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Citrix ICA

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5. Sessions

5.1. Citrix ICA

Para atingir o objetivo proposto, utilizei como instrumento de geração de dados um questionário escrito e um roteiro para a composição da narrativa dos participantes. O primeiro serviu para fins de geração de dados mais gerais e sobre o perfil dos participantes e sua relação com os programas de internacionalização para mobilidade acadêmica, além de sua compreensão sobre as políticas por trás de tais programas. Já no caso do material gerado a partir das narrativas, usei-o para verificar as hipóteses formuladas para esta tese quanto ao que revelam as políticas institucionais de internacionalização e as ações de hospitalidade, bem como as práticas discursivas nas interações envolvidas no lócus da pesquisa.

Entendo que a maior riqueza dos dados será perceptível nas narrativas, pois estas permitem maior liberdade de expressão e espontaneidade dos participantes com poucas intervenções do pesquisador. Assim, como detalha Franco Ferrarotti (1988, p. 26), os

participantes podem “explicar as pequenas coisas, o cotidiano, o simples, o comum, em detrimento das grandes explicações”. Tendo mais voz nas narrativas e estando mais livres para poderem expressar-se, Kenji Hayashi (s/n, p. 13) assevera que tais participantes “evidenciarão rastros, contradições, equívocos, falta de transparência, manifestações do inconsciente que escapam ao falante”. Por isso, segundo Norman Denzin e Yvonna Lincoln (2006), Uwe Flick (2009; 2013), George Gaskell (2013), além de Sandra Jovchelovitch e Martin Bauer (2013), posso afirmar que esta pesquisa é qualitativa sob o paradigma pós-positivista, axiológica, ontológica e, epistemologicamente, de cunho interpretativista.

As pesquisas científicas podem ser classificadas quanto à natureza em básica ou aplicada, quanto ao tipo em bibliográfica, documental, de campo, experimental, exploratória, descritiva, entre outras. Quanto à abordagem podem ser quantitativa, qualitativa, crítica ou mistas e quanto ao método em indutivo, dedutivo, hipotético-dedutivo e outros. Não vejo como necessário apresentar uma explicação detalhada de cada um dos itens mencionados no parágrafo anterior. Porém, gostaria de ressaltar brevemente alguns desses construtos que contribuem para meu roteiro investigativo.

Embora com nuances, ora atribuem a Platão ora a seu mentor, Sócrates, a máxima: “Uma vida não questionada não merece ser vivida”. O que me importa aqui é que em sua essência ela resume o objetivo de uma pesquisa aplicada, a saber, questionar o valor pragmático da realidade. Essa ação repetida à exaustão a partir de uma construção coletiva de um corpo epistemológico balizado conduz à compreensão e intervenção de contingências sociais imperiosas. Fábio Appolinário (2011, p. 146) diz que a meta da pesquisa aplicada é “resolver problemas ou necessidades concretas e imediatas”. Antonio Gil (2002, p. 17) complementa ao dizer que “realizar a pesquisa pura, dissociada da aplicada, é inadequado, tendo em vista que a ciência objetiva tanto o conhecimento em si mesmo quanto as contribuições práticas decorrentes desse conhecimento”.

Portanto, com base no exposto acima, ressalto que minha pesquisa se enquadra no escopo aplicado. Conforme discuti nos objetivos a que me proponho neste trabalho, almejo encontrar respostas às questões levantadas visando ao entendimento e à mensuração do fenômeno relacionado às políticas de internacionalização da educação no Brasil com o fito de produzir conhecimentos, os quais, uma vez compartilhados, poderão contribuir para uma

melhor compreensão e, quiçá, novos direcionamentos para essa questão visando ao benefício dos estudantes em mobilidade acadêmica.

