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A recolha de dados decorrentes da práxis assumiu um papel crucial ao longo do processo investigativo. O recurso a diferentes técnicas entendidas como “conjuntos de procedimentos bem definidos e transmissíveis, destinados a produzir certos resultados na recolha e tratamento da informação requerida pela actividade de pesquisa” (Almeida & Pinto, 1976, p.78) permitiu, refletir em torno do problema identificado, bem como da implementação prática de estratégias, no sentido de operar as mudanças pretendidas.

Atendendo à dinâmica de ação da nossa investigação, utilizou-se como técnica de recolha de dados a observação participante. Recorreu-se, também, a instrumentos metodológicos para o registo dos dados que foram surgindo ao longo do estudo. Em concordância com a técnica de recolha de dados acima referida, pareceu-nos adequado

utilizar as notas de campo, os diários de bordo e os registos fotográficos e videográficos como instrumentos de registo dos dados. Este último tipo de registo permitiu exibir e ilustrar ocorrências para posterior análise e interpretação, fornecendo dados complementares às observações. Este conjunto de técnicas e instrumentos permitiu recolher e registar os dados provenientes das várias fases investigativas, configurando-se, na perspetiva de Bogdan e Biklen (1994), “as provas e as pistas. Coligidos cuidadosamente servem como factos inegáveis que protegem a escrita que possa ser feita de uma especulação não fundamentada” (p.149).

Observação Participante.

A observação possibilita ao investigador compreender as pessoas, as interações estabelecidas e o contexto onde ocorrem. Embora a capacidade de observar implique um treino determinado pela prática (aprende-se praticando), no sentido de evitar dispersões, esta foi a técnica privilegiada no contexto da investigação uma vez que já nos encontrávamos inseridos no contexto do estágio. Assim, a observação participante (Woods, 1993), no decorrer da práxis possibilitou a interação direta com as crianças e todo o contexto envolvente, sendo, por isso, possível reunir informações acerca da eficácia da ação realizada. A análise em torno dos dados recolhidos permitiu reajustar o plano de intervenção bem como delinear novas estratégias de ação.

De acordo com a perspetiva de Ary, Jacobs e Razavieh (1996), através da observação participante, o investigador “studies a group by becoming a part of the group – observing, intervewing, and actually participating in their activities. (...) Participant observation has the advantage of allowing for a detailed and comprehensive picture (...)” (p.482). Os autores realçam como vantagem desta técnica o facto de possibilitar a compreensão direta do contexto no qual decorre a investigação.

Notas de campo.

As notas de campo constituem um dos instrumentos de registo dos dados decorrentes da observação in loco. Nelas podem ser incluidos “registos detalhados, descritivos e focalizados do contexto, das pessoas (retratos), suas acções e interacções (trocas, conversas), efectuados sistematicamente, respeitando a linguagem dos participantes nesse contexto”

(Spradley, 1980 citado por Máximo-Esteves, 2008, p. 88). Na mesma perspetiva Bogdan & Biklen (1994) consideram que as notas de campo assumem-se como “material reflexivo, isto é, notas interpretativas, interrogações, sentimentos, ideias, impressões que emergem no decorrer da observação ou após as suas primeiras leituras” (p. 168).

O registo das observações realizou-se maioritariamente no decorrer das atividades de livre iniciativa das crianças, o que possibilitou anotar pormenores das ocorrências, frases ditas pelas crianças e descrever situações. No caso das atividades orientadas, realizou-se os registos após o término da atividade. Importa referir que estas notas de campo foram diariamente analisadas e expandidas nos diários realizados, permitindo a obtenção de uma visão clara daquilo que acontecia no contexto da intervenção.

Diários de bordo.

Os diários, como instrumento de registo de dados, desempenharam um papel fundamental no decorrer da ação pedagógica. Neles foram incluídas as notas de campo bem como outros dados emergentes da análise e interpretação das situações ocorridas na práxis. No entanto, os registos contêm descrições e sequências interpretativas focando um conjunto de comentários e notas pessoais (relações entre ideias, sentimentos, especulações, notas/interpretações pessoais) o que lhe atribui um caráter permanentemente reflexivo intrínseco ao investigador. Neste arquétipo, Brazão (2007), defende que o diário pode ser utilizado:

como método de investigação, método de colecta de dados, de descrição dos processos e estratégias da própria pesquisa e análise das implicações subjectivas do pesquisador; método de formação dos docentes, análise de práticas pedagógicas de formação dos docentes, análise de práticas pedagógicas e desenvolvimento profissional e pessoal; método de intervenção, investigação-acção (p. 292).

Zabalza (1994), que concetualiza o diário como um instrumento de desenvolvimento profissional dos docentes, ressalva que “a virtualidade mais interessante do diário (…) é o diálogo que o professor, através da leitura e da reflexão, trava consigo mesmo acerca da sua actuação nas aulas. A reflexão é, pois, uma das componentes fundamentais dos diários de professores” (p. 95). De facto, nos diários escritos, procurámos transpor o nosso pensamento

para uma narração escrita, numa abordagem reflexiva como dimensão constitutiva do diário (Zabalza, 1994).

Registos fotográficos e videográficos.

Os registos fotográficos e em formato áudio foram utilizados com regularidade para recolha de dados no âmbito da observação participante. Recorreu-se a este instrumento sempre que se pretendeu registar com maior fidelidade situações ocorridas no contexto da intervenção pedagógica, sobretudo expressões das crianças e interações/conversas em grande e pequeno grupo ou entre as crianças e os adultos, com pertinência para a investigação em curso. De acordo com a natureza da nossa questão de investigação, concordou-se com a visão de Bogdan e Biklen (1994) quando referem que este tipo de registo representa “um meio de lembrar e estudar detalhes que poderiam ser descurados se uma imagem fotográfica [ou um vídeo] não estivesse disponível para os reflectir” (p. 189) pois, na impossibilidade de escrever todas as situações a ocorrer em simultâneo, este tipo de registo permite captar todo o âmago do momento.

Estes registos, recolhidos ao longo da investigação, foram posteriormente analisados e transpostos para um registo escrito com notas interpretativas e comentários, realizando-se, também, uma descrição do contexto em que o vídeo/foto se insere. O caráter retrospetivo deste instrumento de registo de dados permitiu (re)ver situações e detetar pormenores na interação verbal que possivelmente não teriam sido captados na observação no contexto natural.

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