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CLASSE DE TROISIÈME

Dans le document Programmes du collège (Page 23-27)

Com metodologia diversa, procurou-se reestudar o mobiliário baiano (FLEXOR, 1970), que foi, progressivamente, incorporada por pesquisado- res em outras regiões, como o trabalho efetuado por Tilde Canti (1980),6

considerando, além da morfologia e cronologia, a sua inserção na socie- dade, mão de obra e materiais. Atualmente, esse trabalho revisado consta na página do Iphan como obra de referência.

Inventários, testamentos e autos de partilha, atas da Câmara, car- tas e provisões do Senado, posturas, livros específicos e registro de car- tas de exames e juramento de oficiais mecânicos, processos de litígios, pagamentos de fianças, cartas e provisões régias, regimentos de con- frarias etc. serviram de base documental para o levantamento de dados sobre os móveis baianos, em uso nos séculos XVII, XVIII e parte do XIX.

A cronologia utilizada, a partir desses documentos, foi, pois, basea- da na “vulgarização”, ou moda, dos modelos dos móveis, que vieram da Europa para a Bahia. As datas são mais reais, pois são aquelas em que hou- ve o grande e geral uso de determinado ou determinados modelos.7 A data

6 A autora adotou, em boa parte de seu trabalho, essa nova metodologia.

7 Como a base para o levantamento dos móveis foram os inventários e autos de partilha, houve

necessidade de se calcular a idade média de casamento dos autores, para a datação do mo- biliário, por se tratar de documentos pós-morte. O cálculo considerou a idade da maioridade

de introdução de novos modelos é secundária, de um lado, por serem em número reduzidíssimo, às vezes uma única peça e, por outro, porque sua vulgarização levava muito tempo a se efetuar. A defasagem entre o mode- lo luso e/ou inglês ou francês e a sua vulgarização, em algumas regiões, chegavam atingir mais de cinquenta anos. A defasagem acontecia mesmo nos centros mais adiantados, como Salvador e Rio de Janeiro.

Antes de tudo, é preciso considerar-se que não só a morfologia in- dicava a época do uso de determinados modelos de móveis, mas, tam- bém, a presença de oficiais mecânicos especializados na sua elaboração ou do uso de materiais específicos.8 E, se considerou, ainda, que a rotati-

vidade era diminuta, senão nula. Por outro lado, era comum se comprar móveis usados, em bazares de trastes e que, além disso, eles passavam, por herança, aos descendentes. Podiam ser adquiridos, igualmente, nos leilões dos espólios.

Na realidade, se se tomar os móveis, comumente usados nas ca- sas brasileiras, seria impossível estabelecer-se uma cronologia correta, pois eram usados modelos muito antigos ao lado de outros do estilo sub- sequente, junto com móveis da moda, ou à “moderna”, como se dizia. O mais comum, especialmente do século XVIII, em diante, era a utiliza- ção de peças isoladas de móveis, de formas e estilos diferentes, e de três tipos – de luxo,9 ordinários10 e toscos11 –, a depender das posses de seus

– 25 anos –, em que o casamento era permitido, a idade dos filhos, além da média da expec- tativa de vida, de 50 anos. (APEB, 1700-1850)

8 Madeiras diversas, fechaduras mouriscas, puxadores de latão, madeiras folheadas, couro la-

vrado, sola picada, palhinha, damasco, veludo, verniz, vidro, mármore, pintura branca ou co- lorida, douramentos etc.

9 Feitos com madeira de lei e com ornamentação bastante rica. Em geral, os mais luxuosos não

eram tabelados pela Câmara e o preço de sua execução era combinado entre o mestre do ofício e o cliente.

10 Que significava “comuns”. Eram, também, feitos com madeiras de lei, mas com ornamentação

mais contida e menos aparatosa e o seus modelos, em geral, eram taxados pelos Regimentos, dados pela Câmara, aos oficiais mecânicos responsáveis pelo ofício de marceneiro.

11 Feitos de madeiras comuns, em geral, a madeira branca, usada nas caixas de açúcar, e eram

próprios para uso popular ou áreas de serviços domésticos, executados em espaços fora do corpo da casa. Eram muito simples, com linhas retas, sem características de estilo dignas de atenção.

donos e dos aposentos. Não havia o requinte de uniformização decorativa e nem havia chegado, ainda, ao conceito de mobília, pelo menos na Bahia.

Como indicação didática, adotou-se a designação dos estilos gerais da arte europeia, com os anos de respectivo uso: móveis de linhas retas, com guarnições12 de almofadas renascentistas,13 primeiro barroco, com

torneados e retorcidos, segundo barroco e rococós, com talhas e estru- turas curvas, neoclássicos com linhas retas, colunas estriadas etc., eclé- ticos e estrangeiros com retornos estilizados do século XVIII (Figura 4). Além disso, existiam os modelos de transição, que misturavam compo- nentes estruturais e decorativos de estilos diferentes, como talhas com torneados, por exemplo, ou casamento de rocalhas com talhas barrocas. Por não haver nem ter sido usado o conceito de “mobília”, dentro da nova metodologia, preferiu-se designar os móveis de acordo com a sua utilidade:

a. móveis de guardar (caixas, caixões, arcas, frasqueiras, contado- res, cofres, armários, guarda-roupas, guarda-louças, cômodas); b. móveis de descanso (leitos, camas, catres, preguiceiros, cadei-

ras, tamboretes, bancos, sofás, canapés);

c. móveis de refeição e decoração (mesas, bufetes, bancas, tremós); d. móveis de higiene (toucadores, gamelas, tinas);

e. móveis de oração (oratórios, altares de dizer missa); f. móveis de transporte (liteiras, cadeirinhas de arruar).

Essas designações se adequavam perfeitamente aos móveis de uso civil, quanto religioso, e móveis de pequeno ou grande portes.

12 Conhecidas como almofadas.

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