Paradigmas em pesquisa científica servem como fundamentos para que se determine a abordagem metodológica a ser adotada ou uma combinação delas. Ao arriscar-me a traçar um breve mapa dos paradigmas de pesquisas nas ciências, reproduzo aqui o duo positivista normalmente associado à base quantitativa que se considera especialmente de caráter experimental-hipotético e o interpretativista de viés qualitativo com foco mais humanista, interativo, etnográfico e fenomenológico. Essa descrição encaixa-se no que, normalmente se difunde, como sendo as maneiras de se fazer pesquisa. Via de regra, esses modos de se fazer ciência são tidos como excludentes entre si. Não há lugar para hibridismo. Qual pesquisador devo ser uma coisa ou outra.

No entanto, veja o que disse há duas décadas uma pesquisadora da FE/UFRJ:

Os rótulos quantidade versus qualidade tornaram-se pregnantes, cada um deles aglutinando em torno de si características referentes a outras dicotomias igualmente simplificadoras como descritivo versus interpretativo, objetivo versus subjetivo, entre outras. Em consequência, criou-se, pelo menos entre aqueles que se guiam pela vulgata qualitativa, uma espécie de ojeriza ao número, como se fosse desprovido de significado ou tivesse o poder de macular a pureza paradigmática. Não é incomum ver, em estudos qualitativos, o autor utilizar expressões vagas como ‘muitos’ ou ‘a maioria dos respondentes’. Que maioria? 26 dos 50 ou 48 dos 50? As duas ‘maiorias’ citadas têm certamente significados diferentes e que o número poderia elucidar. (ALVES-MAZZOTTI, 1996, p. 16)

O alerta acima, em tom de denúncia, serve para mostrar que é necessário sair da lógica binária e excludente em pesquisa e pensar em hibridização de abordagens de acordo com os meios e os fins da pesquisa. Mais recentemente, posso alistar no rol de paradigmas de pesquisa o crítico cuja postura é anti-ideológica e de cunho participativo, político e interventor. É evidente que não é minha intenção neste trabalho, muito menos neste ponto, dissertar sobre o tema em pauta nem fornecer uma lista exaustiva de paradigmas e abordagens usadas em pesquisas, tampouco dar uma explanação sobre cada uma delas. Apenas quis fazer referência aos paradigmas que abrigam as abordagens que serão usadas como recursos metodológicos para o manuseio dos meus dados.

Por conseguinte, quanto à abordagem, assevero que minha pesquisa será quantitativa, qualitativa e crítica. Por quantitativa, coaduno simplistamente com Maria Lucia

Rodrigues e Maria Margarida Limena (2006, p. 89) quanto “à quantificação, análise e interpretação de dados utilizando-se da estatística”. Assim, o foco da pesquisa reside nas variáveis e não no processo, pois a relação é causal e não baseada em juízo de valores.

Quanto a abordagem qualitativa, Yvonna Lincoln e Norman Denzin dizem:

A palavra qualitativa implica em uma ênfase nas qualidades do fenômeno e nos processos não experimentáveis ou mensuráveis em termos de quantidade, intensidade, ou frequência. Os pesquisadores qualitativos concentram-se na natureza da realidade socialmente construída, na íntima relação entre o pesquisador e seu objeto de estudo, e as limitações que se impõem à pesquisa. Esses pesquisadores salientam o valor intrínseco de suas investigações. Buscam respostas às perguntas relacionadas às experiências sociais e à sua atribuição de sentidos. (DENZIN; LINCOLN, 2005, p. 14)

Minha pesquisa se caracteriza como qualitativa posto que meu foco está diretamente associado a um fenômeno social material com o qual, à medida que interajo enquanto pesquisador social, terei condições de observá-lo em sua complexidade e múltiplas variáveis e ainda interpretá-lo uma vez munido dos pressupostos epistemológicos que guiam esta investigação. Já que meu fenômeno social se relaciona com as políticas de internacionalização da educação no Brasil, minhas lentes se focam nas questões de desigualdade e dominação e que, segundo minha compreensão, causam prejuízos aos estudantes em mobilidade acadêmica.

Por isso, meu trabalho se circunscreve tanto no campo da linguagem quanto no da educação que visa à transformação social. Logo, coaduno com Phil Carspecken e Michael Apple (1992, p. 509) quando dizem que os educadores e “a educação não deve ser neutra em relação aos conflitos ideológicos da sociedade. Ela deve ser uma importante arena onde a dominação é contestada e a hegemonia é quebrada na criação de um senso comum de um povo”. Assim, diante do exposto acima, adoto também a abordagem metodológica crítica.

