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Conclusion du Chapitre 1

LE JARDIN GRAMACHO

2.3 Classification des acteurs enquêtés et observés

8 – Diversificação nas estratégias

 Recurso a estratégias alternativas ao manual de disciplina.

 Resposta aos interesses dos alunos

9 - Estratégias de ordem prática

 Resposta às capacidades dos alunos

 Recurso á componente prática para explorar conteúdos teóricos

 Aumento da motivação dos alunos

 Recurso à exemplificação

10 - Diferenciação pedagógica

 Impossibilidade dada a nivelação por baixo do grau de exigência

 Maior facilidade em fazer diferenciação nos pca que no ensino regular

11 - Trabalho em grupo

 Frequente recurso ao trabalho em grupo

 Partilha de saberes entre alunos

12 - Apoio individualizado aos alunos

 Incentivo aos alunos na realização das tarefas

 Obtenção de melhores resultados

13 - Excesso de responsabilidade individual do professor

 Na organização do currículo

 Na planificação

 Falta de troca de experiências

 Falta de partilha de problemas individuais

 Falha na articulação entre disciplinas

SEMELHANÇAS COM O ENSINO REGULAR

Uma das professoras encontra muitas semelhanças na sua atuação nos percursos curriculares alternativos com a prática nas turmas de currículo regular. Desde logo, as competências a desenvolver pelos alunos, passando pelas atividades propostas e conteúdos lecionados e culminando nos parâmetros de avaliação.

É assim, nós sabemos que as competências que estão ali no segundo ciclo são as mesmas do ensino regular (...) Eles fizeram todas as atividades que uma turma regular possa fazer. Todos os conteúdos (…) E em relação à avaliação… a avaliação era normal. Os parâmetros que estavam estabelecidos para a escola.

54 Um dos professores refere-se a algumas competências programadas para os alunos do ensino regular e que os seus alunos de percursos curriculares alternativos atingiram.

Eles sabem ler igual aos outros. Numa turma normal, o que os outros estão a ler, numa turma de 6º ano, eles também estão a ler.

(Professor H)

METODOLOGIAS DISTINTAS DO ENSINO REGULAR

A professora a que nos referimos no bloco anterior e que aponta as semelhanças na sua ação quanto aos conteúdos, competências, atividades e avaliação, refere que o faz de forma adaptada, quando age nos percursos curriculares alternativos.

Os restantes professores apontam algumas diferenças a nível das metodologias adotadas e que são adaptadas ―àquilo que nós achamos que eles são capazes de fazer” (Professora B). Os alunos dos currículos regulares têm maior autonomia que os seus colegas dos pca uma vez que os professores sentem que, em relação a estes, “ a gente tem de estar sempre ali e tem de estar sempre presente (…) para eles fazerem os exercícios” (Professora B).

Os professores tentam, nas suas aulas desenvolver uma relação mais próxima com os alunos ―para eles nos conseguirem contar as coisas e conseguirmos fazer um melhor trabalho com eles e percebermos porquê daqueles comportamentos” (Professora B).

Também a nível dos materiais que usam, os professores referem que acabam por promover diferenças e a principal prende-se com o facto de nas turmas de pca não existir manual de disciplina. Assim, as atividades propostas são de cariz mais prático, mesmo para aprofundamento de conteúdos teóricos.

Eu faço muita coisa escrita, [nas turmas de ensino regular] faço formação musical ao nível, mesmo, dum primeiro grau de conservatório, mais aprofundado, até, do que o próprio livro. E essas coisas, eu, aprofundo mais nas turmas normais.

(Professor H)

Os professores dos percursos curriculares alternativos referem que tentam utilizar uma comunicação mais detalhada, com “muito mais informações” (Professora B) e nas disciplinas de línguas, dizem recorrer mais vezes à comunicação em português do que quando estão a trabalhar com alunos dos currículos regulares.

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(…) se calhar, numa turma regular, eu falo mais inglês do que no pca. Dou mais ordens em inglês do que nos percursos curriculares alternativos.

