O índice de eficiência de utilização de nutriente utilizado neste trabalho foi o proposto por Sidiqui e Glass (1981). Esse índice é considerado como de maior significado biológico do que a razão entre a biomassa e quantidade total de nutriente na biomassa.
Na tabela 6 estão apresentados os valores de eficiência de utilização de nutrientes (EUN) no componente galho das 19 espécies florestais que compuseram o estrato arbóreo deste estudo.
Tabela 6 - Eficiência de utilização de nutrientes (EUN) nos componentes galhos e lenho do estrato arbóreo na Fazenda Riacho do Cabra, Santa Cruz – RN. Galho Espécie N P K Ca Mg S kg2/g Aspidosperma pyrifolium 51,75 1276,96 96,52 29,56 364,41 1111,89 Poincianella bracteosa 40,81 666,09 98,84 18,43 597,99 659,26 Piptadenia stipulacea 29,32 651,95 95,64 28,99 446,72 108,28 Sapium argutum 22,73 303,58 30,3 17,23 132,33 121,34 Croton sonderianus 11,92 231,97 30,04 7,54 83,71 178,23 Sideroxylon obtusifolium 11,02 283,93 17,43 18,41 69,15 75,52 Calycophyllum spruceanum 4,57 75,1 11,02 2,5 46,64 68,83 Ziziphus joazeiro 4,03 96,89 6,36 3,22 25,68 28,76 Mimosa tenuiflora 3,13 93,75 13,91 5,63 62,24 57,36 Spondias tuberosa 1,32 18,18 2,2 0,97 7,82 11,35 Bauhinia cheilantha 1,21 19,13 2,4 0,88 7,23 15,58 Anadenanthera macrocarpa 0,83 9,93 1,69 0,3 10,42 11,14 Amburana cearensis 0,62 11,29 0,7 0,67 5,19 7,46 Caparis flexuosa 0,55 15,55 0,92 1,02 3,62 1,02 Guapira hirsuta 0,55 12,15 0,85 1,18 1,92 5,51 Jatropha mollissima 0,22 5,55 0,36 0,18 1,2 3,24 Manihot carthaginensis 0,08 0,59 0,08 0,1 0,34 0,52 Libidibia ferrea 0,04 1,36 0,06 0,03 0,32 0,47 Pseudobombax marginatum 0,04 0,41 0,03 0,03 0,1 0,25 Continua...
Continuação
No que diz respeito ao componente galho, observa-se que para o nitrogênio, a espécie que apresentou maior eficiência de utilização foi o pereiro (Aspidosperma pyrifolium), seguido pela catingueira (Poincianella bracteosa), jurema branca (Piptadenia stipulacea) e burra leiteira (Sapium argutum). As outras espécies apresentaram média ou baixa eficiência na utilização deste nutriente (Tabela 6).
Para o fósforo, as espécies que apresentaram maior eficiência de utilização seguiram a seguinte ordem: pereiro, catingueira (Poincianella bracteosa), jurema branca (Piptadenia stipulacea), burra leiteira (Sapium argutum), quixabeira (Sideroxylon obtusifolium) e marmeleiro (Croton sonderianus) (Tabela 6).
Para o potássio, as espécies obedeceram à seguinte ordem: catingueira (Poincianella bracteosa), pereiro (Aspidosperma pyrifolium), jurema branca
Lenho Espécie N P K Ca Mg S kg2/g Poincianella bracteosa 654,99 11700,51 1213,34 158,76 12064,26 10535,75 Aspidosperma pyrifolium 265,87 6361,65 662,79 205,19 2051,87 8354,03 Mimosa tenuiflora 66,35 3123,72 573,95 118,86 2759,02 1309,70 Piptadenia stipulacea 184,68 3746,43 458,80 108,63 3146,60 653,33 Sideroxylon obtusifolium 57,36 1076,52 105,21 32,21 141,32 172,54 Sapium argutum 37,47 529,90 54,80 22,08 348,71 189,65 Ziziphus joazeiro 31,09 579,15 26,92 12,68 99,26 189,94 Croton sonderianus 32,65 815,51 87,38 24,63 319,11 387,22 Calycophyllum spruceanum 20,29 550,67 85,72 7,75 435,86 391,97 Guapira hirsuta 6,70 146,53 4,94 8,04 25,80 52,47 Bauhinia cheilantha 3,47 99,55 10,60 2,19 30,34 71,05 Spondias tuberosa 5,20 36,83 3,47 1,89 7,06 38,93 Manihot carthaginensis 3,91 54,22 3,44 1,17 9,19 39,40 Anadenanthera macrocarpa 4,09 53,04 9,54 1,34 66,20 68,32 Amburana cearensis 2,90 38,16 1,59 1,99 8,39 34,07 Caparis flexuosa 1,63 34,75 2,16 1,84 6,65 2,00 Jatropha mollissima 0,78 12,09 0,91 0,39 2,57 5,97 Libidibia ferrea 0,38 5,76 0,39 0,18 2,33 3,51 Pseudobombax marginatum 0,10 1,36 0,08 0,03 0,34 1,47
(Piptadenia stipulacea), burra leiteira (Sapium argutum) e marmeleiro (Croton sonderianus) (Tabela 6).
Para o nutriente cálcio, destacaram-se: O pereiro (Aspidosperma pyrifolium), jurema branca (Piptadenia stipulacea), catingueira (Poincianella bracteosa), quixabeira (Sideroxylon obtusifolium) e a burra leiteira (Sapium argutum) (Tabela 6).
