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Choix des alternatives et décisions

Dans le document Juillet 2009 (Page 77-0)

Chapitre 3. Le modèle conceptuel

3.1. Le concept du modèle

3.1.1.2. Choix des alternatives et décisions

Interação entre investigador, escola e comunidade realizada na Escola Bevenuto Simão com o objetivo de refletir sobre o ensino e a pesquisa em arte, partindo dos problemas, das experiências e da história da comunidade. Com uma turma de educação infantil, contendo vinte crianças matriculadas a frequentar, um adulto na

sala e uma criança a visitar, gostaria de apresentar alguns pontos que me parecem importantes para o que estava a discutir.

Se professores e alunos não se conectarem com o etos, práticas, objetivos, estratégias para a solução de problemas, experiências e histórias que caracterizam a comunidade, a experiência baseada na comunidade não passará de um exercício sem propósito.

(DANIEL, 2009, p.133)

As crianças se aproximaram e demonstraram aceitar-me entre eles, mesmo antes da aula começar, tornei-me benvindo, permitindo que na altura estivéssemos unidos: investigador, professoras, alunos, direção da escola e comunidade buscando estratégias e novas perspectivas para pensar a educação artística e a pesquisa em arte, valorizando e investigando as originais palavras dos miúdos da escola tradicional quilombola, assim como o poeta “não gosto da palavra acostumada” (BARROS, 2010, p.348).

Aqui destaco como um ponto importante para os desígnios da intervenção o relacionamento afetivo e cordial conquistado entre o investigador, os alunos e a comunidade, conectados intrinsecamente nos mesmos propósitos e estratégias para refletir sobre as questões educacionais, culturais, sociais e artísticas pertinentes à comunidade negra e principalmente não reproduzir atividades inócuas e exercícios sem propósito, exclusivamente para acalmar, ocupar ou entreter as crianças para fora dos interesses quilombolas.

Após esse encontro, foram frequentes nas aulas, para além das crianças os adultos a participararem, acontecimento resultado, imagino eu, por ter falado com a coordenação e com as professoras sobre a intenção de levar para as famílias da comunidade a discussão sobre o tema da casa: uma vez que a casa está na escola. A escola está nas casas. As duas se encontram. O conhecimento da casa tem espaço na escola e queria ouvir narrativas orais sobre essas questões também dos adultos. Preparado para interagir com os pais, avós e familiares dos estudantes com o foco no tema: a casa. A questão residia na possibilidade de se ver a educação artística a partir do micro - a casa, para o macro - a escola e a comunidade, “a experiência tanto dos professores como dos alunos é fonte de conhecimento prévio proveniente de conexão com a comunidade” (Idem, 2009, p.133). Com essa ação coletiva envolvendo diferentes atores e instituições como a escola, a casa e a comunidade, mobilizava a arte invisível e como cultura.

procurei identificar o conhecimento que eles traziam sobre a realidade quilombola, a biodiversidade da caatinga e quais curiosidades eles descreveriam, “esses descritores partilham da palavra falada como narrativa” (Idem, 2009, p.139). Os saberes da casa estavam na escola. A escola não baseava seu conhecimento exclusivamente nos livros, mas também nos saberes dos mestres griôs configurado na pedagogia da comunidade.

A experiência de luta e de resistência ao regime escravocrata dos desbravadores da liberdade de Conceição das Crioulas estava na narrativa oral, e não nos livros didáticos, mas isso não impedia os miúdos de acessar esse conhecimento, uma vez que a educação escolar quilombola específica, diferenciada e intercultural valoriza a sua própria cultura, e homenageavam seus antepassados.

As histórias de personalidades do Sítio Paula, trabalhada em sala de aula, por ainda não fazer parte dos livros, poderão desconstruir aquilo que Daniel chama de conhecimento prévio incorreto, ou seja, “um conhecimento prévio preciso pode ajudar os leitores a extrair informação de um texto, um conhecimento prévio inexato pode até mesmo interferir com o aprendizado” (Idem, 2009, p.133). Os saberes locais são fontes imprescindíveis para corrigir o que a história hegemônica sonega da população quilombola.

Os estudos de Daniel mostram “que é mais difícil de corrigir um conhecimento prévio incorreto durante o processo de aprendizagem do que assimilar uma informação desconhecida” (Idem, 2009, p.133). A intervenção que foi realizada percebeu a casa, a família e a comunidade como fonte de conhecimento prévio da cultura e da história de resistência à escravidão e as narrativas como possibilidade de argumento para a desconstrução dos conhecimentos incorretos sobre os afro- brasileiros.