(Professora C)

No que toca às exposições de matérias, os professores dizem que as mesmas têm ―de ser uma coisa muito mais gradual do que na turma regular (...) ” (Professora C) e que têm ―mais cuidado (…) em explicar melhor certas coisas para eles perceberem melhor.” (Professora D)

ADAPTAÇÃO DA PLANIFICAÇÃO

Os professores dizem ―nivelar um bocadinho por baixo os objetivos que estabelecemos ou mesmo aquilo que achamos que eles vão conseguir atingir” (Professora F). Alguns fazem uma abordagem superficial dos conteúdos ou retiram mesmo alguns dos conteúdos previstos para o currículo regular quando elaboram a planificação para as turmas de currículos alternativos.

Normalmente pega-se num currículo normal e depois vai-se tirando (...) Vais tirando conteúdos (...) No mesmo conteúdo, não vais aprofundar tanto (…) Dás apenas o superficial.

(Professor A)

Outros fazem a adaptação da planificação e, por vezes, vão-na rearranjando em função das características da turma em que estão a agir.

Comecei com o pca, mais ou menos a dar o que dava nas outras turmas, depois vi que eles não conseguiam acompanhar a mesma coisa, depois, fui adaptando, pronto!

(Professora C)

METODOLOGIAS ADAPTADAS AOS INTERESSES DOS ALUNOS

A maioria dos professores assume adotar estratégias de acordo com os interesses dos alunos. Essa metodologia passa pela negociação das estratégias, por estratégias de carácter lúdico e pela realização de atividades que sejam familiares aos alunos.

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Lá está, no 6º ano regular, não consigo adaptar tanto àquilo que eles gostam e que eles veem todos os dias. Porque, afinal, temos o manual, temos que usar o manual.

(Professora C)

E depois, quer dizer, eu também falo muito com eles, principalmente com a turma de 5º ano e digo: Então, vou trazer um vídeo. Querem ver um vídeo? Querem ouvir uma música? Às vezes também lhes pergunto o que é que eles gostavam de fazer.

(Professora F)

GESTÃO FLEXÍVEL DO CURRÍCULO

O currículo alternativo passa, por vezes, pela gestão do currículo nacional, de forma a adaptá-lo a cada turma. Essa adaptação pode ser traduzida na simplificação das orientações nacionais, de forma a gerir as aprendizagens que os alunos vão fazendo, dando autonomia ao professor na sua atividade e na gestão de situações como o tempo, as estratégias ou materiais a utilizar. Segundo os entrevistados, esta liberdade de decisão dá-lhes a possibilidade de melhorar o sucesso dos alunos.

Fazes um programa mais “soft”, tiras-lhe essas partes mais difíceis, os conteúdos… tiras essas coisinhas assim, pronto.

(Professor H)

(no ensino regular) Tenho de seguir com os meus colegas. Tenho de

acompanhar os meus colegas. Tenho que ir ao mesmo patamar e com o PCA é diferente.

(Professora E)

PROCESSO DE AVALIAÇÃO

Em relação à avaliação, os professores reportaram-se a duas práticas distintas: A adaptação que se traduz numa diminuição da exigência, e a avaliação contínua.

Também a nível da avaliação, se calhar não sou tão exigente a nível de correção como seria numa turma de regular (…) Se calhar o teste até nem

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correu muito bem mas aquele aluno faz os trabalhos de casa, está ali, participa… Valorizo mais isso.

(Professora F)

REFORÇO DA AUTOESTIMA DOS ALUNOS

A autoestima dos alunos é um fator a que os professores dedicam alguma atenção. Esse reforço passa pela motivação dos alunos através da valorização dos seus aspetos positivos, tais como a participação oral e as evoluções conseguidas. Algumas vezes a equiparação das suas capacidades com as dos colegas do ensino regular é uma estratégia usada, bem como a adoção de atividades em que os alunos tenham já revelado competências.

Tentei o máximo, não é, dar-lhes ali um reforço positivo pelo facto de estarem a participar.

(Professora C)

Também puxar por eles de modo a que eles também sintam que conseguem evoluir e exigir sempre de modo a que eles sintam que também conseguem evoluir e que não estão assim tão longe das outras turmas.

(Professora F)

Eles tinham que sentir... É aquilo que eu senti nesta turma era que eles tinham que fazer algo em que eram bons, que sabiam.

