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Dans le document Data Mining (Page 104-107)

O Messenger, para além de possibilitar conversas informais entre os jovens, permite também a criação de situações significativas de utilização em contexto educativo, nomeadamente debater, discutir e analisar temas, ideias e tópicos, enunciar questões, expressar ideias e opiniões, planificar e realizar trabalhos de índole colaborativa, assistir a palestras ou dissertações, praticar a aprendizagem de línguas estrangeiras, etc.

De acordo com Jonassen, referido por Soares (2005) “Ao proporcionar um contexto para a aprendizagem, estes ambientes virtuais [de comunicação síncrona] formam comunidades de aprendentes e facilitam uma aprendizagem mais significativa (Jonassen, 2000, p. 237).” (p. 33)

Embora para alguns professores, o Messenger possa apresentar pouco valor educativo, não obstante as suas possíveis limitações, pode ser usado com sucesso em termos educativos, trazer benefícios ao processo de ensino-aprendizagem e contribuir para a efectivação de estratégias pedagógicas variadas. Para o efeito torna-se necessário que sejam encontrados os contextos adequados a uma utilização conveniente desta ferramenta, em termos de aproveitamento das suas características e potencialidades. (Soares, 2005)

Sendo o Messenger uma forma que incentiva a comunicação e a colaboração síncrona, pode ser uma ferramenta muito útil na constituição de projectos e parcerias entre escolas quer nacionais quer transnacionais, possibilitando aos alunos:

- a cooperação com parceiros que se encontram afastados fisicamente, motivando-os a interagir com colegas de outras escolas, sobre temas de trabalho de interesse comum;

- a troca de ideias e a partilha de conhecimentos, encorajando-os a trabalharem de forma autónoma;

- a tomada de consciência relativamente à sua língua e cultura;

- a oportunidade para desenvolverem competências no uso de línguas estrangeiras em contextos comunicacionais reais, no caso de projectos transnacionais;

- o intercâmbio de documentos e informações; - o conhecimento de outras realidades.

Um exemplo interessante de um projecto educativo transnacional em que é possível a utilização do Messenger, entre outras ferramentas comunicacionais, em contexto educativo, é o eTwinning. O eTwinning é uma acção do programa Life Long Learning da União Europeia que tem como objectivo principal a criação de redes de trabalho colaborativo entre as escolas europeias, através do desenvolvimento de projectos comuns, com recurso à Internet e às Tecnologias de Informação e Comunicação. De acordo com a Newsletter de Junho de 2007 da CRIE “Todos os jovens Europeus, durante o ensino Básico e Secundário, deverão ter a oportunidade de participar, juntamente com os seus professores, num projecto educativo com os seus colegas europeus.”

Este projecto aumenta a oferta de oportunidades pedagógicas a professores e alunos de Portugal, motiva a aprendizagem, alarga a sala de aula à Europa e destina-se a escolas do

ensino Básico e Secundário, cujos alunos têm idades compreendidas entre os 3 e os 19 anos. Como referido no Blogue PROcessu.pt os projectos podem ter diversos formatos:

- um pequeno projecto, com a duração de uma semana, que se focalize numa parte específica do currículo;

- um projecto trimestral para ensino da criação de uma página Web cujo conteúdo se apresente em língua estrangeira;

- um projecto anual de toda a escola sobre História europeia, Matemática ou Arte, cujos conteúdos estejam integrados no currículo e que eventualmente façam parte da avaliação final; - um projecto de cooperação com um ou mais parceiros.

Participar no eTwinning é entrar numa larga comunidade europeia de professores, profissionais interessados em proporcionar aos seus alunos a experiência de estar em contacto directo com outros jovens europeus, de aprender, de trocar ideias e opiniões sobre temas que são do interesse da generalidade dos jovens.

Os professores desenvolvem as suas próprias experiências e competências pedagógicas, o que, neste âmbito, transforma o eTwinning numa comunidade dinâmica em constante crescimento e interacção.

