A plantação e preparação de castanheiros em viveiro é um ponto importante para esta temática, uma vez que é desde cedo que devem ser postas em prática medidas preventivas contra as suscetibilidades a que esta árvore está sujeita, e a sustentabilidade da mesma pode ser ditada e comprometida pela forma como os viveiros são cuidados. Estudos efetuados por Ramos, C. Teixeira, A. Simões, M. (2015) divulgam que os castanheiros têm vindo a ser produzidos usando as castanhas como semente, porém, mais recentemente com a evolução de novas tecnologias e do conhecimento iniciou-se a p oduç o de asta hei os po ia asse uada , at a s da utilização de estacas, estacas estas que são pequenos pedaços de ramos das plantas mãe com a intenção de se multiplicarem, ou pela amontoa das plantas mãe, principalmente para produção de porta-enxertos. Outro tipo de multiplicação do castanheiro do casta hei o a t i a in vitro2 , ue ais ode a e por vezes
2 In vitro ("em vidro") é uma expressão latina que designa todos os processos biológicos que têm lugar fora dos sistemas vivos, no ambiente controlado e fechado de um laboratório e que são feitos
normalmente em recipientes de vidro. Foi popularizada pelas técnicas de reprodução assistida (fertilização in vitro).
15
mais económica, sobretudo quando se pretendem obter elevadas quantidades de material, obtendo-se ainda um valioso grau de sanidade.
Os autores supramencionados acrescentam também que da germinação de castanhas, que devem ser de preferência colhidas em castinçais, resultam os porta-enxertos (castanheiros), dando origem aos castanheiros bravios ou sementões (castanea sativa). Como cada planta gerada por uma castanha é certamente diferente da outra devido à sua grande variabilidade genética (consequência da polinização cruzada e da diversidade intrínseca entre as diferentes plantas de onde foram colhidas castanhas), as variedades de interesse comercial não são propagadas por via seminal (propagação sexuada), e por isso de forma a se obterem porta-enxertos homogéneos, existe a necessidade de se proceder à multiplicação assexuada.
As sementes selecionadas com bom potencial germinativo e de boa qualidade vão provocar sementões de vigor mais regular, e posteriormente à colheita, devem ser submetidas a condições ambientais, naturais ou forçadas, que sejam favoráveis à quebra de dormência. A sementeira deve ser feita na Primavera, de preferência em terrenos fértil e com um solo fácil de trabalhar, que contribuirá para uma boa germinação e crescimento do sistema radicular. Importa ainda não esquecer, que anteriormente à sementeira das castanhas, para que estas consigam atingir a hidratação adequada e consequentemente encurtar o período de germinação, deverão estar mergulhadas na água durante um certo período de tempo.
Segundo Ramos, C. et al., (2015), o arrancamento dos jovens castanheiros é cometido logo após o primeiro ano do seu ciclo de desenvolvimento, mais especificamente entre o mês de Novembro e Fevereiro, podendo empregar múltiplos destinos, tais como serem transplantados para outro viveiro ou serem plantados num local definitivo originando um novo souto.
Eles explicam ainda que a enxertia é construída unindo o porta-enxerto, que vai constituir a parte radicular da futura planta, com um garfo de uma certa variedade que irá organizar a parte aérea da planta, daí resultando o asseguramento de uma produção mais uniforme de frutos. Esta operação é imprescindível à propagação estável das variedades que se ambicionam obter.
16
derivadas de hibridações entre espécies) havendo a possibilidade de uma delas ser a mesma do garfo, os autores avisam que, podem advir alguns fenómenos de incompatibilidade, que ocasionalmente ocorrem apenas alguns anos mais tarde. Contrariamente, a enxertia quando é consumada dentro da mesma espécie, tem a capacidade de usualmente garantir a sua eficácia. Mediante isto, é fundamental possuir alguma sabedoria preliminar da reação das plantas, no período pós-enxertia, quando se utilizam biontes3 com origem genética diferente, ou senão, pelo menos testar em pequenas quantidades, antes de se partir para uma produção mais intensiva. A enxertia no castanheiro pode ser feita em meados do verão (que no ano seguinte só originará varetas), ou no final do inverno ou na primavera (que tem a capacidade de crescer no próprio ano).
Para prevenir que surja a doença da tinta, começou-se por usar como porta-enxertos o carvalho e, mais recentemente, os híbridos euro-japoneses que são resistentes a esta doença.
As formas de enxertia mais usadas são as de gomo destacado (por borbulha, Chip- budding ou flauta) e as de ramo destacado (por fenda lateral ou fenda inglesa). Enquanto que as primeiras podem ser feitas de olho dormente (meados de Verão), ou de olho vivo (fins de Inverno-P i a e a , e e uta do a flauta ue só de e se efetuada na Primavera, as segundas devem ser feitas com os castanheiros ainda em dormência (Fevereiro/Março).
Normalmente, os castanheiros eram enxertados já no seu local definitivo, porém ultimamente, na agricultura atual, os castanheiros, na sua maioria, são enxertados no viveiro, criando desta forma plantas já prontas a produzirem, o que facilita a vida aos agricultores, tornando os soutos mais homogéneos, e entrando mais rapidamente em produção, superando-se assim a grande heterogeneidade dos soutos obtidos pela enxertia alta dos castanheiros, que acarretavam o retardamento do começo da produção, já para não falar que nem sempre existia o devido cuidado na obtenção do material vegetativo para enxertia.
17
Nas enxertias feitas com borbulha, para além do corte cuidadoso das fitas que foram usadas na enxertia, deve ainda cortar-se o ramo do porta-enxerto cerca de 10 centímetros acima do enxerto, na época da Primavera. Em princípio, o porta-enxerto (bravio) iniciará a sua atividade antes da variedade (borbulha), e por isso os rebentos que aparecem devem ser aniquilados, aguardando o desenvolvimento da borbulha. Se por acaso a borbulha não se desenvolver, ou até mesmo aparecer morta (seca), a melhor decisão a tomar é deixar crescer um dos melhores rebentos bravos, para que depois se possa recorrer novamente à enxertia (Ramos, C. et al., 2015)
Como não existe tanta proteção nos rebentos enxertados em castanheiros bravios em local definitivo, como naqueles que são produzidos em viveiro, e de forma a evitar que eles partam, ou se recorre à proteção desses novos ramos, ou se eliminam algumas folhas para que a resistência ao vento seja menor, ou ainda, para que fiquem mais endurecidos e evitem novos lançamentos, podam-se a 40-50 cm de altura.
A p oduç o de asta hei os po ia asse uada out a est at gia de p oduç o existente mais recente, que através da multiplicação assexuada ou vegetativa nos permite obter novas plantas iguais às plantas mãe, utilizando para o efeito partes dessas mesmas plantas.
Os autores clarificam que esta operação de propagação das plantas, para além de ser utilizada ao nível dos porta-enxertos resistentes à doença da tinta (híbridos), pode ainda ser usada como produtor direto, por exemplo no caso de variedades híbridas (euro-japonesas). Os dois tipos de métodos mais usuais são por estacaria, que é feito através da utilização de pequenas porções (estacas) da planta mãe, e através de mergulhia, que é feito utilizando os próprios rebentos da planta mãe, promovidos pela poda intensa a que essas plantas são sujeitas.