Palavras e as narrativas orais das crianças e da comunidade permitiram-me pensar a educação artística e a investigação em arte partilhada com os saberes locais, abordando ações afirmativas da história, da cultura, da religião e da maneira de ser, viver e intervir no mundo dos quilombolas de Conceição das Crioulas, visando outro olhar sobre as crianças, a escola e a comunidade tradicional.

Com a ação de se escutarem atentamente as narrativas pessoais e individuais de estudantes e familiares, a intenção residia no observar e desconstruir, possíveis conceitos e ideias incorretas, construídas social e historicamente sobre o negro, opinião errada baseada em intolerância, preconceito, e estereótipo que inferioriza o outro e não reconhece o outro nem como diferente, e muito menos como igual.

Os professores que pelejam no sentido de corrigir conceitos errôneos baseados em preconceitos, estereótipos, medos infundados de pessoas, culturas e comunidades desconhecidas, esforçam para corrigir conhecimentos inexatos.

(Idem, 2009, p.134)

A minha imersão no território sertanejo tornou mais consciente o papel de uma investigação e os limites de suas possibilidades, neste sentido, minha postura repudiou todas as práticas colonizadoras, dimensionando as ações propostas para o afastamento de discurso da salvação e da louvação ingênua do trabalho realizado, procurando no sentido inverso, entendê-la como de aprendizagem, do próprio processo e da possibilidade única de refletir, numa proximidade intensa, sobre a violência do preconceito, do estereótipo e do racismo que sofreram no passado e continuam no presente a sofrer a população afro-brasileira.

Neste segundo encontro, desenvolveu-se a atividade de oficina com garrafas de plástico. Apareceram muitas garrafas. A professora deu as instruções para cortar a ‘boca’ e o fundo e depois se produzirem por corte tiras, para em seguida se construírem objetos, usando cola, cartolinas, folhas e o que se pudesse encontrar e imaginar. Misturado com as crianças estava também comigo a semente da irreverência e da liberdade que afronta o conhecimento estabelecido e cria outro olhar sobre o mundo. Durante a atividade de amassar, cortar, ajudar os alunos a produzir os seus trabalhos, tive aquela rara sensação de estar partilhando algo com eles, a relação natural e espontânea estava a acontecer, o envolvimento enfim nascia, entendi o significado do poeta criança presente em Manuel de Barros, ao investigar nesta atividade a grandeza da natureza e do ser em coisas ínfimas, como garrafas de plásticos descartadas como lixo.

O inesperado: as tiras de plástico cortadas em diferentes tamanhos para construção de uma casa, com colagem em cartolina, não colavam. Novas tentativas, uso de diferentes maneiras: apertando junto a cartolina as tiras por muitos minutos, prensando as tiras com livros, tijolos e pedras, e nada de colar o plástico no papel. O que mais me encantou nesta atividade, para além da procura insistente de soluções no uso dos materiais existentes (apenas uma qualidade de cola), foi o envolvimento das crianças com os materiais descartáveis e a colaboração entre eles.

É preciso dizer que o problema da cola não se resolveu, mesmo depois de muitas tentativas, a única cola existente na escola era indicada para as colagens de madeira de média e baixa densidade, papel, papelão e materiais porosos em geral, e não plástico relativamente resistente como eram os das garrafas que coletamos nos entulhos e lixos próximos da escola.

Durante a oficina com garrafas descartáveis ocorreu-me a ideia de mostrar e discutir com os estudantes, e seus familiares o filme: Lixo extraordinário, (Lucy Walker, 99 min, Downton Filmes) sobre o artista plástico brasileiro Vick Muniz, e repetir a experiência do documentário, fazendo a casa e outros desenhos usando o material descartável, agora a desenhar no chão, seguido de fotografias tiradas por todos nós. As narrativas orais como conteúdo de educação artística, descritas por Daniel tinham as seguintes características: “ora em estilo livre e extemporâneo, ora meticulosamente preparado” (Idem, 2009, p.139). O que estava a procurar na segunda intervenção era um misto de trabalho livre com programado, o objetivo era auxiliar no desenvolvimento do tema a casa, usando material plástico e anotar as suas falas, dúvidas e inquietações sobre a atividade proposta.

Dans le document Juillet 2009 (Page 77-0)

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