Para o magnésio, as espécies que se destacaram foram: catingueira (Poincianella bracteosa), jurema branca (Piptadenia stipulacea), pereiro (Aspidosperma pyrifolium) e burra leiteira (Sapium argutum) (Tabela 6).
O pereiro (Aspidosperma pyrifolium), catingueira (Poincianella bracteosa), marmeleiro (Croton sonderianus), burra leiteira (Sapium argutum) e a jurema branca (Piptadenia stipulacea) foram as espécies que demonstraram maior eficiência na utilização do enxofre (Tabela 6).
O maior percentual de biomassa produzido por uma população florestal encontra-se no tronco. O aumento de biomassa pode estar diretamente relacionado com a eficiência de utilização dos nutrientes de cada espécie, ou seja, uma espécie eficiente nutricionalmente é aquela capaz de sintetizar o máximo de biomassa por nutriente absorvido (CALDEIRA et al., 2002). No lenho, componente comercialmente utilizável na região, é possível se observar valores mais elevados para eficiência de utilização de todos os macronutrientes pelas espécies (Tabela 6).
No componente lenho, para o elemento nitrogênio, nota-se que as espécies que apresentaram melhor EUN seguiram a ordem: catingueira (Poincianella bracteosa), pereiro (Aspidosperma pyrifolium), jurema branca (Piptadenia stipulacea) e jurema preta (Mimosa tenuiflora) (Tabela 6).
As mesmas espécies mais a quixabeira (Sideroxylon obtusifolium) apresentaram também, maior eficiência no uso do fósforo e do potássio na produção do lenho (Tabela 6).
Para o cálcio, destacaram-se: O pereiro (Aspidosperma pyrifolium), catingueira (Poincianella bracteosa), jurema preta (Mimosa tenuiflora), jurema branca (Piptadenia stipulacea) (Tabela 6).
Para o magnésio, as espécies que apresentaram maior EUN seguiram a seguinte ordem: catingueira (Poincianella bracteosa), jurema branca (Piptadenia stipulacea), jurema preta (Mimosa tenuiflora), e o pereiro (Aspidosperma pyrifolium) (Tabela 6).
A catingueira (Poincianella bracteosa), pereiro (Aspidosperma pyrifolium), jurema preta (Mimosa tenuiflora) e a jurema branca (Piptadenia stipulacea) foram as espécies que demonstraram maior EUN do enxofre (Tabela 6).
De forma geral, houve variação nos valores da EUN para as espécies que compõe o estrato arbóreo em área de vegetação da Caatinga Potiguar. A variação da eficiência de utilização dos nutrientes pelas plantas pode ser atribuída às características genéticas intrínsecas de cada espécie, a não obtenção do equilíbrio nutricional entre solo, planta e todos os nutrientes e, por fim, às relações hídricas. Dessa forma, o uso de plantas mais eficientes na utilização nutricional e cujo ciclo de crescimento seja longo o suficiente para permitir a máxima eficiência da ciclagem desses nutrientes, pode acarretar em uma maior conservação do ecossistema (SANTANA, BARROS E NEVES, 2002).
Outra possível explicação para a variação no índice de EUN entre as espécies está na idade ou estágio de sucessão, pois quando comparado o índice de eficiência de utilização de nutrientes em espécies florestais, em diferentes idades ou estágio de sucessão, verifica-se que as árvores mais jovens tendem a ser menos eficientes que as árvores mais velhas (POGGIANI, COUTO e SUITER FILHO, 1983).
Diante desses resultados, observa-se que a catingueira (Poincianella bracteosa), o pereiro (Aspidosperma pyrifolium), a jurema branca (Piptadenia stipulacea), burra leiteira (Sapium argutum) e a jurema preta (Mimosa tenuiflora) caracterizaram o grupo de espécies que mais se destacaram na
eficiência de utilização de nutrientes para a produção de biomassa no componente galho e no lenho nas parcelas amostradas nesse estudo.
Os nutrientes que foram utilizados com melhor eficiência para a produção de biomassa no galho e no lenho pelas espécies do estrato arbóreo, que se destacaram nesse estudo, correspondem ao fósforo, enxofre e o magnésio. Resultados semelhantes foram encontrados por Alves (2017), para as espécies Poincianella bracteosa, Mimosa ophthalmocentra, Aspidosperma pyrifolium, Cnidoscolus quercifolius e Anadenanthera colubrina, comumente encontradas na Caatinga.
Já as espécies Pinhão (Jatropha mollissima), Jucá (Libidibia ferrea), Maniçoba (Manihot carthaginensis), Embiratanha (Pseudobombax marginatum) e Feijão Bravo (Caparis flexuosa) apresentaram baixos índices de eficiência de utilização para todos os nutrientes nos componentes analisados, o que mostra que este grupo é ineficiente na produção de biomassa (Tabela 6).
7 CONCLUSÕES
A colheita integral do estrato arbóreo (galho + lenho) promove uma maior taxa de remoção de nutrientes comparada à colheita dos estratos regeneração e necromassa.
O potássio, cálcio e o enxofre se mostram os nutrientes mais exportados na exploração de madeira para fins energéticos;
As espécies Poincianella bracteosa, Aspidosperma pyrifolium, Piptadenia stipulacea, Sapiumar gutume Mimosa tenuiflora se destacaram com maior índice de eficiência de utilização de nutrientes para a produção de biomassa.
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