O eTwinning destina-se a professores, alunos, órgãos de gestão, pais, pessoal dos serviços de apoio, webmasters, formadores de professores e pedagogos dos vinte e sete Estados Membros da União Europeia e ainda da Noruega e da Islândia, todos unidos com o objectivo de aproximar professores e alunos em trabalho colaborativo, para a construção de uma identidade comum e para o aprofundamento do que se entende por ser europeu.

Como referido no Portal da Educação, esta iniciativa conta com cerca de 27 000 escolas da Europa. Actualmente, encontram-se registadas no espaço eTwinning mais de 700 escolas portuguesas e cerca de 370 parcerias de projectos, entre escolas portuguesas e de outras nacionalidades europeias.

Depois desta análise sumária sobre o que é o projecto eTwinning, que como vimos, tem como finalidade desenvolver a educação à dimensão europeia, com recurso às tecnologias de informação e comunicação, vejamos algumas razões que justificam o facto de

considerarmos o Messenger uma ferramenta útil em termos pedagógicos:

- Os professores podem tirar partido desta ferramenta que os alunos utilizam no seu dia-a- dia para conversar informalmente com amigos, colegas e até com desconhecidos e, desta forma, aproveitar a empatia que os alunos, na sua maioria, nutrem pela mesma;

- O Messenger permite uma dinâmica de comunicação diferente e interessante para os jovens alunos na realização de trabalhos colaborativos;

- O Messenger possibilita a criação de cenários de comunicação e colaboração síncronos, em que os intervenientes enviam e recebem mensagens, trocam ideias, opiniões, experiências e saberes, em tempo real, independentemente do local onde se encontrem;

- Como, de uma certa forma, o Messenger contribui para que haja uma certa desinibição e um maior à vontade para exprimir opiniões, ideias e sentimentos, os jovens tímidos soltam- se mais e têm uma participação mais activa;

- No caso de projectos transnacionais, se esta ferramenta for usada sob o ponto de vista linguístico de forma adequada, pode o Messenger contribuir para melhorar as competências linguísticas numa ou mais línguas estrangeiras, pois há uma interacção entre os aprendentes e os naturais da língua. Deverá dar-se a conhecer ao aluno que há contextos diferentes de utilização para os diferentes tipos de linguagem: a formal e a informal. Mas, mesmo sendo a linguagem usada muito informal, podem sempre gravar-se os textos de cada sessão e serem posteriormente trabalhados, em termos linguísticos, pelos alunos;

- Através da gravação das sessões, pode o professor avaliar os contributos de cada aluno e ficar com a ideia da evolução do aluno na construção do seu conhecimento.

Podemos assim dizer que o Messenger em contexto educativo permite interacções entre alunos, que se encontram em espaços diferentes e disponíveis para comunicar on-line. Brdicka citado por Soares (2005) refere:

Em termos educativos estas interacções são extremamente importantes para o estabelecimento de uma filosofia promotora de interculturalidade, do estabelecimento de relações com os outros e de aproximação a realidades diferentes, possibilitando, ainda, a criação de ambientes de aprendizagem colaborativa, onde tem lugar a partilha de informação e de emoções” (p. 34)

Assim, o Messenger permite não só a construção conjunta do conhecimento como ainda contribuir, de forma muito clara, para a criação de ambientes de aprendizagem colaborativa. Em termos educativos, o Messenger pode ter uma utilização muito útil em projectos colaborativos mediados por computador; no entanto, as sessões devem ser previamente planeadas e as interacções devem estar subordinadas a um tema central. Sendo fácil os alunos distraírem-se e dispersarem-se, se não tiverem um conhecimento claro e exacto do que é necessário realizar e obter durante a sessão, é necessária a existência desse planeamento para focalizar as energias e sinergias dos participantes. (Soares, 2005)

Síntese

Neste capítulo demos a conhecer, após referirmos o que é o Mensageiro Instantâneo, a evolução histórica do Mensageiro Instantâneo, que teve como precursor o ICQ criado em 1996 por uma empresa israelita denominada Mirabilis.

Seguidamente, debruçámo-nos sobre um mensageiro instantâneo específico, o Windows Live Messenger, e fizemos a descrição das suas potencialidades. Face aos seus antecessores, este programa tem a particularidade de permitir o envio de mensagens assíncronas, que serão vistas pelo destinatário quando liga o computador.

