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Les classes de fonctions V C

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O ápice do Reino longobardo, com a máxima expansão territorial se deu no reinado de Liutprando (713-744), principal rei

316 DIACONO, Paolo. Op. cit., p. 316. [Enviado o seu oficial da guarda Zacarias, ordenou a

deportação do Papa Sérgio a Constantinopla, por não aceitar e subscrever as decisões do sínodo que ele teve em Constantinopla para afirmar o próprio erro. Mas o exército de Ravena e das zonas vizinhas, desprezando as iníquas ordens do príncipe, expulsou Zacarias entre injúrias e ofensas.]

legislador depois de Rotário e que era católico fervoroso, isso em um momento de grandes conflitos entre o papado e os Imperadores por questões territoriais na Itália317 especialmente a partir de 726, com o cisma instaurado entre os católicos ocidentais e orientais pelo

317 O rei Liutprando tentou conquistar um papel hegemônico em toda a Itália, mas encontrou

resistência de Constantinopla e também dos grão-ducados de Spoleto e de Benevento, que eram territórios praticamente independentes do trono longobardo, agora sustentados por Roma em seu ulterior intento de conseguir autonomia. Inicialmente o rei procurou manter a paz com Roma e o Império, para não se comprometer com uma aventura militar enquanto tinha duques rebeldes, tendo sido uma das suas primeiras atitudes no trono o constrangimento, mediante um exército, do duque de Spoleto para a devolução do porto de Ravenna aos bizantinos, que havia sido conquistado com o apoio do papa. Em 715 restituiu à Igreja territórios nos Alpes Cótios, mostrando boa vontade ao papado e assinalando sua fé católica. As instabilidades políticas em Constantinopla afastaram as províncias italianas do Imperador e Liutprando procurou consolidar a sua posição no trono longobardo assediando Ravenna em 717, enquanto Constantinopla era atacada pelos sarracenos – depois de conquistarem a Península Ibérica – impedindo que uma tropa imperial chegasse a Roma para assassinar o papa, por causa do cisma iconoclasta. Nessa época, os Sarracenos invadiram a Sardenha e Liutprando se empenhou para o resgate dos restos mortais de Santo Agostinho, que foram transferidos para Pavia, onde estão guardados até os dias atuais. Enquanto isso, os duques de Spoleto e Benevento conquistavam para si a região central da Itália desfazendo o “corredor” entre os bizantinos e Roma. Em 724, tropas imperiais avançavam contra Roma para depor o papa e Liutprando com seu exército protegeram a cidade. A política anti-bizantina reforçou sua posição de rei na Itália, mas as alianças sempre mais estreitas entre os grão -ducados de Spoleto e Benevento com a Igreja fomentaram as antigas tendências de autonomia dessas regiões, para serem mais facilmente controladas pelos papas. Em uma quebra de aliança com os duques meridionais em 729, Liutprando – tendo o exarca como aliado – marchou contra os grão-ducados e submeteu os duques, marchando, em seguida, contra Roma, intencionando negociar uma paz entre o exarca e o papa, que estavam rompidos. Liutprando, submetendo-se à pregação papal, ofereceu garantias de vida ao papa e em seguida negociou com o exarca, prometendo que a sua rebelião ficaria impunida perante o papa, além da garantia da entrada dos romanos em paz em Roma. Com essa política, Liutprando conseguiu uma posição inédita: ser rei de todo seu povo e, de outro lado, estender seu poder de influência em grande parte da Itália; inclusive em relação a partidos bizantinos adversários, que poderiam ser manipulados. Em 732, conseguiu submeter uma revolta no ducado de Benevento, colocando um neto como duque, enquanto um dos seus sobrinhos conseguiu conquistar Ravenna, estendendo a dominação régia longobarda sobre praticamente toda Itália, mas depois de breve tempo os venezianos – a pedido do papa Gregório III – conseguiram reconquistar Ravenna para os bizantinos graças a um ataque naval. Os últimos 5 anos do governo de Liutprando foi caracterizado por duras lutas para ter predomínio sobre a Itália, principalmente contra as revoltas nos gão-ducados meridionais, mas submeteu-se reiteradamente aos pedidos do Papa Zacarias, o que revela a autoridade de São Pedro sob a vontade de Liuprando. Quando morreu, em janeiro de 744, deixou a seu sobrinho Ildeprando um vasto reino consolidado. Cf. DIACONO, Paolo. Op. cit., p 344- 364; JARNUT, Jörg. Op. cit., p. 87-92.

movimento iconoclasta.318 Este se deu quando o Imperador Leão III, em 730, emanou uma severa proibição à veneração das imagens sacras (iconoclastia), encontrando forte resistência entre os ocidentais, a ponto de inspirar a emancipação de algumas províncias bizantinas na península com o apoio do Papa Gregório II (715-731), que se colocou como chefe da resistência anti-imperial. Nesse momento, muitas cidades italianas se submeteram ao rei Liutprando, que ostentava o seu catolicismo e ortodoxia, reveladas nas normas jurídicas editadas durante seu reinado.319

Com a conquista longobarda de vários territórios bizantinos entre 727-8, a cidade de Sutri, no Lácio, foi requerida pelo papa ao rei Liutprando. Sobre esse fato, sustenta Jörg Jarnut:

Liutprando donava adesso Sutri agli apostoli Pietro e Paolo. Era creata in tal modo una costruzione costituzionale – che avrebbe avuto un grande futuro – per trasmettere al papa la sovranità su territori in precedenza sotto dominio imperiale.320

Com o pontificado de Gregório III (731-741), as relações entre o papado e o Reino Longobardo foram melhores do que com o Império, mas isso não evitou que o papa implorasse – sem êxito – ajuda ao mordomo franco Carlos Martel (agosto de 739), para proteger Roma das constantes “ameaças longobardas”. Mas isso se dava porque o papa se aliava reiteradamente aos duques rebeldes de Spoleto e Benevento –

318 Sobre o assunto, consultar: LOT, Ferdinand, p. 320. 319 Observar os proêmios das Leis de Liuprando, no Apêndice C.

320 JARNUT, Jörg. Op. cit., p. 89. [Liutprando doava agora Sutri aos apóstolos Pedro e Paulo.

Era criada, de tal forma, uma construção constitucional – que teria um grande futuro – para transmitir ao papa a soberania sobre territórios anteriormente sob domínio imperial.]

sequiosos por manter autonomia contra a coroa régia – que acabavam sendo perseguidos pelo exército de Liutprando dentro de Roma, asilo dos rebeldes protegidos pelo pontífice.

O sucessor de Gregório III, o Papa Zacarias (741-752), teve uma política diversa, porquanto prometeu a Liutprando o abandono das alianças com os duques meridionais, em troca de quatro cidades do Lácio, o que foi feito e consolidado o ducado de Roma como patrimônio eclesiástico, diminuindo o vínculo administrativo secular bizantino nas terras italianas. Todavia, temendo uma hegemonia longobarda na Itália, o papa exigiu que Liutprando devolvesse grande parte dos territórios conquistados dos bizantinos ao exarcado em Ravena, o que foi feito pouco antes da morte do rei longobardo em 744.321

Em relação à política externa de Liutprando, Paolo Diacono revela fatos praticamente ocultados pelos historiadores medievalistas em relação à colaboração dos longobardos para a consolidação da futura dinastia carolíngia entre os francos:

Circa haec tempora Carolus princeps Francorum Pipinum suum filium ad Liutprandum direxit, ut eius iuxta morem capillum susciperet. Qui eius caesariem incidens, ei pater effectus est multisque eum ditatum regiis muneribus genitori remisit..322

Sabe-se que o mordomo franco Carlos Martel tinha poderes de fato sobre o exército franco e que a dinastia merovíngia estava combalida no século VIII. Como Pepino, o breve, não tinha ascendência

321 Cf. JARNUT, Jörg. Op. cit., p. 92-4.

322 DIACONO, Paolo. Op. cit., p. 354. [Em torno daqueles tempos (737) Carlos, príncipe dos

Francos, enviou o seu filho Pepino para Liutprando, para que, segundo o costume, lhe cortasseos cabelos. Este, cortando-lhe os cabelos, tornou-se seu pai adotivo e o reenviou ao genitor repleto de ricas doações régias.]

principesca, não teria, na mentalidade germânica medieval, legitimidade dinástica para subir ao trono.323 Deveras, ao tornar-se filho (adotivo) do rei do longobardos, poderia ser legitimado no trono com o apoio do exército longobardo, que era umas das principais forças bélicas cristãs do Ocidente. Ademais, o primeiro rei germânico a ser ungido por um papa foi justamente Pepino no ano de 751, dando início a uma novel fase de legitimação dos poderes seculares na História da Europa Ocidental. Sobre o caso da incipiente dinastia carolíngia, pondera Jacques Le Goff:

Os argumentos foram os da deslegitimação dos reis merovíngios por sua incapacidade de assumir funções reais (“reis indolentes”). Mas a usurpação só desapareceu de verdade quando Pepino, o Breve, e seus filhos, por uma dupla unção episcopal e depois pontifícia, adquiriram o caráter sagrado, imitado da unção dos reis de Israel definida no Antigo Testamento.324

Paolo Diacono também comenta a associação que os longobardos fizeram de Ildeprando – sobrinho de Liutprando – ao trono em um momento que o rei estava muito doente e próximo da morte. Ao saber do fato, o rei se irritou muito, mas aceitou o sobrinho como colega durante os seus últimos anos de vida. O monge longobardo terminou a

323 Cf. JARNUT, Jörg. Op. cit., p. 95. Nas palavras doa autor: “Secondo la mentalità

medievale Pipino era adesso un figlio di re ed era chiamato in prima persona ad assumere il potere regio, cosa che, in considerazione della politica condotta dal padre nei confronti dei Merovingi, apriva al principe nel próprio paese prospettive completamente nuove, cui finora la storiografia ha prestato scarsa attenzione.” [Segundo a mentalidade medieval, Pepino era agora um filo de rei e era chamado como primeira pessoa a assumir o poder régio, coisa que, em consideração à política conduzida pelo pai nos conflitos com os Merovíngios, abria ao príncipe, no próprio país, perspectivas completamente novas e cuja historiografia até agora prestou escassa atenção.]

324

sua obra exaltando as virtudes pessoais de Liutprando, suas conquistas militares e a firme paz realizada com os francos e ávaros.325

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