CHAPITRE 2 : LES MODELISATIONS
2.4 E TUDES DE DIVERS TYPES DE BRUITS
2.4.2 La coïncidence entre les APD-Geiger
A principal atividade das famílias da comunidade rural de Roda D’água é a criação de gado para a produção leiteira porém as ocupações dos membros da comunidade não se limitam à ordenha e pastoreio, são inúmeros os afazeres dos agricultores.
Buscou-se identificar as principais ocupações e estratificá-las segundo categorias a partir dos relatos dos agricultores.
O plantio de roça esteve presente, como principal atividade, em 93% das respostas sobre ocupações dos entrevistados. Como atividades integrantes da “roça” apontaram o “cortar de machado” e a capina; já o feitio e reparo de cercas foi apontado por 73% dos agricultores. Com relação ao gado, 80% dos agricultores alegaram serem criadores, os outros 20% não descartaram a atividade, apenas no período de realização das entrevistas, outubro e novembro de 2009, informaram que não estavam com gado por motivos variados como renovação de rebanho ou mesmo escassez de terra disponível para a cria, porém, assumem a condição de criador de gado.
O “trabalho alugado” ou o trabalho em outra propriedade não é uma opção muito aceita pelos agricultores da comunidade de Roda D’água, foi indicado por 6% dos agricultores. Os que a indicaram, afirmaram exercer as mesmas atividades desenvolvidas na sua unidade e citaram como “trabalho alugado”: ordenha, corte de cana, preparo de ração, capina e reparo de cerca.
A divisão do trabalho no interior da família acontece seja quanto à faixa etária, seja quanto ao sexo. Existe ainda uma distribuição do trabalho realizada por espaço. A exemplo disso a ocupação de “cuidar da casa” apontada por 93% dos entrevistados, é ocupação típica da mulher. Isto não significa que o homem nunca poderá “cuidar da casa”, pois, como foi presenciado, a viagem da mulher, para tratar de problemas de saúde ou visita a parentes, leva o homem a assumir algumas atividades na casa, que não considera como seu ambiente de labor.
No universo da ocupação “cuidar da casa” são compreendidas as atividades: zelar da alimentação dos membros da casa, higiene da morada,
cuidado com roupas dos integrantes do grupo familiar. Além dessas atividades de cunho interno, “dentro da casa”, são executadas ainda, tarefas que abrangem o cuidado com pequenos animais, como porcos e galinhas e em alguns casos plantio e manutenção de hortas.
Apesar de predominar o “cuidar da casa” como ocupação quase exclusiva da mulher, esta, desempenha outras atividades no domínio masculino, por exemplo, o plantio da roça. Em Roda D’água, 71% das mulheres afirmaram trabalhar na lavoura. Este aspecto do trabalho feminino nas unidades domésticas de produção também pode ser verificado em Woortmann (1997), uma vez que, segundo este autor, a mulher além das atividades tipicamente domésticas, compartilha das atividades desempenhadas pelo homem na roça, como capina, plantio e colheita.
Apesar de executar tarefas típicas do universo masculino, mesmo em grandes proporções, o cuidar da casa não deixa de ser a principal atividade da mulher.
Nas atividades como plantio da roça, feitio de cerca e manejo do gado, o pai, além do apoio da mulher é sempre ajudado pelos filhos, salvo na inexistência destes. Não se descartando, ainda, o trabalho da filha, que em 14% das famílias, apóia o pai na “lida da roça”. Em referência aos filhos menores, estes apesar de estarem em idade escolar, não se eximem de trabalhar, executando atividades no sítio da família tanto na roça quanto na criação de gado, como a busca dos animais no pasto, a reposição de ração, e até o apartamento dos animais ao entardecer22.
A gestão da força produtiva na agricultura familiar é estratégia que busca viabilizar o equilíbrio entre demanda por recursos e sua produção dentro da unidade produtiva. Os conceitos de força plena e força marginal transcendem o critério de idade e sexo e transitam na órbita do “saber fazer” da lógica produtiva do agricultor (WOORTMANN, 1997).
A força de trabalho da criança é importante para a unidade produtiva a partir do momento que a mesma domina os saberes produtivos da agricultura. Aí a “força marginal” que se destaca pela sua menor importância
22 A divisão do trabalho na unidade familiar de produção, conforme verificada neste trabalho, é
encontrada na literatura sobre agricultura familiar (HEREDIA, 1979; GARCIA JÚNIOR, 1983; WOORTMANN; WOORTMANN, 1997).
se transforma em força plena e passa a ser considerada um bônus no equilíbrio entre demanda e produção na unidade produtiva.
Ocorre que, se considerada “bônus” no equilibro da unidade produtiva, a mão de obra excedente é liberada para outras modalidades de ocupações dentro da unidade ou fora dela. Este fenômeno cada vez mais constante no ambiente rural é designado por Kageyama (1998) e Graziano da Silva (1999) como pluriatividade.
Assim como os camponeses alemães do início do século XX, os agricultores familiares se utilizam de atividades não agrícolas como mecanismo viabilizador de seu equilíbrio econômico (KAUTSKY, 1972).
Não encontrando emprego na unidade de exploração, a família se volta para outras atividades, como artesanato, comércio e atividades não agrícolas objetivando estabelecer o equilíbrio econômico com as necessidades da família (CHAYANOV, 1974).
Em Roda D’água foi possível verificar ocorrência da pluriatividade23 como estratégia familiar. A execução de atividades fora da compreensão do que seria tipicamente rural, como manejo do gado ou rotinas relacionadas à lavoura, foi informada por 40% dos entrevistados. Dentre as condutas apontadas, 50% dos agricultores informaram exercer funções relacionadas ao laticínio enquanto os demais agricultores informaram como ocupação o serviço público municipal em escola de comunidade rural, o trabalho em casa de família e o ofício de tratorista, que apesar de realizados na própria comunidade foram indicados como atividades profissionais não relacionadas à própria unidade produtiva.
É interessante observar que 50% das mulheres que informaram exercer funções consideradas como não rurais e, mesmo sendo em tempo parcial, não se ocupavam de nenhuma atividade rural, como o trabalho na lavoura ou o manejo com gado. Enquanto os homens que declararam exercer
23 Estes agricultores, que combinam atividades agrícolas e não agrícolas, são identificados como
agricultores em tempo parcial, apresentam como característica fundamental o exercício de atividades agropecuárias e não agrícolas, dentro ou fora do estabelecimento, tanto nos ramos tradicionais urbano-industriais, como nas novas atividades que vêm se desenvolvendo no rural, como lazer, turismo, conservação da natureza, moradia e prestação de serviços (GRAZIANO DA SILVA, 1996).
outras atividades, acumulavam essas atividades com ocupações relacionadas à unidade produtiva.
O uso de ações agrícolas combinadas com atividades não agrícolas integra as estratégias de reprodução social da agricultura familiar, além de evitar dependências de círculos bancários conforme destaca Van der Ploeg (2008).
Em Roda D’água se constata que os agricultores não se entregam unicamente às atividades agrícolas dependentes unicamente de recursos da natureza. Verificar-se-á, a seguir, que a composição da renda, responsável pela sobrevivência do grupo familiar, advém de várias fontes e da participação dos membros da família.