4. MARCO TEÓRICO
4.3. Clasificación de la Funciones ejecutivas
A ideologia do empreendedorismo tem um lugar reservado no projeto educativo dos industriais organizados na CNI. É um dos elementos que balizam o novo perfil de trabalhadores que lhes interessa formar, para ampliar o ―estoque de capital humano‖ disponível e na subordinação da produção de conhecimento à lógica da inovação.
Em síntese, os industriais dão ao empreendedorismo um papel na produção de comportamentos individuais da classe trabalhadora, tanto no que tange ao âmbito direto do trabalho quanto aos demais aspectos da vida social (CNI et al 2004; CNI et al 2005b; CNI, 2007). O empreendedorismo seria então uma competência transversal na formação profissional (CNI, 2007), e uma cultura a ser disseminada, nos diferentes níveis e modalidades de ensino e a todas as gerações, relacionado à aplicação prática dos conhecimentos, a empregabilidade, proatividade, liderança, criatividade, resolução de problemas, comunicação, e inovação (CNI et al 2004; CNI et al 2005b). Ou seja, o empreendedorismo parece ter lugar na conformação de um novo trabalhador, disposto a se adequar à nova disciplinação do trabalho e à nova sociabilidade burguesa, mais propenso a aceitar novas expropriações de direitos: o trabalhador flexível, ou trabalhador empreendedor (CUNHA, 2007; COAN, 2011).
O empreendedorismo entra em cena nos documentos em conjunto com um pacote pedagógico que visaria adequar o conteúdo da formação às demandas da ―sociedade do conhecimento‖ – a pedagogia das competências, do aprender a aprender, do aprender fazendo. Uma ―modernização‖, que em última instância tira a centralidade da apropriação crítica do conhecimento, e ataca a figura do professor, colocando peso no pragmatismo, na aplicação prática, na experiência
como processo formativo central – ou seja, uma modernização conservadora.
E, mais especificamente, é enfatizado na proposta de modernização da formação de engenheiros. Inclusive os industriais nomeiam esse novo perfil de engenheiro como engenheiro- empreendedor (IEL, SENAI, 2006). Nossa hipótese é de que esse apelo específico na formação ―empreendedora‖ do engenheiro pode ser entendido como mais um artifício para a redução de salários e direitos dessa categoria. Junto à ampliação das vagas e novos cursos, que teriam a função de multiplicar o exército de reserva de engenheiros (KENJI, 2014), a indicação do empreendedorismo na formação pode ter o papel de abrir (ou ampliar) um caminho de terceirização das funções destes trabalhadores, sendo mais um fator de queda da pressão sobre os salários.
É neste contexto que a CNI aponta, como uma ação prática de suas diretrizes políticas, o estímulo às empresas juniores (CNI et al 2005b; IEL, SENAI, 2006). Primeiro no Mapa Estratégico como uma iniciativa no âmbito da inovação, junto às incubadoras de empresas (CNI et al 2005b). E, em seguida, no documento Inova Engenharia, no conjunto de medidas de modernização dos métodos e conteúdos de ensino, como um instrumento de formação do engenheiro empreendedor (IEL, SENAI, 2006).
As passagens em que os industriais prescrevem o apoio às EJs em seus documentos são breves (CNI et al 2005b; IEL, SENAI, 2006). No entanto, podemos encontrar convergências nos fundamentos dos seus projetos educativos. De início, é possível observar que tanto os industriais quanto a Brasil Junior dão as suas políticas e práticas educativas o sentido de persecução do télos da competitividade:
Acreditamos em um país mais competitivo, com
empresas melhores, governos melhores e
universidades melhores; mais ético; íntegro e comprometido com a verdade; mais meritocrático, onde as pessoas são protagonistas de seu crescimento e mais realizador, onde boas ideias saem do papel. (BRASIL JUNIOR, 2014b, s.p. grifos nossos)
O País que queremos. O Mapa define objetivos,
metas e programas capazes de consolidar o Brasil como uma economia competitiva, inserida na sociedade do conhecimento e base de uma das principais plataformas da indústria mundial:
inovadora, com capacidade de crescer de forma sustentável, com mais e melhores empregos. (CNI
et al, 2005b, p. 9, grifos no original)
Ambas encaram a educação de forma instrumental, no sentido de aprofundar a dinâmica capitalista, subordinando a vida social ao télos da competitividade empresarial. Para a Brasil Junior o meio de alcançar esse horizonte é a formação de empreendedores (BRASIL JUNIOR, 2014b). E o empreendedor, tanto para os empresários juniores quanto para os industriais, é considerado um novo modelo de homem – uma figura que não está restrita ao mundo dos negócios, mas que caracteriza o sujeito em todos os aspectos da vida (CNI et al 2005b; BRASIL JUNIOR, 2014, s. p.).
Assim, o empreendedorismo se torna um conteúdo de interesse na educação para a CNI, que deveria ser disseminado em todos os níveis de ensino (CNI et al 2004; IEL, SENAI, 2006; CNI et al 2005b; CNI, 2007), e é o eixo do processo formativo das empresas juniores (BRASIL JUNIOR, 2012a; 2012b; 2014). A atuação das EJs tem exatamente o sentido de disseminar o empreendedorismo na educação superior, formando os estudantes universitários para que passem a se entenderem como empreendedores (BRASIL JUNIOR, 2014, s. p.).
Por último, destacamos que o processo formativo das EJs se ancora exatamente no conjunto de ideias pedagógicas que perpassam o discurso educativo da CNI. Consideramos a ―vivência empresarial‖, o principal método pedagógico das EJs (BRASIL JUNIOR, 2012a; 2012b; 2014), um desdobramento da pedagogia das competências e da ideia de aprender fazendo.
Para a Brasil Junior a ―vivência empresarial‖ é entendida como o processo de experimentação do estudante na empresa júnior, nas atividades de gestão, nos projetos, promovendo a cultura empreendedora (BRASIL JUNIOR, 2014). E a partir dela, o estudante poderia adquirir um conjunto de competências de caráter técnico, gerencial e empreendedor (BRASIL JUNIOR, 2014). A ênfase é então na vivência prática no âmbito da empresa, bastante similar à noção de educação hands on da CNI (IEL, SENAI, 2006). E nota-se, ainda, que o resultado do processo educativo não é a apropriação dos conhecimentos produzidos pela humanidade, com reflexão crítica, e sim o desenvolvimento de competências (BRASIL JUNIOR, 2014), noção que atravessa os documentos da CNI (CNI et al 2004; IEL, SENAI, 2006; CNI et al 2005b; CNI, 2007).