TDI: T = tecnologia; D = digital; e I = interativa. O entendimento de cada palavra que constitui o termo TDI é de grande importância, pois cada uma delas carrega um significado relevante quando discutimos as tecnologias digitais no contexto educacional.
Tecnologia é mais que uma ferramenta e se refere ao conhecimento que está por trás do artefato. Segundo Veraszto et al (2008), tecnologia é uma forma de conhecimento, uma produção criada pelo homem ao longo da história, um conjunto de saberes que se referem à
concepção e desenvolvimento de instrumentos para satisfazer suas necessidades tanto coletivas como individuais. Prensky (2012) entende por tecnologia tudo o que o humano inventou ou se apropriou para ajudar a si próprio. Ainda segundo o autor, ela vem de muitas formas: física, elétrica, digital, mesmo farmacológica, abrangendo um amplo campo da atividade humana do discurso, da escrita, da roupa, das ferramentas, das modernas ferramentas digitais entre outras.
Já o digital é responsável por uma grande revolução não apenas tecnológica, mas também cultural. A transição do analógico para o digital, de acordo com Silva (2005), permitiu a criação e organização de elementos de informação, o estabelecimento de novas formas de comunicação que hoje tem um reflexo globalizado e com características culturais próprias fruto do advento da internet. Nesse sentido, Amaral (2008) esclarece que a tecnologia digital se refere à convergência digital do vídeo, textos e gráficos. Significa, portanto, uma nova materialidade das imagens, textos e sons que, na memória do computador, estão definidos matematicamente e processados por algoritmos, em combinações numéricas de 0 ou 1.
Faz-se necessário, nesse ponto, tratar do conceito de interativo ou interatividade relacionando-o com o conceito de interação muito utilizado na abordagem sociointeracionista de Vygotsky. Hoje, em muitas bibliografias, segundo Ferreira (2008), é muito frequente o termo “interativo” ser utilizado em substituição de “interação” e vice-versa, porém, quando o assunto é definição, estudiosos apontam que o conceito de “interatividade” é, frequentemente, indefinido ou subentendido, da mesma forma que ainda não possui consenso entre os pesquisadores.
Diante disso, a intenção aqui não é debater sobre o conceito de interatividade, ainda muito controverso, e sim definir, com base em referências, o escopo de uso dos termos interatividade ou interativo e interação para o contexto da pesquisa. De acordo com Ferreira (2008) a origem dos termos é distinta:
Interatividade vem do ímpeto do substantivo feminino de inter- + atividade, onde
há: 1) comunicação recíproca; 2) possibilidade de interação entre os indivíduos ou elementos de um sistema; 3) inform – grau de intervenção do utilizador no sistema informático através da introdução de dados e comandos.
Interação também agrega o substantivo feminino de inter – e + ação, sendo: 1) ação
recíproca de dois ou mais corpos uns nos outros; 2) atualização da influência recíproca de organismos inter-relacionados; 3) ação recíproca entre o usuário e um equipamento (televisor, etc.); 4) social: ações e relações entre os membros de um grupo ou entre grupos de uma sociedade.
Dessa forma, “interatividade” vem de “interativo” e não de “interação”, e, o autor enfatiza ainda, que interatividade não é verbo (ação), ao contrário de interação (verbo interagir).
Em Silva (2002), acabamos encontrando uma definição mais convincente sobre o termo interatividade. O sociólogo se esmerou em desvelar o surgimento do termo, que, diferentemente do que muitos imaginam, é surgido na década de 1970 na área da comunicação e não da informática. Tal expressão buscava a bidirecionalidade entre emissão e recepção, proporcionando uma comunicação mais aberta e criativa que potencializava as trocas entre os polos. Naquela época, a comunicação era a base da sociedade e com as mudanças da sociedade industrial, que de relações uniformes e repetidoras mudara para a sociedade da informação, questionadora, cocriativa e coparticipativa, viu nas tecnologias digitais características muito relacionadas com essa ideologia comunicativa.
A partir daí, houve um uso do termo interativo ou interatividade muito associado ao campo da informática. Silva (2002, p.93) afirma ainda que “interatividade designa muito mais que as interações sobre as quais repousa a estabilidade do modo físico ou biológico”. O autor menciona três aspectos característicos da interatividade que são: a dinâmica espiralada: que torna o sujeito ativo, não mais como espectador passivo, ele coparticipa, cocria de forma incessante, num continuum que permite outras participações suas e de outros; o desenvolvimento imprevisível: este vem como resultado dessas inúmeras participações que acabam por produzir o novo, o desconhecido, muitas vezes revelando novas situações antes que se produza o desejado, como numa teia hipertextual, onde uma busca gera muitos encontros; e o indefinidamente aberto: aquilo que está disponível a muitos resultados e muitas construções, a partir de uma mesma proposta.
Diante disso, é importante mencionar que Silva não distingue interatividade de interação, para ele são sinônimos. A interatividade pode ser entendida como um conjunto de ações/reações, locuções/interlocuções que podem se dar em qualquer área da comunicação humana, na relação pessoa-pessoa ou pessoa-tecnologia conforme afirma Silva (2002, p.20):
interatividade é a disponibilização consciente de um mais comunicacional de modo expressivamente complexo, ao mesmo tempo atentando para as interações existentes e promovendo mais e melhores interações – seja entre usuário e tecnologias, digitais ou analógicas, seja nas relações “presenciais” ou “virtuais” entre os seres humanos.
Diante disso, para este estudo, trataremos do termo interatividade ou interativo, como sendo uma característica das TDIs no sentido de possibilitar uma interação humano- computador com possibilidades ilimitadas de resultados e construções, com possibilidades de interações onde há o novo, o desconhecido, muitas vezes revelando novas situações antes que se produza o desejado. Entendemos as TDIs como tecnologias com características interativas também pela possibilidade de construção de muitos resultados e muitas respostas a partir de uma mesma proposta.
Quanto ao termo interação, será utilizado com base nos conceitos utilizados na área da psicologia e da computação pela relação destas áreas com a presente pesquisa. O quadro abaixo demonstra o conceito relacionado às respectivas áreas.
Quadro 1 - Quadro conceitual de interação dividindo as áreas da psicologia e da computação.
Área Conceito de Interação
Psicologia “duas entidades influenciando simultaneamente o comportamento de cada uma delas, numa dada situação”.(SOULA, BARON, NESTOR, 1997, p. 7)
Computação “relação entre a pessoa e a máquina, processo que acontece quando uma pessoa opera uma máquina, tipo de controle”. (JENSEN, 1999, p. 190)
Fonte: Autor (2013)
Portanto, será utilizado o termo interação15 do verbo interagir para expressar toda e qualquer relação humano → TDI, assim como toda a troca em que há uma ação-reação entre humanos.