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A ideia da rastreabilidade consiste em identificar e marcar cada item à medida que o mesmo flui pela cadeia de abastecimento. A capacidade para seguir e localizar produtos tornou-se um requerimento necessário em muitas cadeias de abastecimento. Este processo serve para melhorar o desempenho logístico dentro da cadeia de abastecimento, permite melhorar o serviço ao cliente e reduzir custos.

A rastreabilidade surgiu inicialmente com a globalização e necessidade de controlar o percurso dos alimentos, pois caso exista um problema, facilmente se chega à base deste, permitindo que se retirem de circulação os alimentos com problemas, evitando assim consequências que de outra forma poderiam ser devastadoras (Hoorfar et al., 2011).

Na saúde a rastreabilidade também possui um papel fundamental, segundo (European Commission;2004), todos os tecidos e células produzidas, processadas, armazenadas ou distribuídas na europa devem obrigatoriamente cumprir um requisito de rastreabilidade, o que consiste em poder ser rastreadas desde o dador até ao doente e vice versa.

Na saúde a rastreabilidade permite que, com uma determinada identificação da parte (tecido ou célula) em questão, se consiga reconstruir o caminho percorrido por esta desde o dador até ao receptor, obtendo assim informações acerca de como foi armazenada,

transportada, entre outros. Para isso a rastreabilidade deve ser realizável em tempo útil, sendo que cada parte deverá ser identificada separadamente por um conjunto de dados únicos e parte-se do principio que para a construção do rasto, cada segmento permanece intacto. As diversas entidades que tiveram qualquer tipo de contacto com as células em questão devem armazenar informação numa base de dados acerca da proveniência, informações importantes relacionadas com o percurso da parte na entidade e o destino dado, podendo assim rastrear

Porém, surge um problema quando uma das entidades que contem informações acerca do rasto deixa de ter essa informação disponível por uma qualquer razão,

comprometendo assim todo o rasto, pois chega-se a “um caminho sem saída”, por outro lado, em caso de necessidade de seguir rapidamente o rasto para travar um qualquer problema, surge um entrave, do espaço temporal necessário para cada entidade fornecer as informações necessárias.

Neste sentido, rastreabilidade deverá, no caso de tecidos humanos possuir um campo que identifica o dador, possibilitando assim em caso de problema de segurança pública uma rápida identificação de todos os tecidos com esta proveniência (Fishman et al. 2009), cria-se assim uma ponte pelas diversas entidades envolvidas.

A solução pode passar pela criação de diversas pontes que consistem em informação que são armazenadas no rasto desde um determinado ponto deste até ao final, ou seja, um tecido pode incluir na sua identificação um campo onde é colocada a identificação da entidade que recolheu o tecido, mantendo essa informação, pode-se a qualquer momento identificar o método de recolha sem percorrer necessariamente todo o rasto, mas esta solução não resolve todos os problemas da vida real.

Neste momento cada entidade é responsável por armazenar estes dados

relativamente à rastreabilidade e a legislação europeia obriga a que essa informação seja armazenada por um período de 30 anos a partir do momento em que o tecido foi utilizado, o que se pode atualmente traduzir em armazenagem eterna de dados, pois a entidade que recolhe os tecidos não recebe informação da data de utilização destes.

Na Itália, este problema foi resolvido através da criação de uma base de dados central que recebe todas as informações de rastreabilidade desde o dador até ao receptor, sendo assim todas as entidades obrigadas a enviar informações do manuseio dos tecidos para essa base de dados, porém quando os tecidos passam a fronteira, o problema surge de novo.

A rastreabilidade é neste momento dificilmente compreendida e controlada, segundo (Ashford, 2010) existe uma falta de sensibilidade e consequente apreciação da complexidade do rasto de informação, a rastreabilidade tende a ser vista como fragmentos de informação, quando deveria ser vista na forma de um conjunto de informações que formam uma cadeia de rastreabilidade, estes dados são muitas das vezes tratados como estáticos em vez de

que nem sempre é verdade. Para além disso, quando o tecido rastreado vai ser dividido em vários, quando são acrescentados conservantes, enzimas, ou outros produtos, este torna-se num conjunto de produtos que se tornaram num ou mais produtos, criando assim uma teia complexa.

De acordo com (Ashford, 2010), a forma mais evidente de tornar a rastreabilidade eficaz passa pela criação de normas mundiais de rastreabilidade, onde devem ser incluídas as formas dos códigos a incluir na rastreabilidade, por outro lado as auditorias à rastreabilidade efetiva são a forma mais eficaz para identificar as fraquezas e soluciona-las, obtendo assim uma rastreabilidade robusta.

A rastreabilidade está, ao contrário do que acontece em muitas outras áreas, numa fase muito desenvolvida no que toca à saúde, devendo-se olhar para esta área quando se pretende desenvolver rastreabilidade. No ambiente da indústria automóvel e devido à elevada produção, a rastreabilidade dos componentes é, neste momento, um requisito para muitos dos clientes.

Tal como nos alimentos, a identificação e recolha dos componentes com um

determinado problema pode evitar acidentes ou a perda de componentes em bom estado de funcionamento, no caso de um problema, pode fazer a diferença da substituição de todos os auto rádios de uma determinada gama de veículos ou de apenas alguns (por exemplo: que partilham resistência x que foi armazenada no armazém Y) evitando assim os custos associados a uma substituição em massa.

(Cleland-Huang et al., 2004) vêem a rastreabilidade não apenas como uma forma de resolver problemas, mas sim de os evitar. Desta forma, as empresas devem estudar os benefícios e custos da rastreabilidade, pois esta deve ser útil e não apenas um conjunto de dados que a empresa tem dificuldade em manter e gerir, e links que não são usáveis.

Na Bosch considera-se que a rastreabilidade é economicamente viável e os seus processos incorporam a utilização da informação rastreável desde a chegada de materiais até ao envio do produto final.