Esta abordagem é pautada pela teoria crítica cujo objetivo é conectar os fenômenos sociais aos eventos sócio-históricos a fim de expor sistemas de dominação, pressuposições ideológicas e discursos latentes. [Enquanto abordagem, sua] posição filosófica central é libertar ou “emancipar” aqueles que estão sob o jugo do poder e dominação. O pesquisador que assume uma postura [metodológica] crítica adota uma agenda proativa com a meta de empoderar as pessoas e transformar seu entorno político e social. (HARSCASTLE, et al., 2006, p. 151)

Como já discorri antes neste texto e alinhado ao que declara Mary-Ann Hardcastle, et al., assumo essa postura metodológica crítica para adotar uma agenda proativa com a meta de apontar aos estudantes em mobilidade acadêmica caminhos que possibilitem a transformação de seu entorno político e social, seus loci universitários. Em suma, esta será uma pesquisa cuja abordagem será híbrida em sua natureza.

Por fim, como parte desse roteiro, gostaria de abordar brevemente a questão de método na pesquisa. Entendo que o fazer científico se constitui na adoção de um procedimento metódico e sistemático a partir de uma, ou mais, hipóteses que regulam as ações constituintes de conhecimento. A proposta de abstração, conclusões por generalização exacerbada, e a proposta de silogismo, conclusões por inferências, da premissa indutiva- aristotélica vai de encontro à ordenação metodológica; portanto, não contribui para o conhecimento da verdade científica dos fatos.

Com essa crítica em mente estou tratando do método indutivo que consiste, segundo a definição de Maria de Lourdes Bacha (2002, pp. 43, 44), em um “processo de eliminação que nos permite separar o fenômeno que buscamos conhecer de tudo o que não faz parte dele. Este processo envolve não só a observação e contemplação dos fenômenos, como também a execução da experiência em larga escala”. Em outras palavras, na lógica indutiva é somente a partir da observação sistemática e metódica e de conclusões, ainda que prováveis, da microrrealidade concreta é que se torna factível conceber uma generalização do fato. Tatiana Gerhardt e Denise Silveira (2009, pp. 26, 27) arrematam essa ideia argumentando que “as circunstâncias e a frequência com que ocorre certo fenômeno, os casos em que não se verifica e os casos em que apresenta intensidade diferente tornam possível, a partir da observação, formular uma hipótese explicativa da causa”. Assim, entendo que a premissa indutiva alinha-se a contento a uma das dinâmicas de análise que empreenderei, i.e. a pesquisa interpretativista e o sistema de avaliatividade.

O método dedutivo se contrapõe ao indutivo. Parte justamente da lógica inversa, ou seja, enquanto no indutivo partimos da microrrealidade à generalização, no dedutivo o ponto de partida da cadeia de observações é da macrorrealidade à formulação de conclusões ou propostas particulares. Sua origem reside no pensamento matemático cartesiano orientado pela síntese e enumeração. Sendo racionalista em sua natureza, esse método pressupõe que a

razão é o único caminho disponível ao cientista para que esse possa alcançar o conhecimento verdadeiro.

René Descartes (2003, p. 6), um dos preceptores desse raciocínio, diz que um dos objetivos do método é “o de conduzir por ordem os pensamentos, iniciando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para elevar pouco a pouco, como que galgando degraus, até o conhecimento dos mais compostos e presumindo até mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente”. É importante acrescentar que nesse método o ponto de referência guarda uma relação familiar com o pesquisador, com sua realidade e sua concepção de mundo. Assim, a tarefa central do método não é produzir conhecimento mas, antes, organizar o já existente em categorias menores e mais específicas tornando-as evidentes e irrefutáveis, pois são de fácil comprovação. É neste sentido que penso que a dedução converge com o construto ideologia e a análise de discurso crítica.

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