentes da crise do paradigma taylorista-fordista em pesquisas das “vias” de aproximação entre agentes econômicos e empresários. A primeira via, intitulada de “alta”, foi lastreada por modelos paradigmáticos econômicos, entre eles o modelo japonês de produção e o modelo just in time24,

utilizados por grandes empresas para a contratação das pequenas empresas ou redes de pequenas empresas para alavancar o desenvolvimento e a economia de escala. A segunda via, denominada de “baixa”, reconhecia o nível de informalidade e confiança mútua entre as empresas, notadamente em redes

24 O Just in Time (JIT) surgiu no Japão em meados da década de 1970. Sua idéia básica e seu desenvolvimento foram creditados à Toyota Motor Company, a qual buscava um sistema de administração que pudesse coordenar a produção com a demanda específica de diferentes modelos e cores de veículos com o mínimo atraso. Contudo, o JIT é muito mais do que uma técnica ou um conjunto de técnicas de administração da produção, sendo considerado como uma completa

Incerteza da demanda Complexidade das tarefas Ativos humanos complexos Freqüência das interações Entrelaçamento social Mecanismos de controle social Acesso restrito Macrocultura Sanções coletivas Reputação

organizacionais de pequenas empresas, evidenciando comportamentos sociais e regionais entre os empresários, em lógica conceitual que não obtinha amparo teórico e explicações satisfatórias em modelos meramente econômicos.

Na continuidade do texto e dentro dos objetivos propostos para o estudo, serão descritos os referenciais teóricos técnico-econômicos (distritos industriais, aglomerados, clusters e arranjos produtivos locais, teoria dos custos de transação e teoria da agência) e histórico-culturais (capital social) das redes organizacionais.

2.5.3 Referenciais técnico-econômicos das redes organizacionais

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