(Professora G)

DIVERSIFICAÇÃO NAS ESTRATÉGIAS

Segundo os professores entrevistados, uma outra forma de agir nos percursos curriculares alternativos passa por ―organizar muitas estratégias dentro da sala de aula” (Professora B). E ssas estratégias resultam da necessidade de encontrar alternativas às atividades propostas pelos manuais para as turmas dos currículos regulares e pela resposta aos interesses dos alunos.

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Ou eles preferiam que eu ditasse um problema e eles resolvessem ou uma ficha, ou uma apresentação em PowerPoint. Tinha de ser sempre diversificado, porque senão eles cansavam-se.

(Professora E)

ESTRATÉGIAS DE ORDEM PRÁTICA

Os professores das disciplinas teóricas referem optar mais vezes por estratégias de ordem prática na lecionação dos conteúdos, de forma a fomentar o sucesso dos alunos, dando resposta às suas capacidades e incrementando a sua motivação.

E depois, a partir daí, vi logo que a parte instrumental pegava e foi onde eu resolvi mais como é que ia resolver isto (…) Na prática instrumental expliquei o conteúdo teórico (…) prefiro eu tocar para eles verem e eles depois repetem, um a um e eu vou um a um a ver se é, quando estão a fazer aquilo metemos aquilo numa música e é assim que tem funcionado ali.

(Professor H)

Mais à base de exercícios práticos de audição ou de, no caso da disciplina de inglês, de visualização de animações e não tanto por vezes a escrita.

(Professora F)

DIFERENCIAÇÃO PEDAGÓGICA

Os professores dividem-se no que diz respeito à possibilidade de fazer diferenciação pedagógica nas turmas de percursos curriculares alternativos. Se, por um lado, uns se reportam às aprendizagens dos alunos como algo que ―já está mesmo com o nível muito baixo e não dá para diferenciar (Professor A), há outros a dizer que ―no pca, já essa diferenciação pode ser feita mais facilmente.” (Professora C).

TRABALHO EM GRUPO

O frequente recurso ao trabalho em grupo é, igualmente, referenciado como uma estratégia de ação nos percursos curriculares alternativos, o que fez com que, em alguns casos, “eles trabalhassem de modo a que, quem sabia mais, conseguisse também explicar um bocadinho aos outros” (Professora C).

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APOIO INDIVIDUALIZADO AOS ALUNOS

O apoio individualizado é usado como forma de incentivar os alunos e de fazer com que eles obtenham bons resultados.

Faz com que eles não digam logo à partida: “Eu não sou capaz de fazer isso porque isso é muito difícil (...). E isso foi uma estratégia que nós usámos para conseguirmos ter melhores resultados deles.

(Professora B)

EXCESSO DE RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL DO PROFESSOR

Os professores que estão inseridos nos projetos de percursos curriculares alternativos sentem que trabalham de forma isolada e atribuem essa forma de trabalhar também aos seus colegas com quem sentem haver falta de troca de experiências e de partilha de problemas individuais. O excesso de trabalho individual do professor verifica-se, igualmente, ao nível da organização do currículo e da planificação, uma vez que ―as planificações e os conteúdos é à vontade do freguês‖ (Professor A), o que provoca uma falha na articulação interdisciplinar.

Cada um trabalha com a sua disciplina e cada um tenta arranjar as suas estratégias (…) seria útil (…) entre professores, falarmos, trocarmos ideias, percebermos como é que um trabalha, como é que o outro vai trabalhando. E se calhar, isso também falta nos conselhos de turma (…) Sabermos o que é que um professor faz com eles para conseguir ter melhores resultados (…) Já que as reuniões existem, não só para falarmos dos problemas da turma, mas também nos nossos próprios problemas.

(Professora B)

4 – DIFICULDADES NA AÇÃO COM TURMAS DE PERCURSOS CURRICULARES ALTERNATIVOS

Neste bloco pretendemos aferir as dificuldades dos professores, a dois níveis: i) as dificuldades resultantes da sua ação em turmas de percursos curriculares alternativos e ii) as dificuldades que sentiram pelo facto de estarem no início das suas carreiras. Em relação às segundas, optámos apenas por considerar as dificuldades resultantes da condição de principiantes, aquelas em que os professores, quando a elas se reportam, fazem referência a esse seu estatuto.

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TABELA 6. CATEGORIA – DIFICULDADES DA AÇÃO COM TURMAS DE PERCURSOS CURRICULARES