Seguidamente, reflectimos sobre o tipo de linguagem que é usado nos mensageiros instantâneos. Esta linguagem é constituída por mensagens de texto, abreviaturas, siglas, por acrónimos e símbolos. Fizemos referência ao facto de o Inglês ter sido instituído como língua universal da Internet, pelo que este tipo de linguagem incorpora muitos estrangeirismos e abreviaturas normalmente provenientes da Língua Inglesa. Referimos ainda que estamos a passar por um estádio em que uma neografia está a ser imposta, como resultado da generalização e difusão do acesso à Internet e da sua apropriação como nova forma de comunicação.

Sendo que os jovens aderiram prontamente a este tipo de linguagem, tentámos perceber quais as causas que justificam este tipo de linguagem abreviada. Esta, deve-se ao facto deste tipo de comunicação exigir que se escreva de forma ágil e expressiva e resulta também da criatividade dos seus utilizadores, que faz com que esta linguagem se encontre

em constante evolução. Como resultado da rapidez exigida, a escrita nos mensageiros instantâneos e nos chats aproximou-se da informalidade, própria da expressão oral.

Reflectimos também sobre a preocupação sentida por alguns especialistas da Língua Portuguesa quanto à utilização deste tipo de linguagem, havendo consequentemente duas abordagens: uma a favor e outra conta. Assim, há aqueles que receiam que esta linguagem virtual venha adulterar a Língua Portuguesa e há outros especialistas que consideram que este tipo de linguagem não irá corromper a nossa língua, havendo uma assimilação de novos vocábulos e que este tipo de linguagem não é mais do que uma outra forma de comunicação. Descrevemos e analisámos alguns aspectos inerentes ao Mensageiro Instantâneo como forma de comunicação. Nesta parte do estudo e de acordo com as leituras efectuada, concluímos que os utilizadores das mensagens instantâneas são principalmente os jovens de idade compreendida entre os 12 e os 18 anos.

Os adolescentes caracterizam-se pela necessidade de possuírem um elevado número de amigos e de intensas comunicações face a face com eles. Para os jovens um amigo é aquele com quem passam tempo juntos, com quem fazem coisas juntos e quem lhes dá apoio emocional, isto é, é aquele com quem discutem os seus problemas, de quem recebem e a quem dão conselhos e com quem partilham interesses. Esta necessidade de muitos amigos está associada à formação da própria identidade do jovem; e a necessidade de pertença a um grupo e de ser aceite pelo mesmo está associada à formação da identidade social do jovem.

Assim, os motivos de o Mensageiro Instantâneo ter tão grande aceitação por parte dos jovens, das leituras efectuadas, podemos inferir que são:

- em primeira análise, a grande necessidade de socialização sentida pelos jovens da faixa etária já referida. O Messenger permite satisfazer essa necessidade, na medida em que possibilita a interacção do jovem com um amigo e a interacção com vários amigos em simultâneo através de janelas múltiplas ou através de grupos criados no Messenger, permitindo consequentemente ao jovem satisfazer a sua necessidade de pertença a um grupo;

- um outro motivo, embora menos importante que o atrás referido, prende-se com o facto do jovem poder adoptar no Messenger diversas identidades, daí a dimensão da lista de contactos e de adoptar diversos nomes de ecrã.

De acordo com Lenhart et al. 2005, referimos ainda a intensidade, a frequência e tipo de uso das MI pelos jovens americanos. Quanto ao tempo de uso do MI, 64% dos jovens americanos dão-lhe uma utilização inferior a 1 hora e 36 % usam o MI diariamente mais do que 1 hora. Relativamente à frequência de utilização das MI pelos jovens comparando os resultados dos dois estudos realizados pelo Pew Internet & American Life Project podemos referir que esta aumentou de 2001 para 2005.

Demos conta que Portugal é um dos países europeus em que os jovens mais usam as MI, que estas são, das actividades on-line, aquela que tem mais adeptos.

Neste capítulo, indicámos também as principais utilizações do Messenger em contexto educativo. Este, em nossa opinião, pode ter um papel muito útil na construção do conhecimento dos jovens e na criação de ambientes de aprendizagem colaborativa.

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